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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Michel Michelin, HU, 11/08/2017

Meus mais novos melhores companheiros do mundo

A vida é uma linha reta composta por inúmeros ciclos. Quando acreditamos que algo é um começo, é, na verdade, um recomeço distinto de uma história antiga, sua ou de um outro alguém. (Re)Começar é sempre um desafio e o que seria de nós se não nos permitíssemos ser desafiados? Hoje uma nova história recomeçou para mim e (re)começou para inúmeros outros personagens. Especialmente, venho apresentar a vocês dois deles: João Arraia, misterioso e mágico; e Tina Gatínea, fofa, encantadora e intensa.
É estranho como vivemos todos os dias rodeados por certas coisas que não nos atentamos. Olhares, palavras, histórias e, principalmente, sentimentos. É aí a gente precisa (re)conhecer.
(Re)conhecer a importância da presença, do cuidado, do simples gesto de segurar a mão do outro. Ah, o outro... O que seria de Tina naquele dia se não fossem os olhos de dona Maria e o silêncio que permaneceu ali, naquele quarto frio. Algumas vezes precisamos perceber que não fazer nada é, na verdade, fazer tudo.
(Re)conhecer que não há idade para ser o que se é. Não é mesmo Senhor Manoel, o galanteador!?
E, em algum momento, (re)conhecer que a linha reta da vida, por mais ciclos que possua, tem um fim. E que nesse fim nós possamos olhar para trás e, assim como a Mãe de Todos, trazer - não nas nossas costas, mas no nosso coração - uma bagagem que de pesada nada tem. Uma bagagem agora vazia, pois as sementes foram jogadas pelo caminho e, ao longo do tempo, puderam crescer e dar frutos dos mais variados. Que possamos, assim como ela, olhar para a linha reta do deserto da vida e sorrir por ter nele construído uma floresta.
Não sabemos se esse é o fim da sua linha, minha senhora. Mas sabemos de uma coisa: a senhora foi o (re)começo da nossa. Obrigado.

Um grande e fofo abraço do Michel, do João e da Tina.
Até a próxima!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Michel Michelin - HU - 31/03/2017

Uma obra de arte dessas

E mais um semestre está acabando. Meu último diário em 2016 (é, você não entendeu errado) e sempre fica aquele gostinho de quero mais. Um agradecimento especial a Frida Tequila e Marieta da Estampa por protagonizarem a última atuação ao meu lado e agraciarem o meu tratamento de pigmentação de sobrancelhas. E para mais uma despedida, saiba que é tempo de ir em frente, caminhar passo a passo rumo ao nosso amanhã, de encontro ao nosso futuro. Hoje é o dia em que podemos mudar a nossa história, reescrever a nossa vida, é o dia da grande mudança, da grande conquista, o dia em que podemos ser, fazer, vencer. Não sabemos o que será de nós amanhã, mas hoje acordamos, levantamos e estamos vivos, por isso eu te chamo a olhar para o céu, agradecer a Deus a oportunidade de viver e fazer com que a sua vida valha a pena. Não deixe para amanhã, seja feliz hoje, peça perdão hoje, viva hoje como se não houvesse amanhã.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até semestre que vem!

Senhor Cadeira, 38 anos, viúvo, internado por
amputação parcial do membro superior direito.
Estado geral: passa bem.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Michel Michelin - HU - 17/02/2017

Minha cabeça não está parecendo a cabeça de um prego?

