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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Zefinha Laranjeira - HUT – 09/12/2014



Reencontros.

Hoje foi o dia de perceber a delícia de poder entrar num quarto e ser lembrado. Não que isso não tenha acontecido. Quero falar de lembrar com saudade, de alargar o sorriso quando vê e chamar com pressa pra entrar no quarto. Mais ainda, de causar um surpresa boa ao mostrar pra quem tá ali que nós lembramos deles, dos maridos, dos filhos, dos irmãos e das histórias que conhecemos e ajudamos a escrever naquele lugar. Nossa forma de mostrar porque estamos ali é mais simples do que imaginamos, acredito que seja apenas REENCONTRANDO quem já olhamos no olho e ouvimos por uns minutos. Assim a gente consegue mostrar como ser mais humanos, como não estamos por aqueles corredores e leitos para ser “animadores de festa”.  Cada dia as pessoas que encontro pelo HUT me mostram milhares de coisas tão simples que até então eu não havia conseguido enxergar...

P.S: “Sobre Testa das Frituras e a sensação de que a terça-feira já tá começando a sentir falta de um nariz vermelho naqueles corredores. Ao final da atuação, só conseguimos pensar, ‘Thiago/Testa tinha que estar aqui hoje’. Maas, quando der pra voltar, eu e Santiago estaremos prontinhos pra gente atuar!”


Zefinha Laranjeira - HUT – 02/12/2014

         Um certo agito dominava os corredores na hora da chegada. Um tanto de gente junto pra subir nariz e um outro tanto lá fora pra nos ensinar uma porção de coisas que a gente nem imaginava. Entre senhoras e sorrisos, senhor esperando meninos (gêmeos), conhecemos até a tal da Dona Olinda que num via a hora de passar Natal com a família. Num teve quem acreditasse que o filho dela, que já tinha caído de moto, foi corrido pro hospital em Araripina e acabou sendo derrubado de novo ao invés de socorrido (diz que hospital é pra isso né?).

         Ave Maria, num posso nem esquecer de Dona Tereza que nunca vi pessoa ter tanto sorriso pra espalhar pelo nosso caminho. Ixe, teve também gente chata... daquelas brabas, que faz careta e ainda é  mal educada, que nem se quer com os companheiro de condomínio fala. Dessas que a pessoa diz “Boa noite” toda educada e ela fala toda emburrada “Se for boa, lhe conto mais tarde” (ainda fazendo macacagem).  Eitaa, que até mesmo querendo ser chata ela fez foi todo mundo que tava nas portas dar risada (pense numa careta feia Dona Chata..kkkkk)... :D

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Zefinha Laranjeira - HUT – 18/11/2014

          Um negócio doido que faz a gente subir a energia antes mesmo de subir o nariz. Isso! Foi assim que eu me senti. Tantas coisas conspiraram pra não conseguir atuar nesse dia e no fim, tanta coisa numa só. A possibilidade de reencontrar o olhar de Catarina Polenta nos corredores foi algo que começou a contagiar ainda no caminho pra chegar ao quartinho onde fomos nos trocar. Roupas no lugar, maquiagens e energia alta. Subimos o nariz cantando e fomos surpreendidos por alguém que entrava naquele lugarzinho... os encontros parecem que estavam procurando a gente antes mesmo de sairmos de lá. E assim foi sendo, o moço do isolamento que imitava um tantão de bichos, a dona Zzzzzilma com um monte de pães que nunca chegava na nossa barriga, a recepção da chefe dos pombos (que insistiam em fazer aquele círculo branco no meio do corredor pra decidir quem dá banho em quem), o Sr. parente do Airton Sena que foi o único a nos oferecer comida naquela noite...

