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terça-feira, 27 de maio de 2014

Teca Lua Cheia - Atuação no HDM - 23/05/2014

Sobre querer e voltar 

Sobre todas as coisas que eu quero, quero outro dia como esse. 
Quero os mesmos olhos, os mesmos olhares que se encontram e se reconhecem. Olhares que exploram o outro de uma maneira ainda não vista. Quero olhos que olham de verdade e vêem muitas vezes o que eu mesma não sou capaz de enxergar em mim. Talvez o que eu esteja querendo é ver de verdade. 
Há algum tempo os meus olhos vinham se entristecendo com o que viam. Eles sentiam falta de tudo, do tudo. Parecia não haver mais nada. Parecia que tínhamos pego estradas erradas. Sabe quando vc está pela primeira vez num caminho e olha pro lado por 5 segundos e perde aquela placa que indicava o caminho correto? Daí você caminha, caminha, caminha mais um pouco em busca da placa e nada dela. Quando começa a achar estranho tanta demora, finalmente encontra uma placa que diz: retorno. Aí você resolve voltar, não por ter certeza, mas porque tudo aquilo já está muito estranho. Talvez voltar depois de uma jornada cansativa e sem sucesso seja a melhor decisão. Talvez voltar seja necessário. Talvez voltar faça bem. Nesse dia voltamos. E foi bom. Então escrevo no meu diário sobre o bem que faz voltar, pra que eu nunca me esqueça de que ao me sentir perdida o melhor a fazer é voltar as origens. 
Então eu voltei. Então eu volto. Enquanto aqui dentro pulsar esse mesmo sentimento, enquanto houver amor, enquanto eu puder amar, eu volto. 



Sobre a volta e os encontros 
Uma coisa é certa: ao voltar por aquela mesma estrada você vai encontrar alguma coisa. No meu caso, encontrei o que procurava. Encontrei dois pares de olhos vivos, atentos, entregues, que me olhavam de uma forma carinhosa e singela e assim, me senti acolhida. Me senti em casa. Senti muito profundamente que estava no caminho certo. Senti uma vontade imensa de me jogar naquele mar de branco e vazio e me permitir viver tudo aquilo. De repente, o medo foi embora. A insegurança abriu espaço pra curiosidade e pro querer. Minha jarra, antes tão vazia, cheia de teias de aranha, foi se enchendo ao ouvir os barulhinhos que os pés e a respiração acelerada dos meus companheiros faziam. Abrir os olhos, encontrar Esperança samba canção e Rebeca Pouca Janta foi uma sensação indescritível. Então estávamos ali, cheios de vontade, querendo ir. Então fomos. 
Fomos e percorremos um caminho recheados de outros olhares que nos observavam curiosos. Demos de cara com uma pequenina dona de olhos assustados que começou a chorar com a nossa presença. Primeiro momento difícil. O jogo continua, cativar não é tão fácil assim. Alguns momentos depois, percebi que a pequenina chorosa nos observava do colo da mãe. Atenta. Agora não mais com expressão de choro, mas de curiosidade. Calma, Teca... O jogo é lento, o caminho precisa ser trilhado com cuidado. Então, após histórias que envolviam muitos canos com água e suco tang de framboesa e goiaba; cravos que encontravam suas rosas em uma dona sorridente, sentimos que podíamos nos aproximar. E assim fizemos. Recebemos um sorriso e a mãozinha da pequenina que vocês já conhecem tocando as nossas. 
Seguimos nosso caminho e encontramos muito outros olhares, sorrisos, alguns já conhecidos, outros nunca vistos. 
Chegamos ao jardim. Dentre violetas, crisântemos e rosas, conhecemos um girassol. Mas, pra mim, ela mais parecia o sol. Seu sorriso sincero me enchia e fazia meus olhos brilharem cada vez mais. Ela, que já havia encontrado sua chave vermelha em forma de nariz, prometeu ajudar as outras rosas a encontrarem suas chaves pra que elas pudessem conhecer o dom da fala. A outras flores não conversavam verbalmente, mas respondiam com o corpo. Aparentemente elas tinham passado por uma tal cirurgia para receber guaraná e água de coco por tubos e facilitar o processo de beber água, dispensando o uso de copos. No jardim ao lado encontramos a mamãe noel e um senhor que estava estagiando pra ser o próximo papai noel. O processo parecia meio complicado, mas a mamãe noel assegurou que era muito fácil. Acho que pra ser mamãe/papai noel basta querer e pintar o cabelo de branco. O método de pintura você decide. Tudo serve: farinha, trigo, creme dental... Tudo dá bons resultados. 
Continuamos nossa caminhada por esse jardim. Encontramos duas florzinhas miúdas. Me perguntei o que elas estariam fazendo ali. Flores tão delicadas, que nem desabrocharam direito já estavam ali naquele jardim, enquanto elas deveriam estar em parques, parquinhos. Mas, não cabe a nós decidir ou tentar entender quem vai para o jardim. Acho que não existe regra. Não tem tempo certo. Ainda acho que somos muito pequenos pra tentar entender todos esses mistérios. Deixemos então com o 'Grande Jardineiro' que entende as necessidades de cada um e sabe com detalhes a história que vamos viver aqui. E, naquele momento, aquelas duas flores não eram flores. Elas eram nobres: a Princesa Didi e a Abelha Rainha. Cada uma com sua delicadeza, com sua beleza. 
Mas, uma em especial roubou meu coração... Ah, Princesa Didi... Você não sabe e talvez nunca saberá o quanto mexeu comigo. Você, que no inicio ignorava nossa presença ali, me fez querer saltar de alegria ao sussurrar um 'É' com sua voz suave respondendo nossa pergunta. A cada vez que você levantava seus olhos e olhava pra nós eu sentia a necessidade de dar o meu melhor. Sentia a necessidade de abrir cada vez mais meus olhos e meu coração pra você. Queria que você sentisse que estávamos ali e acreditasse que, naquele momento, você era sim a Princesa Didi. Era também a Princesa Testa no Joelho. Aquele era o seu reino. E ao ver você finalmente encontrando a gente, pensei comigo ao olhar pros meus companheiros: Didi, a esperança está aqui (mesmo que ela esteja de samba canção ^^). Quis dizer isso pros seus pais que estavam ali com você. Quis dizer a vocês que havia amor ali. Que há motivos para acreditar. E isso se traduziu quando você começou a distribuir beijos voadores pelo quarto inteiro. Porém, ao ver seus olhinhos se arregalarem com a chegada da moça de branco com uma injeção na mão eu quase desmoronei. Você começou a chorar desesperada. Pedia a moça que por favor parasse. Dizia não o tempo inteiro. Eu nao conseguia me segurar. Quis sair dali. Segundo momento difícil. 
Eu queria sair, mas não sabia se era certo sair. Não sabia se era justo com você. Quer dizer que a gente só ficava lá com você nos momentos bons? Não! Eu queria voltar. Peço desculpas aos meus companheiros por não saber o que fazer nesse momento e agradeço por eles não terem me deixado cair. Voltamos e a Esperança começou a fazer malabarismo, acompanhada pela dança da Rebeca. Agora eles eram observados pela Abelha Rainha e pela Princesa Didi. Saímos para um passeio real e nos despedimos com mais beijos voadores. 
Encontramos outras pessoas. Grandes e pequenas, as vezes muito pequenas e até aprendemos um lepo lepo diferente entoado por crianças animadas.
Caro leitor, peço desculpas pelo texto gigante, mas não podia deixar de escrever tudo isso aqui. Pra finalizar, deixo meu muito obrigada a Gled e Débora por esses momentos incríveis! Obrigada por estarem ali, por estarem realmente ali. Obrigada por quererem muito tudo aquilo! Desejo que venham mais dias como esse e que o caminho de vocês seja recheado de encontros verdadeiros. 
Um abraço, Teca Lua Cheia. Cheia de vontade de fazer o caminho de volta.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Teca Lua Cheia - Atuação no HUT - 12/08/2013