Hoje é dia de festa, senhores!
Foi há 84 anos que começamos as atuações e pela primeira vez, PELA PRIMEIRA VEZ, acreditem, eu e minhas melhores companheiras do mundo (The queens, Marieta da Estampa e Feliponga Queixo-Fino) conseguimos atuar juntos. É PRA GLORIFICAR DE PÉ, IRMÃOS! Imagina o que não vai dar quando a gente sobe o nariz ao som de Marília Mendonça. Já sabe, né!? Deu bom! Ou deu ruim, porque AEOH, SOFRÊNCIA! Ou melhor, AEOH, ALEGRÊNCIA!
E foi nessa brincadeira que eu descobri que estou grávido de dois serumaninhos lindos que habitam em minha pança. Pança essa que neste dia maravilhoso encontrou no outro o dom do abraço (que dessa vez valia por três). A senhorinha deixou claro que ela é realmente a rainha dos abraços e, sinceramente? Há momento melhor para oferecer o nosso dom que em uma situação como essa? Porque acredite... O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Michel Michelin - HU - 07/12/2016

Pela primeira vez a minha melhor companheira do mundo foi a maravilhosa Lala Lacinho. E olha, que companheira, viu!? A menina é mestre em ensinar os acompanhantes que não acompanham a acompanharem. É isso mesmo! Mas também mostrei a minha habilidade em ensinar a capinar, após conhecer uma mulher que tava enxada. Pois é, a Lala não sabia como usar uma enxada.
Apresentei a todos os pacientes a academia que frequentei durante anos que me ajudou a ficar com esse corpinho seduzente e sensual. O nome dela? "Restaurant Academia's".
Preciso confessar... eu contei a história do pobre bode que criei com tanto carinho e que no final da sua vida, fez uma demonstração de amor maravilhosa para mim: ele me alimentou. E por falar em comida, preparamos até um jantar de aniversário de casamento para bodas de vai durar. A dona do jantar estava toda feliz com um buquê de flores e se arrumando toda, toda.  Afinal, eu ainda acredito no amor. E vocês!?

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Michel Michelin - HU - 29/11/2016


Olá, pessoinhas!

Dessa vez eu, que vos fala, Zeca Seta que não cansa de mim, Lulu Babalove e Branca de Fofufura Leg fizemos a farra neste digníssimo hospital. E não fomos apenas nós a fazer farra, pois tinha um casal que relatou ter quebrado a cama de casa em um momento de amor (aquela carinha). Ela previa o futuro e ele era um poeta conquistador que me ensinou como conquistar a Lulu e eu nem precisava estar com ela pra ela quebrar a cama, né fofinha!?.
Lá também nos preparamos para o dia de Cosme e Damião, mas na falta de Damião, o Cosme nos falou de sua irmã, a Damiana. Infelizmente, era ela quem estava com as balas :( e acabamos sem. Na saída do quarto, ainda encontramos uma parede de fotógrafo e fizemos a farra!
Para além, percebemos que o hospital teve uma plantação de fofoqueiros só à espreita de contar tudo a todo mundo. Eu aguento!?

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Michel Michelin - HU - 26/11/2016




"Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: 'Que tamanho tem o universo?' Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: 'O universo tem o tamanho do seu mundo'. Perturbada, ela novamente indagou: 'Que tamanho tem meu mundo?'. O pensador respondeu: 'Tem o tamanho dos seus sonhos'.
Se seus sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua estrada será estreita, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. Os sonhos regam a existência com sentido. Se seus sonhos são frágeis, sua comida não terá sabor, suas primaveras não terão flores, suas manhãs não terão orvalho, sua emoção não terá romances. A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, faz dos idosos, jovens, e a ausência deles transforma milionários em mendigos faz dos jovens idosos. Os sonhos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor da sua história, fazem os tímidos terem golpes de ousadia e os derrotados serem construtores de oportunidades."

"Sonhe!"

