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domingo, 19 de janeiro de 2014

Olivia Traço Preto- Diários Atrasados- HUT

 A segunda atuação de Olivia Traço Preto e Rosinha dos retalhos contou com a participação de João Canelão, uma surpresa agradável, porém muita responsabilidade. João Canelão tem o jogo muito alto e às vezes vinha o medo, confesso que Olivia se atrapalhou um pouco c essa preocupação, porém não deixamos de vivencia e aquela experiência e tentar adaptar nossos jogos.
E como tudo vai surgindo, foi surgindo desfiles um acompanhante desfilando com todo seu charme narrado por Olivia Traço Preto, histórias do homem com 3 mulheres e centenas de filhos onde nem cabiam na sua rural. Danças pelos corredores, músicas. Surgiam também tentativas frustradas de aproximação com alguns profissionais, surgiam agrados, balinhas para os palhacinhos.
E os estagiários de medicina, quanta maldade “uns com tanto cabelo, outros sem nada”, a gente bem que poderia se conter, mas quem disse que a gente queria, rs.
Nossa terceira atuação, dessa vez sozinhas, e com o gorro de papai Noel Olivia e Rosinha percorreram aqueles corredores, e encontramos uma guia, uma acompanhante que nos levava em todos os quartos, que de certa forma estava também ali prestando um acolhimento e cuidado para aqueles que nem conhecia. Encontramos muitos risos, muitos elogios, mas também tristeza, em um quarto apenas com uma mãe entubada uma senhora nos olha de longe e chora, e agora? Oferecemos um abraço, nossa guia palavras confortadoras.

Em outro quarto uma criança, curiosaaaaaa,rs. Porque vcs estão usando esse chapéu? Porque estão usando esse nariz? Mas também doce e agradável: vocês são tão lindas, você também com a nossa guia, me dê um abraço? São nessa horas que nos sentimos recompensados por esse trabalho, um abraço e o sorriso de uma criança que a pouco chorava com medo de sua cirurgia.

Olivia Traço Preto - HUT - 30/11/2013

Quanto tempo diário há muito não te escrevia, entre férias, viagem MCA, há muito tempo não atuava e te relatava meu dia. Pois bem, depois de tanto tempo, deu aquele velho gelinho na barriga, até porque havia mudado local de atuação e companheiros de atuação, dessa vez iria com minha companheira San, a qual nunca tinha tido oportunidade de atuar.
Chegamos ao Hospital ás 17 horas e encontramos outras companheiras que atuariam no mesmo horário (Railma e Sossai), nos arrumamos e subimos nosso lindo nariz juntas, a emoção e a vontade é sempre a mesma e lá vamos nós ao encontro de outros.
Atuamos no 2º andar, achei pouco o movimento, poucos encontros, algumas procuras, alguém nos espera e desse jeito é sempre uma responsabilidade, me sinto pressionada, mas me lembro das palavras de gentileza, não vou necessariamente fazer o outro rir, mas vou ao encontro desse outro na tentativa de acolhê-lo. Encontramos Seu João, de tão debilitado mal podia falar, mas nos pediu pra rezar, vamos nós realizarmos seu desejo, oramos juntos e confesso que por um momento achei que ele morreria ali mesmo.
Nesse mesmo quarto encontramos seu Antônio que nos mostrou seu álbum de fotografia, apresentando toda a sua família, ali naquele quarto também se encontrava uma jovem muito alegre acompanhando seu jovem esposo. Arrumamos casamento em outro quarto, com um solteirão (assim dizia a Mãe dele) que lá estava internado, e por fim num ultimo quarto encontramos um senhor que de tão ranzinza me fazia rir e aumentar o jogo, ele reclamava que a gente estava ali pra zoar com a cara dele, que a gente estava aumentando a irritação o fazendo piorar, então pedi pra que ficasse sentado que faríamos alguns exercícios bioenergéticos, e ele ate concordou, estava já respirando profundamente como solicitado, mas ai voltou a achar que estávamos zoando com a cara dele, por fim nos expulsou em meio a risadas das outras pessoas que estavam no quarto.
Engraçado como essa situação que deveria ser desagradável, foi muito bem conduzida, até mesmo aquele senhor com aquele mal humor achava graça com o que estava acontecendo, esses são momentos que a gente percebe que nossa vaidade vai ficando de lado e que damos lugar  a uma espontaneidade capaz de driblar situações que poderiam ser desagradáveis.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Olivia Traço preto -16/09/2013 - Dom Malan