Hoje a atuação recebeu um brilho todo especial. Karol foi transferida para o dia de segunda e se juntou a mim e Dulce. Confesso que fiquei muito feliz assim que recebi a noticia de que ela atuaria conosco, pois lembrava da verdade e vontade dela na oficina. Eu pensei que ela estaria insegura, afinal, grupo novo, dia novo, tudo novo, mas ela parecia estar tranquila - pelo menos até a hora da maquiagem, que eu disse q nao faria pra ela, pois ela precisava aprender -. Ok. Maquiagem pronta, roupa arrumada, hora de subir o nariz. Música! Ca-dê a música?! Não tinha! Decidimos usar nossa linda vitrola e partimos! O dia foi recheado de aventuras, encontros e sorrisos. Hoje recebemos o convite pra uma festa que estava acontecendo no terceiro andar. Apesar de ter ficado muito empolgada, tinha algo que puxava meu freio: eu nao sabia se nós podíamos subir. Nunca havia atuado lá, nao sabia como funcionava, mas nós estávamos tão empolgadas, as moças que nos convidaram também queriam tanto nossa presença lá que nós paramos de pensar, saltamos no branco-vazio e fomos! Fomos e foi lindo! Aquele andar me surpreendeu, pois assim que pusemos o pé ali os pacientes do quarto exatamente em frente a escada abriram sorrisos largos e esticavam suas cabeças pra olhar pra gente. Essa disponibilidade toda foi muito convidativa e nós entramos. Quatro leitos ocupados, um acompanhante. A meninas iniciaram um jogo com um paciente muito receptivo e sua acompanhante. Percebi que o foco estava fechado só ali. Lembrei do jogo das bolinhas. É preciso estar atento, disponível, respondendo a todos os estímulos possíveis e, quando resolvi olhar pra trás, os dois pacientes estavam sentados em suas camas nos filmando. Logo surgiu um jogo de transmissão para um telejornal e era necessário olhar para todas as câmeras. Foi aí que nós conseguimos incluir, pela primeira vez, todos no mesmo jogo. Foi lindo! É tão bom perceber que tudo aquilo que a gente vê na oficina se aplica ao nosso dia a dia do hospital! Faz a gente se esforçar mais, explorar mais as habilidades que possuímos ou que podemos desenvolver, afinal, não estamos prontos. Palhaço pronto é palhaço morto, né? 

Até a próxima, 

Teca Lua Cheia

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Teca Lua Cheia - HUT - 05/08/2013

Diário de Bordo – Teca Lua Cheia
Atuação no HUT
05/08/2013

Finalmente o dia tão esperado chegou. Opa, tenha calma. Esperado por quem? Acho que é melhor dizer o dia tão temido chegou. Não, não se assuste com meu vocabulário. Digo ‘temido’ porque eu estava TREMENDO de medo. Fiquei preocupada, ansiosa, agoniada. Senti tantas coisas estranhas. Na verdade, senti tudo aquilo que sinto antes de qualquer atuação, só que numa proporção muito maior. Eu estava insegura. Fiquei com medo dessa posição de ‘monitora’. Como seria? Será que daria certo? Como eu me sairia? Será que eu ia conseguir ser a melhor companheira do mundo pras minhas companheiras? Em meio a tantos questionamentos sem resposta, decidi optar pelo branco vazio. Aliás, esse estado de ‘estar em branco e saltar no vazio’ tem me proporcionado coisas incríveis! Sempre que as coisas apertam na atuação, no jogo ou na vida lá fora eu penso no branco vazio. Como isso é bom! A gente percebe que as coisas vão se aprumando, na maior calma e naturalidade do mundo. Isso me conforta. Bom, minhas companheiras, San e Dulce, estavam ali pontualmente no HUT. San com uma carinha de ansiedade abriu um sorrisão lindo quando entreguei o nariz dela. Dulce não aparentava nervosismo, ela estava animada! Subimos o nariz na companhia de Flavoca e Tati. A energia estava uma delícia e aqueles olhares explosivos me enchiam de vontade! Ficamos ali um tempo aproveitando aquela sensação gostosa do reencontro. Ao sair nos deparamos com ursos polares meio ranzinzas e não muito disponíveis. Flavoca e Tati seguiram o rumo delas e eu e as meninas ficamos por ali. Acabamos encontrando a Bela meio adormecida, rainhas, fadas, guarda-real da rainha e muitos outros. Participamos de concurso de dança e fizemos um coral. Num determinado momento nós encontramos Flavoca e Tati e juntas fizemos uma dança no céu. Não sabia que uma dança angelical podia ser tão animada! Estávamos perfeitas na nossa imperfeição! Nossos movimentos desconexos eram menores do que nossa vontade de atender ao pedido do moço simpático de sorriso largo que estava deitado naquela cama e queria ver uma dança celeste. E por falar em celeste, deixo aqui uns versos de Renato Russo e Marisa Monte, cuja música recebe esse nome:

Tenho jasmim
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Tenho o verão, tenho valor
Eu tenho um desejo e um coração
Vivo feliz, tenho amor
E eu vou cantar uma canção pra mim
Vem que é hora de acordar...”

Pra lembrar que nós não somos gatos, nós somos cachorros!
Até a próxima,

Teca Lua Cheia, cheia de vontade! 

Teca Lua Cheia - Dia do Abraço Grátis - 14/07/2013

Diário de Bordo – Teca Lua Cheia
Dia do Abraço Grátis
14/07/2013 

Começo meu diário de bordo pedindo licença à Clarice Lispector e a permissão para fazer minhas as suas palavras e bem dizer: “que medo alegre, o de te esperar”, que medo alegre o de esperar cada um de vocês naquela manhã de domingo. Domingo que começou cedinho e cheio de expectativas. Que maravilhoso poder viver aquele dia com vocês. Que felicidade chegar à casa de Karol e ver tantos rostos pintados, roupas coloridas e sorrisos verdadeiros. Olhares atentos, espelho na mão, tentativa de fazer a maquiagem perfeita e lembrar do pontinho discreto acima das sobrancelhas. Quanto cuidado e delicadeza, mas também, quanto desespero pelo lápis preto sobrevivente, lápis branco guerreiro e o pinta-cara.
Faço aqui uma nota: alô, coordenação! Precisamos de uma maquiagem nova! xD
Maquiagem pronta, roupa aprumada e cabelos impecáveis: hora de ir. A sala, que parecia pequena para tantos de nós, acolheu cada um num cantinho especial e pouco a pouco olhares brilhantes apareciam e iluminavam o espaço. Então, acompanhados de um som estranho, porém ritmado, nós saímos. A feira parecia um mundo! Era tanta gente, eram tantos cheiros, cores, olhares, sorrisos, braços, abraços. Eram tantos de nós, era dar tanto de nós, era receber tanto deles, era perceber o que vinha deles. Era ganhar queijo, tangerina, uva, banana, picolé de morango! Era ganhar carinho, ouvir histórias, contar histórias, era descobrir a diferença entre bode e carneiro, era admirar Florentina Tempestade girar uma menininha no ar num abraço caloroso, era montar uma barraca de abraços grátis, era olhar pra trás e perceber dois meninos sorridentes que nos acompanhavam onde quer que fossemos, era segurar a Nathália no colo e vê-la brincar com minhas tranças pedindo que nós não fossemos embora, era encontrar cadê um de vocês e esquecer o cansaço, querer continuar ali. Mas era também sentir falta do Joaquim Marmiteiro, era vontade de tirar aquela máquina da mão da Bruna e trazê-la pra mais perto.
Obrigada por encherem minha jarra, por me encherem de vontade e admiração. Obrigada, enfim, por significarem tanto e deixarem esse grupo cada vez mais forte.
Um forte abraço,


