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domingo, 3 de fevereiro de 2013

João Canelão - 10/01/2013

Diário de bordo de Pedro - João Canelão - 10/01/2013

Pra mim, hoje foi um dia super bacana. Foi um dia que percebi, realmente, a importância da UPI para o hospital e para os pacientes.
Nunca. Nunca recebemos tantos obrigados como hoje. Obrigado! Obrigado por ter vindo! Escutei diversas vezes essa frase. A cada dia tenho mais e mais certeza da importância terapêutica que a UPI tem. Tratar com alegria, tratar com serenidade e disponibilidade, isso é o que devemos levar para nossas vidas.
Gosto de imaginar uma cena em que entro no hospital como clown em um dia e no outro entro como médico. Como será que aquele paciente que me reconheceu do dia anterior vai me receber como médico. Não sei, mas quem sabe um dia eu descubra.
Na atuação de hoje cantei bastante, ri muito, me diverti, brinquei e tudo mais. Continuo afirmando que a UPI serve mais de terapia pra mim do que para o paciente.
Também, quero aproveitar esse espaço para fazer uma autocrítica. Achei que hoje eu joguei muito só, que passei poucas vezes o jogo para minhas companheiras Mariquita e Milporhora. Tive a impressão que eu estava regendo o jogo da forma que queria, me senti grandemente autoritário com essa minha atitude. No final da atuação fui logo perguntar se eu atuei muito só e não joguei muito com elas, mas elas me disseram que estavam muito tempo sem atuar e que eu terminei foi ajudando. Me senti um pouco aliviado, mas ainda com um pouco de culpa.
Para não deixar de falar algo engraçado, teve um paciente cheio de tatuagens que nós não conseguíamos identificar qual era o desenho colocado na pele. Que animal era? Ele disse que era um tigre. Ainda descobrimos o nome da sua ex mulher tatuado no braço....kkkkk....isso foi muita onda.
Tudo não foi um mar de rosas. No final da atuação, estávamos todos com o rosto bastante marcado pelo fio de nylon do nariz. Parece que o nariz de todo mundo ficou apertado e isso incomodou bastante.
No mais é só isso mesmo!

domingo, 20 de janeiro de 2013

João Canelão, 16.01.2013

Trilouco. Hoje eu fiquei trilouco. Nenhuma droga, por mais forte que seja iria me deixar naquele estado. Euforia misturada com alegria, com tudo ao mesmo tempo com pulos, risos, encantamentos e olhares. Foi, sem dúvida alguma a melhor experiência que eu tive como clown.

Atuei com meu melhor companheiro do mundo, Rafael, na verdade foi com seu clown Ramon. Atuar com ele foi ótimo. Ele compra muito meu jogo, tem excelentes sacadas, me faz rir muito, me surpreende muitas vezes.

O jogo que praticamente norteou toda a nossa atuação foi de dizer que o hospital era o Big Brother Brasil, isso surgiu quando vi uma enfermeira que parecia com Anamara...kkkkk. Parecia que ela estava na casa de vidro, no posto da enfermagem.

Todos os pacientes do segundo andar estavam no BBB, alguns estavam no paredão, outros no quarto do líder vendo filme e recebendo massagem, mas todos eram participantes ativos que, na verdade, queriam mesmo era sair da casa.

Me divertir muito com todos os pacientes, mas tiver que perceber que sempre tem alguns que não querem nem conversa. É normal, mas a maioria, até os mal encarados, costumam comprar todos os jogos.

Vou falar logo da melhor parte da atuação. Depois de passarmos em todos os quartos do segundo andar, convidei Ramon para descer até a sala verde. Pronto, aí foi a maior folia.

Depois de jogar um pouco e falar com todo mundo da sala, resolvemos transformar o corredor do hospital em uma pista de desfile de moda. Kkkkk me diverti muito. Chamei algumas pessoas para desfilar comigo, fiz carões e poses nunca antes vistas e inimagináveis. Foi tudo muito surreal. Quando dei por mim tava todo mundo da sala assistindo a nossa presepada.