      Ali estavam cada um, do seu jeito, nos mostrando um pouquinho do que traziam consigo e convidando-nos a um encontro sincero. Além das comidas, das brincadeiras e gargalhadas...  um fato especial deu um gostinho doce àquela noite. Entrar no quarto da moça que (diferente de muitos ali que estavam com dores físicas, lesões visíveis, vítimas de acidentes, etc) tinha chegado ali por uma depressão e se quer levantava da cama na semana anterior, nem queria se alimentar... vê-la sentada, comendo, abrindo um sorriso largo ao nos ver e dizer pra Santiago “ Ei, to lembrando de vocês, viu?".  Isso me encheu de energia e os muitos outros sorrisos dela nessa noite me fizeram pensar que ainda que nada mais desse certo, algo já tinha feito aquela ida ao HUT valer a pena.  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Zefinha Laranjeira - HUT – 11/11/2014

Enfim os novos companheiros juntos pra poder falar um pouco sobre acolher. Sobre cuidado. Sobre a beleza de olhar dentro de uns olhinhos que refletem uma alma doce e uma vontade de ser ouvida e olhada com carinho. Sobre respeitar um espaço, pedir pra entrar, aceitar a rejeição que minutos depois se transforma em um sorriso que nos mostra as maravilhas do lugar de onde esse alguém veio. Sobre uma parcela de solidão sanada num corredor de hospital, onde as pessoas ficam juntinhas pra ver um monte de “palhaços sem graça” (pra não deixar passar a fala de alguém que não sabe que cuidado não tem muito a ver com show de Patati e Patata) apresentando todos aqueles vizinhos uns aos outros.
Mais ainda, sobre o olhar sincero da Dona Lôra que trouxe uma paz tão grande pra aquele lugar que só se pode confirmar com um “que bom que a gente encontrou D. Lôra hoje” multiplicado por três. Que bom ela conseguiu resgatar as lembranças de um aniversário surpresa em que seus cento e tantos familiares (filhos, netos, bisnetos) chegaram de ônibus quando ela ainda tava dormindo... que bom que elas vieram pra acalentar um coraçãozinho cansado de passar noites ali com o único filho que ficou em casa... que bom que a felicidade e a saudade foi tanta que fez escorrer umas lágrimas escondidinhas pelo canto do olho... que bom que a gente conseguiu dar um abraço e um olhar sincero pra que, naquela noite, ela dormisse um pouquinho mais leve e nos acompanhasse pelos corredores e alguns outros quartos.
Sobre saber o nosso papel e cuidar dele enquanto estamos ali, é o que basta. Mesmo alguém perguntando “Que tipo de palhaços éramos nós que ao invés de alegrar os pacientes, fazíamos as coisas ficarem mais chatas?”...  o olho brilhando e a lágrima correndo escondidinha no rosto da D. Lôra, o sorriso da Rosineide conquistado aos pouquinhos, as conversas boas do Sr. que entrou num barrio pra ver se descobriam o que tava fazendo a cabeça doer, nos mostraram que a gente tava ali fazendo o que devia fazer, aquilo que as pessoas realmente precisavam que fosse feito!  E é só isso que eu quero dizer que basta! Que eu acredito que basta!

“Acho que hoje foi o dia que a gente foi mais clown. Ainda que falassem mal da gente, em momento algum senti que não tava fazendo o que devia ser feito. Talvez tenhamos sido menos fumaça, mais olhar, mais verdade, mais cuidado.”




Zefinha Laranjeira - HUT – 21/10/2014

"- Que coisa boa é ter vocês aqui pra trazer um pouco de alegria pra esse lugar. Já sou quase um patrimônio do Traumas. Faz 45 dias que tô aqui...
- 45?
- Sim. 45. Mas eu voto no 13. (Ouviu-se um barulhinho gostoso de sorrisos espalhados por todos os rostos daquele quarto e essa era a continuação de uma conversa das boas)..."


Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho. As belezas que se mostram sem fazer suspense. As afeições compartilhadas sem esforço. As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite. 
(Ana Jácomo)


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Zefinha Laranjeira - HUT – 14/10/2014

