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terça-feira, 28 de julho de 2015

Rosinha dos Retalhos, HUT - 17.07.2015

O fim da tarde tava tão bom, com um vento tão gostoso que quando vi já tava virando a esquina da minha casa. Sai da atuação hoje tão leve que mal me dei conta do meu caminhar de volta para casa. Só espero ter levado um pouco dessa leveza para aqueles com quem encontrei no hospital.
A atuação hoje foi diferente, foi no HU, com minha melhor companheira Juju.
Aprendemos um montão da história circense, com o palhaço Chimarrão, que acredita que o trabalho do palhaço é o mais difícil que existe: fazer as pessoas rirem. Ele mesmo não deu nenhum sorriso ao encontrar a gente, disse que fazia tempo que não ria, que o palhaço geralmente é triste. Chimarrão (cujo esqueci o nome e só lembro do seu palhaço) queria que nos apresentar sua esposa, sua melhor companheira no circo e na vida. Ela estava em coma, mas pude conhece-la através do Chimarrão. Linda! Na verdade, LIND@S!
Encontramos também o Josué, que por sua deformidade na boca, não conseguia falar, mas quem disse que pra encontrar a gente precisa se apresentar falando? 
Eu e Juju mantivemos um diálogo bastante interessante com ele, apenas com sons estranhos com a garganta, e foi muito bom.

Tem sido muito bom há dois anos!
 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Rosinha dos Retalhos - M. Juazeiro - 13/07/15

Pegar maquiagem, pegar o ônibus. Tudo na maresia de pré-férias e pós almoço, fomos eu e Manu, minha melhor companheira.
Hoje atuamos eu, Juju e uma agregada que resolvemos adotar no nosso trio, a Lilica Amendoim, Vanda Lavanda por motivos de “atroveram” ficou de fora, observando.
O entrosamento do grupo se deu de forma muito boa. Eu, ou melhor, Rosinha com seu jeito de autoridade, ou melhor de solidariedade, jogamos de forma muito espontânea com a agregada do grupo, que não é lá muito pro meu lado, né Isabela?
Os encontros foram ótimos.  O entrar de mansinho nos quartos, assim meio que quem espera ser convidado com um olhar ou um sorriso. Hoje fomos convidadas até com o silêncio.

Assistimos um filme num cinema que não tem pipoca, ganhamos uma vó toda enxuta, descobrimos o que é “banho de luz”, descobrimos até novos tipos de sushi e torrada... Eita que as bochechas ficaram até vermelhas com dona Margaret.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Rosinha dos Retalhos - M. de Juazeiro, 25.05.2015

Hoje decidi que estava na hora da Vanda e Juju aturem sem a “monitora”. Vanda parece que já estava sentido o que ia acontecer e pediu para observar, mas realmente sentia que estava no momento certo para elas e insisti que elas atuações sem mim. Quando dei a notícia houve contestação, lembrei de quando fui eu que recebi essa noticia, da minha monitora Ray, e eu e Karol quase saímos correndo do hospital, morrendo de medo, desse branco vazio sem o auxílio da experiência da monitora.
Mas Vanda e Juju, assim como eu e Jusefina, encararam o medo e se jogaram. E foi lindo!

Não consegui observar a atuação tão de perto como queria, mas percebi pela fala das companheiras o quanto foi bom, e o quanto de confiança elas adquiriram com essa experiência. Para mim, foi o mais importante

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Rosinha dos Retalhos - 11/05 - Maternidade

Resignificar a maternidade para além de mulheres grávidas sentindo dor.
Às vezes me questiono por que minha escala sempre bate com atuações na maternidade, se eu tenho um entrave enorme com grávidas e crianças. Ironia do destino caio de paraquedas numa maternidade. Com minhas melhores companheiras, Juju e Vanda, enfrento meus medos e angústias, juntas transformamos o medo em sorrisos.

