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terça-feira, 30 de junho de 2015

Esperança Sambacanção - "E assim, chegar e partir."

Vamos começar pelo fim?
29 de junho de 2015, hoje. A dias essa noite virou especial pra mim, quando eu soube que seria uma segunda-feira de reunião da UPI, por si só ela já não era uma segunda-feira como as outras. Uma das últimas segundas de um final de semestre por si só estressante, cansativo, pesado, e por isso acredito que muitos dos que caminharam comigo até aqui, aqui não estejam, são provas, artigos, seminários, finais, outros projetos, a vida, as escolhas, a preguiça, as férias, viagens, família e tantas outras coisas que existem fora desse mundo palhaçada que a gente vive uma vez na semana nos hospitais, e de quinze em quinze dia em alguma sala dessa universidade.
Existe um mundo lá fora, um mundo que a gente esquece durante aqueles incansáveis dias de formação, vocês lembram? Um mundo que o nosso nariz aprendeu a transformar, um mundo que fica a cada mais vermelho, mais rosa, mais verde, mais roxo, mais tantas outras cores que a gente inventa de pintar. É que a formação e o dia a dia dentro desse projeto, no fim, é pra mudar o mundo, e mudar o mundo não é pra qualquer um, é pra quem acredita em mudança, é pra quem acredita em transformação, é pra quem acredita em felicidade, e como disse um dia Dona Quinô, “Ser feliz é pra quem tem coragem.” Pois tenham.
Falando em formação conto 1 ano e 5 meses da minha, não sei dizer se foi muito ou pouco tempo, só sei dizer, com todas as letras que foi inteiro, foi completo, foi completude, foi intensidade, entrega, verdade, foi costurar a bandeira e dizer: Essa eu defendo. Foi subir o nariz com verdade e desbravar corredores a fora como quem não sabia o que ia encontrar, e não sabia mesmo, e olha que engraçado, encontrou. Foram um 1 e 5 meses de um relacionamento sério, e relacionamento sério vocês sabem, tem dias bons e dias ruins, dias que a gente quer que durem uma eternidade, dias que a gente quer que passe rapidinho, mas sobre essa história, vocês já conhecem, não vou me delongar nisso.
O que eu quero dizer, é que eu não dizer, não sei com que palavras eu digo até logo, não sei com que palavras eu digo: Jájá a gente se vê, eu não sei com que palavras eu digo: Olha eu vou ta aqui pra o que precisar, conta comigo, eu não sei dizer: Acho que to descendo do barco, mas vou remando aqui do lado, em um bote só meu, qualquer coisa grita...
É que eu não consigo ser pouco no muito, é que pra mim é complicado não ser inteiro, é que no que eu amo de verdade, eu vivo de verdade, no que eu acredito eu aposto todas as cartas, e se tem uma coisa que eu aprendi foi a me inteirar no mundo, ser inteiro em cada pedaço que me coloco.
“Quem em cada pouco põe tudo que é, merece ser feliz. E muito.” Tati Bernardi é contemporânea e sábia, ouçam-na.
Sim, esse é um diário de despedida, assim, sem choro, sem peso, sem brigas, sem motivos maiores, só a necessidade de caminhar por caminhos menos cheios, só a necessidade de organizar uma vida um tanto bagunçada, só a necessidade de arriscar em outros melhores companheiros do mundo, por que eu acredito neles, em vocês, só a necessidade de deixar ir, é chegada a hora de partir...
Pensei em deixar um pouco de mim, mas decidi levar comigo um pouco de vocês. Pude encontrar com muitos de vocês nesse 1 ano e 5 meses, tive o prazer de dividir os corredores dos hospitais, de dividir a organização das reuniões, de dividir as festas, os encontros, a formação, a seleção, a viagem, o MCA, a vida. Com outros ainda não puder verdadeiramente caminhar, mas acredito nos próximos dias, acredito que novos encontros ainda vão acontecer...
Pra não me delongar, vou parando por aqui, mas calma, preciso dengar um pouco antes de ir embora, é que nesse caminho um tanto de gente, um tanto de coisa foi me cativando, foi me encontrando, foi deixando comigo, e levando de mim, e não conseguiria ir embora sem agradecer de uma forma mais pessoal aos meus melhores companheiros, de atuação e de vida. Pra todos aqui, o meu muito obrigado, pelos caminhos cruzados, pela energia trocada, pelo sorriso dado, mas, aos meus xodós, aos meus chamegos, levo um pouco de cada um comigo e digo: eu sou muito apaixonado por vocês:

