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quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Tati Abacate, HU - 1° Andar, 12/01/2023

 




Querido diário, gostaria de escrever desta vez como Alex e não como Tati. 


A atuação de hoje foi… estranha


Acho que essa é a única palavra que consigo pensar para descrever o que rolou. Tentei escrever esse diário umas duas vezes e não acho que seria correto procurar culpados para o que aconteceu, poderia ter acontecido ou não aconteceu. Creio que diante daqueles que não conhecem como o nosso processo de formação e atuação funciona, alguns imprevistos podem acabar acontecendo, e temos que (infelizmente) aprender a lidar com alguns deles. Dito isso, acho que fiz - ou melhor - tentei fazer com que o constrangimento de estar sendo exposta num momento que me era íntimo, não interferisse na atuação. Me senti bastante nervosa e muitas vezes invadida por uma sensação de não saber se continuava fazendo tudo do jeito que sempre fiz ou se alterava de modo a ficar melhor para os moldes, e me preocupei, com os pacientes e com meus companheiros, que também pareciam estar tão confusos como eu. Com isso, sei que algumas pessoas odeiam a lógica de tentar extrair um aprendizado de eventos ruins, mas eu acredito que isso seja aplicável ao que aconteceu hoje, assim sendo, eu diria que esse episódio todo me ensinou a lidar com algumas adversidades, a tentar manter o foco (mesmo que você esteja de plano de fundo numa conversa maior) e que em alguns momentos não temos controle da nossa energia e não há nada de errado em dar uma pausa para tentar recobra-la.










domingo, 25 de dezembro de 2022

Tati Abacate, 24/12/2022, HU - 1° Andar

 



Querido diário, 


Hoje no trem, eu e meus companheiros Virgulino Felino e Cindy Land achamos um presente e deduzimos que o Papai Noel tinha o deixado ali, então saímos atrás dele, pois também queríamos nossos presentes de natal.


No primeiro quarto em que entramos conhecemos uma mulher que era de Juazeiro, ela estava acompanhando o seu irmão, que por sua vez morava numa cidade chamada Casa Nova. Com essa informação, Virgulino perguntou se o nome da cidade se dava pelo fato de todos ali morarem em casas novas, o que a moça confirmou, então perguntamos se ela não queria morar numa casa nova também, mas ela disse que preferia uma casa velhinha mesmo. Durante essa conversa, percebemos que ela estava dando achocolatado para seu irmão e perguntamos se foi o Papai Noel que tinha fornecido aquela bebida. Ela confirmou e decidimos que também queríamos achocolatado, então saímos atrás do Papai Noel.


Após isso entramos no quarto de um senhor que parecia não ouvir muito bem, e como ele tinha o cabelo e a barba branca achamos que ele devia ser o Papai Noel, mas descobrimos que o nome dele era Francisco. No entanto a acompanhante dele estava com uma roupa vermelha então pensamos que ela podia ser a Mamãe Noel, o que ela tentou negar, mas ficamos com uma pulga atrás da orelha (ainda achamos que ela era a Mamãe Noel disfarçada). Ainda naquele quarto encontramos um casal que se chamava José e Maria que moravam num bairro que também se chamava José e Maria, perguntamos se eles eram os donos do bairro, já que tinham o mesmo nome, eles confirmaram e nos garantiram que haveria um lugar para nós lá.


Depois disso, descobrimos que tinha um quarto cheio de donos de roças (que nem eu!) ,tinha plantador de manga, banana, goiaba e até dono de rancho. Falamos também com uma senhora que veio do Salitre e que disse que estava com um vestido vermelho rendado guardado para usar no natal, ela só aparentava querer que alguém a ouvisse, e ao meu ver parecia estar sozinha…


E então veio o que foi para mim o primeiro choque. Ao chegarmos na porta de um quarto, vimos uma mulher se escondendo e logo ouvimos a sua tia (que estava acamada) soltar um “se vocês pegarem ela vou bater em vocês”. De início achei que ela só estava brincando, até que fui falar mais com ela e ela ainda continuou irritadiça.