É muito bom receber um feedback do nosso trabalho, e tivemos a sorte de nas duas primeiras atuações lá encontrar pessoas que nos deram isso. É gratificante saber (mesmo que da boca uma pessoa só) o quanto nosso trabalho é importante. 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Rosinha dos Retalhos - M. de Juazeiro - 27/04/15

É sempre uma sensação nova a cada atuação, a cada semestre que temos que mudar da nossa zona de conforto, dar um rôle com novos melhores companheiros. Mas sempre tive a sorte de me dar bem com todas as novas adaptações.
A primeira atuação com minhas mais novas companheiras foi maravilhosa, perceber o medo e a empolgação da primeira atuação do setor é ótimo!
Espero junto com elas ter muitos encontros deliciosos pelo caminho/setor.

Claro que nem tudo pode ser perfeito, no final nos deparamos com uma cena tensa, em que pude perceber o quanto são fundamentais esses pequenos passos que damos no sentido da humanização da saúde.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Abraço Grátis 2015 - Rosinha dos Retalhos


Me perguntaram hoje pra que serve um abraço.
Pra que serve mesmo? Parando pra pensar bem, abraço não tem serventia/utilidade nenhuma, são apenas quatro braços (ou menos ou mais) que se entrelaçam, dois corpos que se juntam por alguns poucos segundos e depois se separam novamente, e então, pra que serve esse tal de abraço?
Pra quem não se permite sentir no momento exato em que estamos entrelaçados ao outro num abraço, ele realmente não serve pra nada.
Mas para mim o abraço são aqueles breves segundos em que ambas as partes se permitem entrar em contato com o outro. Abraçar é deixar-se ser tocado pelo outro, é amparar, aconchegar, acarinhar toda uma existência e experiências de vida nos seus braços.
Hoje eu abracei, e me deixei ser abraçada por muitos e muitos encontros.

O melhor foi abraçar Seu Floriano, que há anos não abraçava ninguém, e não sabia pra que servia esse tal de ABRAÇO.


sábado, 11 de abril de 2015

Rosinha dos Retalhos - HU 10/04/2015

Uma pausa no meio da semana e um convite:
“Ei, vamos atuar sexta?”

Esse convite vindo da minha melhor companheira do mundo não podia ser recusado né?
Fomos nós para o setor que estava lá meio abandonado, por uma pausa dos nossos trabalhos para a arrumação da casa e a chegada dos novinhos.
Fomos eu, Karol e Dan. Rosinha, Jusefina e Inês, querendo levar um pouco mais de energia e disponibilidade para o hospital.

A atuação foi rapidinha, porém tempo suficiente para aprender japonês fluente.

O que mais gostei dessa atuação foi entrar em um quarto em que tinha uma mulher grandona com um olhar super forte e a cara bem fechada e uma outra pessoa que estava mais aberta. Entramos e surgiram alguns jogos com a pessoa que estava mais aberta, mas aquela mulher fechadona me intrigou, chegamos mais perto dela, sem saber se ali havia abertura ou não....
Fiquei feliz quando ela deu o primeiro sorriso. Seu olhar era forte e duro, mas havia sensibilidade nele, pude notar no seu sorriso.
Ganhei minha noite de sexta com isso :)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Rosinha do Retalhos - HU 18/11/14