        Alguma coisa a ver com acordar uma série de sentimentos e sensações que só uma atuação consegue remexer aqui dentro. Parece que é pra gente perceber quão válidos são os passos/pequenos passos que damos dentro daquele corredor comprido que lembra muito uma caça a tesouros de todos os tipos. Resgatar o meu olhar enquanto vejo a doçura e a vivacidade estampada no rosto de Santiago é algo que traz uma leveza sem igual. Pra completar, dava pra sentir um olho mais de canto que emprestava uma energia extra (dentro de um observador que esqueceu o nariz no dia da estréia de um novo elenco, estavam os olhos de Testa que estava doidinho pra pular ali do nosso lado).
      Novas formas de encontro, novos olhares, novos companheiros. A gente precisa ser muito humilde mesmo pra conseguir acessar cada pessoa que encontramos ali.  Enxergar a sabedoria que há em mais de trinta anos de casamento e pedir conselhos para que os "moradores" daquele lugar aprendam como fazer um amor durar tanto tempo. Reconhecer uma crença que não é sua, mas que é a única porta de encontro com uma mãe angustiada que ora nas nossas cabeças e nos apresenta ao Senhor pra que tenhamos o nome no Livro da Vida. Ver que nem sempre a gente vai dar conta de cuidar daquele outro como sabemos que ele realmente está precisando. Aceitar que as pessoas riam de você, da sua roupa, dos seus quilinhos a mais, do seu nome, sem que isso seja motivo de algum sentimento ruim... apenas se emprestar pra levar um tantinho de paz e  leveza pra um alguém que acaba de ser encontrado.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Zefinha Larajeira - Diário de Bordo - Atuação no HUT - 22/05/2014

" Que bom que as pessoas estavam tão abertas para os jogos... Que bom que nós (Zefinha, Joaquim e Catarina) estávamos tão atrapalhados hoje...Que bom que conseguimos agrupar todas as pessoas do quarto nos jogos... Que bom sentir a energia espalhada pelo quarto quando já não estamos mais lá... Que bom que as coisas que a gente fez de "errado" renderam boas gargalhadas... Que pena? (...) Que tal tentarmos continuar desse jeitinho?"

Olá diário,
Talvez a melhor forma de falar sobre a última atuação seja exatamente essa... Um misto de euforia, satisfação, sorrisos descontrolados nos corredores e leitos foram os sentimentos que tomaram conta de Zefinha durante a noite no HUT. Falatórios e gargalhadas em um quarto, silêncio absoluto e muitos gestos em outro... A disponibilidade do outro é algo tão fantástico que dá "combustível" para nos comunicar sem uma palavra ser dita (e melhor, sem que ninguém sinta falta delas... Nessa hora entendi o significado dos temidos picadeiros). As gargalhadas gostosas da Dona Denise... o sorriso "espontaneamente forçado" do velhinho (que nem quis muito papo conosco) em agradecimento à moça que distribuía sorrisos... o esforço do casal pra nos contar, através de gestos, porque estavam no hospital... o quarto que nos presenteou com uma sessão de mágica... a moça, que mesmo com medo, nos fez a gentileza de abrir a porta pra podermos pegar o trem pra casa.  Cada um desses momentos fez com que Zefinha, Cássia ou as duas (agora não sei mais) saíssem de lá com "a bateria" recarregada! 
Peço desculpas pela não linearidade do diário, talvez tenha sido mais um devaneio do que um relato da noite. Mas, foi exatamente assim a atuação... sem nada certinho, tudo numa coisa só.
Até semana que vem! 










segunda-feira, 19 de maio de 2014

Zefinha Larajeira - Diário de Bordo - Atuação no HUT - 15/05/2014


      "Após a atuação me peguei pensando em como a simplicidade tem um poder mágico. Quão poucos recursos a gente utiliza pra levar uma dose de encanto pra dentro daquele lugar que revela tão claramente a fragilidade humana. A capacidade que temos de nos "acriançar" quando colocamos aquele pontinho vermelho no rosto, nos move a fazer coisas tão simples que contagiam aqueles que estão por perto e libera a tal energia que nós deixamos "dormir" (na maior parte do tempo) quando temos de "ser gente grande". Não vou relatar de forma literal as experiências mágicas desse dia... mas, posso garantir que a cada atuação confirmo o propósito de continuar essa "missão" da UPI, ao ver um tanto de "crianças grandes" acordarem por aqueles quartos e entrarem nos jogos mais diversos conosco. São elas que fazem com que nós tenhamos a certeza de que tudo isso vale a pena (ainda que encontremos umas adultices - como diria Rubem Alves - pelo caminho). Temos (Cássia e Zefinha) aprendido bastante com cada um que encontro naqueles quartos, cada olhar (feliz, tristonho ou indiferente) e cada sorriso, ou mesmo, não-sorriso... 
Que venham as próximas!"