Teca Lua Cheia, cheia de gratidão. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Teca Lua Cheia, 4ª atuação no HUT

Minha segunda-feira começou logo agitada com uma atuação marcada as 9h da manhã no HUT. Mas, antes disso eu precisava pegar a maquiagem no Dom Malan. Uma voz me dizia: Rayanna, não vá de carro ao HDM. Vá a pé, pegue a maquiagem, volte pra casa, pegue o carro e vá ao Traumas. Mas eu, teimosa como ninguém, não ouvi a voz da sabedoria, contei com a sorte e fui de carro, rezando pra encontrar uma vaga. 
Vaga? Que vaga? Não tinha vaga! Dei uma volta ao redor do quarteirão e nada, segunda volta, nada. Depois de muito procurar encontrei uma vaguinha bem escondida e longe do HDM. Ok, tudo bem. Agora vamos comprar a zona azul, porque tenho medo de me multarem. Rodei mais dois quarteirões e nada. Nenhum lugar estava vendendo e, onde tinha pra vender, o sistema estava fora do ar. Ok, saí correndo e peguei a maquiagem no HDM. Resultado: cheguei no HUT atrasada, suada, nervosa e agoniada. 
Tudo bem era minha atuação com Juju e Sancho. Eu estava tão ansiosa! Nunca havia atuado com o Sancho e tinha muita vontade de fazê-lo, porque já que aqueles olhos doces me cativam diariamente, imagina o que eles podem fazer quando o Sancho explode o olhar dele em alguém? Quanto a Juju, essa eu já conhecia de outras atuações. Linda, sempre disponível e verdadeira. Atuar com ela é sempre maravilhoso. 
Mas, eu não conseguia subir o nariz. Não sei o que foi, só sei que não conseguia. A música tocava e eu não conseguia mexer o meu corpo, não estava bom pra mim. Depois de um tempinho, comecei a ouvir barulhos de passos de dança, pessoas que se movimentavam ao meu redor com mais vontade e eu pensei: p*ta merda, não vou conseguir atuar. Foi me dando um desespero e eu queria sair correndo dali. Não corri, fiquei parada. Juju e Sancho continuavam fazendo barulho ao meu redor, mas Teca ainda brincava de esconde-esconde comigo. Depois disso comecei a ouvir a respiração acelerada da Juju perto de mim. Acho que ela falou alguma palavra mágica, pq aquilo foi me enchendo por dentro e consegui subir o nariz. Sabe, eu adoro isso. Adoro quando as pessoas enchem a gente. 
Então vamos ao que interessa: a atuação. Ela foi recheada de momentos bons e outros não tão bons assim. Começamos em alto mar nadando atrás de uma tartaruga, encontramos um pescador que tinha pescado uma linda sereia chorosa. Estar com a sereia foi o momento mais lindo do dia pra mim. Ajudamos no processo de perda de cauda e surgimento de pernas dela, vibramos com os primeiros movimentos dos pés e ensinamos a ela como andar. Legal mesmo foi ter conseguido desviar a atenção dela da moça que furava seu braço, enquanto vibrávamos com os movimentos que ela fazia com os pés. 
Ah, também teve um momento complicado. Teca, distraída, entrou num quarto sem perceber que havia uma senhora num momento muito íntimo e, digamos, de muito calor. É, ela estava peladona mesmo, Teca não viu, entrou, viu quando entrou, não saiu, não sabia o que fazer e ficou lá com cara de pateta. Juju acompanhou a Teca e o Sancho ficou lá fora esperando o ônibus passar. 
Eh, algumas coisas acontecem e a gente simplesmente não sabe o que fazer na hora. Fiquei pensando nisso depois da atuação e vi as mil possibilidades que eu tinha pra sair daquela situação embaraçosa. Mas a gente vai aprendendo. 
Um forte abraço, Teca Lua Cheia.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Diário de Bordo – Teca Lua Cheia 6ª atuação no HDM



“Cara, eu vejo você contando essas coisas e só consigo pensar uma coisa: que vocês são tipo uns anjos, sei lá. Sei nem o que falar, na moral, eu não teria as manhas de fazer isso nem f*dendo viu Ray. Eu acho isso mágica, na moral mesmo...”.
Esse é um trecho de uma conversa que tive com um amigo meu ontem. Contava a ele sobre a UPI e nossas atuações.
Mas, pera aí.
Manha? Que manha? Mal sabe ele que não temos manhas, não temos um molde, não tem nada pré-preparado, não há um roteiro a ser seguido. É preciso querer muito, estar em branco, não pensar e saltar no vazio. Porque é aí que a ‘mágica’ acontece.

Branco
Vazio


Sim, o branco – vazio me guiou nesse dia. Estava muito ansiosa e curiosa para saber como seria atuar depois de tanto tempo afastada. Enquanto a música tocava e nós nos concentrávamos para subir o nariz eu comecei a pensar na oficina e no picadeiro. Lembrei do branco – vazio, de que eu precisava não pensar em nada e me entregar.
Me entreguei, disse olá pra Teca e encontrei o olhar brilhante e disponível de Flavoca Paçoca.
Saímos seguindo nossas vontades e impulsos. Encontramos pessoas muito disponíveis, cujos olhares me alimentavam durante o trajeto. Preciso confessar que é muito difícil não poder entrar em outro setor que não seja a pediatria. Foi preciso conter alguns estímulos e deixar de acompanhar alguém que nos chamava porque nós não podíamos entrar lá.
Bom, chegando ao corredor com nomes de personagens em quadrinhos foi que a mágica realmente aconteceu. No segundo quarto em que entramos conhecemos a Francinete, que em pouco tempo virou Fran. Uma linda menina bochechudinha e muito fofa de apenas dois anos. Ela chegou ao quarto no colo da mãe com dois dedinhos na boca. Olhava-nos de um jeito tão especial que fez acelerar meu coração. Perguntamos a ela que gosto tinha o dedo dela e ela respondeu ser de café. Pois pronto! Aquela era Francinete cheirinho de café. Outra colega de quarto cheirou os dedinhos dela e disse que sim, ela realmente cheirava a café.
Nesse mesmo quarto encontramos o Wesley, um rapazinho de 11 anos que estava sentado em uma cadeira de rodas. Essa cadeira logo virou um carrão potente e saímos pelo corredor passeando com ele, que guiava nosso trajeto: direita, esquerda, sinal vermelho, entra nesse quarto. E nós seguimos a risca todas as orientações. Coisa mais linda ainda era ver que Fran e Gabi – outra coleguinha de quarto dos meninos - nos seguiam pelo corredor e nos ajudavam a empurrar o carro do Wesley.
Quando levamos o Wesley de volta aos aposentos dele nós pegamos seu carro emprestado e saímos passeando pelo corredor novamente. Flavoca empurrava Teca com a ajuda das meninas e depois Teca empurrou Flavoca e Fran, que ia no colo dela. Abastecemos o carro e o devolvemos ao dono, porque não íamos entregá-lo com o tanque vazio, né?
Fran apareceu com uma pulseira de sapo no pulso que fazia barulhinho quando ela mexia o braço. Em pouco tempo aquele barulhinho virou o som que guiava a nossa dança e depois a melodia da nossa música. A música era assim: ‘Em cima! Embaixo! Pra frente! Pra trás! Sobe tudo! Yes yes yes!’ Como vcs podem imaginar, os movimentos da dança seguiam as recomendações da música. Fran nos acompanhava animadíssima e a cada vez que terminávamos uma coreografia ela falava: ‘De novo’ e começava a cantar: embaixooo e levantava os bracinhos! Hahahaha, coisa mais linda de se ver!
Perdi as contas de quantas vezes dançamos essa música. Fran não se cansava.
Foi difícil sair dali. Fran queria nos acompanhar a todo custo.
No trajeto de volta ao quartinho uma ‘merda’ aconteceu. Estávamos eu e Flavoca super animadas andando e eis que surge uma moça bem peculiar no início do corredor com a cara fechada, óculos escuros e andando como se fosse Gisele Bündchen. Ainda naquela de branco vazio eu soltei um: e lá vem ela, a modelo super famosa na passarela e coisas desse tipo. Eu e Flavoca começamos a desfilar ao lado dela, que não estava nem aí pra gente. Do nada essa mulher parou e soltou um grito: Saaaaai de perto de mim, besta fera!
Tomamos um susto gigante, mas logo em seguida as risadas rolaram soltas.
Depois desse episódio ainda deu tempo de conhecer um funcionário do hospital que ficou dançando a música da Fran conosco.
Pessoal, quase me esqueço de compartilhar uma coisa com vocês. Houve outro episódio que me encantou no dia de hoje. Estou num momento de tentar desenvolver as habilidades corporais da Teca e seguir o que Gentileza disse: explore todas as possibilidades que esse corpo oferece, fale menos. Pois bem, entramos num quarto e uma menininha estava sentada em sua cama e nos acompanhava com os olhinhos atentos enquanto chupava sua chupeta. Começamos um jogo com o olhar. Ela olhava, eu me escondia embaixo de sua cama. Ela me procurava e me achava. Depois ela me procurava e não me achava mais, porque eu me escondia agora do lado de fora do quarto e aparecia pela janela. Ficamos nessa de esconder e achar por um tempo, enquanto ela soltava umas risadinhas gostosas. Quando resolvi ficar quietinha escondida eu encontro com ela descendo da cama e andando me procurando! Coisa mais linda! Melhor ainda foi perceber que a Teca consegue sim ficar calada! Hahaha.
Bom, foi isso que aconteceu! Estava com uma saudade enorme de tudo isso!