- Augusto Cury

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

Michel Michelin - HU - 22/11/2016


Hoje eu vim para contar o quão maravilhoso foi esse dia (posso dizer que foi uma das melhores atuações da minha vida).
Começamos com uma discussão (ainda no quarto) sobre biscoitos de arroz vendidos no sinal (WHAT?) e não fomos só nós a desacreditar a coitada da Frida sobre o fato de ela fazer suas compras mensais enquanto está circulando de carro pela avenida. Inclusive eu tive que afirmar já ter comprado papel higiênico no sinal durante um momento de emergência (não me pergunte o qual).
No final do corredor, um casal nos alertou. Tem uma menina no quarto ao lado, ela pegou uma arma que tinha em casa e atirou no próprio pé. Receosos, entramos no quarto e nos deparamos com um momento de fofura extremo. Ela nos olhou, feliz. Não queria sentar para tomar seu suco, então precisamos resolver isso: sentamos todos em bancos invisíveis até que ela tomasse todo o suco (aaaaaai que dor nas pernas), ela ria. Com ela, um pobre ursinho de pelúcia acidentado e todo enfaixado.
Na cama ao lado, um adolescente parisiense mexia no celular. Sua mãe? Podre de rica, ao ponto de ir e voltar de Paris sempre que quisesse e dona da PORcaria toda, mas trocava o croissant (é assim que se escreve?) por um belo cuscuz e um bode assado (hum, que delícia!) e champanhe por suco de manga natural.
Agora, relatarei um momento mítico da TV brasileira, quando Eu, Frida, João e Branca adentramos o misterioso mundo do quarto dos homens. Em uma das camas, uma TV tecnologicamente improvisada sobre um pau de selfie tocava um arrocha e nós entramos no clima. Quando falei que era baiano e gostava da swingera, o digníssimo meteu o loko e botou a lata pra bater (eu me senti no carnaval de Salvador). Ele também dançava, deitado na cama, como se não houvesse amanhã, até que eu percebi que... ELE ESTAVA COM A BACIA QUEBRADA! Tá, foi surpreendente perceber que ainda assim ele estava dançando melhor que a Frida (brincadeira, amiguinha linda). Quando nos contou a história de como aquilo aconteceu, soubemos que ele estava carente, foi pra festa atrás de um xamego, mandou descer vários e vários baldinhos e no fim acabou esbaldeado na BR depois de um acidente de moto. Nossa surpresa? Ele disse que quem tava cuidando dele era a sua mulher - Ah, safado! Você é casado e foi atrás de xamego? - Não, a gente tava separado. Ah, o amor e os reencontros...
Não satisfeito em contar a própria história, contou a do vizinho de cama tímido e como ele enfiou sua moto na moto da Pomba, que ganhou esse apelido após voar vários metros no acidente e estar passando férias no andar de baixo do hospital...
Ei! Ela quer pedir uma coisa a vocês.
Era a mãe da menina nos chamando quando saímos do quarto. Eu fui, todo pimpão, falar com a menina.
O que você quer pedir?
Eu quero um nariz igual ao de vocês.
Que dor no coração... eu não tinha como dar um nariz a ela e aquilo me partiu de uma forma tão grande. Mas João me salvou!
Eu tenho um nariz reserva na mochila. Vamos pegar!
Corremos ao quarto, pegamos o nariz e voltamos. Ela já estava cabisbaixa quando entramos e lhe pedimos que fechasse os olhos. Em sua mão surgiu então o poderoso NARIZ! Que brilho maravilhoso aquele no seu olhar. Precisávamos aproveitar. Então, nos preparamos pra subir a energia e avisamos a ela que subisse o nariz quando contássemos até 10. E ela subiu. Estava linda e precisávamos batizá-la. Perguntei-lhe do que ela gostava e ela disse "de lasanha". Já era um bom começo. Botei minha imaginação à prova e disse: LUISA LASANHA! SIIIIIIIIM...

Pelos poderes a mim investidos pelos ancestrais clowns, eu te batizo, Luisa Lasanha!

"Como um olhar de criança.
Como é difícil por em palavras isentas os pensamentos.
Os pensamentos voam, loucamente, a mão é lenta demais para conseguir acompanhar o ritmo.
Sentir a intensidade do sentimento do outro junto ao seu. Passar o seu sentimento para que ele sinta junto ao dele."



Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Michel Michelin - HU - 17/11/2016


Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

- João de Barro


Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Michel Michelin - HU - 04/11/16



Olá, pessoas!

