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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Bibi Oteca, HUT, 03/10/2017

Querido Diário de Bordo,

A atuação de hoje foi muito boa. Dudu não pôde nos acompanhar, então fomos só as meninas. Reencontramos Bob, nosso amigo, que disse ter visto uma menina bem parecida comigo andando pelos corredores do hospital pela manhã. Bibi deve ter alguma prima distante que frequenta o HUT! Mas olha só que curioso: a menina que se parece comigo não tem o nariz vermelho. 

Outro encontro maravilhoso foi com a senhorinha para quem cantamos Corpo Sensual em outra atuação. Dessa vez, já mais recuperada da cirurgia, ela pôde interagir melhor conosco. Falou sobre outros palhacinhos que já a visitaram, sobre minha cara de menina danada e sobre a cara de santinha de Gigi Abacaxi. Além disso, não ficou nem um pouco envergonhada de paquerar o enfermeiro! Ah, outra coisa: a filha dela lembrava meu nome.

Conversamos também com um senhor que, apesar de tímido no começo, acabou se soltando um pouco. Ele, atento às conversas alheias, sabia a história de todo mundo do quarto - só tinha se esquecido de descobrir o nome das pessoas. 

Foi leve, foi divertido, foi com minhas melhores companheiras do mundo! 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

Bibi Oteca, HUT, 19/09/2017


Querido Diário de Bordo,

A atuação de hoje entrou para a lista das melhores atuações da história de Bibi Oteca. Muita coisa aconteceu: pra começar, decidimos alterar um pouco o estilo de nossos clowns, só por um dia. Bibi estava toda diferente! Além disso, recebemos uma convidada, Rita Testinha. 

Um encontro que me marcou muito foi com uma senhora que nos contou, bem baixinho, que havia mudado de casa. O motivo? Havia finalmente largado do marido, depois de 21 anos de um relacionamento abusivo, com bebida e agressões. Ela estava radiante. Nos contou com orgulho da nova casa, do emprego que a permitia viver só e criar o filho. Dos amigos feitos no ambiente de trabalho, das lutas e vitórias. Disse com firmeza não ter se arrependido da decisão. Que estava sozinha e muito, muito, muito mais feliz. Tive que dar um super abraço e dizer o quanto a admirava. 

Nesse mesmo quarto, uma mulher nos encheu de elogios. Uau, como nos sentimos importantes! Também encontramos Bob, nosso velho amigo, que teve a audácia de me desafiar em uma competição de quem ria por último e quem piscava por último. A vencedora, é claro, fui eu. 

Depois de muitas conversas doidas, muitos acontecimentos inesperados, terminamos no quarto de uma velhinha muuuuito carinhosa. Ela nos disse que gostava de ouvir pessoas cantando. Pedimos à filha da senhora que cantasse para a mãe, mas ela disse que não sabia. Nós também não sabíamos, mas decidimos cantar mesmo assim. Rita Testinha ficou com a missão de escolher a música e, para espanto do grupo, não se acanhou em cantar Corpo Sensual, de Pabllo Vittar. Nós, é claro, a acompanhamos na cantoria.

"Vai passar mal
Viro sua mente com meu corpo sensual 
Minha boca é quente, vem 
Não tem igual 
Tá todo carente no pedido informal 
Vai passar mal"

Depois de tamanha poesia, não nos restava caminho além de finalizar aquela noite incrível. E, assim, ficou marcado na minha mente para sempre o dia 19 de setembro, também conhecido como O Dia Em Que Cantamos Corpo Sensual Para Uma Idosa. 



Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.

Bibi Oteca, HUT, 29/08/2017


Querido Diário de Bordo,

Hoje foi dia de mostrar para os nossos novinhos que nem todas os dias de atuação são iguais. Hoje, ao contrário das atuações anteriores, as pessoas não estavam muito receptivas. Porém, mesmo assim, conseguimos muitos encontros legais. Todas as experiências são importante! 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Bibi Oteca, HUT, 15/08/2017

Querido Diário de Bordo,

Mais uma atuação com meus novinhos! Dessa vez, Moema do Bairro nos acompanhou, já que Lala teve que se ausentar. Talvez pelo horário, talvez por ser feriado, muita gente estava dormindo. Seguimos pelo corredor silencioso, procurando encontros.