Minha melhor companheira estava sem voz, então ou eu ia entrar no jogo dela ou iria falar pelas duas, eu fiquei com a segunda opção. Entramos num jogo de interprete um da outra, e isso acabou rendendo alguns jogos legais, descobrimos que o corpo fala.
Entramos num quarto em estava rolando maior som – quem precisa de voz pra dançar? – E nós dançamos, dançamos feito loucas, eu, Jamais vista e a senhora que nos ensinou alguns passos.  Daí, levamos nossa professora de dança para o quarto ao lado, mas lá não tinha música. Tinha luzes se apagando, grito e teve medo, teve jogo com esse medo, e teve cuidado desse medo. Fomos acolhidas e protegidas porque a senhora realmente achou que estávamos com medo, e foi lindo. 
          Depois entramos num quarto que só tinha mulheres, logo o assunto foi homens... A pegadora do quarto disse ter quatro namorados, acredite se quiser. Também disse que tinha um irmão gato e nos ofereceu, eu e Jamais vista entramos num jogo de competição, mas ao descobrir que ele era mulherengo desistimos. Logo surgiu o Romário, irmão de outra menina do quarto, liguei para Romário, já marcando todos os esquemas. Teria Rosinha arranjado um namorado? Não ao descobrir que Romário não era o jogador de futebol milionário. Foi triste, só decepção com essas ofertas de namorados.
        Antes de irmos embora tivemos o prazer de conhecer dois médicos que, em horário de descanso, estavam tão abertos ao jogo. No início fiquei um pouco desconfiada se toda aquela abertura estaria seguida de segundas intenções, mas depois fiquei encantada ao ver que não, que o cheiro na rosa de Rosinha foi sincero.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Rosinha dos Retalhos - HU 24-10-14

Rir é muito bom. Rir com o outro é melhor ainda. 
Mas hoje eu não queria rir, eu queria ter sentado com Dona Francisca e escutar o choro silencioso dela, pela falta dos seus dois dedos. Queria ter conseguido um lençol limpo pra Bartolomeu cobrir a metade do corpo que lhe restou. Queria ter ido buscar Diego e Diogenis na creche, e leva-los até sua mãe internada. 
Hoje eu queria ter sido uma super clown. Mas eu não consegui.

Núcleo do dia: que pena.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Rosinha dos Retalhos - HU 14-10-14

É hora de começar novos ciclos.

Nova companheira de atuação, novos encontros, novas experiências.
Hoje depois de um dia meio cansativo, encontro minha companheira aninha, e vamos juntas nos permitir ser Rosinha e Jamais Vista.
Nos arrumamos no repouso das enfermeira, e lá estavam três profissionais, cansadas, reclamando do dia, do chefe, do desrespeito que a profissão sofre. Não falo nada, apenas faço minha maquiagem, e escuto os desabafos. 
Saímos, e nos deparamos com um cavalheiro que abriu a porta corta fogo para nós. Com um quarto no qual havia castelos e fadas com dedo mágica, que será futura presidenta do Brasil (um dia, quem sabe). Com a vó que ficou linda com o laço de rosinha. Encontramos tia Uda, que tava doida pra saber que dia a bacia dela ia ser consertada. O homem que não parava de rir, e acabou contagiando o quarto inteiro, de repente todos no quarto riam ao mesmo tempo, sem nenhum motivo. Isso foi realmente muito engraçado. Ah, encontramos também o Maycon, que disse que eu tinha cara de trinta anos, fechei a cara com ele, e sai rebolando os meus vinte anos para ele. Quando estamos no quarto ao lado Maycon e o seu amigo aparecem na porta, aquele efeito procissão. Ahhh, isso é tão bom.
E minhas terças à noite serão assim a partir de hoje, espero. Sempre com novos encontros pelo caminho e a construção de uma amizade companheira, com Jamais Vista de Listras.




terça-feira, 10 de junho de 2014

09/06/2014 - Rosinha dos Retalhos - Maternidade

Hoje fomos questionadas se palhaço chora.
- Sim, palhaço chora, palhaço sofre.
- Mas vocês não são de pano?
- Não, não somos de pano.

Para e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo 



Palhaço também tem coração, sabia? Palhaço leva multa. Palhaço se esconde da polícia, e é salvo por delegado. Palhaço é escalado para time de futebol. Palhaço torce na copa, junto das cozinheiras. Palhaço dá instrução sobre como alimentar o bebê: só leite até os seis meses, depois papinha doce (que não é açúcar, mas fruta) e salgada (que não é sal, é frango). Palhaço fica feliz de tomar injeção. Palhaço não sabe brincar de caminhão, mas quer aprender. Palhaço sofre da coluna, faz prova de matemática, dança forro agarradinho e quer comer pipoca.