Hoje foi um dia muito especial. Conheci minha nova melhor companheira do mundo, a Marieta das Estampas apesar que com essa greve nós não andamos muito companheiros. E de novo o folgado do Zeca apareceu para me fazer companhia (deve me amar, só pode).
Hoje nós até adotamos um copo e eu fiquei muito feliz de ser pai pela primeira (ou será segunda?) vez. Cuidamos com muito carinho dele e todos ao nosso redor nos ajudaram com as nossas dúvidas sobre ser pai.
E por falar em pai... o que dizer de um maravilhoso reencontro com o meu pai? Ele ainda estava lá. Estava de saída. Estava com medo. Mas sorriu. Sorriu ao me reencontrar, de longe, e depositou um pouco da sua esperança em mim. Eu fiquei tão feliz, sabe? Poder transmitir o bem que estar presente faz... chorei muito depois que abaixei o nariz, mas era um choro especial e tais lembranças são reconfortantes.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Michel Michelin - HU - 31/10/2016

Eu e Zeca serelepes

Tem coisa melhor que voltar para casa?
Tem coisa melhor que estar ao lado do melhor companheiro do mundo?
Tem coisa melhor que reencontrar seu pai em um programa de televisão no meio de um hospital?
Tem coisa melhor que fazer uma série de exercícios acompanhado dos pacientes?
Tem coisa melhor que mostrar a um senhor que somos todos iguais, independente de nossa opção sexual?
Tem coisa melhor que oferecer escolha a uma criança que não a tem?
Tem coisa melhor que sorrir?

É, não tem.
E no dia das bruxas, prevaleceu a magia do amor.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima, porque "I'm back"!

domingo, 28 de agosto de 2016

Michel Michelin - HU - 27/08/2016

"Só se tem saudade do que é bom, se chorei de saudade não foi por fraqueza, foi porque eu amei."


Se uma imagem vale mais que mil palavras, então segue esse maravilhoso texto em vídeo sobre o quão perfeita foi a atuação com a Lulu...


Um grande e fofo abraço do Michel.
Até o próximo semestre!


domingo, 21 de agosto de 2016

Michel Michelin - HU - 16/08/16

Eu e Frida roubei um jaleco por lá mesmo

Oi abiguinhos! Como estão?
Mais uma vez tive uma nova melhor companheira do mundo. Seu nome? Frida Tequila por que será?. Cada novo companheiro é uma nova gama de experiências maravilhosas e dessa vez não poderia ser diferente.
Eu e Frida começamos o dia reconhecendo o perímetro. Precisávamos saber quem estava ali. Entramos no primeiro quarto, estava cheio. À nossa direita a dona Socorro, deitada, fazia pose como se estivesse banhando-se ao sol. Linda, maravilhosa, rainha da #@*% toda! Fizemos um verdadeiro book. Ali perto um garoto dormia ou estava em coma? e o outro, saindo do banheiro, nos olhava surpreso. Era o Rodrigues. Quer dizer, o Rodrigo - afinal, só tinha um - ou não era bem esse o nome dele... Que sorriso encantador. Ele queria descobrir com a gente as maravilhas que existiam por traz daquele plano de fundo de hospital. E o Uânderson? Acordou só pra se assustar com nossas caras feias.
No quarto da frente, um momento que jamais podíamos esperar... Mas esse vou contar nestante, pere aí!
Seguimos conhecendo, aos trancos e barrancos, todas as histórias de vida que poderíamos receber, como um grande diário. Até arrumei uma vozinha, olha só! Ela me disse que quanto mais netos, melhor e que em um grande coração, sempre vai ter espaço para novos amores.
No corredor uma voz gritando Quero uma foto com vocês! Alguém me arruma um celular. Que missão difícil encontrar quem tirasse aquela foto. O andar se mobilizou para agradar aquela senhora e seu sorriso maroto. Quem seríamos nós para desfazer tal alegria, né!?
Agora, voltando ao momento que comentei anteriormente vocês sabem qual, por favor, né. Eu e Frida entramos no quarto, haviam algumas pessoas. Entre elas um homem com um sorriso meio triste. Nos aproximamos, queríamos conhecê-lo. Ele contou sua história de vida, mas continuava com aquele sorriso meio sem jeito. Foi então que sua mulher nos contou o motivo. Ele tá triste porque perdeu o dedão num acidente. Não sei o que me deu. Vi naquilo um momento de mostrar que estávamos ali para muito mais. E aqueles olhos dele de quem precisava de um estímulo, me ajudaram a seguir em frente...
Pense! Se um cara que perdeu o mindinho se tornou presidente, imagine você que perdeu o dedão.
Fiquei receoso, mas... ELE RIU! E me respondeu que o dedão tem utilidade. Aí começou a sequência.
Poderia ser pior. Se você perdesse o dedo do meio, nunca mais iria oferecê-lo a quem não gosta. Eu disse. Frida entrou na brincadeira. Poderia ser pior. Se você perdesse o indicador, nunca mais iria poder tirar a cobertura do bolo de aniversário. Nessa hora ele já estava com um sorriso de orelha a orelha e dessa vez sincero. Se você perdesse o segundo dedo, sua mulher lhe mataria por causa da aliança. Se você perdesse o mindinho, nunca mais ia poder tirar cotoco do nariz. Ele teve uma crise de risos e disse que tirava com o dedão e que precisaria de ajuda da esposa agora, o que não seria tão ruim.
Contei essa história aqui porque jamais quero esquecer o que aconteceu e quero que quem leia jamais esqueça também que cuidar nem sempre está em um gesto, mas no simples ato de estar lá.