Por fim, o hospital sonolento foi acordando, e pudemos conversar com bastante gente! Rimos e fizemos rir. Conhecemos um senhor que jurava já ter visto nosso grupo em sua cidade, lá na praça, numa segunda-feira. Claro que éramos nós! Ele nos pediu pra voltar - dissemos que sim. Até seu telefone ele nos passou, e eu decorei com todo o carinho.

Em outro quarto conhecemos um senhor que, segundo o filho, ainda não tinha se sentido confortável para conversar com os palhacinhos. Conosco, entretanto, ele se soltou. Descobrimos sua história, por onde já morou, todos os seus (muitos) filhos.

Por fim, puxamos a orelha de uma jovenzinha que não estava conversando com sua tia, apenas ficava no celular. Desconfiamos que, na verdade, ela estava apaixonada. E não é que estava? 

Adorei a atuação, e gosto cada dia mais desse meu grupinho! 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.

Bibi Oteca, HUT, 08/08/17

Querido Diário de Bordo,

Finalmente chegou a hora de voltar para aqueles corredores tão queridos. Dessa vez, no entanto, tinha algo diferente: eu seria monitoria! Deveria ser capaz de orientar, ajudar e apoiar meu dois novos bebês: Gigi Abacaxi e Dudu Empenado, com a ajuda da encantadora Lala Lacinho. Depois de uma puxada de orelha pelo nosso atraso, chegamos até o banheiro, onde subimos nossa energia. 

Lembrei-me com clareza de como era ser novinha no projeto. Da primeira atuação. Da insegurança, de não saber o que falar, de observar meus monitores e não entender muito bem de onde eles tiravam tantas brincadeiras. Lembro de mais rir e observar do que, de fato, conversar com as pessoas. Pensei em como tanta coisa mudou em mim desde que entrei nesse projeto. 

Andando pelos corredores, eu queria encontrar cada uma daquelas pessoas, assim como eu queria encontrar e me conectar com meus novos companheiros. 

A atuação foi incrível! Muita gente estava disposta a brincar e conversar conosco. Foram muito momentos ótimos, que guardarei pra sempre.

Baixada a energia, durante nossa conversa final, amei ver a atuação pelos olhos dos novinhos. As mesmas inseguranças, medos e travas que eu tinha tido um ano atrás. Que bom ter vocês comigo. Que tal se soltarem mais um pouquinho? Que pena ser só uma atuação por semana. 

Estou amando essa nova fase, assim como amei ser novinha.

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.  

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Bibi Oteca, HUT, 14/04/17

Querido Diário de Bordo,

A atuação de hoje não foi fácil. Não que tenha acontecido nada conosco, comentários inoportunos ou coisa do tipo. É que a atuação de hoje foi intensa demais. Estar no terceiro andar, hoje, me lembrou de todos os motivos de eu ter começado esse projeto. E de ter escolhido medicina também. A atuação de hoje foi tapa na cara atrás de tapa na cara, encontro atrás de encontro, uma emoção mais forte que a outra. 

Muitas coisas aconteceram, mas vou contar as principais. Ao entrar em um dos quartos, nos deparamos com dois homens com quem já tínhamos atuado. Um deles, inclusive, eu achava que não gostava da gente, porque, apesar de brincar conosco, era sempre muito sério, falava pouco. O outro, apesar de já ter nos chateado algumas vezes, sempre mostrou gostar das nossas visitas. E eis que, entre conversas e brincadeiras, o senhor mais sério nos diz: "vocês não vieram semana passada... faz tempo que vocês não vêm aqui. Não façam isso não, viu? É importante. A gente sente falta... A gente fica sozinho".