Na plaquinha que estava grudada em sua cama vi que o seu nome tinha o sobrenome “Franca”, e então perguntei:


- A senhora tem Franca no nome, a senhora é da família dos Francos?

- Você é muito é curiosa viu! Você acha que eu não sei que você tá lendo isso na placa? - ela respondeu, raivosa


Nesse momento acho que eu podia muito bem ter saído de perto daquela senhora, mas algo me instigou a continuar falando com ela e, honestamente, eu estava começando a achar graça naquela situação.


- Sim, mais eu tô falando porque li na placa mesmo - respondi

- Não é Franca, é França, porque somos descendentes de franceses 


E então a partir daí ela começou a nos contar a história de sua família. Especialmente de seu avô, que era um homem branco loiro, muito bonito e que durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhava como correio num burro e levava noticias de Recife para Triunfo, com as balas passando pela cabeça (palavras dela). Ela disse ainda que as notícias demoravam cerca de 40 dias para chegar de uma cidade a outra, perguntamos então se naquela época não existiam trens, como os que a gente usa pra chegar lá, ela confirmou que sim, existiam, e que ela pegava trens quando mais nova para ir ao internato em que estudava. 


Ao sairmos dali, ouvimos o apito do nosso trem, avisando que já estava chegando e que era hora de partir. Nos despedimos de nossa busca por Papai Noel e fiquei com algumas reflexões em mente. Fiquei pensando se não coloquei meus companheiros numa situação chata, por termos parado numa estação a qual não estavam acostumados a passear, ou por ter interagido com pessoas que não pareciam estar muito interessadas na gente (e que traziam falas um tanto suspeitas em alguns aspectos) e até mesmo pelo fato de que senti minha energia se esvaindo muito rápido. Passadas as reflexões, creio que esse ano foi de muitas descobertas e crescimento para mim e espero que todos os companheiros que tive nessa estrada compartilhem desse sentimento e, por último (mas não menos importante):


Feliz Natal e um Próspero ano novo!


Com carinho, Tati Abacate









quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Tati Abacate, 11/12/2022, HU - 1° Andar




Querido diário,


Hoje o dia começou com um susto. Alguma coisa havia batido com força no trem, então saímos para ver o que era. Ao sairmos, eu e minhas companheiras Conceição Abdução e Gema Jurema escutamos uma mulher falar bem alto sobre uma tal de lista de investigação. Então, diante da fofoca e curiosas pra saber o que era, fomos atrás d@ investigad@.


No caminho, vimos uma sala que tinha uma placa escrita “estar médico”, então pensamos que se a gente entrasse lá a gente ia virar médico, mas fomos contrariadas por um senhor que tinha muita paciência (já que ele disse que era paciente), que nos disse que para virar médico a gente teria que estudar. Depois disso falamos com uma mulher que vinha de uma cidade chamada Socorro, perguntamos se ela era a dona do quarto e ela disse que o quarto era do governo e que ele tinha dinheiro para nos levar até a cidade dela.


Ainda nesse quarto descobrimos quem era o investigado: era o Lucas, que estava sendo procurado por ter fugido de Serra Talhada. E se não bastasse estar se escondendo do governo, descobrimos também que ele tinha o poder de se teletransportar, pois entrava em uma sala e saía em outra (Detalhe: esse poder só funcionava ali dentro, então ele não conseguia se teletransportar para casa). 


Então intrigadas, fomos atrás de mais pessoas com poderes e encontramos uma variedade destas. Tinha um rapaz com o poder de sentir fome, uma mulher com o poder de rir e um homem que disse ter o poder do senhor, que seria o maior poder de todos, pois o senhor tinha todos os poderes. Após isso, falamos com um rapaz que tinha o poder da cura. Ele disse que estava assistindo o filme dos X-men, que assim como muitos naquele quarto também tinham poderes. Com isso, tivemos uma ideia: fazer um novo filme do X-men, só que dessa vez com as pessoas que estavam por ali!. Então nos despedimos do rapaz, porque tínhamos que escalar o elenco desse novo filme.