Um forte abraço,

Teca Lua Cheia.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Teca Lua Cheia - 4ª atuação HDM

                                                           
Ansiedade, Curiosidade, Roupa, Cabelo, Maquiagem, Música, Coração acelerado, Nariz, Brilha o olhar, Encontro, Fefê Xogas, Franchesca Mil por Hora.

Disco Voador, Galinha, Maceió, Família da Franchesca, Itália. Caminho, Alguém sabe chegar lá?

Nave espacial, Piloto, Bota o cinto de segurança, Vamos nessa.

Ei, venham aqui! Ginecologia, Gente grande, Gente miúda, Gosto dessa gente.  Será que eles gostam da gente?
Oi, eu sou a Teca!
Mais encontro.
“De onde vocês são? Pra onde vocês vão?”
Vamos pra todos os lugares ora, pq não?
“Estou falando sério!”
Eu também, nós vamos na nossa nave espacial!
“É sério, eu queria fazer um trabalho com vocês”
E vai pagar é? Vai pagar como? Só pode pagar com doce!
Guia turístico, Venham aqui conhecer uma pessoa
Maceió, Alagoas.
Há lagoas? Biquini!
E mais uma
Loja de simpatia
E mais outra
Vamos, claro que vamos!

Pessoas alegres, Pessoas não tão alegres assim, Quadrado de vidro, Lágrimas, Vai um abraço aí?

O Jardim, Duas flores, Uma triste, Uma feliz, Oração, Obrigada!

AMANDA, Reencontro. Brilha mais esse olhar
Lembra de mim?
“Aham”
Lembra do Zeca manivela?
“Lembro. Cadê ele? Fala com ele que Amanda tá chamando”
Pode deixar, eu falo pra ele. Quer mandar um beijo pra ele?
“Quero!” beijo
Vou guardar e entregar pra ele. Manda um pra mim?
“Sim!” outro beijo
Eu vou guardar aqui no coração. Quer que eu mande um pra vc?
“Aham”
Meu beijo
Uma mãozinha agarrando o beijo no ar e levando ao peito
Ah, Amanda... Tão doce, tão sorridente, tão encantadora.

Moças simpáticas, Adote um copo. Adote um copo?
Pois bem: Carlinhos Epifânio Júnior!
Carlinhos, Epifânio, Júnior
É tarde! O avião vai partir!
Corredor
Choro, Mais lágrimas
Grupo de oração
Vai um abraço aí também? Fila pro abraço!
Obrigada
Pizza
Itália
Vão pela sombra!

Um abraço,
Teca Lua Cheia. 14/08/2012   

Teca Lua Cheia - 3ª atuação HDM









- Que quer dizer cativar?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

Trecho de O Pequeno Príncipe


Seria a minha primeira vez com Emmanuel e Richelle. Senti aquele velho friozinho na barriga. Emmanuel estava um pouco preocupado sobre como seria atuar com crianças, sobre a forma com que iriam receber o Juvenal. Acalme-se, menino! Deixe o Juvenal ser o Juvenal!
Atuar com crianças desperta em mim emoções muito confusas. Às vezes nós estamos numa energia muito boa e acabamos nos deparando com crianças que choram com a nossa presença e sentem medo da gente. Isso é horrível, isso me joga lá pra baixo. É uma coisa que ainda preciso desenvolver em mim: aceitar a rejeição. Se a pessoa não quer, não gostou, sente medo, não está a fim ou qualquer coisa desse tipo, eu preciso aceitar. Não adianta insistir, Teca. Se a pessoa não quer, é simples, não vá! Continue com o jogo, busque outras pessoas, vá por caminhos diferentes.
E foi exatamente isso que fizemos em vários momentos da nossa atuação. A primeira vez foi quando encontramos um menininho que chorou muito quando nos viu. OK! Vamos sair daqui. Bibelô Titchely teve uma sacada muito boa e se escondia toda vez que passávamos pelo menininho. No final das contas ele estava no colo da mãe indo atrás da gente pelos corredores e ficou nos observando na brinquedoteca.
A segunda vez foi quando estávamos na brinquedoteca com umas 3 crianças e uma delas também sentiu medo da gente. Ele se escondeu na barraquinha e ficou lá dentro por um tempo. Ficamos jogando com outro menino que estava fazendo umas pinturas bem legais. Depois de um tempinho o menininho da barraca saiu de lá, sentou no colo da enfermeira e ficou nos observando. Surgiu uma espécie de jogo com as bolinhas da barraquinha dele e ele ficou jogando essas bolinhas pra gente. Achei lindo presenciar essa transformação.
Apesar de todos esses momentos, quem mais me marcou hoje foi a Vitória. No início, ela também não gostava da gente. Quando a enfermeira perguntou pra ela se ela gostava de nós ela balançou a cabeça negativamente.  PÁ! Mais uma bofetada em mim. Mas Vitória não chorava. Ela estava com os olhinhos arregalados e sempre fixos na gente. Descobrimos que era o aniversário dela e fizemos uma grande farra ali, com parabéns e tudo mais. Todos do quarto cantaram pra Vitória, foi lindo. No final das contas, ela estava sorrindo pra gente e não queria que nós fossemos embora. Linda, não?
Por essas e outras que hoje eu comecei o Diário com um dos meus trechos favoritos do Pequeno Príncipe. Acho que ele descreve bem como foi o nosso dia.