E, então o mundo ficou turvo e tivemos que enxergar de outras cores, fomos honrados com a presença da Princesa Testa no Joelho, uma nobre de um reino muito lindo e quieto, que ao chegarmos comia calmamente seus biscoitos reais e não deu ousadia alguma a esse trio de plebeus desconhecidos, só depois que terminou de degustar a comida real deu meio tostão de ousadia: um olhar, pra logo em seguida voltar a encostar a testa em seu joelho, coisa que fazia a cada pergunta, até que Teca conseguiu fazer brotar um sorriso, e Esperança conseguiu uma resposta, um alto e sonoro: “É”.

Rebeca pouca janta

Te confesso que muitas vezes não tenho vontade de atuar, confesso que nem sempre acho essa obrigação gostosa, assim como confesso que esse projeto já me proporcionou muitos dos melhores momentos da minha vida e quando se é cachorro, é difícil largar o osso.

Sancho pança fofa

Esta semana um amigo me perguntou se gosto de atuar. Sinceramente, respondi que, pra mim, atuar é como tomar sorvete. Isso porque a vontade de tomar sorvete muitas vezes não vem, sinto que quero comer outra coisa, algo de mais fácil acesso. E, então, eu tomo sorvete. E ai penso “armaria, como sorvete é booom, amo isso aqui hmmmm!”.

Toquinho de geres

Parece bobo e duvidoso quando pensamos que ações como essas e gestos tão simplórios podem mudar alguma coisa. Engano! Podem! Nesse processo esquecemos que são os gestos mais simples ('menos é mais') e as atitudes de atenção com o outro, são o que, de fato, nos humanizam.

Rosinha das alturas

Percebi nesse momento que é necessário manter o limite entre a San e a Rosinha, mas também nem sempre isso vai ser possível, pois perder as estribeiras faz parte. E fez.

Rosinha dos retalhos

Quando as coisas são feitas com verdade elas acontecem. 
Quando todas as metáforas começam a fazer sentido.
Quando as frases ditas incansavelmente são postas em ato.
Quando o sim já não é mais uma opção, é a unica escolha.

Juremas das pamonhas

O cuidado é uma via dupla!

Jamaisvista de listras

E espero ter deixado pelo menos metade do que eu recebi... Porque agora vou dormir com o som do sorriso daquela velhinha linda e do som da voz dela quando disse: “Foi a melhor visita que eu já recebi!

Frida ciriguela

“Vocês três são como um presente”
          “Torta na cara”
          “Vem aqui que tem gente que quer conhecer vocês”
          E tanta coisa boa, tanta coisa que a gente traz de volta pra casa...

Bartolomeu barbudo

                                                    "Chiquita" Rosa Choque
                                                                   e Esperança Sambacanção
                                                                visitAndo a UTI numa completa comunhão
                                                              e na Lavanderia explicações entusiasmadas 
                     não param de surgir situações Inesperadas 
                                                                 os Zói da Esperança custavam acreditar
                                                          que o cAfé estava pronto e a mulher a nos chamar
                                                               refeiÇão concluída e de bucho forrado 
                                     hora de pedir a bençÃo pelo dia afortunado
                                                        a atuaçãchegou ao fim, mas deveras continua
nessa vida de tropeços de humano que atua!

Chiquita rosa choque

“Ah , diário, como é bom saber que podemos contar com nossos companheiros, não é? Ontem, em mais um dia de atuação, o Gled era o monitor da vez, e como eu tava com saudade dele! *_*”

Valentina fuzuê

E como eu já sabia o quanto essa menina era especial antes mesmo de saber seu nome. Sara mudou meu dia, mudou minha semana. Sara me trouxe lembranças e ensinamentos. Sara me deu uma lição de vida, e talvez ela nem tenha percebido minha presença.