Não contei que acabei precisando de cuidados :'(

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Michel Michelin - HU - 30/07/2016

Eran forte para vocês! - Rainha Paula

Eu, Dinho e o João Negresco 'o'

Dessa vez nós tivemos a ajuda do João Negresco em nossos desafios. João veio lá da África, diretamente da Angola por isso tá sempre reclamando que tá fraco. João tem um pequeno problema com nomes, então foi difícil para ele entender que o nome de um dos senhores Édimilson e do outro Édilson. Esse foi o dia dos nomes. E não é que o João encontrou o João e as Marias!?
Nossa próxima missão era encontrar o 'seu' Francisco e o 'seu' Nivaldo. Que belos missãozeiros nós somos, não os encontramos. :/
Dessa vez o João riu mais que o pessoal do hospital muito mais mesmo e nós nos dispusemos mais a ouvir.
Voltando à dona Maria, ela nos ensinou que existem várias Nossas Senhoras, que acaba por ser uma só. E numa dessas, olha isso! Acabei me formando na faculdade de padres e até rezei uma missa. Poder ver naqueles olhos o conforto de ter alguém ali que, mesmo em meio à palhaçada, consegue entender o que é importante para ela, me fez perceber na dona Maria uma paz remetida somente à compreensão da indiviualidade de cada um. Me pergunto até quando vamos ignorar que existem diferenças e que essas diferenças merecem a paz de poder ser diferentes sem medo...
Por fim, nos preparamos para voltar ao quartel general até que... OLHA SÓ! É a rainha Paula! Mas dessa vez ela tava cansada - e eu compreendo - e tudo o que ela nos mandou foi um: ERAN FORTE PARA VOCÊS!

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Michel Michelin - HU - 23/07/2016

Que belo dia para visitar meus velhos amigos, não!? Ei! Quem é você? É. Você. Está perdido aqui? Como chegou aqui? Ah! Seu nome é Zeca Seta.


   Pois é, meus amigos. Dessa vez eu tive um novo melhor companheiro do mundo. E olha... ele honrou esse título. Nosso dia quase tarde começou quando nos dispusemos a catar garrafas Bettys. Infelizmente, as donas delas ainda estavam dormindo. Corremos pelos corredores, buscamos coisas comuns e incomuns, visíveis e invisíveis.       Entramos, eu e o Zeca, em um verdadeiro conto de fadas. Havia castelos, príncipes e princesas dos olhos lindos e nós fizemos questão de deixar claro para eles que era aquilo que existia ali: um grande conto de fadas. E olha que me desdobrei para dar uma de sombra do bobo da corte. É cansativo você ser alguém, enquanto imita alguém imitando alguém a ser alguém, sabia!? E olha que conto de fadas sempre tem um final feliz. Aquele era o nosso.
  Depois, voltamos atrás das Bettys. Encontramos uma Betty e uma Maria. Ah, doce Maria... Um sorriso escondido por trás de toda aquela dor. Havia juventude naqueles olhos e isso não se perdeu. E como se esquecer da Betty e sua timidez misturada a gargalhadas abafadas? Esse foi um dia para aprendermos a ser e buscar muito além do que os olhos estão vendo.