E encontramos nosso primeiro mutante, um senhor que tinha o poder de ser pai, e o filho dele, que tinha o poder de ser filho e de sorrir. Ainda naquele quarto tinha um rapaz que tinha o poder de ficar assistindo TV, logo deduzimos que ele ia assistir o nosso filme quando lançassem.


Mas a variedade de poderes não acabou por aí. Descobrimos que o senhor de Bem Bom tinha o poder de se cobrir com o lençol e que nos convidou para o seu aniversário de 80 anos, que terá um paredão e cerveja pra gente beber. Achamos até gente com o poder de não ter poderes! e o poder do não saber (não saber qual o seu poder, talvez?). Enfim, no final todos tinham poderes, e a Marvel que se cuide, por que o nosso filme vai bombar muito mais do que qualquer um dos X-Men!







 

sábado, 10 de dezembro de 2022

Tati Abacate, 10/12/2022, HU - 1° Andar

 

Querido diário, hoje acompanhei novamente minhas primas Agatcha Tcha, Ana Cigana e Jana Khana...


Assim que descemos do trem vimos uma placa que falava que só podia entrar três pessoas e um carrinho de mão. Logo, Jana decidiu se passar por um carrinho e ,aparentemente, o disfarce funcionou já que ninguém ali parecia perceber algo de diferente. 

No entanto, vimos que as pessoas dali não estavam nos enxergando, já que passavam por nós e nem falavam nada. Então, chegamos a conclusão de que talvez, fossemos invisíveis, já que ninguém nos via. 

Mas não tardou para descobrirmos que algumas pessoas ali tinham o poder de nos ver. A primeira pessoa que nos viu foi uma senhora que tinha o poder de ser rica, ela tinha uma filha que também herdou o mesmo poder e que também conseguia contar dinheiro. Perguntamos para elas como poderíamos conseguir dinheiro para viajar de avião pra São Paulo. Elas disseram que teríamos que trabalhar, então dividimos funções para que cada uma conseguisse um pouco de dinheiro para a passagem: Agatcha Tcha, com seu estilo e beleza, trabalharia como modelo; Ana Cigana, seguiria o ramo de sua família lendo mãos; Jana Khana plantaria cana , e eu plantaria abacate.

Após isso, vimos uma moça passando um creme branco numa senhora. Esse creme deixava a pele da senhora brilhando e quando ela passava no rosto, ela sorria, e então descobrimos que a moça estava passando o creme em sua mãe e que elas tinham respectivamente, o poder de hidratar os outros e de ser bonita. Ao conversarmos com a senhora ela nos revelou que tínhamos o poder de fazer as pessoas rirem e falou que também podíamos nos hidratar com água e, diante disso, Jana decidiu que ia jogar um balde de água na gente pra que ficássemos hidratadas, brilhosas e bonitas que nem aquela senhora.

Ao sairmos dali, entramos no quarto de uma moça que me ensinou o que era marinar e que disse que se eu e Jana plantássemos ela iria cozinhar qualquer coisa que a gente colhesse. Nesse momento percebemos que Agatcha e Ana estavam fofocando com Margareth e Maria de Lourdes e descobrimos que Margareth estava espalhando a fofoca de que Lourdes tinha um namorado de 28 anos no forró. E mais: Lourdes tinha o poder de ter as juntas frouxas, o que ela nos mostrou com um movimento em que colocava as pernas para o alto, e nos garantiu que assim que se recuperasse ela e Margareth iram nos ensinar a dançar forró!