Catarina polenta

A tarde ainda era dourada quando nós seguimos mais leves.

Frufruta doce

Sem amarras, sem nós, com um nariz vermelhinho, podemos ser tudo.

Mariqueta boa bunda

Meu desejo nesse momento era de dar-lhe apenas o direito de chorar o seu luto, e de colocar calor, no lugar das faixas. Mas fico com o nosso encontro, com a presença das minhas companheiras naquele quarto, com a pergunta estúpida, com seus pés e uma ou duas lágrimas que conseguiram escapar.

Pinika dorada

A atuação de hoje eu achei meio morna, quando a gente fica algumas semaninhas sem atuar, parece que fica um pouco enferrujado, mas o válido é não esquecer que “o essencial é invisível aos olhos”.

Bibelô tichele

“Ao ver que me sentia mais segura nesses dias, ao poder sentir o quão lindos são nossos monitores ao nos passar tanta confiança e força num único olhar, e principalmente... ao ouvir tantos "obrigado(a), vocês não sabem como isso faz bem!" após um abraço apertado.”

Zefinha Laranjeira

Esse diário é especial, porque resolvi dedicá-lo a um amigo, um grande amigo, um dos melhores dos amigos, um dos meus melhores companheiros do mundo: Sancho Pança Fofa. Por trás desse clown, um ser humano incrível.

Joaquim marmiteiro

Ah se eles soubessem que eles fazem muito mais por nós do que fazemos por eles.

Pietra fofolete

É interessante como não percebi o tempo passar, muito menos que Cris estava nos fotografando, parece que quando você sobe o nariz você mergulha em outro mundo. 

Miojita Espoleta

Ahhh, o abraço, é isso. Esse diário é sobre isso. Uma linda tradição que me fez voltar dois anos no tempo. Voltar, não? Me fez sentir o peso de dois anos. Dois anos em que as pessoas me mudaram e eu espero tê-las mudado também.

Pedrita Bombom

Em um dos dias do processo de seleção me pediram para contar minha história e é impressionante como a minha e a da Unidade de Palhaçada Intensiva andam juntas, se confundem em muitos momentos. Tem sido assim. 
 
Lisbela Duracel

Entre altos e baixos ,encontros e tentativas ,estamos amadurecendo =D

Santiago suado

E ele que quis sair do carrinho para ficar mais perto de nós, nessa conversa que tivemos ele me mostrou o machucado que tava na sua mão, logo eu beijei a mão dele. Foi lindo querer cuidar daquele garoto e ver ele ali aberto para receber atenção *.*

Pedrinho Palito

O resumo do amor aconteceu, um novo ciclo se iniciou, nasci mais uma vez, das tantas outras que ainda hei de nascer. “Sem tirar nem por; sobre o amor.”

Neuza camponesa

De cada encontro um recorte diferente...
“Vocês chegaram, olha ai, tá todo mundo indo embora.”
 “Ei vem aqui, tem uma menina precisando de vocês...”
 “Se vocês quebrarem vocês vão pagar.”
“Ela disse que gostou de vocês; conseguiu até soltar uns peidos.”
“_ Oi, a gente pode entrar? 
_Não!
(minutos depois...)
_Vocês são como um presente pra mim.”
“A pessoa já tá doente, aparece umas coisas dessas, faz é piorar.”
(minutos depois...)
_Não, era só brincadeira minha.”
 “Vocês sabem de tudo. Vocês adivinham tudo né? (...) Pois a gente ainda vai se encontrar por aqui.”
"Olha gente! Sarinha ta rindo!"
 “Vocês são é uma benção.”
“Psiu, fala mais baixo.”
“Ei, Obrigado...”


Esperança Sambacanção.

“A gente vai se dividindo em pedaços e levando novos para compor a vida.”




segunda-feira, 1 de junho de 2015

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 01/06/15

Hoje a segunda-feira foi um tanto mais bronzeada. E no fim, quando anoiteceu, eu só tinha a agradecer.