Mas, tudo ficou mais louco ainda quando pedi a Ramon para colocar a música do gangman stile. Aí foi muita loucura. Saímos dançando pelo hospital todo com aquele som do celular. Nossa, todo mundo ficou assustado, boquiaberto, surpreso e super curioso para ver o que estava acontecendo. Foi super divertido. Dancei, pulei, me diverti. Com certeza foi a atuação que mais me senti a vontade no hospital!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

João Canelão, 27.11.2012

Essa atuação aconteceu no Hospital Dom Malan com as minhas melhores companheiras do mundo Valesca Recheada e Franchesca Mil por hora.

Antes mesmo de começar a atuação nos deparamos com um problema. Cadê a chave do local onde nos maquiamos? Esperamos mais de uma hora até aparecer o cara com a bendita chave. Isso pode parecer irrelevante, mas ficar esse tempo todo esperando pra atuar é um pouco desgastante.

Mais uma vez, afirmo que atuar no hospital Dom Malan é muito mais difícil que atuar no HUT. Atuar com crianças é muito mais complicado e todo essa complicação está em, cada vez mais, pôr verdade no que se está fazendo. Percebo que lidar com crianças é muito mais complicado pela dose de verdade que se está colocando em jogo. As crianças não aceitam mentiram, as crianças rejeitam com avidez qualquer brincadeira forçada.

Acho que o segredo de lidar com essas crianças é se divertir também, se divertir de verdade. Mas as vezes isso pode ser muito difícil de se obter.

Durante a atuação percebi que não estava rolando uma química muito boa entre os clowns. Parecia que cada um estava jogando com uma pessoa diferente e isso pode ter atrapalhado muito a atuação. Temos que lembrar que estamos no hospital para jogarmos com nossos companheiros e não para atuarmos sozinhos.

Senti também que estava faltando um pouco mais de verdade nas minhas companheiras. Confesso que em alguns momentos também não fui a pessoa mais verdadeira do mundo, mas quando eu percebi que a palavra fundamental era verdade, a minha atuação tomou outro rumo e melhorou significativamente.

Além de todas essas reflexões que também falar um pouco de certos fatos que ocorreram comigo. Mais ou menos no meio da atuação, no corredor, chegou um menino e começou a me dar pequenos golpes na barriga. Na mesma hora, lembrei de um caso parecido que foi relatado na época da minha formação como clown. Sem titubear comecei a travar uma luta imaginária com o menino. Nessa luta eu não recebia mais golpes no corpo; e sim, golpes imaginários, quando dei por mim estava em uma luta épica entre eu e duas crianças. Foi assim que consegui me livrar dos golpes do garoto e ainda me divertir.

Outra coisa que aconteceu foi uma rápida brincadeira que inventei. Lembrando da minha dificuldade de assimilar nomes de pessoas e da importância de promover encontros no hospital, inventei a brincadeira dos nomes. A brincadeira consiste em falar bem rápido o nome das pessoas do quarto de forma aleatória e ainda apontando para cada pessoa. Confesso que quem mais se divertiu fui eu.

domingo, 16 de dezembro de 2012

João Canelão, 19/11/12

Diário de bordo 19/11/2012

Como deixar de ser arrogante.

Um dia me disseram que eu era arrogante. Mas que coisa! Como assim? Como uma pessoa, outrora tão alegre, sorridente, simpática, pode hoje ser chamada de arrogante? Será que eu realmente mudei? Será que perdi minha essência? E eu sou lá perfume pra ter essência?

Foi nessa busca de explicações que, por acaso, encontrei o clown. Nunca pensei que uma coisa tão singela como um palhaço fosse responder todas as minhas perguntas. Descobri que não havia perdido minha essência, apenas havia criado ao meu redor uma armadura. Um escudo. Um escudo forte de uma pseudo-arrogância e de uma enorme falsa auto-estima. Que me protegia. E que continua me protegendo. Afinal de contas não vivemos num mundo fácil. Não podemos demonstrar fraqueza. Não podemos titubear.

Um mundo onde, ao mero sinal de fraqueza, tem alguém para nos transpor uma espada. Por isso, continuo dependendo do meu escudo e não pretendo me livrar dele.