Ah, já ia me esquecendo! Viram meu novo visual? Mas, infelizmente, eu só tinha metade do dinheiro para comprar a saia... :( ENTÃO COMPREI METADE DA SAIA! :D

Um grande e fofo abraço do Michel
Até a próxima!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Michel Michelin - HU - 16/07/2016

Paz, amor e empatia! - Kurt Cobain


        Hoje eu só tenho uma história para contar. Isso, só uma.
     A senhora Três Pontinhos estava escondida em seu quarto de hospital. Não a tínhamos visto, não ainda. Permanecia lá, inerte. Mas seria ela a nossa surpresa do dia.
        Dinho! Tem alguma coisa acontecendo.
        Ajudem! Ela está sem conseguir respirar.
       Essas palavras me bambearam as pernas, que confusão externa e interna! O que fazer? Deixar a atuação não era uma opção, nunca é. Não o fizemos.
        Michel! Vamos ajudá-la. Vá buscar ar para ela!
        Nessa hora Dinho pegava uma luva - isso, daquelas descartáveis.
        Assopra, Michel.
        Assopra, Dinho.
        Assopramos. Enchemos aquela luva enquanto no quarto a mulher se debatia sobre a dor do ar que lhe fugia. Parecia um gesto idiota da nossa parte, para quem o via de fora. Mas havia uma razão para tal.
       Moça! Moço! Alguém pode entregar esse ar para ela quando ela melhorar? Não!? Ninguém!?
        Corremos até o quartel general, pegamos uma caneta e escrevemos "Para quando estiver sem ar. Um presente do Dinho e do Michel.", mas ninguém queria entregar nosso presente.
        Ei! Ela está melhor.
        Dinho, vamos!?
        Vamos!
        Entramos no quarto devagar, tínhamos receio. Mas a nossa necessidade de cuidar foi maior que qualquer medo.
        Fizemos isso aqui para você. É ar para quando você ficar sem ar.
       Um olhar surpreso, um sorriso no rosto da senhora e da sua acompanhante. Uma lágrima forçando em meus olhos...


Um grande e fofo abraço do Michel e do Dinho.
Até a próxima!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Michel Michelin - HU - 02/07/2016

O dia fica mais bonito quando a gente sorri. - Senhorinha do HU

Eu e o Dinho vitaminando

        Quantas saudades eu senti daquele hospital. Duas semanas que pareceram uma eternidade. Quando voltei, me perguntava se reencontraria as pessoas... Reencontrei. Reencontrei a dona Maria, a esposa do delegato, ou seja, a delegata. Reencontrei sua acompanhante, aquela que já foi rainha, grávida, DJ, dançarina e dessa vez não lembrávamos, era como se fosse a primeira vez. Que felicidade olhar nos olhos da dona Senhorinha do HU, meu Deus! Nunca vi tanta alegria em uma pessoa só. Não precisamos falar nada, só parar para ouvir, e ouvimos. Aquela alegria irradiava pelo quarto e nos oferecia uma energia muito forte. Aquele dia prometia, aquele dia cumpriu.
        Reencontramos também a nossa já conhecida fã - não sabemos se é técnica, médica, enfermeira ou pipoqueira, mas tá sempre de jaleco - e mais uma vez ela sorriu para nós. Falando nisso, ela foi a responsável pela festa de alguém que recebeu alta e eu pelo que recebeu baixa.
        Novidade! Crianças! Socorro! Não sei o que fazer. Primeira vez que vejo crianças por aqui. Vai Michel, respira e vai! Que bom que eu fui. Não me arrependi. E levei o Tido comigo. Quem é Tido? Meu amigo porta-soro, Cabo do Exército e parceiro das aulas de zumba. Ser professor de zumba me fez ter uma crise respiratória, mas valeu aquela linda crise de riso. Afinal O dia fica mais bonito quando a gente sorri.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