Primeiro a Beca, por me fazer sorrir como pouca gente consegue. São lindos esses momentos de doer a barriga no meio da atuação. S2

Segundo a Miloca, por se arriscar e aceitar os desafios que a gente propõe, você tá trilhando um caminho lindo, aproveite-o. S2

Terceiro a Gabi, por ter ido nos visitar, e por aceitar o jogo do outro e segurar a onda com tanta postura mesmo quando é repreendida. Por saber começar, parar, e voltar de forma ativa, com toda pose que naturalmente Salete tem. Mantenha isso, é muito bonito. S2


Núcleo do dia: Luz, câmera, (TAC!) gravandoo!  

terça-feira, 19 de maio de 2015

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 18.05.15

"Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta."

Desculpa resumir em uma música, mas é que tem dias que a gente não consegue colocar em palavras, ou  as vezes, só quer guardar pra gente mesmo... É sim um egoísmo, mas um egoísmo do bem, por bons motivos, espero que me entenda. 

Núcleo do dia: Em paz. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 04/05/15

Quando um quarto de hospital vira um parque de diversões e as pessoas acreditam nisso...
Quando você consegue enfrentar o seu medo e resolve tentar um jogo, e esse jogo dá certo...
Quando os olhos vermelhos, fortes, pesados, tristes, falam pra você que a vida não é tão fácil assim, e que vermelho, nos olhos, não caem tão bem quando no nariz...
Quando mesmo com todo esse peso, o encontro acontece...
Quando Esperança cheio de medo se aproxima, duvida, tenta, vai, desconfia, joga, é aceito, propõe, investe, constrói, vê que deu certo, fecha o trabalho, e sai do quarto com vontade de continuar, e acreditando que sim, o mundo tem jeito.

Um agradecimento: As minhas companheiras, por serem presentes em mim.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 27.04.15

"Toda segunda é meio lembrança, meio começo, meio cansaço, meio maçante, meio preguiça, meio esperança..."

E tem segunda que é meio piolhenta. A partir de agora, piolhos nunca mais serão vistos com os mesmos olhos, ou melhor, nunca mais serão achados com os mesmos olhos, agora todos serão vistos com olhos de criança... e procurá-los na cabeça de alguém será sempre uma festa!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 23/01/15

O ano começou bem, a nossa volta a maternidade foi tão boa quanto as outras idas. Temos passados bons momentos lá dentro. A sexta-feira tinha gosto de saudade, de ambos os lados, e tudo ocorreu muito bem, como sempre vem ocorrendo. Dessa vez entramos em poucos quartos, mas saímos talvez bem mais cheios de histórias e encontros para contar. Acho que entramos mais nas vidas de quem a gente encontrou e com a energia alta, o tempo passou sem ver.  


Núcleo do dia: Ver a atuação por outro ângulo!                                                                                
                                               
                                                 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 20/12/14







Receber visita que a gente é gosta é tão bom. Os corredores da Maternidade entardeceram de um jeito mais colorido no ultimo sábado. Nossa Miojita deu o ar da graça e foi levar um muito dela pra gente. Uma nova melhor companheira, um novo olhar pro hospital, uma nova forma de abordar, novidade criada pelo tempo, velhice que vem pra acrescentar e uma disposição enorme de aprender, pra trocar, pra subir o nariz e se encontrar... Obrigado Ju (Jurema e Júlia) por dizer sim mais uma vez, e Obrigado Mió e Horts pela entrega de sempre.





Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 12/12/14

Será que posso fazer um diário sobre antes da atuação? Acho que nunca vi por aqui algum assim, mas da minha atuação o que ficou pra mim foi o antes...
Um grupo de técnicas de enfermagem jogaram comigo e com Ju na sexta-feira anterior, e tinham prometido que trariam cuscuz pra gente na próxima sexta, eai que quando chegamos no hospital, quem acabamos encontrando? Elas, animadas do mesmo jeito, abertas do mesmo jeito, vivendo de um jeito tão bunito... e o melhor, nos esperando; elas realmente levaram o cuscuz pra dividir comigo e com Ju e isso  foi tão bunito, tão humanizado, tão confortante.
Nunca tinha me arrumado e me maquiado na frente de tanta gente “desconhecida”, achei que fosse ser estranho, (a gente tem mania de se fechar nesse nosso momento de subida de energia), mas foi muito tranquilo ver virar Esperança na frente delas, ver meu humor mudar ao subir o nariz, encontrar o encontro da semana passada, comer cuscuz e entrar um pouco no mundo delas, me senti parte daquele hospital, me senti equipe... nossa cara, foi lindo.
E Se eu posso dá uma dica pra o resto dos meus companheiros é: Coloquem Maternidade-Juazeiro na opção da escala de atuação semestre que vem, acho que vocês não vão se arrepender. 


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Esperança Sambacanção – Maternidade de Juazeiro – 09/12/14







 
Nesse mais ganhar que receber, que Esperança consiga dá um pouco do sabor que ele recebe e que a vontade de fazer o bem chegue sem ver a quem, porque “ninguém perde por dá amor, perde quem não sabe receber...”


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro. - dia 05/12

Foi uma delícia. Sim uma delícia. Nunca usei esse adjetivo pra descrever minhas atuações, mas posso usar hoje. Foi como comer um cuscuz com carne de sol, e um copo de fanta beeem gelada, quando se está com fome. Foi tipo isso, comi, comi bem, tava uma delícia, e eu sai de lá outra pessoa. Queria agora dá um beijo e um abraço em cada pedaço de carne de sol que encontrei pelo caminho... eles estavam temperados de um jeito diferente naquela sexta-feira.

sábado, 29 de novembro de 2014

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 22.11.14

“ESCUTO HISTÓRIAS DE AMOR...”
Ainda me pergunto se levei uma plaquinha com a referente frase ““ESCUTO HISTÓRIAS DE AMOR...”, quando saí da sala pra atuar. Não sei ao certo, mas talvez eu tenha deixado a entender que estava ali pra isso, ouvir histórias.
Preciso ser sincero que a atuação me parecia muito sem emoção, até sem energia eu posso dizer, mas chegou um momento que a gente se bateu com gente que ama, gente que ama um ao outro; não era amor a profissão, ou amor aos pacientes, amor aos médicos, ou amor aos bebês como geralmente acontece em uma maternidade, era amor de dois mesmo, era amor carnal, de homem e mulher, de enfermeiro e enfermeira, ou de gestante e acompanhante, para melhor dizer.
Saí da sala dos enfermeiros achando que trabalhar amando é mais gostoso, ou que ver amor onde não tem, é uma forma mais bunita de levar o dia que geralmente é cheio de cansaço, incompreensão, e estresse. Não que a gente ande procurando fofoca no hospital, mas aqueles dois enfermeiros estavam muito animadinhos pra quem dobra plantão; era um chamego só. Não vou te dizer de certeza se todo aquele aprego e declarações descaradas eram de verdade, mas aqui pra nós, se não eram, tem grandes chances de ser a partir daquela sexta-feira, Jurema e eu colocamos esperança naquele affair, demos todo o apoio do mundo, e colocamos lenha na fogueira que sabe Deus se já queimava, nos intervalos entre um soro e outro trocado no decorrer do plantão. (“Tu viu? Cala a boca!”).
E como se não bastasse a enfermagem do amor, eu e Ju (Jurema) encontramos um casal tipo a gente, de palhaços, mas palhaços por natureza, gente que não precisa de panqueque, de pinta cara, nem muito menos de nariz. Eles nasceram um pro outro ambos palhaços na vida, gente que leva a coisas na brincadeira, gente que faz da vida um eterno picadeiro. Falo que eles nasceram um pro outro, mas calma, não pense que a história deles é uma história típica de contos de fada, na verdade não chega nem perto disso (exceto no final), a história deles é mais cercada de amantes, mulheres, filhos [4, (um com cada mulher)], homens, e mais amantes, 4 também, porque eles combinavam até na disfidelidade, também tinha cachaça, festas, amizade um filho (agora o 5º na conta dele e o 2º na conta dela, todos de pais e mães diferentes), e por fim amor, amor, mais amor e Deus, ai veio a Igreja, o convertimento, e o “Gloria a Deus”, pois aceitaram Jesus acredita? Porque pra segurar um casal assim, só o laço que Deus amarra e ninguém solta, “Eis que tudo se fez novo...” E só ficou o futuro, esperando por esses 2 loucos pela vida.
           Em ambos os casos senti vontade de baixar o nariz e pedir um café, ouvir a tarde toda, todas as histórias que eles viveram antes de se encontrar, tanto o primeiro, que ninguém sabe se sim ou se não, quanto pro segundo que gritou pro mundo o amor, e gritou tão alto que até Deus ouviu, queria era não precisar da máscara, queria era contar que eu achei bunito aquele amor, mas falar sério sabe, porque as vezes é bom ser palhaço pra falar o que bem entender, as vezes é ruim querer falar sério, e acharem que apenas mais uma piada que a gente conta. Eu queria era ser levado a sério igual eles levaram aquele amor. Será que fui? 