Fiquei sem reação. A faculdade consome a gente. Entramos nesse projeto por puro amor, mas a correria e as cobranças do dia-a-dia acabam nos afastando das atuações. Faltamos por conta de prova. Contamos nos dedos quantas atuações já foram e quantas ainda faltam. Às vezes, perdemos o sentido disso tudo. E ali estava aquele homem. Sério. Sentado. Todo quebrado. Nos pedindo para não faltar, dizendo que nossa presença ali importa. Foi um choque de realidade que eu precisava. Nosso papel no hospital é a palhaçoterapia: palhaçoTERAPIA. Como é que deixamos pacientes sem terapia por culpa dos nossos problemas pessoais? Como é que pensamos em não ir mais depois de completado o número mínimo de atuações para se ganhar um certificado? Não é por isso que estamos fazendo isso. E fiquei muito grata por ter sido lembrada disso. 

Em outro quarto, repleto de senhoras, brincamos e nos divertimos muito. Ouvimos histórias, reclamações, relatos de saudade... Aí eu vi uma senhorinha, que acompanhava tudo, mas não falava nada. Apenas sorria. Quando fomos pra perto dela... como ela precisava de um momento de atenção. Nos falou da idade avançada, da dor, do castigo de Deus, do esposo falecido. Era tanta dor de corpo e de alma, tanta solidão, tanta tristeza e incompreensão. E, ali, ela se abriu conosco. 

Mais um vez, fiquei paralisada. Nós, desconhecidas, estávamos ali conhecendo uma pessoa de forma tão clara, tão intensa, tão íntima. Porque somos palhaços. Porque estamos aqui pra isso. Somos companhia de quem não tem companhia, somos ouvido pra quem não tem com quem falar. Somos apoio, distração. Somos até nada, se precisar. 

Depois de conversar com essa senhora, segui em silêncio até o final da atuação. Conheci várias outras pessoas maravilhosas, mas não conseguia deixar pra lá o sofrimento daquela mulher tão frágil e tão forte. Queria apenas sair correndo, pegar ela no colo e dizer que, no fim, tudo ia dar certo. Que não era castigo de Deus, era só a vida. Que é difícil, porém possível, viver sem o amor da sua vida. 

Descendo as escadas, eu não era mais apenas eu. Eu era uma versão de mim que sabia a história daquela senhora. Uma versão de mim que compartilhou um sofrimento tão grande. Descendo as escadas, eu tinha uma bagagem a mais. Uma bagagem que me mostrava a importância de tudo isso: estou aqui para cuidar. 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.  

Bibi Oteca, HUT, 31/03/2017

Querido Diário de Bordo,

Em meio às macas, soros, reclamações, jalecos, remédios e gessos, surgiu o amor no terceiro andar do HUT. Nessa atuação ao lado de Anita, Lulu e Cora Coruja, conhecemos um casal um tanto quanto inusitado. 

Eis que a mãe da moça, ao sair do quarto, deparou-se com um rapaz bonitinho chegando no andar. Tratou logo de botar a filha na cadeira de rodas (perna quebrada) e ir com ela "até o banheiro", só pra que ela pudesse também ver o rapaz.

E não é que ela viu e foi vista? O moço, também com a perna quebrada, foi logo pedindo o whatsapp da moça. Começaram a conversar... começaram a namorar. E todos os dias, depois disso, a moça se arrumava todinha: maquiagem, perfume, batom vermelho, e ia para o corredor encontrar seu amado. 