Um forte abraço, Teca Lua Cheia. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Teca Lua Cheia – 2ª atuação DM



Como começar a contar sobre o dia de hoje? Na boa, foi surreal! Eu sei que vocês já devem estar cansados dos meus diários, pq eles são grandes e geralmente detalhados. Mas, caro leitor, você precisa ler o de hoje! Por favor, ainda não desista de mim. Juro que tentarei ser breve. Mas, caramba, como tentar ser breve logo hoje? Aconteceram tantas coisas, foram tantos estímulos, tantas sensações boas, jogos bacanas surgiram, havia uma energia mt mt boa e uma sintonia entre nós – Teca, Juju Danoninho e Amélia Ventosa.
Nós chegamos ao nosso “camarim” e começamos a nos trocar. Era a primeira vez da Amélia e se ela estava nervosa não deu pra perceber. Ela colocou o famoso cocoricó pra tocar e tudo começou. Olhares disponíveis, atentos, brilhantes e sorrisos lindos estampando o rosto de cada uma de nós. É chegada a hora, vamos lá!
Saímos assim, de mansinho, e de cara encontramos a Juliana Paes que estava ali na fila pra entrevista do mais novo papel dela na tv: Gabriela. Logo depois do nosso encontro com a atriz global, uma moça que trabalhava ali no DM passou correndo por nós e nós saímos correndo atrás dela. E como ela corria viu! Chegou até a me deixar cansada. Por pouco nós não a pegamos, nós não conseguimos fazê-lo pq ela entrou numa sala que proibia a entrada de pessoas com a roupa branca. Ok, fica pra próxima.
Chegamos ao famoso corredor com os quartos com nomes dos personagens dos quadrinhos. Encontramos de novo aquelas pessoas miudinhas que mais parecem estrelas por conta da quantidade de brilho e energia boa que vem delas a cada vez que elas sorriem pra nós ou simplesmente nos acompanham atentos com os olhos. Entramos em um quarto bem grande que tinha 6 camas, com 5 delas ocupadas. Esse foi, sem dúvida, um dos meus lugares preferidos nesse dia. Nossas pequenas estrelinhas estavam conosco. Conversamos, brincamos, transformamos aquilo tudo em um grande programa de televisão com direito a transmissão ao vivo e uma “câmera woman” muito hilária que ria mais do que filmava. Tivemos que ensinar a ela como segurar a filmadora, mas, toda hora ela esquecia que estava com a câmera na mão e caia na gargalhada. Ainda bem que nós estávamos atentas e sempre segurávamos a filmadora quando ela estava prestes a se espatifar no chão. Surgiu então um número de dança que seria avaliado pelos nossos 5 jurados. O famoso “tchu tcha” foi o número pedido e nós dançamos muito. Acho que agradamos, pois nossa menor nota foi 9! Eu já contei a vocês algumas vezes como nós somos talentosas na arte da dança, mas, ninguém quer acreditar em mim...  Foi ali também que eu vi o encanto do pequeno A. ao olhar pros olhos da Amélia. Isso foi muito lindo, pessoal. Ele não conseguia parar de olhar pra ela. Com aquele rostinho que se abria em um sorriso meigo e os olhinhos que brilhavam, já lhes contei do poder do olhar dessas estrelinhas, né? Pois vejam só que coisa linda, era a primeira vez em 3 dias que o nosso pequeno A. falava. E ele falou conosco, ele riu, ele nos deu a nota 10. Mas, caramba, ele é quem é nota 10! Mas foi muito triste quando ele começou a chorar de dor. Seus olhos pareciam pedir ajuda. Começamos a conversar com ele e a irmã dele o acomodou da melhor maneira possível e ele foi se acalmando.
Ah, vocês se lembram do V.D. do meu último diário? Aquele que o medicamento passava por uma caixa mágica? Pois então, lá estava ele de novo. Mas, dessa vez, sem a caixa dele. Ele tinha feito uma tal de cirurgia e estava de repouso. Combinamos então de que da próxima vez que eu fosse lá visita-lo haveria um grande duelo entre nós: V.D. X Teca Lua Cheia jogando na caixa mágica. Incrível como todo mundo que estava ali torcia pro V.D.! Tive só um voto no quarto inteiro! Mas, tudo bem. A gente supera, né?
Ahh, quase me esqueço de contar pra vocês que nós realizamos um casório hoje! Juju era a daminha de honra, eu me transformei no pai da noiva e Amélia conduziu a cerimônia. Foi um lindo casamento, com direito a beijo na noiva e tudo mais! Depois nós fomos conhecer o G., filhinho do nosso mais novo casal. O noivo disse que o G. precisava muito da nossa energia, da nossa alegria e por isso queria que nós fôssemos lá visita-lo... E é claro que nós fomos né! Mas, chegando lá, a moça de branco não deixou a gente entrar e nós só ficamos olhando pela porta. Resolvemos então mandar um recado pro pequeno G.. O recado dizia mais ou menos o seguinte: três amigas tinham ido visita-lo, mas, infelizmente, não puderam entrar. Mas a gente mandava muita força pra ele e que nós estávamos muito felizes por conhecê-lo.
Depois fomos conversar com os pais e pedimos a eles que cantassem sempre pro G. e pedimos que eles nos fizessem uma promessa. Pedimos a eles que quando o G. saísse do hospital eles fossem com ele à praia pra brincar, pois o G. estava com uma espécie de óculos de sol e uma luz em cima dele, parecia que ele estava na praia pegando um solzinho!
É, caro leitor, eu disse pra você que o dia de hoje tinha sido lindo. Obrigada pela paciência pra terminar de ler esse diário com 970 palavras! Rsrsrs.
Quero agradecer imensamente as minhas melhores companheiras do mundo por hoje. Como eu disse, nós estávamos em sintonia hoje e é por isso que foi tão lindo! Acho que consigo resumir em uma palavra o que houve entre nós: AMOR. Hoje houve amor.
Um forte abraço,
Teca Lua Cheia.


sábado, 30 de junho de 2012

Teca Lua Cheia, 1ª atuação no DM


“Why do birds
Suddenly appear?
Everytime you are near
Just like me
They long to be
Close to you”
                                                                                                         Close to you – The Carpenters