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Esperança Sambacanção - HUT - 24/10/14

Que pena que foi bom

Que pena que às vezes ser o que a gente é, não é o bastante. Sim, eu sei que eu já sabia disso, mas preciso ser sincero, tinha esquecido.

Que pena que às vezes querer ajudar não ajuda.

 Que pena que nem sempre um olhar encontra o outro. Porque eu olhei pra o olho e ela olhou pro pé, não era de olho que ela queria falar, era de pé, de pé no chão, realidade. A seta indicando o caminho passou despercebida, e sinto que mesmo tendo visto, escolheria outra estrada, não estaria pronto...

Que pena que até no hospital tenha gente passando frio, sem lençol, sem atenção e sem cuidado, e o mais penoso é que às vezes só o tentar não aquece, que pena precisar conseguir, e não bastar a intenção, a tentativa...

Uma pena também ver alguém não poder sentir sua dor, não poder sofrer o sofrimento, porque tem gente pequena que precisa dela, porque tem filho pra criar, porque tem filho pra buscar na creche. Eu não sei se é triste ou se é feliz, se é feio ou se é bunito, ver alguém que no meio de uma dor forte, encontra forças pra pedir ajuda, não pra si, mas pro outro, pro filho que tá longe e precisa que alguém busque.

Confuso... A vida é assim meio bagunçada as vezes. Que pena que ficou por nossa conta arrumar a bagunça que sabe Deus quem criou.

Mas que bom, que bom que eu posso ter a oportunidade de viver isso, que bom encontrar com tanta dor, e com tanta tristeza, acho que ajuda a perceber que a vida é maior que meu sorriso, que a minha alegria, e maior do que eu, que tem gente que sofre, e sofre sozinho, porque quem ta do lado não sabe sentir...

 Que bom que eu tentei; conseguindo ou não, eu tentei, que bom que eu me arrisquei mais uma vez a errar, e errei, numa certa medida errei, mas continuo com a sensação de coragem, coragem de subir meu nariz pra tentar o fazer o bem, mesmo, vez ou outra, fazendo o “mal”.

 Que bom que eu tentei emprestar meus dois dedinhos pra Dona Francisca, mesmo sabendo que ela queria era os dela. Que bom que por alguns segundos aquela mãe preocupada com os filhos, - nem que fosse por alguns segundos - ficou tranquila, quando a gente prometeu que ia pegá-los na creche. E que bom, que mesmo não indo até a lavanderia lavar com minhas próprias mãos o lençol de Sr. Bartô, eu não esqueci de perguntar a todos os que encontrei pelo caminho, o que é que eu fazia pra achar um lençol limpo naquele hospital.

Que bom mas que pena, que pena mas que bom também, que pena, que pena, que bom e que bom sabe, que bom que foi uma pena, que pena ter sido bom...  que tal!

E que tal a gente não parar? Porque hoje eu aprendi que não estou pronto, e consequentemente, não estou morto.


domingo, 19 de outubro de 2014

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 17.10.2014

Doce, como o bolo de chocolate da enfermeira que se espantou ao ver o aniversário surpresa...

