quinta-feira, 7 de maio de 2015

Frederico Pau de Arara, HUT, 06/05/2015

Querido e amável diário...

Hoje a noite foi marcada  por desencontros. Alguns erros de comunicação me levaram a atuar com outro grupo.Agora, depois de toda a atuação, concluo:Nada nesta vida acontece por acaso...(vocês entenderão o porque desta frase)
Josefina perna fina e Marieta da estampa foram minhas fiéis companheiras neste noite com cara de clown...
Destaco, primeiro, a tentativa pífia de comunicação com Seu Antônio.Confesso que ele não se sentiu envolvido por esta atuação. Nos deixando ansiosos pelo diálogo que, depois, ocorreu, ainda que marcado por alguns "An?", "Como?", "Um?".
Lembro com muito carinha de Seu José. Aquele Senhor tão simpático que conversaria horas conosco. Ele, acompanhava sua esposa, casado há 51 anos. Sim, 51 mesmo. Que lindo! Ele, alí, do lado dela, cuidando da forma mais humana e afetiva que há. O amor era nítido.
Por fim, finalizo com a história que, de longe, foi a que mais me comoveu. Após ter me afastado um pouco dos outros pacientes do quarto, deparo-me com Joselma..Quando pergunto se ela está bem recebo como resposta um sorriso tímido de "sim, estou levando". Joselma acompanhava a mãe que é portadora do Alzheimer, já em um estágio avançado.Dona Maria, sua mãe, tinha olhos assustados. Ela, ali, quieta, coberta sobre um lençol de belas rosas estampadas.Joselma,então,começou a contar-me sobre sua vida,sobre a situação e a luta diária que travava...O processo de esquecimento que a sua mãe enfrentou decorrente da doença.Não deve ser fácil você ser "esquecido" por aquela pessoa que você mais ama. Me pus no lugar de Joselma e quis chorar...A incrível força dela é admirável. Ainda que, segundo ela, muitos médicos já tivessem "desacreditado" que sua mãe resistisse por mais tempo, ela estava lá...Doando-se integralmente. O amor era nítido. O carinho dela ao proferir "Olha, bebê, sorri para o moço" para Dona Maria me cativou...A compaixão me invadiu.Quis sair daquele quarto. Eu, particularmente, já estava "frágil" diante a situação em que me encontrava.Mas fiquei. O meu coração me pedia par que eu ficasse.Ouvi até o fim.E, quando minhas companheiras, presenciaram aquilo e viram que a emoção já estava à flor da pele, instantaneamente, tentaram reverter a situação para que saíssemos dali. Por fim, abracei Joselma e fiz o que, naquele momento, eu poderia fazer: Disse-lhe que tudo ia dá certo e que Deus iria interceder por sua mãe...
A sensação de "impotência" foi a mais frequente pós atuação...Queria ajudar mas, infelizmente, não podia fazer nada. Ofereci o que me era acessível: os meus ouvidos, as minhas palavras e o meu abraço.
Josélia, Dona Maria me fizeram abandonar Frederico Pau de Arara por uns instantes e ser eu, Guilherme, da forma mais disponível. Me fizeram repensar sobre a minha própria vida.
Fica comigo a lembrança mais nítida de amor, afeto, cuidado,atenção,carinho naquela atuação. 


De fato, nada nesta vida acontece por acaso.

Que Jesus possa interceder pela vida de Dona Maria.

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