domingo, 19 de junho de 2016

Michel Michelin - HU - 18/06/2016

Eu não estou sabendo lidar. - Michel


        Sabe aqueles dias nublados em que nos sentimos nublados e sentimos que os outros estão nublados, ou mesmo se sentem nublados? Esse foi um desses dias. Uma manhã que começou com o sol escondido entre as nuvens e os sorrisos escondidos entre os desânimos de um local com um ar um tanto quanto sombrio. É estranho que eu esteja falando do mesmo lugar que falei nas semanas que se precederam, mas sim, eu estou. E talvez até não tenha sido tão sombrio quanto à minha primeira impressão de um começo ruim de uma atuação que só me tinha vindo de maneira tão radiante.
        Todas aquelas coisas que aconteciam me deixaram confuso - já não tínhamos a Cacau, éramos só eu e o Dinho; as pessoas não compravam nossos jogos; algumas nos reencontraram e já não era um bom dia - e eu ali assustado, como uma criança conhecendo o desconhecido que já não é tão bom. Em um certo momento eu parei, olhei para os olhos cansados do Dinho - não mais que os meus, afinal, ele já conhecia os altos e baixos dessa nossa vida - e me perguntei: será que eu deveria estar aqui? Sim. Eu deveria.
        Percebi que deveria fazer o que eu estava ali para fazer. Olhei para um lado, olhei para o outro, olhei novamente para os olhos de Dinho. Percebemos que o dia continuava nublado, mas havia uma luz com a gente e estava na hora de iluminar os caminhos que trilhávamos. Foi então que aqueles ao nosso redor perceberam que o dia podia se iluminar, e se iluminou - mesmo que pouco - ao longo daqueles últimos minutos. 
        Apesar de ter sido apenas uma pequena luz, sentimos que na verdade aquela luz vinha de uma chama. Uma chama que deixávamos ao sair daquele lugar, uma chama em cima de uma mesinha de canto, pronta para receber e acender as velas ou mesmo as tochas daqueles que desejassem dela se aproximar.
"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." (Antoine de Saint-Exupéry)
Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima! 

domingo, 12 de junho de 2016

Michel Michelin - HU - 11/06/2016

Preparar, apontar... Fogo! - Dinho


         Ah, sábado de manhã, dia de estar dormindo... SÓ QUE NÃO!
        Viemos para a batalha, dessa vez só eu e o Dinho porque a Cacau é uma ingrata que nos abandonou não pôde estar presente conosco. E o Dinho tava que tava. Só podia estar me achando com cara de jegue. Quem já se viu montar um bode sem a sela? Isso é um perigo! Imagine que ele inventou de ser cantor de porta de bordel pra que eu pudesse dançar. Ainda bem que ele teve a ajuda da dona Maria, mãe de Jesus {musiquinha de óóóóóóóóó, santidade ao fundo}, para cantar o forró do "eu não sei" e da dançarina prenha do tchan que tá lá toda semana pra nos dar apoio.
        Ah, o Dinho. Menino maroto que queria encontrar uma almoça para namorar. Afinal, o dia dos namorados era logo no domingo. Infelizmente, ele não encontrou uma almoça, mas encontrou quem quisesse comer deliciar-se de sua palha assada, frita, cozida e tudo o mais. Prepara a vitamina C!
        Por fim, o Dinho ainda me inventou de me convidar para um restaurante, mas teria que ter uma cadeirinha, porque ele precisaria levar o neném dele e a piranha que ele encontrou pelos corredores do HU. É mole!?
        Você estar se perguntando porque eu estou falando do Dinho no meu diário. É só porque ele falou de mim no dele e quero ser educado, mas o dele tá melhor que o meu porque fala sobre mim, vão lá ler. É porque ele é...