Aos poucos o nervosismo e o medo vão dando lugar a coragem e o enorme prazer de estar ali naquele espaço. Já consigo me arriscar mais no encontro com o outro, já consigo driblar certas situações que em outro tempo em deixariam constrangidas, tipo: um garotinho de três anos responder "bosta" depois de ter sido solicitado pra entrar no jogo e me transformar no que ele quisesse, até ele achou graça disso. Na oncologia, meu Deus, Gabriel tira o fôlego de qualquer um, quanta energia aquele menino, os jogos com ele fluem facilmente, é uma graça, mas dá um trabalho (risos). Gabriel chama tanto a atenção da gente que me esqueci do nome dos outros garotos com os quais brincamos e tiramos fotos.
Ali os encontros foram muitos, me sinto bem-vinda no espaço, olhos que nos procuram, bocas que nos chamam, mãos que acenam, dessa forma vamos percorrendo o espaço sem nem nos dar conta do tempo passar. Minhas segundas tem sido especiais, saio daquele hospital renovada, sinto que mais do que levando alegria, acolhimento e cuidado a todas as pessoas que ali encontramos, me cuido e me encontro a cada momento.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Olivia Traço Preto - Dom Malan - 09/09/2013





Como dês costume começamos a atuação interagindo com o pessoal nos corredores, é sempre uma graça só quando nos encontram, então seguimos para a oncologia, onde havia duas crianças, porém uma dormindo e a outra um bebezinho que não foi indiferente a nossa presença. Lá um senhor consertava um aparelho e então começamos o jogo que perdurou por toda atuação, a busca pelos bois, jegues pra ir embora.
O dia tava tranquilo, poucas crianças, mas as que encontramos conseguimos manter um bom contato, brincamos, dançamos, consolamos e fizemos tomar banho. Coisa boa é sentir como somos queridos e bem vindos por algumas crianças, quando agarram nossas mãos e nos pedem: não não vá embora, quando se sente que realmente nossa presença ali faz alguma diferença no dia delas.
Enfim, quero dizer que o dia hoje foi bom, que minhas companheiras estavam maravilhosas e que sai do Hospital muito feliz, satisfeita e motivada!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Olivia Traço Preto - 26/08/2013- Dom Malan

Como nem tudo são flores, hoje o dia também não foi dos melhores. Parece que a maioria das crianças tinham medo da gente, como foi dificil criar jogos, me senti desmotivada, as vezes dava vontade de sentar e deixar correr, mas algo mais me impulsionava, vamos arriscar, vontade nisso.
Encontramos alguns dos coleguinhas que estavam na semana anterior, no caso Francisco José, como foi bom vê-lo e acredito que  a alegria era reciproca, este não queria desgrudar da gente, que dificuldade para a mãe leva-lo para o quarto, tivemos que ir junto. Fiquei feliz ao saber que nós tinhamos conseguido fazer um garotinho que até então as companheiras de quarto nunca haviam escutado a voz me pedir pra dançar anitta, poxa, mas vacilei, não dancei porque havia dito que tinha dançando anteriormente, como de fato dancei com as meninas o show das poderosas, mas deveria ter realizado o desejo do garoto, fica a dica para as proximas atuações. rodamos aquele hospital em busca do tesouro escondido atras do arco-iris, isso porque já tinhamos encontrado um arco-iris (uma senhora que andava pelo corredor com um vestido bem colorido), tentamos o gênio da lampada. Mas ninguém sabia... a sede  me invadia e eu tinha que dá um jeito pra beber, ate que um senhor deu a dica de colocar a agua nos olhos e ela escorria pra boca, quanta maldade, minha companheira Valentina Bicudinha não permitiu isso e confesso que até gostei (risos). Quase terminando nosso tempo ali, adentramos algumas salas em busca de pagamento, coitado do nosso, acreditou e pediu pra que voltassemos mais tarde, será que alguém avisou a ele que era uma brincadeirinha? (risos) e assim terminou  mais uma atuação...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Olivia Traço Preto- 19/08/2013-Dom Malan