Visitamos ainda o Zé Batista que nos convidou para seu aniversário de 80 anos e disse morar numa cidade chamada Bem Bom (que como fica lá embaixo, só era acessível por submarino). Ana até chegou a ler a mão do neto dele (que estava ali do lado), mas o máximo que ela conseguiu ver foi uma mão e cinco dedos :(. Por último, visitamos um quarto que tinha uma mulher que tinha o poder de criar looks e outra, que assim como Ana também conseguia ler mãos. A moça que criava looks ria o tempo todo e disse que nossos looks eram bonitos e até gravou Agatcha desfilando (enquanto cantávamos uma música de fundo). 

Mas, assim que saímos dali logo ouvimos o apitar do trem e corremos para pegar, e quando entramos Jana sacou um daqueles negócios quadrados (acho que o nome era celular) e conseguiu fazer a gente aparecer lá dentro. E assim, terminamos mais um dia com a certeza de que também tínhamos um superpoder: o de fazer as pessoas rirem, se divertirem e sentirem algumas coisas com mais leveza.











domingo, 27 de novembro de 2022

Tati Abacate, 27/11/2022, HU 1° Andar

 



Querido diário,


Hoje eu e as melhores companheiras do mundo (Conceição Abdução e Gema Jurema) descemos do trem e logo fizemos uma descoberta: havíamos sido convocadas para jogar na copa. Ficamos muito animadas então decidimos contar isso pra todo mundo e montar um bolão no qual todos poderiam apostar na nossa vitória, que seria de 7X1. O que nos dava o direito de escolher duas músicas, visto que com três gols já pode pedir música né?

Assim que saímos do trem vimos um homem nos chamando. O nome dele era Luís Carlos e ele estava junto de uma mulher chamada Margarete Menezes (tipo a cantora, só que essa era pernambucana). Então fomos anunciando logo que jogaríamos na copa e eles nos garantiram que iriam assistir ao próximo jogo. Além disso, Luís ainda disse que iria trazer a carne diretamente de Serra Talhada para fazermos um churrasco, enquanto Margarete nos expôs seu desejo por uma buchada. Pedimos por uma música para comemorar 3 dos 7 gols e ela disse que “o que tocar ela dança” então escolhemos a música do Roberto Carlos que estava tocando na TV naquele momento.

Mas ainda precisávamos de mais músicas. Então entramos no quarto do Cláudio, que nos sugeriu pedirmos pelo hino do brasil. Ainda nesse quarto achamos uma coisa estranha que pensávamos ser uma bomba, mas descobrimos (depois de perguntar para um garoto) que se tratava de um “não sei”. Aquele não sei se chamava Wilson (que nem a bola do filme). Perguntamos para o garoto onde poderíamos achar um daquele e ele disse que foi uma enfermeira que deu para ele, então decidimos que também queríamos um não sei e fomos atrás de um.

Dali fomos parar no quarto de Edna, que nos sugeriu uma música da Ivete Sangalo e uma da Claudia Leite e nos disse que íamos precisar de um trio para tocar essas músicas. Decidimos que iriamos usar uma das macas como trio, e que quem iria empurrar o trio era a Talita, sua acompanhante, tudo isso enquanto seguramos uma JBL a qual a playlist de músicas contaria com as que nos recomendaram até ali:


  1. Música do Roberto Carlos

  2. Hino do brasil/ da seleção 

  3. Funk do Vin Diesel falando “aqui é Brasil”

  4. Poeira da Ivete Sangalo

  5. Cachorro, safado, sem vergonha da Claudia Leite


Por último, mas não menos importante, visitamos Francisco e Severino, dois senhores bem inteligentes que nos ensinaram muitas coisas. E como estou aderindo a listas neste diário, aqui farei outra com o que eles nos ensinaram:


  1. O que é um Gandula - é a pessoa responsável por buscar as bolas que são jogadas para fora do campo em uma partida de futebol e as repor para que o jogo tenha continuidade. (Severino nos disse para jogar em qualquer posição que não fosse essa)

  2. Conto do 7 - conto do mentiroso (aqui Severino estava duvidando da nossa capacidade de marcarmos 7 gols (-_- #))

  3. Jogar conversa fora - Gema achou que era pegar a conversar e dar um chute jogando fora, mas Francisco disse que pra jogar conversa fora era só conversar 