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Zefinha Larajeira - Diário de Bordo - Atuação no HUT - 08/05/2014

"Depois de um bom friozinho na barriga pude, enfim, acabar com a ansiedade e o receio da primeira atuação, de enfrentar os corredores do hospital e das possíveis dificuldades que nos aguardavam... Diferente do esperado, me deparei com muitas pessoas abertas e prontas pra nos oferecer lindos momentos em meio aqueles corredores opacos do HU.
Chegamos ao hospital (e às suas incansáveis escadas), nos vestimos, maquiamos e... estávamos ali Catarina Polenta, Joaquim Marmiteiro, Jamais Vista de Listras e Zefinha Laranjeira. Nos dirigimos pelos corredores aos lugares mais diversos... Mães que nos pediam pra ver seus filhos, um quase médico (que cuidava de um rapaz “só” por amizade), o Sr. Visto de Listras (pai da Jamais  e que nos confessou ter a expulsado de casa, porque ela não lavava a louça), o rapaz com a toca na cabeça pra disfarçar o cabelo do Neymar...
Em meio a tantas histórias, quero destacar uma que, para mim, simboliza a estreia de Zefinha no HU... Ao passear nos corredores, encontramos uma senhora saindo de um quarto lotado (pelo que ela disse, parece que tava tendo festa lá), fomos convidados entramos logo dançando. Sem perceber tínhamos parado no programa Super Star... Era muito talento num quarto só... Vimos o Leonardo de Camargo (que fez uma linda declaração para sua esposa que estava doente), a moça que cantava com expressões faciais, outra que cantava um “Sei nãaao, sei não” como ninguém e até uma muda que falava... Além de tudo, teve o show com a música dos “Mamonas assassinas” que embalou todo o quarto. Dava pra ver a disponibilidade das pessoas junto à energia transbordando por aquele lugar... Foi Lindo!

Apesar da ansiedade do início, acredito que Zefinha e Catarina ficaram muito felizes com a primeira de muitas atuações. Todos perdemos a noção do tempo, saímos de lá bastante satisfeitos e com o astral renovado!”

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Zefinha Laranjeira - HumanizaSUS - 07 e 08 de Abril


“Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
(O Teatro Mágico)


               Olá diário,

Estou muito feliz de poder escrever-te para contar o quão lindos foram os meus últimos dias.  Arrisco-me a dizer que tenho dúvidas se Zefinha irá ter (em breve) o privilégio de tantos encontros como pôde ter em tão pouco tempo... Em meio a uma exposição carregada de sorrisos, uma imensidão de pontinhos vermelhos armazenados em lindas fotos (representando os nossos companheiros que não puderam estar lá) e “um tantão” de energia transbordando delas, tivemos a honra de encontrar tantas pessoas na Praça da Misericórdia, em Juazeiro-BA.


Encontrei a oportunidade de atuar três vezes durante esses dois dias. A primeira delas aconteceu pela manhã do dia 07, na companhia de Mariqueta, Pedrinho, Frufruta e Rosinha dos Retalhos. Pude encontrar com a D. Maria que falava das dores causadas pelas veias estouradas, mas que não comprometiam o sorriso no rosto e a disponibilidade e abertura que ela tinha no olhar; a D. Sandra que era modelo, mas se disfarçava de vendedora de bombons na praça (até a filha dela entendia de moda, deu até um curso de como desfilar na praça); o Denilson, jogador da seleção, que nos deu a honra de ver um gol ao vivo (Mariqueta era a bola, enquanto Zefinha e Frufruta eram a trave); o Sr. João dos olhos azuis, que no início não quis muito papo e depois acabou dando aulas de como pilotar uma carroça (nessa hora Zefinha e Frufruta se transformaram em belos jumentos); a Regina, que era mulher de um jogador do Vasco, tão descuidado que deixou ela comer uma melancia INTEIRA.. coitada, mal conseguia andar com todo aquele peso (tivemos que explicar a ele como ser mais cuidadoso e atencioso com ela); o moço que era piloto de avião, mas tava vendendo água de côco por uns dias... e com um abraço deu pra comprar um copo dos grandes; a moça super heróia, que tinha quatro pernas e um sorriso que hipnotizou todas nós; o seu Francisco, que pra ele tava tudo muito bom... até nos ensinou a nadar, quando descobriu que Frufruta só podia ser um peixe porque tinha nascido entre Juazeiro e Petrolina (em plena barquinha); Enfim... foram tantos encontros que não conseguiria colocar todos aqui.