O dia que antecedeu a atuação foi de angustia, ficava me perguntando: será que vou conseguir? Tentava me convencer lembrando das palavras de Vits de que estávamos ali não necessariamente pra fazer o outro rir, mas pra ter um cuidado para com ela e esses cuidado podia se dá de diversas formas. Aí me tranquilizei, foi o que sempre quis fazer quando chegava aos hospitais e me deparava com tanto sofrimento e desumanização.
Acordei disposta, fui pegar ônibus e lá mesmo ia buscando energia, rindo de mim mesma, pois estava em pé no ônibus em grouding (conceito bioenergético que consiste em dobrar um pouco os joelhos) e quase dançando. Chegando ao hospital fui encontrando as companheiras e a mais nova do grupo - Amanda, tivemos um contratempo com a chave do salãozinho e fomos nos arrumar no banheiro. Prontas? Lá vamos nós, me sentia leve, disposta, disponível, adentramos aqueles corredores e fomos ao encontro e quantas encontros, quantos risos, os jogos fluiam bem, as crianças aderiam a eles, tiramos gente da cama e fomos andar no carro imaginário, fui hipnotizada, virei cachorro e gato.

Tudo fluía muito bem, até que em certo momento uma das funcionárias veio muito melancólica me dar a triste noticia de que o garotinho, aquele citado no diário, aquele que me preocupei por tá tão fragilizado e aquele que ri quando finalmente vi um sorriso do seu rosto quando falava como chupava a melancia, aquele garotinho havia falecido. Em estado de choque parei e fiquei olhando pra ela, pensei nas aulas de Silvia quando tanto debatemos sobre o tema morte, como encara-la? não foi fácil me deparar naquela situação e então quando abracei a funcionária descobri mais um motivo porque estava ali. Por um instante senti que cuidava de alguém, que por se humana e sentir a perda de alguém sofria e precisava desse cuidado, o simples gesto de abraça-la quando falava de sua tristeza por ter se apegado ao garoto.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Olivia Traço Preto- Dom Malan- 12/08/2013

Dessa vez iria apenas observar, enquanto minhas companheiras se arrumavam eu ficava ali também com um friozinho na barriga. Ao sair do salãozinho pra pegar água para usar a maquiagem uma garotinha se deu conta de que as palhacinhas estavam ali e contente gritou: mãe, as palhacinhas mãe!
Subiram o nariz e lá vamos nós, como elas estavam lindas, quanta energia e as crianças então nem se fala, a comunicação, o encontro fluía tão bem, confesso que me emocionei ali na oncologia e enquanto minhas companheiras brincavam com o danado Gabriel eu observava e tentava interagir de alguma forma com outra criança que chorava por que sua mãe teria que sair alguns instantes. Me aproximei e junto a uma das funcionárias do hospital tentava anima-lo e que lindo quando ele sorria e então falava de como gostava e chupava melancia.

 Aquele corredor ficou iluminado, nunca vi tanto sorriso, da janela observando  e olhando pra uma garotinha que tentava atropelar as companheiras com sua cadeira de rodas pensava: Aqui está o motivo deste trabalho, uma condição que seria de sofrimento pra muitos, se torno motivo de graça, de jogo. “ O sofrimento somente é intolerável se ninguém cuida” (Dame Cicely Saunders).