O MELHOR COMPANHEIRO DO MUNDO

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

Eu e o Dinho, dois caras de bunda

domingo, 5 de junho de 2016

Michel Michelin - HU - 04/06/2016

Minha mãe me falou para sempre entrar com o pé direito. - Michel
E se eu não sei qual é o direito? - Dinho
Entra com os dois. - Michel

Cacau Varapau e Dinho Vitamina C, os melhores companheiros do mundo!

        Primeiro passo. Primeira pessoa. Primeiro olhar. Primeiro susto. Que surpresa, primeiro sorriso!
        E assim comecei mais uma aventura pelo maravilhoso mundo do inesperado. À primeira curva, descobri uma gravidez, duas gravidezes, três gravidezes. Mas cadê a parteira!? Acho que fugiu daquela palha assada. "Olha! A parteira está no quarto ao lado." "Senhora, como faço pra ter um bebê?" "Meu filho, vire de cabeça pra baixo que eu tiro esse menino agora!". A manhã que começava entre penteados nas pernas e nenhum na cabeça prometia ser encantadora.
        Cacau e Dinho fizeram a festa! Conhecemos o Felipe Massa da cadeira de rodas e sua risada de motor arranhado que fez a todos perderem o chão e o carro "cantar pneu". E não foi só o pneu que cantou não! Nosso motorista ligou o paredão e começou o nosso baile.
        E o que seria de um baile sem a sua rainha? E foi assim que viramos súditos daqueles sorrisos. Do "Seu" Francisco ao Gilberto Sem Gil - ou seria só Berto?
        É estranho esperar que aquilo não tenha fim. Nosso mundo de fantasia ficou lá quando demos mais um passo, dessa vez de volta ao nosso quartel general. Porém, sabemos que podemos encontrá-lo sempre que quisermos, se assim o quisermos.

Eu só quero é ser feliz... ♫ - HU, Felipe Massa do

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Michel Michelin - ABRAÇO GRÁTIS - 22/05/2016

        É estranho estar aqui do outro lado pela primeira vez. Hoje, eu, Michel Michelin, me apresento oficialmente a vocês e começo uma jornada que sinto que será maravilhosa. Afinal, como não ser maravilhosa quando ela se inicia no dia do abraço? Já dizia Cazuza, “gosto dessa definição: abraço é o encontro de dois corações”.
        A feira da Areia Branca ficou pequena para tanta palhaçada alegria, quando uma trupe de clowns eufóricos chegou com os seus mais diferentes cartazes de distribuição de abraço grátis. Engraçado que em nenhum momento me senti perdido, mas achado. Achado em meio a tantos olhares de animação, achado em meio a tantos risos frouxos, achado em meio a companheiros que há pouco sequer conhecia, achado em meio a tantas crianças e suas expressões sinceras de felicidade, e, principalmente, achado em meio a tantos abraços que representavam as mais variadas emoções: tristeza, alegria, animação, curiosidade, medo, confusão, surpresa... E, como em todos os lugares, atitudes que representam o lado não tão iluminado da vida: comportamentos hostis, indiferença, remorso, rancor, machismo, ódio... Mas a isso nossa energia nos mostra quando dizer SIM e quando dizer NÃO.
        Digo não à arrogância daqueles que menosprezam e desvalorizam o outro; à violência (física ou não) daqueles que assim foram educados; e ao machismo que muitas vezes reina e que toma a mulher como objeto de consumo a bel prazer físico e visual.
        Digo sim ao novo pai que encontrei na feira (que surpresa!); à senhora que me tomou como o filho que estava longe; às crianças que me ofereceram o que de mais sincero possuíam; às palavras de força que nos mostram que estamos no caminho certo; e, principalmente, a cada abraço recebido, tendo sido ele com os braços ou mesmo com o olhar.

Um grande e fofo abraço do Michel.
Até a próxima!