Entretanto, na palhaçoterapia, descobri um momento onde posso me desarmar, onde me sinto leve, sem armadura, sem espada ou escudo, sem mentira. Quando sou palhaço sou realmente eu, sou minha verdadeira essência e isso me faz muito bem. Acabo sendo o mais beneficiado dessa terapia. Me alimento dela. Sinto necessidade de atuar.

Infelizmente, não posso, nem devo transpor essa ausência de armas e defesas para meu dia a dia por que a toda hora descubro que o mundo é áspero, os mestres são frios e o café desce amargo.

sábado, 30 de junho de 2012

João Canelão, segunda atuação

Diário de bordo da segunda atuação no HUT.
                                                         João Canelão

Logo na segunda atuação já estava ansioso para atuar em um lugar diferente, assim que Manú pensou em sugerir atuarmos na emergência topei logo de cara, estava doido pra atuar na emergência. Contudo, aviso logo de antemão que não foi como eu esperava.
 Após todo aquele processo de maquiagem e troca de roupa no primeiro andar descemos em rumo à emergência, sala verde, sala amarela. Nina, Bibelô e eu.
 Estar disponível. Estar disponível é uma das premissas mais importantes da palhaço terapia, tanto para o palhaço quanto para o paciente, e foi essa a principal diferença que observei entre e enfermaria e a emergência.
 Os pacientes da emergência são bem menos disponíveis e compram menos o jogo. Pode parecer um tanto obvio, mas só estando lá para realmente perceber isso.
 Logo no começo da atuação isso ficou bastante evidente, parecia que estávamos todos travados e que não conseguíamos colocar nenhuma carta boa no jogo, muito decepcionante para mim. Acredito que essa dificuldade toda foi por causa da falta de estar disponível dos pacientes. É de se entender. Na sala verde e azul, os lugares onde entramos primeiro, é onde podemos encontrar os pacientes que acabaram de dar entrada na unidade, o que os deixa numa situação, maior ainda, de fragilidade.
Também estarei omitindo se não falar dos ótimos momentos que tivemos na sala amarela, onde descobrimos uma diva e tiramos bastantes fotos com ela. E ainda descobrimos um senho que se chamava 'Ai se' , Ai se eu te pego, kkkkkk.
 Trocando em miúdos posso dizer que o saldo foi positivo. Acredito que sempre é positivo.
Outra coisa que queria relatar, nesse diário de bordo, é como nós palhaços podemos inibir um ao outro. Incrível. Nunca tive isso tão claro na minha mente quanto agora. Descobri que a afobação ou insegurança podem dificultar bastante uma atuação e comprometer a relação entre todos os palhaços. Em certos momentos me senti completamente inibido, completamente fora do jogo. Bom, mas isso foi bom. Essa percepção me trouxe algo de importante. Me trouxe a consciência de não fazer isso com meus melhores companheiros do mundo, por mais que às vezes acho que estou fazendo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

