sexta-feira, 11 de abril de 2014

Zefinha Laranjeira - HumanizaSUS - 07 e 08 de Abril


“Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
(O Teatro Mágico)


               Olá diário,

Estou muito feliz de poder escrever-te para contar o quão lindos foram os meus últimos dias.  Arrisco-me a dizer que tenho dúvidas se Zefinha irá ter (em breve) o privilégio de tantos encontros como pôde ter em tão pouco tempo... Em meio a uma exposição carregada de sorrisos, uma imensidão de pontinhos vermelhos armazenados em lindas fotos (representando os nossos companheiros que não puderam estar lá) e “um tantão” de energia transbordando delas, tivemos a honra de encontrar tantas pessoas na Praça da Misericórdia, em Juazeiro-BA.


Encontrei a oportunidade de atuar três vezes durante esses dois dias. A primeira delas aconteceu pela manhã do dia 07, na companhia de Mariqueta, Pedrinho, Frufruta e Rosinha dos Retalhos. Pude encontrar com a D. Maria que falava das dores causadas pelas veias estouradas, mas que não comprometiam o sorriso no rosto e a disponibilidade e abertura que ela tinha no olhar; a D. Sandra que era modelo, mas se disfarçava de vendedora de bombons na praça (até a filha dela entendia de moda, deu até um curso de como desfilar na praça); o Denilson, jogador da seleção, que nos deu a honra de ver um gol ao vivo (Mariqueta era a bola, enquanto Zefinha e Frufruta eram a trave); o Sr. João dos olhos azuis, que no início não quis muito papo e depois acabou dando aulas de como pilotar uma carroça (nessa hora Zefinha e Frufruta se transformaram em belos jumentos); a Regina, que era mulher de um jogador do Vasco, tão descuidado que deixou ela comer uma melancia INTEIRA.. coitada, mal conseguia andar com todo aquele peso (tivemos que explicar a ele como ser mais cuidadoso e atencioso com ela); o moço que era piloto de avião, mas tava vendendo água de côco por uns dias... e com um abraço deu pra comprar um copo dos grandes; a moça super heróia, que tinha quatro pernas e um sorriso que hipnotizou todas nós; o seu Francisco, que pra ele tava tudo muito bom... até nos ensinou a nadar, quando descobriu que Frufruta só podia ser um peixe porque tinha nascido entre Juazeiro e Petrolina (em plena barquinha); Enfim... foram tantos encontros que não conseguiria colocar todos aqui.



                Na tarde do dia 07, pude atuar com Zeca, Miojita e Lupita (que coisa mais linda esses clowns!).  Passei grande parte da atuação com Lupita e após ganhar uns bons abraços, percebemos que algumas pessoas não estavam entendendo muito bem a mensagem no nosso cartaz... liam e passavam direto. Até que uma moça que já tínhamos encontrado nos chamou e disse: “vieram me perguntar se vocês eram surdos, mudos, forasteiros.. se tavam pedindo ajuda. Falaram que leram e não entenderam o que vocês queriam.” Olha que povo doido, só tinha escrito ABRAÇOS GRÁTIS e não conseguiam entender... Quando a moça explicou, eles correram pra nos dar um abração e pedir desculpas por ter passado direto.
                Nessa parte do dia, nós encontramos o Sr. Galego vendendo picolés. Ele nos explicou o que era mixaria, queria nos dizer que não era rico, não tinha dinheiro (mas depois descobrimos que ele era mais rico do que pensava, pois nos deu picolés para agradecer a conversa... ele deve ter pensado que riqueza  tinha a ver com dinheiro... se confundiu todo); quase morremos de medo de um cachorro super bravo que instalava o terror na praça; fomos ao casamento de Miojita; casamos com Zeca (é, um casório triplo); encontramos uma vovó linda que ia nos dar uma palmadinha pra não bagunçarmos, mas acabou dando um abraço daqueles quentinhos de vó! Aaahh, que delícia!



Já no dia 08, a atuação foi a tarde junto aos companheiros Magali, Mariqueta, Hércules, Rosinha das Alturas e Lupita. Logo de início encontramos um grupo de “Homens  bananas", ou era alguma coisa dos bananas de pijamas.. não sei. Eles nos informaram que aquela era a praça da Miséria com corda que tanto procurávamos. Ao chegar ao centro dela, nos deparamos com um Castelo e dentro dele um lindo príncipe chamado Luís (que estava fingindo brincar, pra que ninguém invadisse sua casa).
Nos dividimos em duplas e passei a atuação na companhia de Hércules. Logo encontramos uns rapazes sentados no banco que estavam vendo o tempo passar e, pelo que disseram, passavam o tempo todo vendo o tempo passar; após algum tempinho percebemos um grupo recolhendo algumas coisas e ao perguntá-los o que seria, nos disseram que era papelão para fazer sopa (isso mesmo, sopa... falaram até os ingredientes, que era uma delícia). Só depois de algum tempo eles nos disseram a verdade: eram salvadores do planeta, estavam ali todos os dias a tarde e recolhiam cerca de 7 mil toneladas de papelão pra reciclar e proteger o planeta... eu e Hércules ficamos impressionados em conhecer esses heróis. Saímos contando a quem encontrávamos pela frente!
Depois disso, nós encontramos uma senhora bem simpática que nos falou um pouco sobre Petrolina e Juazeiro, como eram cidades tão próximas e tão diferentes; tivemos a honra de conhecer o Davi, um bebê lindo que sorria por qualquer coisa e só bastou estender os braços pra que ele viesse pro colo e “voasse” direto no nariz de Zefinha (foi por pouco..kkkk); não posso esquecer da moça do guarda chuva fashion, que mora em Salgueiro (uma cidade onde parece que tudo é de sal, mas que ela disse que é bonita e tem muita vaquejada) e da outra que nos contou que há uma parte mais divertida de Juazeiro que fica do outro lado da banca (pense numa banca grande.. nunca nem tinha visto).
Enfim, partimos para o rodeio que nos esperava e pudemos concluir essa atuação tão linda e ao mesmo tempo leve! 



E posso definir "leveza" como núcleo desses dias... pois foi exatamente assim que pude me sentir ao ver cada um daqueles olhares, sorrisos e abraços. Ao ver que me sentia mais segura nesses dias, ao poder sentir o quão lindos são nossos monitores ao nos passar tanta confiança e força num único olhar, e principalmente... ao ouvir tantos "obrigado(a), vocês não sabem como isso faz bem!" após um abraço apertado.




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