  4. Nariz de tucano - Severino nos revelou que nosso companheiro Joca tinha um nariz parecido com o de um tucano 👃🏼🔴

  5. Pé de pato - Severino achou que nossos pés eram muito pequenos e disse que precisávamos de pés de pato, que eram pés grandes (como os que os palhaços têm 🦶🏼)

Depois de tantos aprendizados, era a hora de pegar o trem para casa, ou melhor, para o Catar, já que tínhamos um jogo na segunda e todos ali tinham altas expectativas quanto ao nosso desempenho. Alguns poderiam até mesmo estar duvidando da nossa capacidade, mas quem iria perder a chance de fazer um churrasco e ouvir música com vários gols na conta?





sábado, 26 de novembro de 2022

Tati Abacate, 26/11/2022 - HU 1° Andar

 


Querido diário,


Hoje foi dia de passear com minhas primas Agatcha Tcha, Ana Cigana e Jana Khana. Então pegamos o trem e descemos num lugar que tinha uma placa escrita: CLÍNICA MÉDICA. Logo deduzimos que esse devia ser o nome da dona daquele andar e decidimos procurá-la, já que o sétimo andar estava muito cheio para nos acomodar.


Para procurar a tal da Clínica Médica decidimos entrar nas casas que haviam ali. Primeiramente entramos na casa de Tiago, mas descobrimos que a clínica não estava lá. Então entramos no quarto de um cara do Ceará e de uma mulher que devia se chamar Iron Maiden (já que estava usando uma blusa com esses dizeres). Lá o Cearense nos disse que estava acompanhando seu filho, que já havia sido palhaço e que era nosso irmão (por parte de Adão e Eva). Também, nos disse que quem vinha do Ceará era engraçado (será que não somos cearenses também?). Já a Iron Maiden ficou o tempo todo mexendo no celular com o fone nos ouvidos (devia estar ouvindo um rock pesado). Até perguntamos pro cearense se ele deixava a gente ficar ali, mas ele disse que pra isso teríamos que trazer algumas redes e arrumar os ganchos para pendurá-las.


Então fomos procurar vagas em outras casas e acabamos entrando na de Aparecida, que nos prometeu que poderíamos assistir o próximo jogo do Brasil em sua casa num tal de Juazeiro, garantindo-nos que lá haveria espaço para toda a nossa família. Perguntei se a caixa azul pendurada próxima a ela era um rádio, mas ela me disse que aquilo servia para injetar soro. Além do mais, aquele rádio não era de Aparecida, mas sim de clínica médica. Logo começamos a suspeitar que essa mulher devia ser bem rica já que, aparentemente, ela era dona de tudo que tinha ali.


Depois disso, fomos rapidamente acolhidas no quarto de uma senhora que disse adorar ficar ali, já que o local parecia um spa. Ela pediu para tirar uma foto com a gente dizendo que era pra mostrar pros netos, já que sua família vivia dentro do celular de seu filho, comentando:


- Nós somos muito fuleiro - Disse a 109A

- Fuleiro, o que é isso? - Perguntou Agatcha Tcha

- Deve ser o sobrenome deles, é a família dos Fuleiro! - respondi

- Então, é isso o nome dela é 109A Fuleira - disse Agatcha

- E ele - disse Ana Cigana, apontando para o filho - É o Fuleiro Júnior - complementou



Além da 109A Fuleira, também havia ali duas senhoras. Uma delas era de uma cidade chamada Lagoa Grande, e tinha uma gatinha branca muito inteligente chamada Nina. Enquanto a outra se chamava Margareth e coincidentemente tinha várias parentes as quais o nome terminava com o sufixo -ete. Margareth disse que também já teve uma gatinha, mas que ela era muda e tinha que botar a pata na sua perna para pedir comida.