Um amor, criado bem ali, no meio do corredor! Pense bem! E que sorte a nossa conhecer essa história em um dia tão tumultuado da faculdade. Casais ainda se olham e se apaixonam. O mundo ainda tem jeito. 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Bibi Oteca, HUT, 17/03/2017

Querido Diário de Bordo,

Hoje a atuação foi do meu amado trio: Lulu, Anita e Bibi. Conhecemos crianças, jovens, adultos e idosos. Encontramos pessoas fáceis de conversar e encontramos verdadeiros desafios. Nos vimos deixando pessoas de lado e, depois, discutindo como poderíamos ter feito melhor. Foi uma atuação de experiências, paciência e aprendizado. Ainda é difícil para nós lidar com o machismo presente nas atuações. É difícil manter a energia e o nariz frente a alguns comentários. Mas, apesar de tudo, seguimos firmes, tentando agir da melhor maneira quando encontramos cenários tão diferentes e tão hostis. E, claro, sempre conhecemos pessoas maravilhosas, que fazem tudo valer a pena. 


A Flor e a Náusea, Carlos Drummond de Andrade

"(...)Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."


Sejamos sempre flor que fura o asfalto.
Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.

sábado, 11 de março de 2017

Bibi Oteca, HUT, 10/03/2017

Querido Diário de Bordo,

A atuação de hoje foi com Zeca Seta, no terceiro andar do HUT. O dia foi de muitos encontros, descobertas e brincadeiras, com pessoas bem receptivas. 


No primeiro quarto conhecemos mulheres de diferentes lugares, que Bibi nunca tinha ouvido falar. Uauá, Serra do Urubu... todas nos prometeram um lugar para ficar caso quiséssemos conhecer. As mulheres de Uauá ficaram felizes com nossa presença - segundo elas, por morarem longe, não recebem visitas e sentem-se sozinhas. 

Outro quarto estava cheio de motoqueiros. Dois deles estavam ali justamente por acidentes na moto, enquanto um terceiro, apesar das bagunças que faz na moto, estava ali por ter caído da escada. Eles nos contaram histórias e acabaram levando um grande sermão de Zeca e Bibi!

Tive o prazer de reencontrar G., a Rainha de petrolina, sempre vaidosa, risonha e linda. Ela me apresentou outra de suas filhas e seu neto. Confesso que, em um momento, fiquei sem palavras. Ela disse "Eu sou a rainha, mas meu rei morreu". 

Apesar dos encontros lindos, dois rapazes pesaram um pouco a atuação com seus comentários homofóbicos e suas tentativas de nos desestabilizar. No entanto, não nos deixamos abalar e terminamos a atuação como ela deve ser: bela. 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Bibi Oteca, HUT, 27/02/2017

Querido Diário de Bordo,

Carnaval também é dia de atuação! E lá estávamos nós no primeiro andar do HUT: Bibi, Elijeans Kibon e Lulu Babalu.

Nessa atuação conhecemos C., de 12 anos, que pediu Elijeans em namoro (e ela aceitou!); o senhor que dividia o quarto com C. ("eu quero é paz, não quero mulher não!"); um moço muito simpático que aprisionou o Scott (um dos X-men, sabe?) na própria perna; o desabafo de uma moça adorável que acompanhava a mãe e nos deu alguns conselhos; a senhora que se assustou com nossa presença e deu um baita de um grito; as senhoras fortes e determinadas do último quarto, que nos ensinaram lições maravilhosas sobre força, persistência e fé.

Do começo ao fim, a atuação foi linda. Os encontros foram profundos e, a troca, imensa.

Por mais atuações como essa!


Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.


Bibi Oteca, HUT, 26/02/2017

Querido Diário de Bordo, 

Hoje eu atuei pela primeira vez com Elijeans Kibon. Foi maravilhoso! Percorremos o segundo andar e conhecemos pessoas incríveis.

O cheirinho de limpeza; o batom rosa de Dona L. que combinava com sua blusa; o sobrinho de Dona L. que não podia falar conosco, mas sorria; Marília, exausta com o comportamento do tio, doente mental; o moço que estava pagando os pecados no hospital; a Senhora Do Cabelo de Três Cores e seu filho, que iriam pra casa logo logo; mãe e filho com os olhos mais bonitos do hospital.