João Canelão - 02.05.12

Esse é o diário de bordo da minha primeira atuação dentro do hospital.
Primeiramente, quero relembrar o fato que eu estava, assim como Flavinha, muito ansioso para saber como iria ser esse dia. Estava com medo de dar tudo errado. Estava com medo de ficar com cara besta sem ter nada pra falar. Coisa de principiante, só pode ser.
Enquanto trocava de roupa e me maquiava sentia, não posso negar, um friozinho na barriga.
Confesso que nos primeiros minutos da atuação fiquei completamente travado, não conseguia criar nada, apenas pegava um gancho em qualquer coisa que Nina falasse ou fizesse. Fiquei muito mal nesse começo. Mas logo fui pegando o jeito, eu acho, me arriscando, tentando criar algo, me soltando. Quando dei por mim, estava completamente entusiasmado, excitado e descontraído. Foi algo mágico. Acho que fui movido pela vontade de fazer. O querer. Tudo isso me ajudou a criar muitas situações inesperadas e divertidas. Foi isso que me fez enxergar o cantor Amado Batista em um agente penitenciário que estava pelos corredores. Foi isso também que me fez cantar, sem mesmo saber a letra da música, em um quarto lá. Tudo foi muito mágico. Tudo foi muito especial.
 No primeiro quarto que entramos fizemos um jogo com um senhor que estava deitado, mas o senhor que estava ao lado dele estava se despedindo de uma pessoa, logo esse senhor começou a chorar. Eu senti um clima muito estranho. Tipo, estávamos tentando interagir com uma pessoa e nos divertir, mas a pessoa que está ao seu lado começa a chorar; isso é tenso e nem um pouco agradável. Bom, mas pra nossa felicidade esse senhor que estava chorando também comprou o jogo do seu colega de quarto. Poxa, que alivio. Senti um grande alívio na hora. Tomara que isso ocorra todas as vezes que alguém chorar.
 Nem posso esquecer como foi bom o quarto dos cantores, como vou chamar. Logo descobrimos que um dos pacientes tinha um nome de um cantor famoso. Nossa, foi muito bom, cantamos, dançamos, imploramos pra ele cantar, foi tudo uma resenha. Sem dúvida alguma, me diverti mais que todo mundo. Eu estava tão entusiasmado que, mesmo parado, minhas pernas e meus braços não paravam de se mexer, que loucura. Que loucura boa.
Posso ficar aqui o dia todo contando todos os jogos que aconteceram, e não foram poucos , mas ficaria extremamente enfadonho e cansativo pra mim e pra você que está lendo, além do mais, o que eu vou conversar com você se contar tudo aqui nesse diário. Sem graça isso, não acha? Acho que posso dizer algo que pode refletir minha satisfação. No final eu estava tão entusiasmado que queria mesmo era atuar em todo hospital, em todos os andares, na emergência e nos corredores. Que pena que nossa melhor companheira do mundo, a Manú, tinha prova no outro dia.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

dia do abraço

Esse dia marcou a minha primeira atuação como clown. Confesso que quase esqueci dessa atuação. No dia anterior tinha saído com alguns amigos e cheguei a esquecer da grande tarefa do dia seguinte. Mas pela manhã acordei de repente, lembrando imediatamente da minha grande tarefa. Cheguei um pouco atrasado na casa de nossa amiga Ana Vitória. Em meio a tanta roupa, maquiagem e adereços troquei logo de roupa e me deparei como um grande desafio. Pela primeira vez tinha que fazer a minha própria maquiagem.
 Poxa, nunca havia feito isso antes, mas confesso que não foi coisa de outro mundo, não demorei muito para terminar, também tive a ajuda da minha companheira Manú que me ajudou no blush (nem sei se é assim que se escreve).
Essa atuação, pra mim, foi muito importante na pesquisa do meu clown. Percebi desde a maneira desengonçada que eu corria e até como eu falava. Sim, eu como clown, estava finalmente falando. Na verdade, acho que a vontade de falar era tão grande que terminei desenvolvendo isso. A vontade de pedir um abraço foi o que me levou a falar algo. Uma voz meio rouca, louca e sensual surgiu....nem nei como foi isso, mas logo adotei essa fala. Ora! Como podia abraçar sem dizer nada, sem agradecer, sem desejar bom dia. Não dava.
 A maior parte de tempo atuei com minha melhor companheira do mundo, a Teca Lua Cheia. Na rua, desenvolvemos vários jogos. Entramos em várias lojas. Abraçamos muuuiiiittooooo!!! Nos comovemos quando uma criança abria o vidro do carro e nos pedia um abraço....owwn....que fofo. E ficávamos tristes quando alguém não queria um abraço. Também faz parte.
 Comigo num tinha essa de pedir uma abraço de braços fechados. Oxe eu abria os braços de forma gigantesca de chegava bem perto da pessoa e falava : me dá um abraço. Era muito difícil pra alguém negar!!! Também, Teca e eu, fizemos vários abraços coletivos.
 Foi muito importante o fato que muitas pessoas chegavam pra mim e diziam: obrigado, parabéns pelo trabalho, muito bom isso que vocês estão fazendo. Poxa isso dava uma injeção de ânimo gigantesca. Isso é sempre o que devemos fazer pra nossos melhores companheiros de mundo.
 No final da atuação, confesso também, estava ainda com muita vontade de continuar, embora a dor de cabeça já estivesse ficando maior.
Bom, é isso, tentei resumir o meu dia, mas digo de antemão que foi tudo tão especial e intenso que não caberia em diário de bordo nenhum.