Palhaço arranca sorrisos e cara feia.
Hoje arrancamos muito mais sorrisos que caras feias, porem uma cara feia, muito muita feia conseguiu desmoronar muitos sorrisos conquistados.
Uma médica, que tinha uma gaveta muito da bagunçada, bagunçou tudo em nós. Nos tirou o chão. Confesso que ver Frida Siriguela chorando foi desesperador, mas precisava me manter firme ao seu lado.
Foi assim que saímos da maternidade hoje, so(frida)s, magoadas. Ver as fotos tiradas (com autorização, diga-se de passagem) foi o que aliviou um pouco, vendo que conquistamos muito mais sorrisos, do que caras feias.

Palhaço também chora e vai embora.


terça-feira, 3 de junho de 2014

02/06/14 - Rosinha dos Retalhos - Maternidade

Preciso escrever relatório, preciso ler artigo, preciso estudar porem, antes de tudo preciso escrever no meu diário. Mas diferente dessas necessidades por exigências o meu diário hoje eu escrevo por necessidade minha mesmo, necessidade de tentar descrever o que vivi hoje...

Não paro pra escrever meu diário porque atuei hoje ou porque já estou com um diário atrasado (falo disso mais na frente), mas porque o dia de hoje merece ser transcrito.

Bem, hoje, segunda-feira 7:00 da manhã meu celular desperta, logo bate aquela preguiça dizendo que o dia não merece ser vivido nas segundas-feiras, adio o alarme para 7:15. Quinze minutos para lembrar que marquei um compromisso com minhas melhores companheiras do mundo e não posso deixar o jogo cair, então levanto e vou tomar banho.

8:30 na maternidade, um lugar que para mim ainda é tão estranho, cheio de mulheres grávidas e crianças chorando, não sei lidar com grávidas nem com crianças, mas como a UPI tem me ensinado muitas coisas acredito que lidar com grávidas e crianças chorando também seja aprendizado.

Atuei com minha melhor companheira do mundo, Jurema das Pamonhas, nossa primeira atuação em dupla e pude perceber que temos jogos diferentes, mas também foi nítido como contornamos isso, uma segurando o jogo da outra.


Batizamos a Ana Jessica, que até então não tinha nome, ajudamos a escolher o segundo nome do Daniel, que não gostou de ter dois nomes e preferiu o apelido de Dan, cantamos parabéns para o que tinha acabado de nascer, fizemos jogos com nomes e acabamos fazendo uma roda no meio do corredor com pessoas que estavam comprando os jogos; demos uma volta (360°) no carro (cadeira de rodas). Entre outros jogos, com soro e super poderes.

Tudo normal, atuação, crianças chorando, grávidas e eu aprendendo a lidar com a vida. Mas o dia hoje só foi completo após a reunião. Há quinze dias atrás sai da atuação péssima, tudo muito estranho pra mim, não saberia nem dizer o que senti naquele dia (por isso não escrevi diário, pode parecer desculpa mequetrefe mas não é), parecia que estava prevendo o que aconteceria na reunião à noite.

Ahhhh mas hoje... Hoje nem que eu tivesse uma bola de cristal eu adivinharia o que aconteceria na reunião, foi incrível, mas quero escrever aqui sobre um momento muito muito muito especial, o presente que recebi hoje: receber aquela massagem pelos melhores companheiros do mundo não tem igual.

Eu que sempre gostei tanto de cuidar dos outros, e muitas vezes acabei me fazendo forte para exercer esse cuidado, mesmo quando minha jarra não estava lá essas coisas, hoje me desmoronei, mostrei o meu lado mais fraco e que precisa tanto de cuidado, hoje me permitir ser cuidada.

E pode acreditar não existe sensação melhor do que “ser cuidado para cuidar do outro.” Esse foi meu núcleo do dia, isso foi algo que a UPI também me ensinou.



Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Rosinha dos Retalhos no Humaniza SUS

Confesso que assumir hoje a função de “monitora” me deixou um pouco nervosa hoje, não tava nem com vontade de atuar, mas não podia deixar meus melhores companheiros do mundo na mão. Já tinha atuado com os novinhos no abraço grátis, mas foi diferente porque não assumi sozinha essa tarefa. Então o jeito foi pegar o nervosismo e transformar em energia. Nos arrumamos numa salinha de consultório, na policlínica em frente a praça, e eu me senti um pouco chata dando uma tia, “não deixa a bolsa no chão”, “o som tá alto”, “não esquece que a gente tá no hospital”, “não esqueçam nada”, “não se percam”, “duas horas de atuação”.

Além dos quatro novinhos também fazia parte da equipe o mais novo integrante da UPI (que nem precisou passar por seleção nenhuma), Adsson, mais conhecido como pai da Pietra e fotógrafo da UPI :).



Subi a energia mais rápido do que imaginei, acho que um tiquinho de nervosismo é fundamental para qualquer atuação, e a disponibilidade dos novinhos de estar ali me ajudou muito também.

O hospital estava cheio demais e não senti muita abertura para jogos naquele lugar, então o jeito foi atravessar um rio (poça de água) esperando os jacarés passarem (carros), para chegar até a praça e encontrar muitos encontros.
Logo de cara encontramos Maria, que estava com as veias das pernas estouradas e que mesmo assim parou para falar com a gente elogiando nosso trabalho, e nada melhor pra começar a atuação do que isso.
Pelo caminho também encontramos duas modelos top model, que deram um show de desfile na praça, ainda tentei pegar aquele charme mas a Rosinha é realmente muito desajeitada.
O grupo era grande e a divisão seria necessária, mesmo sem combinarmos nada ela aconteceu. Passei a maior parte da atuação com Pedrinho, enquanto Mariqueta, Zefinha e Frufruta seguiram juntas.
Atuar com Pedrinho foi lindo, ver o clown dele que antes era mudo desembestar a falar foi ótimo, lembrei que a Rosinha no início também não falava, o que realmente não faz muita diferença, desde que você saiba jogar com outros elementos a voz pode ser colocada em último num encontro.



Encontramos muitas pessoas com três, quatro pernas; apresentamos dois moços que estavam sentados um do lado do outro e não conheciam, e que nós também não conhecíamos; ficamos esperando com a Pró Jay o seu horário de ir pra fila do banco, a pró tímida que disse que não tinha nada a ensinar pra gente acabou aprendendo a fazer careta; tentamos ajudar o moço do carrinho de som a vender algum cd, ele tava trabalhando e parou pra sentar na praça pra ver a “resenha” (não vendemos nenhum cd, porém ganhamos um picolé, nenhuma lógica nisso, mas foi assim mesmo); encontramos o Jó, menino de um aninho, cujo sobrenome deveria ser Buchecha, porque ele tem as buchechas mais lindas do mundo; a técnica de enfermagem que aferiu nossa pressão e auscultou nossos corações. Foi lindo.
Lindo encontrar todas essas pessoas. Lindo ver nosso trabalho exposto em bambolês pra lá de coloridos. Lindo ver como as pessoas admiram nosso trabalho. Lindo sair da atuação morta, mas com a energia transbordando.
Lindo.



terça-feira, 18 de março de 2014

Abraço Grátis 15-03-2014, da Rosinha Dos Retalhos

Acho que esse negocio de acordar 6:00 da manhã em pleno sábado não está certo! Mas eu acordei. Acordei meio dormindo ainda, com uma preguiça de despertar o corpo.
Entre um bocejo e outro na barquinha parei pra pensar: “que coisa engraçada, esse monte de gente aqui, acordou 6 horas da manhã num sábado, vai atravessar um rio, pra ir distribuir abraço de graça pra um monte de gente desconhecida, em outro estado." Achei isso muito engraçado e de uma beleza sem tamanho.
Ainda com os olhos pesando e corpo querendo cama, fui me arrumando, vestindo a pele de Rosinha que há muito não vestia, fazendo os traços dela aparecerem no meu rosto, que há tanto tempo anda tão sem cor, tão sem graça.