O último quarto foi, sem dúvidas, o de maior carga emocional para nós. Primeiro, falamos com duas mulheres que nos contaram sobre a sonda mal colocada de C. C, apesar de não poder falar, nos olhou de tal forma que sua imagem não irá sair jamais da minha mente. Ele se engasgou por causa da sonda errada e, pelo olhar, nos passou toda a agonia e o sofrimento que estava sentindo. 

Logo depois, falamos com o filho de H., que estava acompanhando o pai. Ele nos contou a história do pai, de forma emocionada e triste. Pouco depois, o irmão mais novo de H. chegou, o senhor F. Eu e Elijeans permanecemos um pouco com eles, enquanto F. tentava conter as lágrimas por não ser reconhecido pelo irmão e por se lembrar de situação parecida que passou com o filho, também vítima do câncer.

A atuação foi intensa, linda, importante e nos ajudou e ensinou muito. Nunca me esquecerei dessde dia.

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.  

Bibi Oteca, HUT, 24/02/2017

Querido Diário de Bordo,

Mais um dia de aventuras no terceiro andar! Bibi e Anita Pequenita caminharam por todos os quartos e conheceram muita gente. Reencontrei dois amigos do andar: Fefel, sempre bem humorado e disposto a brincar conosco e a amável senhora do quarto de isolamento. Esses dois encontros foram ótimos e o lado positivo da atuação.

No entanto, o que mais marcou o dia de atuação foi o desrespeito, o machismo e a sexualização que nos acompanharam em todos os quartos. Tivemos que aguentar muitas "brincadeiras", o que nos desgastou bastante. 

Espero que, nas próximas atuações no terceiro andar, a situação melhore.

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Bibi Oteca, HUT, 10/02/2017

Querido Diário de Bordo,

Como é bom voltar!

Depois desse recesso e tanto tempo sem poder usar minhas meias listradas, foi com alívio e com um leve nervosismo que subi as infiniiiiiiiitas escadas até o terceiro andar. Na atuação, reencontrei Cacau Varapau e Txequinaudo das Estrelas. Esse grupo dá tão certo que atuamos por quase três horas, sem nem vermos o tempo passar!

Encontramos pessoas maravilhosas e dispostas a brincar conosco. Apesar das limitações físicas, por ser a ala da ortopedia e muito pacientes estarem com ferros saindo de todos os lugares possíveis, conseguimos conversar bastante e conhecer bastante gente. 

Os patrulhas de corredor, o adorável Fefel, a Rainha de Petrolina... muitos foram os encontros. 

Entramos em um quarto com isolamento de contato, para conversamos com a senhora que acompanhava o paciente. Ela passa o dia todo lá, sozinha, sem poder sair do quarto. Nos contou a história de seu sobrinho e foi ótimo poder fazer companhia a ela, mesmo que por pouco tempo.

No último quarto do corredor, encontramos um verdadeiro circo. Dois circenses, um paciente e o acompanhante, agitavam o quarto com piadas e brincadeiras. Ali, fomos apenas expectadores. 

A atuação foi ótima! O andar estava muito mais animado e aberto às possibilidades que na última atuação. No entanto, um elemento que sempre me chateia nas atuações voltou a aparecer: a constante homofobia dos pacientes e acompanhantes. Invariavelmente surge alguma "piada" com o uso do batom por Txequinaudo, ou mesmo "brincadeiras" entre os pacientes, que usam a homossexualidade como xingamento e ofensa. Nesses momentos, fico um pouco distante do jogo. Nunca irei brincar com a homofobia. Quando surge a oportunidade, tento falar coisas como "e se ele for gay, qual o problema?", "qual o problema de usar batom? você também deveria!", mas nem sempre o espaço aparece. Após essas provocações, sempre preciso me concentrar pra voltar minha energia e prosseguir a atuação.

Ainda temos muito o que mudar, não é mesmo? 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Bibi Oteca, HUT, 04/11/2016

Querido Diário de Bordo,

Chegou a primeira atuação com um novo grupo. Embora tenha ficado com saudade dos meus antigos companheiros, estava extremamente animada com a oportunidade de atuar com minhas novas amigas. Bibi Oteca, pela primeira vez, andou pelos corredores do terceiro andar do hospital ao lado de Anita Pequenita e Lulu Babalu. 