                Na tarde do dia 07, pude atuar com Zeca, Miojita e Lupita (que coisa mais linda esses clowns!).  Passei grande parte da atuação com Lupita e após ganhar uns bons abraços, percebemos que algumas pessoas não estavam entendendo muito bem a mensagem no nosso cartaz... liam e passavam direto. Até que uma moça que já tínhamos encontrado nos chamou e disse: “vieram me perguntar se vocês eram surdos, mudos, forasteiros.. se tavam pedindo ajuda. Falaram que leram e não entenderam o que vocês queriam.” Olha que povo doido, só tinha escrito ABRAÇOS GRÁTIS e não conseguiam entender... Quando a moça explicou, eles correram pra nos dar um abração e pedir desculpas por ter passado direto.
                Nessa parte do dia, nós encontramos o Sr. Galego vendendo picolés. Ele nos explicou o que era mixaria, queria nos dizer que não era rico, não tinha dinheiro (mas depois descobrimos que ele era mais rico do que pensava, pois nos deu picolés para agradecer a conversa... ele deve ter pensado que riqueza  tinha a ver com dinheiro... se confundiu todo); quase morremos de medo de um cachorro super bravo que instalava o terror na praça; fomos ao casamento de Miojita; casamos com Zeca (é, um casório triplo); encontramos uma vovó linda que ia nos dar uma palmadinha pra não bagunçarmos, mas acabou dando um abraço daqueles quentinhos de vó! Aaahh, que delícia!



Já no dia 08, a atuação foi a tarde junto aos companheiros Magali, Mariqueta, Hércules, Rosinha das Alturas e Lupita. Logo de início encontramos um grupo de “Homens  bananas", ou era alguma coisa dos bananas de pijamas.. não sei. Eles nos informaram que aquela era a praça da Miséria com corda que tanto procurávamos. Ao chegar ao centro dela, nos deparamos com um Castelo e dentro dele um lindo príncipe chamado Luís (que estava fingindo brincar, pra que ninguém invadisse sua casa).
Nos dividimos em duplas e passei a atuação na companhia de Hércules. Logo encontramos uns rapazes sentados no banco que estavam vendo o tempo passar e, pelo que disseram, passavam o tempo todo vendo o tempo passar; após algum tempinho percebemos um grupo recolhendo algumas coisas e ao perguntá-los o que seria, nos disseram que era papelão para fazer sopa (isso mesmo, sopa... falaram até os ingredientes, que era uma delícia). Só depois de algum tempo eles nos disseram a verdade: eram salvadores do planeta, estavam ali todos os dias a tarde e recolhiam cerca de 7 mil toneladas de papelão pra reciclar e proteger o planeta... eu e Hércules ficamos impressionados em conhecer esses heróis. Saímos contando a quem encontrávamos pela frente!
Depois disso, nós encontramos uma senhora bem simpática que nos falou um pouco sobre Petrolina e Juazeiro, como eram cidades tão próximas e tão diferentes; tivemos a honra de conhecer o Davi, um bebê lindo que sorria por qualquer coisa e só bastou estender os braços pra que ele viesse pro colo e “voasse” direto no nariz de Zefinha (foi por pouco..kkkk); não posso esquecer da moça do guarda chuva fashion, que mora em Salgueiro (uma cidade onde parece que tudo é de sal, mas que ela disse que é bonita e tem muita vaquejada) e da outra que nos contou que há uma parte mais divertida de Juazeiro que fica do outro lado da banca (pense numa banca grande.. nunca nem tinha visto).
Enfim, partimos para o rodeio que nos esperava e pudemos concluir essa atuação tão linda e ao mesmo tempo leve! 