Confesso que apesar da energia de todos presentes naquele apertamento a minha só subiu na contagem regressiva de Lis. No 10 subi meu nariz com toda energia, deixei de lado o sono e cansaço, pois Rosinha é toda disponibilidade, e com aquele nariz vermelho quem responde é Rosinha, não San.
Foi incrível abrir os olhos e ver todos aqueles olhinhos brilhando, aquele desejo de encontros. Lembrei do meu primeiro abraço grátis, e o quanto eu esperava por aquele dia, vi neles o meu reflexo.
Então seguimos nossa caminhada até o camelódromo de juazeiro.
Tentamos nos dividir em grupos, mas era quase impossível, o lugar era menor do que esperávamos e sempre cruzávamos com outros grupos, o que me incomodou um pouco, pois como já disse aqui em outro diário, atuar com muitos companheiros me deixa muito confusa.
Tivemos muitos encontros, alguns se mostraram disponíveis para os jogos, outros nem tanto.  Mas o dia reservou alguns presentes...
Como o menininho que pegou um dos cartazes e também começou a distribuir abraços para nós, achei isso de uma lindeza inefável. Percebi que para distribuir abraços, sorrisos e cuidado não é preciso estar vestido com roupas coloridas e narizes vermelhos, é possível (e necessário) levar isso para nosso dia-a-dia, porque somente assim poderemos crescer como seres humanos.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Diários atrasados da Rosinha dos Retalhos

  Me sentindo muito mequetrefe com todos meus diários, desde que retornamos as atuações, atrasados. Ficava dizendo pra mim mesma, na correria do dia-a-dia, nas ferias boto tudo em dia, e eis eu aqui no meu primeiro dia de "férias" recordando minhas atuações, mas então eu percebo o quanto do que senti nos dias que atuei se perdeu, se perdeu porque não transcrevi logo para meu querido diário. Agora vejo a importância desse registro imediato. (para um contato imediato). Bem, vou tentar resumi-los aqui, em um único diário.

  Primeiro dia da minha atuação com minha mais nova companheira, Olivia Traço Preto, e aquele nervosinho de estar em nova companhia. Pois a gente se acostuma a um tipo de jogo, mas então a vida te mostra novas maneiras de jogar, de compartilhar e de se equilibrar.
  Nossa primeira atuação contou com participações especiais, a de Julinha e Railma. Nossa segunda atuação contou com a presença surpresa do João Canelão, o que foi incrível (eu sempre quis atuar com ele:)
Depois éramos só eu e a Loy dessa vez. Loy e toda sua sensualidade inata, e eu e meus retalhos, nos equilibrando em jogos.

  Agora gostaria de falar da nossa última atuação, essa não poderia deixar passar, pois conhecemos pessoas incríveis. Logo de cara nos deparamos com uma senhora que foi incrível, nossa guia naquele labirinto de quartos. Ela nos levou a vários quartos, sempre entrando nos jogos, e dando a maior força. Entramos em um que a filha estava alimentando sua mãe entubada, e quando ela nos viu não conteve o choro.
  Ficamos sem saber o que fazer nesse momento delicado e apenas ficamos ao lado dela. "O difícil é fazer o simples."
Depois encontramos.a.Ingrid, que menina esperta, doida pra pegar nosso nariz, e isso, claro, nos rendeu muito jogo, muito bom mesmo atuar com ela. Na despedida ela pediu um abraço, meu deus, quase não contive a alegria naquele abraço.
Mais uma vez, "O difícil é fazer o simples.”.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Rosinha dos Retalhos - HUT - 23/09/13