Curiosidade. Nervosismo. Agonia. Medo, muito medo.
E foi em meio a todos esses sentimentos que eu cheguei ao Hospital Dom Malan para minha primeira atuação lá. Cheguei um pouquinho antes e fiquei ali tentando me familiarizar com o local e tentando enfiar na minha cabeça que eu precisava me acalmar que tudo daria certo. É, eu estava uma pilha de nervos. Logo encontrei com meus companheiros Wagner e Júlia. Fizemos nossos crachás e finalmente fomos nos arrumar. Nossa salinha no DM parece um camarim! Adorei o espelho gigante que temos lá. Vestimos nossas roupas e nos maquiamos. Meu coração batia acelerado, mas eu precisava me acalmar. Wagner colocou capim cubano pra tocar no celular dele, mas aquilo estava fraco pra mim... Não estava dando certo. Até cheguei a achar que eu não conseguiria atuar. Comecei então a me alimentar não pela música, mas pela energia que vinha dos meus companheiros, pela vontade de estar com eles. O barulho dos pés deles no chão, a respiração um pouco mais forte, barulhos dos movimentos que eles faziam. Foi aí que percebi a minha respiração ficando também mais forte, minhas risadinhas... Sim, é disso que eu estou falando! Subi meu nariz e vi meus companheiros já se preparando pra fazer o mesmo. Encontrar aqueles olhares, lindos, vivos, disponíveis, foi encantador. O Zeca Manivela tem uma doçura no olhar e a Juju Danoninho uma disposição, uma disponibilidade que são de deixar qualquer um orgulhoso daqueles dois. E é por isso que hoje eu comecei meu diário de bordo com um trecho da música Close to you, porque era assim mesmo que eu me sentia. Eu queria muito estar com eles, estar perto deles.
Bem, Teca tem uma coisa muito, muito estranha. Percebi nessa atuação que Zeca e Juju viram nela algo parecido com uma galinha. Acho que são os braços dela, que ficam parecendo asinhas?!? Bem, não sei... O que eu sei é que eles precisavam encontrar as primas da Teca, as outras galinhas. Partimos então pra procurar minhas queridas primas que estavam perdidas no hospital. Nessa procura nós encontramos de tudo, menos as galinhas. Encontramos a pequena A.. Uma menina linda e doce com o olhar e sorriso mais fofos desse mundo. Ficamos ali conversando, brincando, e descobrimos que ela era prima do Zeca! Acreditam? Pois é.
Ah, ali mesmo, ao lado da A. tinha outra menina que tinha trancado a boca e perdido a chave. Perguntamos a ela como era a chave e descobrimos, através de gestos, que ela era miudinha, amarela de bolinhas brancas. Partimos então numa busca atrás das galinhas e da chave. Ninguém por ali tinha visto nenhum dos dois. Mas, nós não desistimos.
Nessa nossa procura nós acabamos conhecendo uma senhora que, segundo ela, teve um pintinho. Tentamos dar um nome ao pintinho dela, mas nenhum a agradou. Ok, vamos lá que as galinhas estão soltas por aí e nós precisamos encontra-las!
Conhecemos duas mulheres: uma que estava de alta e a outra de baixa. Não consegui entender muito bem o que aquilo significava, mas a mulher de alta estava muito feliz. Acho que a mulher de baixa também queria ficar de alta. Vai entender... Essas pessoas são realmente muito confusas...
Ah, fizemos amizade com um menino, o V.D. e era incrível que ele tinha uma caixa mágica e era por ali que ele tomava o remédio dele! Conhecemos muitas pessoas, pessoas de todos os tamanhos: pequenininhas, maiorzinhas, grandes... E todas elas muito especiais! Achei mágico ter ido lá hoje. Quero voltar mais vezes!

Um abraço, Teca Lua Cheia. 

Teca Lua Cheia – 3ª atuação no HUT


Hoje eu fico com a palavra fé.
Hoje eu atuei pela primeira vez com Joaninha Geléia e Mariquita Porcelana. E eu posso dizer que foi um presente. No início nós nos deparamos com pessoas que não estavam muito animadas e não compraram muitos jogos. Até chamadas de chatas nós fomos! Acreditam? Pois é, nem eu acreditei. Mas, tudo bem. Primeiro quarto, segundo quarto e nada. O jogo continua, vamos lá! Mais energia, mais disposição, vamos brilhar esse olhar Teca, nada de deixar a energia cair!
E finalmente as coisas começaram a acontecer. Encontramos pessoas mais receptivas e que permitiram que nós nos aproximássemos delas. Foi lindo.
Entramos num quarto que tinha tanta gente que parecia uma festa. Perguntamos se a festa era ali e acreditem, era o aniversário do moço que estava internado. Ah, era só disso que nós precisávamos! Fizemos uma festa de aniversário com direito a parabéns, bolo imaginário, velinhas e tudo mais! Fiquei encantada! Ainda nesse quarto nós dançamos o Tchu Tcha pro nosso aniversariante. Até uma das moças que estava ali com ele veio dançar com a gente. Nós nos divertimos muito! Tentamos também cantar a música das empreguetes. Na verdade, nós fizemos uma verdadeira vitrola: a pessoa pedia a música e a gente cantava. Um verdadeiro show  : )
Ah, fomos também a um outro quarto e conhecemos uma senhora, a vovó Ana e ela foi o meu presente da noite. Quando chegamos ela estava tomando uma sopinha que, segundo ela, estava uma delícia! Começamos a conversar com ela e ela contou muitas coisas sobre a vida dela. Nós percebemos que ela queria conversar, que ela queria a gente ali e foi isso que fizemos. Ficamos ali conversando com ela. Confesso que em algumas partes eu não entendi muito bem o que ela disse. Lembro que teve um tal de derrame que ela contou, mas até agora eu não sei se o que ela derramou foi leite, sopa ou água. Tudo bem, outro dia eu pergunto. Vovó Ana segurava uma espécie de colar de contas na mão e ao perguntarmos o que era aquilo ela disse ser um rosário. Aí perguntamos o que a gente fazia com o rosário, ela respondeu que a gente reza. Pedimos a ela pra nos ensinar a rezar e foi o que ela fez! Fizemos uma oração linda com ela: ela ditava e nós repetíamos! Lindo, lindo, lindo!
E é por isso que hoje eu fico com a palavra FÉ. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Teca Lua Cheia – 2ª atuação no HUT



Hoje a atuação foi bem diferente. Diferente em muitos aspectos: alguns bons e outros não tão bons assim. Estávamos eu, Chiquita Furacão, Lisbela Duracell, Xena Macaxeira e Franchesca Mil por Hora. Fomos para o repouso juntas e começamos a nos arrumar. Fomos embaladas pelas enfermeiras super fofas que cantaram um TCHU TCHÁ mega animado pra gente! O clima estava ótimo!
Eu confesso que estava um pouco tensa, pois seria a primeira vez que eu atuaria sem monitor e seria também a primeira vez que atuaria só com a Chiquita Furacão. Como sempre, nos instantes antes da magia começar eu tenho que dar um chega pra lá na Rayanna pra evitar que ela atrapalhe a Teca Lua Cheia. E foi o que eu fiz. Me concentrei, fiquei atenta e me entreguei ao jogo. Chiquita estava linda e ela foi sim a minha melhor companheira do mundo. No início nós estávamos um pouco retraídas e inseguras, mas o jogo foi surgindo lindamente e quando eu vi nós já estávamos com uma sintonia incrível.
No início nós pegamos a nossa nave espacial e chegamos num planeta totalmente desconhecido: o planeta cama! Cama? Sim, o nome do planeta era esse mesmo, porque ali todo mundo só fazia dormir. Lembro que visitamos também os planetas Cadeira/Ar e o planeta (pera, esqueci o nome, vou colar da minha querida companheira Chiquita Furacão, que já fez o diário dela :D. Voltando...) como eu disse, o planeta Que-Um. Depois de muito explorar no planeta Cadeira/Ar nós encontramos com o Caetano Veloso e fizemos uma apresentação de primeira: eu no vocal e Chiquita e um habitante “camáquio” como dançarinos. Nós fomos tão bem que até o Caetano aprovou! Ficamos tão animadas com a ideia do sucesso que precisávamos de um produtor musical e de um assistente de luz para o nosso próximo show e foi assim que fomos ao outro planeta procurar por eles. Chegando lá nós, infelizmente, não conseguimos nossos produtores. Bem, eles que perderam, pois se nós tivéssemos a chance que precisávamos eu e Chiquita estaríamos bombando nas paradas do sucesso nesse exato momento.
Como eu disse no início do post, alguns momentos não foram tão bons assim. Eu explico. Chegamos ao último planeta e conhecemos a Daiane dos Santos e estávamos super empolgadas com ela, que dava umas risadinhas tímidas. Mas, o pai da Daiane tinha saído da UTI naquele dia e tinha que ficar de repouso, deitado. Só que ele ficou agitado, nervoso e eu e Chiquita tentamos acalmá-lo, mas nada dava certo. Percebemos que Daiane foi ficando aflita e foi aí que nós descemos os nossos narizes, porque já não éramos mais Teca e Chiquita, éramos Rayanna e Talita super preocupadas. Talita ficou tentando acalmar o senhor e eu fui atrás da enfermeira, que foi olhá-lo e conversar com ele. Quando percebemos que ele se acalmou nós saímos de lá. Mas, caramba, eu estava muito muito triste. Isso nunca tinha acontecido antes. Quando chegamos ao repouso nós encontramos nossas companheiras que estavam com uma energia altíssima e com um jogo lindo. A energia delas acabou passando pra gente e VOILA, lá estávamos de novo: Chiquita e Teca! Foi muito bom porque eu tive a oportunidade de atuar com Xena e Franchesca. Entramos num quarto e conhecemos o Luiz Gonzaga. Arrumamos um forrozinho delícia ali e o Luiz Gonzaga cantou que era uma beleza! Foi nesse quarto também que conheci o seu F. e jogamos assim, quietinhos, com olhos abertos – olhos fechados. E ele se escondendo embaixo do lençol. Foi lindo demais!
Nesse dia eu percebi que tudo é questão de entrega. É o quanto você se dá, o quanto você fica disponível que define como será o seu jogo. Obrigada minhas companheiras por terem sido as melhores do mundo!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Teca Lua Cheia - Luta Antimanicomial