E posso definir "leveza" como núcleo desses dias... pois foi exatamente assim que pude me sentir ao ver cada um daqueles olhares, sorrisos e abraços. Ao ver que me sentia mais segura nesses dias, ao poder sentir o quão lindos são nossos monitores ao nos passar tanta confiança e força num único olhar, e principalmente... ao ouvir tantos "obrigado(a), vocês não sabem como isso faz bem!" após um abraço apertado.




segunda-feira, 17 de março de 2014

Zefinha Laranjeira - Abraço Grátis - 15/03/2014

         

             Fazia algum tempo que o meu dia não começava antes das 5 da manhã. É, isso mesmo, antes das 5. Porque só a UPI e o tão esperado dia do abraço pra me fazer dar um pulo da cama e estar na Orla às 6 da matina (sem atrasar,o que é mais raro ainda). Seguimos então para a barquinha, com a honra de contemplar a paisagem linda do sol terminando de nascer... andamos pelas ruas de juazeiro e chegamos à Paputcho's House. Que lugar é esse? Lá tinha muitaaa comida, ar condicionado, uma boate, além de todas as instruções para facilitar nossa chegada e estada lá.. tudo isso sinalizando bem a honra de nos receber alí e mostrando que poderíamos nos sentir em casa naquele pequeno-grande lugar.
             Trocar de roupa, forrar o buxo com o banquete que nos esperava e começar a primeira de muitas maquiagens que nos aguardam (é, feita por nós mesmos)... Todo mundo sentado no corredor, gritando passa o pancake, o batom, o blush. Depois de alguns logos minutos, todos lindos e prontos para subir o nariz e espalhar toda energia que não cabia mais na gente. 1,2, 3... Não deixa a energia cair... 10... 
           Invadimos as ruas e era cada vez mais gratificante ver os sorrisos e os olhares de felicidade e estranheza que nos acompanhavam... Olhares que recebiam e nos presenteavam com um BOM DIA diferente nas calçadas, nos carros e nas estreitas ruas de Juazeiro. Enfim, chegamos ao camelódromo e aquele friozinho na barriga tomou de conta. Engraçado que ele foi-se embora num instante, quando Zefinha percebeu que só precisava ser ela ali e que não tinha regras e formas de se fazer aquilo... Era um picadeiro com os melhores companheiros do mundo e com aquelas pessoas que estavam ali abertas pra nos dar a honra de um ENCONTRO com elas.
             Dentre os encontros, começamos o dia bem porque recebemos um convite de almoço e um abraço beem apertado; achamos um tal de vento que tava R$ 9,00 o quilo (um absurdo), sorte que a dona Regina nos deu uma quentinha recheada com uma comida deliciosa; encontramos o William Bonner; compramos roupas à 3 abraços pra ir lindas pra festa a noite; realizamos casamentos (nem acredito que fui madrinha..hihi); apostamos corrida com os homens e mulheres aranhas nas costas; encontramos a casa do Lepo-lepo (onde quem entrava não conseguia ficar parado e do nada começava a lepo-lepar incontrolavelmente); procuramos os camelos por toda parte, afinal disseram que ali era o camelódromo... mas ninguém sabia dizer onde eles estavam; dançamos; pulamos; viramos macacos; demos algumas dicas de moda; aprendemos a fazer mágica pra sumir e aparecer em outro lugar...  E em meio a tudo isso, surgiam muitos abraços... uns apertadinhos, outros apertadões, uns mais gaiatos, outros mais tímidos, uns mais contidos e outros tão entregues que falavam por todos o quão incrível estava sendo aquele encontro.
           Um misto de sensações indescritíveis é o que pode definir essa manhã tão cheia de energia, olhares, sorrisos e ABRAÇOS (tudo isso de graça!). Nunca foi tão gratificante acordar antes das 5 da manhã.  É, isso mesmo, antes das 5.. Como eu falei no começo. 
          Obrigada aos melhores companheiros por esse dia tão lindo e a todas aquelas pessoas por nos darem o privilégio de poder encontrá-las e fazer nosso dia mais bonito! 


Foto: Lorena Santiago