A noite hoje começou tensa.
Primeiro uma novidade: Lorena e sua arma, quer dizer, câmera (brincadeira Lorena, sua câmera é linda!), fiquei meio sem jeito nas fotos durante a maquiagem, mas nada demais, logo passou.
Depois um susto: um médico abre a porta da sala onde estávamos nos arrumando e pede pra irmos para o banheiro, pois ele queria ter uma “conversa” com um paciente, daí ficamos, 6 pessoas, uns 5 min, dentro de um banheiro escutando a bronca do médico com o paciente. Depois disso dá pra imaginar o quanto foi estranha a energia pra subir o nariz, mas assim o fizemos.
E só pra completar as novidades da noite: dessa vez eram só eu, Karol, Paputcho e Tathy, sem nossos monitores, o que me deixou bem ansiosa.
Então decidimos atuar no mesmo andar, (tanto para facilitar pra Lorena, quanto pra apoiar uns aos outros), porém cada um com sua dupla.
No início entramos todos em um quarto só, e isso me deixou super nervosa,  pois foi muito difícil lidar com muitos companheiros, os jogos ficaram confusos, o melhor seria continuar em dupla.
E foi assim, eu e minha melhor companheira do mundo Jusefina Perna Fina, felizes para sempre, ops, só até 21 horas mesmo.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Rosinha Dos Retalhos - HUT - 16/09/2013

Segunda atuação sem a Ray e já me sinto muito mais segura, muito mais solta, quer dizer, eu não, a Rosinha (a San tá muito longe disso). E hoje teve uma surpresinha a mais: seria só eu e Karol, notícia que nos deixou um pouco triste e bambeou as pernas (finas) de Jusefina e as minhas.
Mas lá fomos nós para mais uma noite de muitas surpresas (minhas segundas-feiras têm sido muito mais interessantes que sábados à noite) e tem quem diga que não gosta de segunda-feira, tsc.
Bem, vamos lá, tentar contar aqui o aconteceu hoje… é difícil escrever aqui o que aconteceu essa noite, foi algo inefável! Já escrevi e apaguei várias vezes aqui, tentando descrever como as coisas aconteceram hoje, os jogos, as brincadeiras, mas tudo parece tão mequetrefe para descrever a mágica… Aprendemos a dirigir, encontramos guardinhas no trânsito, encontramos dor e amor em um casal lindo de se vê, disputamos a maior barriga com uma gravida de 8 meses (claro que ela ganhou), enfeitamos policiais com fitas coloridas, jogamos com algemas, fizemos a dor de um pé amputado desaparecer por alguns instantes, fizemos mágica! E é por dias como o de hoje que eu acredito no trabalho da UPI dentro do hospital, por esses  momentos breves de alegria que podem mudar noite, ou uma vida inteira.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Rosinha dos Retalhos - atuação HUT - 26-08-13

Comecei a noite roendo as unhas, ansiedade sem tamanho. parecia que estava até adivinhando o que Ray (nossa monitora) estava preparando pra gente. Assim de surpresa mesmo: “meninas hoje eu vou ficar de observação, tá?”. Como assim??? Nããão! A gente não tá pronta ainda. Mas ai vem as frases do mestre Dom Gentileza pra nos refrescar a memória: “palhaço pronto é palhaço morto.” Então vamos lá…
Rosinha, Bolota e Jusefina, as melhores companheiras do mundo!
E nós fomos, juntas, encontrando o caminho. No percurso nos perdemos um pouco, deixando passar algumas coisas, como uma mulher que nos seguiu parte do caminho e nós nem a percebemos, e que foi apontado pela Ray depois. Mas a gente aprende a caminhar assim mesmo, aos tropeços também.
Quero falar especialmente de algo que a Ray me falou depois da atuação, da qual não tinha percebido, ela disse que os jogos da Rosinha são muito dançantes, que eu gosto muito de dançar. Bem, eu não tinha percebido isso, mas parando e revendo é verdade sim. Mas o que tem isso demais? Nada demais, se não fosse o fato de que eu realmente não sei dançar, e me acho uma boba quando me arrisco a dar alguns passos em falso. Daí me veio à cabeça outra frase do mestre Gentileza: o nariz do palhaço é a máscara que menos esconde e mais revela. 
Quando estou com minha mascara me sinto encorajada a arriscar meus passos de dança, meio malucos, totalmente sem jeito, me sinto encorajada pelo velhinho que canta o canto mais alegre da noite. E o que fazer além de cantar junto e se deixar levar? A rosinha sabe dançar, dança de tudo, tem algo dentro dela (de mim) que se revela na naqueles passos meio bobos, meio tronchos.
Eu não sei dançar, mas danço mesmo assim.
Danço pra rir de mim,
faço par comigo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Rosinha dos Retalhos - atuação HUT - 19-08-13