“ Chegou a hora de apagar a velinha
Vamos aguardar aquela comidinha
Parabéns pra você
Parabéns pra você “
E é assim que eu começo meu diário de bordo de hoje. Essa foi uma das músicas que o Sr. W. cantou hoje durante a nossa intervenção. E, meu Deus, que coisa mais linda! Que momento mágico, que presente. Hoje meu dia foi recheado de vários seus e inúmeras donas: Seu W., seu A., dona E., mais uma dona E., dentre muitos outros. Até uma cantora eu conheci hoje!! Acreditam? Pois é... Conheci pessoas incríveis e de uma força admirável. Pessoas que lutam diariamente contra o preconceito e contra a dificuldade que é enfrentar o sistema social doente do nosso país. Fiquei muito feliz em participar dessa luta e me juntar a essa causa tão especial.
Hoje eu pude presenciar o que realmente quer dizer cativar. Hoje me cativaram com olhares doces e admirados e sorrisos verdadeiros. Me trazia uma felicidade imensa ver todas aquelas pessoas interagindo conosco, comprando o nosso jogo, nos aceitando de uma maneira tão carinhosa. Foram tantos abraços, tantos sorrisos, tantas brincadeiras, danças, cantoria, batuque de pandeiro, de tambor, rodas de dança, carreira atrás do carro de som, gritos de alegria! E foi assim que nós fomos seguindo rumo ao bambuzinho. E foi durante esse trajeto que coisas mágicas aconteceram. Desde gargalhadas gostosas ao choro sincero de uma das minhas donas de hoje. Choro que revelava um peso gigantesco e uma agonia sem fim. Peso que ela carrega diariamente, uma vez que o seu companheiro “tem preconceito contra mim, porque eu sou do CAPS”, palavras da minha dona querida. Enquanto nós segurávamos uma faixa, ela me pediu pra que fosse conversar com o marido dela e pedir que ele nos acompanhasse e parasse de ter preconceito contra ela, porque era uma coisa que a fazia muito triste. Fui então conhecer o companheiro dela e o convidei para nossa grande festa que estava prestes a acontecer. Eu disse que seria uma festa muito bonita, com música, dança e muita cantoria. No início ele disse que não iria, porque ia pra casa assistir o jornal na televisão e eu disse a ele que nós é que estaríamos na televisão (HOHO), mesmo assim ele não quis ir. Ok, segui caminho com a minha dona e quando nós olhamos pra trás, adivinhem só quem estava nos acompanhando? Sim, ele mesmo! O companheiro da minha dona. Imaginem a minha felicidade ao ver aquilo! Fiquei toda boba... Enfim, vamos continuar a nossa caminhada que ainda é longa até o bambuzinho. Depois dela conheci os meus seus. E quantos seus! Quantos sorrisos acolhedores e quanta vontade vinham deles. Eles, que seguravam cartazes e seguiam cantando a alto e bom som frases do tipo: loucos por direito, liberdade e respeito. Dentre muitas outras. Participamos de uma cantoria com direito a OLELÊ OLALÁ, entoados por diferentes pessoas e em diferentes timbres! Pensem aí que luxo!!! Seu W. estava fantástico! Fomos de braços dados dançando uma espécie de quadrilha uma parte do percurso, foi incrível. Paramos um pouquinho quando ele reclamou que estava com as pernas cansadas, mas ele logo se animou de novo e voltou a dançar comigo, um fofo! Foi ele quem cantou essa cantiga do início do diário, o parabéns a você todo especial e que é só dele! Rsrsrs. Ah, encontrei também uma cantora super alto astral que dança o tchu tchá como ninguém! Terminei a minha noite indo deixar o seu W. no ponto de ônibus, pois ele disse que precisava ir pra casa, porque a mãe dele já devia estar preocupada com ele. Digam aí se não é pra se apaixonar com tamanha fofura!!!
 O dia de hoje foi um presente pra mim.


Teca Lua Cheia 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Teca Lua Cheia 01