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Olivia Traço Preto Dom Malan 05/08/2013

No domingo que antecedeu a atuação mal consegui dormir, ansiosa demais, a todo momento ouvia a musica “durma medo meu” (Teatro Mágico) na tentativa de acalmar o coração e me encher de coragem, quando finalmente peguei no sono eis que sonho atuando, ai meu Deus é muita ansiedade. Segunda-feira acordo cedo e lá vou eu esperar minha companheira que demorou um pouquinho me deixando ainda mais ansiosa, chegando ao Hospital vamos direto fazer o crachá e enfim partimos para um salãozinho nos aprontar.   Bastidores, muita emoção, o ato de dar vida a Olivia Traço Preto me enche de muitos sentimentos bons, me sinto humana, forte, sensível, apesar de também ter medo.
Quando finalmente saímos daquilo salãozinho, surgiu aquele temor “e agora José?” vamos embora ao encontro do outro, não sabia o que iria encontrar, mas me deixei levar, senti dificuldades de me expressar, senti medo de tocar no outro naquilo que mais lhe dói, me policiei. Encontramos mães quase chorando por ter seu filho na UTI, senti vontade de abraça-la de consola-la, encontramos mães que pediam “ faz aqui meu filho rir”, filho que tava tão fragilizado que mesmo com todas as nossas tentativas não foi possível arrancar um sorriso daquele rosto. Encontramos muitas crianças, mas uma delas virou nossa guia turística, esta se alegrava de nos levar aos quartos, querendo se vestir como nós e até que estivéssemos presentes no seu aniversário.
O Hospital é um lugar que sempre me comoveu, que sempre despertou em mim inúmeros sentimentos: compaixão, raiva, medo. Um lugar que aqueles que o procuram já estão tão fragilizados e muitas vezes  não são acolhidos e cuidados como deveria de fato, a importância se dá apenas a questões técnicas e a dimensão humana do sujeito é deixada de lado. Pra mim foi um enorme prazer estar ali tentando promover o lado muitas vezes esquecido das instituições, a humanização.

Companheiras, Pedrita Bombom, Carminha Linguicinha e Juju Danoninho vocês são ótimas, as melhores do mundo , desejo que nossas atuações sejam inundadas de muito amor, companheirismo, que essa nossa trajetória seja de muito aprendizado, nos tornando cada dia pessoas melhores, mais sensíveis e futuramente profissionais humanizados.

sábado, 3 de agosto de 2013

Olívia Traço Preto - Abraço Grátis - 14/07/2013

DIÁRIO DE BORDO UPI

1º ATUAÇÃO: FEIRA AREIA BRANCA- PE

           Acordar num domingo as 05:30 da manhã não é de costume, muito menos uma
ideia fácil de ser acatada, porém esse era um domingo especial, uma atividade inédita,
depois de 12 dias de formação, de expectativa, dúvidas, medo, enfim era o dia da nossa
primeira atuação.
          Acordei já dizendo CORPO VIVO, gente não tava fácil tomar banho frio logo
tão cedo, mas ai fui me convencendo VONTADE NISSO! Coloquei a música de
alongamento (Não sei o nome) e fui me inspirando até a carona me ligar.
          Chegando em Petrolina quase todo mundo pronto, pressão baixa, mistura de
ansiedade, medo e fome , fui aos poucos me aprontando e dando vida a Olivia Traço
Preto.
          Já prontos, é hora de sair na rua, de cara chamamos a atenção daquele povo que
se encontrava na feira, surpresos com tal novidade. E agora o que fazer? A principio
buscava o encontro com o olhar, ai então sem muito o que dizer me aproximava e
oferecia o ABRAÇO e tão bom ver que ele era bem vindo.
          Ao percorrer a feira dando ABRAÇOS muitos agradeciam, elogiavam,
abençoavam, riam, choravam, outros reclamavam e outros ate cantavam: “um abraço
dado com bom coração é melhor que uma benção sexta-feira da paixão”.
          Não teve um momento mais marcante, todos em si tornaram aquele dia
marcante, a variedade de pessoas, de humores me fazia a todo momento pensar: É
PRECISO SE ARRISCAR PARA ENCONTRAR O OUTRO.  Finalizando, foi coisa
linda.