Minha segunda atuação e eu não sabia o que esperar, pois a primeira tinha sido tão boa, tão boa. É que a primeira vez é sempre carregada de uma energia além da conta e muitas expectativas. Então eu realmente não sabia o que me esperava na segunda. Não que a empolgação tenha diminuído, mas a primeira sempre deixa com gostinho de quero mais.
Mas daí eu me lembrei do quanto à UPI é um salto no escuro, sempre. Mesmo assim eu saltei, de novo, mais uma vez. E lá fomos nós, a Rosinha, a Teca e a mais nova companheira de grupo Jusefina Perna Fina.
 A arrumação foi algo diferente, com a breguice das músicas do celular de Pedro. Foi bem difícil na verdade! (Pedro se melhore!)
Então saltamos: em busca de encontros. “encontre o outro no olhar”. Percebi algumas coisas nesses encontros: não tem como dar atenção a todos os olhares que se voltam para gente, alguns são apenas curiosos, outros realmente não estão no encontro, é necessário perceber aquele que realmente te encontra. E jogar com nesse encontro.
Percebi também que o salto no escuro pode resultar num tombo, e foi o que aconteceu em um dos quartos com uma senhorinha que nos achou lindas e nos convidou para entrar. Eis então um tremendo desencontro, pois ela esperava da gente o que não nos prestamos a fazer: "pilombetagens"! Era como se ela tivesse esperando "palhaçadas" desses nossos narizes vermelhos, e isso não aconteceu! O que resultou até em alguns xingamentos como “boneca assassina” e um grande desabafo depois da atuação.
 E é claro que vamos encontrar pessoas assim no caminho, mas o que importa é não deixar o jogo cair.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Rosinha dos Retalhos - HUT - 05/08/2013

Chegooou! Hoje dia 05 de agosto, o dia tão esperado! Mas apesar de toda ansiedade anterior passei o dia todo sem pensar que hoje era, enfim, hoje.
O dia foi passando na maior tranquilidade do mundo, até a noite chegar, e quando chegou eu não pude mais escapar do frio na barriga, do nervosismo, do “será que vai dá certo?” E foi com muito frio na barriga que eu entrei no HUT.
Quando cheguei as minhas companheiras (Rai e Dulce) já estavam me esperando, com uma nova companheira que acabou atuando com a gente,  depois Flavoca Paçoca chegou, estava formado o quinteto. Hora de subir a mascara, minha nova e linda mascara, com cheiro de balão e coração, linda linda *-*
Então saímos a procura de ursos polares e encontramos rainhas, anjos e fadas num reino encantado, em que nem todos tinham o encanto. Foi duro ver a frieza que habita aquele lugar, alguns ursos polares - enfermeiras/médicos - que mais parecem icebergs, de tão frios.
Apesar do medo de alguns ursos, a cada sala, cada enfermaria, era lindo encontrar os olhos curiosos dos pacientes. Mas, aqui não posso deixar de falar de um par de olhos azuis que foi especialmente especial para mim: seu Raimundo. Quando eu entrei no quarto, que o vi, fiquei alguns segundos paralisada, e os meus olhos, pois nesse momento eram meus e não os de Rosinha, encheram de lágrimas: seu Raimundo lembrava muuuito o meu avó, e lembrar ele ainda me dói.
Depois a Rosinha voltou e conseguiu jogar com seu Raimundo, até segurar na mão dele, como fazia com meu avô, eu o fiz.
Percebi nesse momento que é necessário manter o limite entre a San e a Rosinha, mas também nem sempre isso vai ser possível, pois perder as estribeiras faz parte. E fez.

Quanto amor cabe aqui?