Diário de Bordo – Primeira atuação no HUT
Passei a semana meio tensa e preocupada com a minha primeira atuação no Traumas. Será que vai dar tudo certo? Será que eu vou conseguir falar alguma coisa ou vou travar? Será que vou ser a melhor companheira do mundo? Será que vou conseguir acompanhar as minhas melhores companheiras e jogar junto com elas? Será? Será? Será?
Meu Deus, eram muitas perguntas! Eu estava muito aflita. Enquanto eu via meus companheiros animados e ansiosos eu fingia estar bem também, mas o meu coração estava acelerado e quase saindo pela boca! Mas eu me segurei. Quando fomos nos arrumar percebi que ainda não estou craque na minha maquiagem e que isso vai demorar mais um pouquinho. O  que me deixou feliz foi que eu fui entrando no clima dos meus companheiros e quando percebi a agonia tinha sumido e o medo também. Me lembrei do episódio do picadeiro e meu nervosismo inicial que se converteu em incessantes tacs e plocs! 
Assim que saímos do quarto, Lisbela e Amélia estavam radiantes e esbanjavam sorrisos, umas lindonas! Fiquei orgulhosa em vê-las daquele jeito. Nós atuamos em apenas três quartos. É, eu sei, foram poucos, mas o jogo foi lindo. Já no primeiro quarto nós conhecemos a “Bombom ambulante” que interagiu conosco de uma maneira linda e meiga. Percebemos que os nossos hóspedes estavam insatisfeitos com aquele hotel e decidimos fazer um protesto por comidas mais saborosas, incluindo frango assado no cardápio, obrigada! Diante de tanta insatisfação nós ficamos responsáveis por encontrar uma rota de fuga – secreta – para os nossos hóspedes. Então nós saímos do primeiro quarto. Entramos em um segundo quarto que estava com três leitos ocupados e o jogo ficou ainda melhor. Conhecemos um senhor que comprou o nosso jogo e lançava diversos jogos pra gente. Foi maravilhoso estar ali e participar daquele momento. Ah, só me lembrem de mandar a Teca Lua Cheia entrar em uma dieta, porque disseram que o motivo do nome dela ser esse é porque ela já está quase explodindo –detalhe: disseram isso apontando pra barriga dela - . Ok, ok, tudo bem, nada de se deixar abalar! É o jogo, vamos jogar com isso! A mãe desse nosso grande jogador nos observava sorrindo, mas ainda sentadinha e tímida em sua poltrona. Tentamos jogar com ela na primeira vez e nada. Mas aos poucos nós fomos conquistando e quando vimos estávamos fazendo uma música com as palavras que ela lançava e ela acompanhava o ritmo com a cabeça. Fiquei muito feliz! Muitas coisas aconteceram nesse quarto: jogamos com o médico que veio visitar outro paciente, jogamos com esse paciente e a esposa dele – que deram várias risadas -. Mas também encontramos pessoas que não queriam a nossa presença ali e até aconteceu de um deles nos mandar ir procurá-lo na esquina e nós fomos! Jogamos um pouquinho com ele da esquina mesmo . Foi muito ruim ouvir isso de alguém e nesse momento eu me desestabilizei. Calma, Rayanna. O jogo é assim mesmo e é preciso se acostumar com isso. Então, vamos ao próximo quarto: o mais incrível da noite, na minha humilde opinião. Ali tinha de tudo: manicure, apreciador de ópera, mulher culta e o seu ET. ET?? Sim, um ET! ET porque ele tinha a incrível habilidade de passar 11 dias sem comer e quase sem dormir. Acreditam nisso? Pois é, mas ele era capaz de fazer isso e estava fazendo. Pensei em aderir essa dieta pra Teca, mas logo percebi que não daria certo. Enfim, cantamos várias músicas de ninar para um paciente e ele sempre dizia não, que não queria aquela. Ok, vamos trocar! Cantamos durma medo meu  e ele parecia estar gostando dessa, porque nos deixou cantar por um tempo. Senti uma emoção tão grande! Mas ele logo de cansou dessa também. Era engraçado que quando nós nos afastávamos dele ele ficava nervoso e soltava um AAAAA. Criamos uma ópera com esse AAAAA e fomos para a cama dele cantar. Foi muito divertido! Bem, voltando ao seu ET, um senhor incrível e que nós fomos conquistando aos poucos. No início ele estava com os olhos cobertos por um pano e não nos via. Quando percebeu o barulho acordou e se escondeu novamente. Começamos a jogar com ele assim mesmo. E foi maravilhoso! Jogamos com ele de olhos vendados, mas logo depois ele jogou o paninho de lado e só ficou com os olhinhos fechados, nos acompanhando e fingindo não estar interessado na gente. Depois ele finalmente abriu os olhos e se entregou ao jogo. Foram tantas coisas que é até difícil escolher uma pra citar, acho que vou ficar com o momento em que Lisbela “baixou o santo”. Santo Diego, segundo o seu ET. Depois esse santo acabou passando pra Teca também. Eita, santo Diego danado! Não posso deixar de comentar da postura da Amélia Ventosa, minha linda companheira. Ela teve uma sacada de mestre! Quando o seu ET, que costumava filosofar sobre umas coisas, soltava alguma palavra errada a Amélia soltava um “repita” no estilo do famoso “tico tico”dela e o seu ET percebia que tinha feito algo errado e caia na risada. Caramba, relembrar tudo isso é maravilhoso! Meninas, gostei muito da nossa primeira atuação e estou muito feliz em estar com vocês. Obrigada por terem feito um jogo tão lindo! E já estou ansiosa pela próxima atuação juntas.  


Dia do abraço

Diário de Bordo – Dia do abraço 
 
A primeira experiencia com a UPI foi realmente muito linda! No inicio da manha, eu, Flavoca, Fernanda, Ulisses e Emmanuel nos perdemos e nao conseguimos encontrar a casa da Ana. Chegamos la atrasados e encontramos os nossos companheiros quase prontos! Fiquei desesperada e fui correndo me vestir. A hora da maquiagem foi um momento um tanto quanto complicado pra mim. Foi a primeira vez que fiz a minha maquiagem sozinha e o resultado nao ficou muito bom, mas acho que vou pegar o jeito aos poucos. A energia na casa da Ana estava muito muito boa! Dividir aquele espaco com os meus melhores companheiros do mundo foi maravilhoso. Estavamos todos muito animados, ansiosos e com uma expectativa muito alta. Comecou a tocar a musica cocorico e eu fechei os olhos. Consegui sentir que a energia do lugar comecava a mudar aos poucos, tudo ficava mais agitado, respiracoes ofegantes, risadas, foi lindo! Eu nao estava conseguindo me concentrar e recebi a ajuda de um lindao que ficou bem na minha frente. Logo percebi que era o Juvenal Gardenal, por conta da respiracao caracteristica dele. A presenca dele ali me fez muito bem. E subiu o nivel da minha energia de uma maneira fora do comum. Foi muito bom abrir os olhos e encontrar todos ali, prontos, em alerta e com os olhares e sorrisos mais lindos do mundo inteiro. Mas a melhor parte do dia aconteceu na rua. Saimos da casa da Ana e ja na portaria do predio comecamos a distribuir abracos. Era muito gratificante ouvir um muito obrigado a cada abraco que davamos. Algumas pessoas nos abracavam com tanta vontade que nao dava mais vontade de soltar. Com algumas outras pessoas foi preciso um pouco mais de paciencia, foi preciso conquista-las. Mas era tao lindo quando elas passavam do estagio de nao aceitacao do jogo para o estagio de: sim, eu quero um abraco seu! Eu me deixo ser abracado por voce. Eu nao sabia que as pessoas andavam tao carentes, tao necessitadas de sorrisos, de abraco, de carinho! Percebi que alguns, apos serem abracados, diziam: como é bom ganhar um abraco assim ou poxa, eu estava precisando mesmo desse abraco hoje. Fiquei muito feliz ao perceber que com um pequeno gesto como aquele nos estavamos alegrando o dia de alguem. Vivenciei uma situacao que me marcou muito. Eu entrei em uma loja e abracei as vendedoras e uma cliente. Percebi que uma menininha de uns 3 anos estava me olhando por detras da cortina do provador de roupas. Ela me olhava e ficava rindo p mim. Eu disse a ela que gostaria de receber um abraco dela, aí ela ficou toda envergonhada mas acabou saindo do trocador. Ela continuava me olhando e dando um sorrisinho fofo, mas nao saia do lugar. Eu me ajoelhei  e fiquei da altura dela e comecei a conversar com ela, aí percebi que ela deu uns dois passinhos pra frente mas continuou com os bracinhos pra tras, ainda sorrindo. A mae dela saiu do trocador e disse: gente, ela tá morrendo de vontade de abracar mas está com vergonha! Entao eu abracei a mae dela e depois abracei mae e filha ao mesmo tempo, num abraco triplo muito gostoso! Quando eu fui embora a crianca deixou que eu desse um beijinho na mao dela. Quando olhei pra tras vi que ela ainda me olhava, com uns olhinhos doces e muito encantada. Como foi bom viver aquilo ali, como foi bom conquista-la e receber aquele abraco triplo. Teve uma outra situacao em que eu e Joao Canelao estavamos juntos e um garotinho abaixou os vidros do carro e abriu os bracos pra gente com um sorrisao lindo no rosto. Fomos correndo abraca-lo e isso tambem foi uma delicia! Por falar em Joao Canelao, foi lindo atuar com ele! Nos encontramos em um momento e resolvemos ficar juntos. Ele me manteve firme e conseguiu manter a minha energia alta quando por algum motivo eu dava uma desanimada. Entramos em varias lojas, dancamos forro na rua, nos abracamos, brincamos com muitos pedestres, demos varios abracos triplos, caramba, foi muito lindo! O dia do abraco vai ficar pra sempre na minha memória.