Estimulante, como a coca-cola gelada que compraram pra brindar a vida em pleno plantão...

Entrelaçado perfeitamente, como o ponto de crochê, da técnica em enfermagem que entre um soro e outro, termina o enfeite de pano da mesa de natal...

E por fim, colorido, como se colocassem dois palhaços verdemente alaranjados pra colorir um hospital de paredes bege.  


Núcleo do dia: “Lua de Chorrochó.” 

domingo, 17 de agosto de 2014

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 01 e 08 de agosto.



Sempre tive um pouco de necessidade de saber se estava sendo feliz no que eu me propunha a fazer. E pra ficar mais tranquilo quanto a isso, criei uma espécie de escala pessoal de felicidade. Agora toda vez que um dia, um evento, uma festa, uma saideira ou coisas do tipo, terminam, eu sempre me pergunto se, se o tempo voltasse, eu faria aquilo de novo, e a resposta varia entre: “com certeza”, “até faria”, “acho que não” e “não mesmo”. Dai a partir disso eu vou percebendo o que me faz bem, o que eu mais curto fazer, o que eu preciso mudar, e vou vendo principalmente pra onde caminhar, ou como caminhar...
Eu acho que faço isso na tentativa de seguir um caminho onde a mistura de obrigação e prazer andem juntas, pra que nenhuma se sobressaia demais, e pra que eu consiga equilibrá-las, porque são necessárias.
Hoje, será um único diário, pras minhas duas ultimas atuações, isso por vários motivos, porque foram um tanto parecidas, porque foram mais por obrigação do que por prazer, porque não foram completas, não foram altas, e principalmente porque eu não sei se eu faria de novo; “acho que não” seria a alternativa escolhida. Ando no anseio por mais encontros, por novidade nos corredores, me encontro limitado dentro do hospital, entende? Acho que o meu maior medo nas atuações era que elas ficassem iguais, que elas virassem rotina, que a monotonia chegasse, e sinto em dizer esse medo agora é real, e ele ta batendo na minha porta...

Núcleo do dia: Esperança no aprofundamento. (em ambos os sentidos.)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 18 de Julho de 2014.



“Um sorriso pode mudar seu dia. Um xero” 
       Dizia mais ou menos assim o recado que deixamos no balcão da enfermeira da oncologia. O clima do lugar estava pesado, as duas profissionais responsáveis por aquela área estavam claramente cansadas e sobrecarregadas, o dia parecia ter sido cheio e dentre tantos problemas nossa presença ali parecia inútil, ninguém me olhava nos olhos por mais que eu buscasse, e pareciam ter coisas mais importantes pra se dá atenção do que a palhaços que fazem mímica e animam crianças.
        O foco não era a gente, o foco não era o amor, ou o encontro que estávamos propondo ali. Foi difícil pra mim, foi difícil voltar aquele lugar que outrora me desestruturou tanto, e mais uma vez voltar mal recebido. Gled, mais do que Esperança, parece um pouco com Renato Russo quando ele canta: “Sempre precisei de um pouco de atenção...” chegar e não ser visto, mesmo que eu esteja com um nariz vermelho, lag verde e samba canção, me dói. É duro pra mim. Mas talvez uma terapia me ajude...
       Mesmo não sendo visto, eu e minhas companheiros procuramos enxergar; fizemos nosso recado, correndo pra não ser visto, e saímos dali. Plantamos nossa semente, só que não sabemos se irão regar ou se irão colher, essa parte não nos diz respeito. É preciso aceitar o ritmo de vida de cada um, é preciso ter cuidado com a história do outro e tudo que ele carrega. Cuidado, cuidado, cuidar... Sinceramente achei que era mais fácil.
       A Frufruta (Jully), que esteve conosco nesse momento, só quero pedir uma coisa; mantém a essência do teu nome, amadurece sem perder tua essência, não deixa de levem o Doce de Frufruta embora, e olha, vão tentar viu? Boa sorte pra você, boa sorte gente.

Núcleo do dia: “Telegrama, dizendo nego sinta-se feliz.”