A atuação foi diferente. Apesar de ter ao lado ótimas companheiras, o corredor estava bem hostil. Os pacientes não estavam abertos às brincadeiras. Além disso, foi tudo bem rápido, pois Anita Pequenita recebeu um chamado. 

Espero que nas próximas visitas sejamos melhor recebidas.

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

domingo, 21 de agosto de 2016

Bibi Oteca, HUT, 18/08/2016

Querido Diário de Bordo,

Essa quinta-feira foi tão linda quanto as outras, com uma pequena diferença: Bibi, Txequinaudo e Raimundo foram acompanhados de pertinho por duas jornalistas bem simpáticas. Elas queriam saber mais sobre o projeto, então foram conosco para o querido segundo andar do HUT. Como de costume, nos trocamos no quartinho, enquanto respondíamos algumas perguntas. 

Música no ar, energia subindo, nariz no rosto. Mais uma aventura prestes a começar. 

Já no primeiro quarto levamos um susto! Um dos pacientes tinha certeza que Raimundo estava lhe devendo algo. Acho que não era ele, mas Raimundo decidiu levar a culpa para livrar a barra de algum outro clown. Nesse mesmo quarto conhecemos duas mulheres, que aproveitavam para descansar em suas cadeiras enquanto os pacientes que acompanhavam estavam dormindo. Como pareciam estar relaxando em um spa, até fizemos massagem nelas! 

Encontramos um enfermeiro que já é nosso velho conhecido. Primeiro, ele nos contou que se alimenta do sono. Olha só que refeição interessante! Por outro lado, ele engana os pacientes: chega perto da cama com uma bandeja, como se estivesse levando comida. No entanto, o que ele realmente leva são injeções e aparelhos estranhos para apertar o braço das pessoas. Quanta decepção... 

Achamos até mesmo um morador de Ponte Nova. Pois veja que coincidência: eu, Raimundo e Txequinaudo crescemos em uma cidade próxima, Ponte Velha, em casas ali ao lado da rodoviária (Raimundo sempre tem váááárias histórias de nossa infância para contar). 

Nos perguntaram, como de costume, se somos irmãos. É claro que somos! De sangue, de coração, do que mais vocês quiserem. 

No carrinho de comida, como sempre, não ganhamos nada. Uma pena, mas vida que segue. O jeito é nos alimentarmos de sono, como o enfermeiro nos ensinou.

Em um dos quartos, aprendemos uma bela lição. Perguntei a uma mulher se ela estava acompanhando algum paciente daquele quarto. Ela disse que não, que estava em outro quarto. Estava ali para visitar outro paciente e conversar com a acompanhante, que conhecera ali no hospital. Ela nos falou sobre como os laços feitos ali no hospital eram importantes. Sobre como um ajudava o outro a suportar aquela situação difícil.

Não pudemos entrar em vários quartos, infelizmente. Muitos estavam isolados (quartos VIPs) ou com pessoas dormindo. Quem sabe na próxima visita...

O  último quarto foi o mais animado de todos. Nele conhecemos quatro mulheres incríveis, que gostam de fofocar e de tomar injeções. Para ser justa, elas não gostam de injeções, apenas preferem injeções a comprimidos. Não querem ficar tomando injeções desnecessárias por aí! Essas mulheres têm um jeito um pouco estranho de se sentirem bem: elas procuram pessoas mais feias que elas pelos corredores, assim se sentem mais bonitas. Elas procuram mulheres mais gordas que elas, assim se sentem mais magras. Vai entender... 

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Bibi Oteca, HUT, 11/08/2016

"(...)Percebi que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentindo ausência!

Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas!
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que eu guardo dentro do meu travesseiro!

Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei na verdade quem eu sou"

Eu Não Sei Na Verdade Quem Eu Sou
O Teatro Mágico

Obs: Finalmente conseguimos ganhar um chazinho!

domingo, 31 de julho de 2016

Bibi Oteca, HUT, 28/07/2016

Querido Diário de Bordo,

Depois de muita correria para não chegarmos tarde demais, lá estávamos nós - Feliponga, Bibi e Raimundo - no segundo andar do hospital. Foi lindo subir a energia ao som de Elephant Gun, nossa música queridinha da semana de formação. 

No corredor, Raimundo precisou lidar com o assédio de uma admiradora. "Que batom bonito! Posso tirar?" "Você fica, as meninas podem ir embora" "Moreno alto? Pois eu prefiro um branquinho e baixinho de nariz vermelho!" Feliponga e eu tivemos que deixar claro que somos ciumentas: Raimundo é nosso e só nosso!

Entramos em um dos quartos e logo nos disseram: "aquele homem ali disse que era para vocês o acordarem quando passassem por aqui". Acordar um paciente? Não parece certo... ficamos relutantes. Mas então uma senhorinha que estava ali me disse que era verdade, que ele queria muito nos ver, que era para acordarmos ele. Como duvidar daquela senhora? Pé ante pé, fomos até a cama daquele senhor, prontos para o acordarmos. Mas então, vem o grito! Ele estava acordado, só esperando nos aproximarmos para que ele pudesse nos assustar! E que susto! Aquela senhora me enganou direitinho. 

Em outro quarto, vimos Ju. Só entramos rapidinho e pedimos para que o acompanhante mandasse nosso beijo para ela. Foi doloroso vê-la tão debilitada. Melhoras, Ju! Você vai conseguir. 

Brincamos com vários pacientes e aprendemos a desfilar com as enfermeiras. A atuação já tinha sido linda e estávamos indo para o quartinho dizer adeus. Como tinha gente no quartinho, decidimos procurar outro lugar - mas, assim que saímos, um enfermeira nos chamou "Ei, já estão indo embora? Tem um menino que quer muito ver vocês". Então fomos.

E eis que conhecemos Sami, um menino de 10 anos que reluta em aceitar que é grande! Ele nos contou que quer ser médico - e jogador de futebol, é claro. Após trinta dias naquele hospital, estava esperando apenas o resultado de um exame para ir para casa, que ele confessou sentir muita falta. Ver o sorriso de Sami com nossas brincadeiras me encheu com tanta ternura que, quando saímos de lá, foi difícil baixar a energia e tirar o nariz. Queria continuar ali, brincando com ele. Queria continuar com aquela risadinha e aquele "não sou grande nããão, sou pequeno". 

Foi uma noite marcante e muito divertida!

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Bibi Oteca, HUT, 14/07/2016

Querido Diário de Bordo,

Mais uma atuação de novinhos veio - e foi incrível!! Bibi e Txequinaudo já se entendem muito bem, principalmente quando encontram pessoas MARAVILHOSAS pelo caminho. Como não amar Joana, que nos acolheu com tanto carinho, mostrando fotos de sua família, contado a história de seu marido, que estava ali internado, e de todos os outros pacientes do quarto.

R. e sua esposa também me marcaram bastante. O quarto só pra eles, a saudade dos filhos, os planos para os netos que ainda vão demorar a chegar...

É difícil descrever um dia tão lindo!
Foi lindo, lindo, lindo, lindo ♥

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Bibi Oteca, HUT, 09/07/2016


Querido Diário de Bordo,

Sábado atuei com Mora Morango e meu habitual melhor companheiro do mundo, Raimundo Lambido. O andar foi outro: o primeiro. Conversamos com muita muita muita gente, inclusive uma senhorinha sincera demais que não queria nos olhar para não "gastar a vista". Também teve fofoca no corredor com as técnicas de enfermagem, que nos trataram super bem - e nos deram essas tocas!

A atuação fluiu tão fácil e divertida! Foi ótimo, pessoal, obrigada!

Até a próxima atuação,
Bibi Oteca.