Dali seguimos para uma casa que descobrimos ter uma cama vazia, mas faltaria cobertor para Jana Khana dormir, então ela tentou pedir o de alguém ali. Entretanto, ainda que algumas pessoas tivessem mais de um, ninguém quis emprestar um para ela, nem mesmo a moça de Ouricuri, que estava com edredom. Perguntamos o que era Ouricuri e descobrimos que ali havia uma gringa que morava em uma cidade chamada Filadélfia, que nos explicou que Ouricuri era uma planta com coquinhos comestíveis e nos prometeu trazer alguns para comermos enquanto assistimos o jogo do Brasil. E ainda conseguimos outras dicas sobre a identidade clínica médica: “uma mulher baixinha, moreninha e que ficava espetando as pessoas”.


Por último, entramos na casa de um rapaz que dizia conhecer a família de Ana Cigana. E então descobrimos que ela tinha parentes riquíssimos que tinham fazendas e carros de luxo, logo pedimos para que ela nos arrumasse uma SW para assistirmos ao jogo no N5. Mas o tempo passou e o trem foi chegando e depois de pegarmos o semáforo, partimos. Ainda que não tivéssemos conseguido encontrar clínica médica, garantimos um rolê para assistir a copa, e quem sabe até um local mais espaçoso e confortável para morar :).




sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Tati Abacate, Dom Malan, 12/10/2022

 (Confesso que me desacostumei um pouco com os diários, então decidi “costurar” algumas frases soltas que eu havia anotado após a atuação)



                                -------------


O dia tinha começado de um jeito estressante pra mim (e por motivos bem idiotas). Entretanto, eu tinha esperança de que isso melhoraria.


Assim que subi a energia senti que parte do meu corpo estava tensa, mas ainda assim estava disposta a me jogar no vazio e ver o que nos esperava naquele espaço. E quando me dei conta já estava - depois de três anos sem atuar - acompanhando os nossos novos melhores companheiros do mundo.


Com isso, dentre as várias festas que logo deduzimos que estavam rolando ali (já que haviam balões nas entradas e até mesmo placas com os nomes dos supostos donos das festas) descobrimos que existiam caixas que ascendiam luzinhas e criavam imagens que se moviam (um tal de celular que era usado pra fazer vídeos), donas de carruagens para bebês (que arrumaria uma moto para a Barbie, além de se oferecer para nos ensinar a andar de bicicleta), dois meninos estilosos com óculos que combinavam, um menino que vinha de uma cidade que era sobra de alguma coisa (Sobradinho) e até mesmo um quarto que era de um tal de Cascão, o qual, graças às pistas de Aline descobrimos que este na verdade era Roza Língua (usando blusa amarela, olhos amarelos e meia rosa, não tinha como ser outra pessoa né?).


Assim, entre passagem por outros vagões com pãezinhos que se bronzeiam em caixas com luzes azuis, e outros que faziam piadas e shows com filas enormes, o dia que tinha começado estressante terminou me trazendo uma estranha felicidade à qual eu não sentia a um bom tempo. 


E essa sensação de estar de volta foi ótima.












sábado, 21 de dezembro de 2019

Tati Abacate, HU, 2° andar, 20/12/2019





A lenda das “Mil penas de Tsuru”

“Conta a lenda que um camponês muito pobre vivia em uma cabana humilde e seu único alimento era algumas verduras que colhia de sua terra cansada.
Um dia, enquanto tentava plantar em sua terra mais ao longe por achar menos árida, encontrou um grou com a asa quebrada. A ave não podia voar em busca de alimento, estava fraca e beirando a morte. O camponês sentindo compaixão por tamanho sofrimento, rapidamente tomou o grou em seus braços e a levou para sua cabana. Ele cuidou de sua asinha e pacientemente colocou em seu bico algumas sementes. Com o passar dos dias, a grou melhorou. A bondade do camponês a livrou da morte e quando ela pôde voar, o camponês a libertou.
Alguns dias depois, uma mulher adorável apareceu em sua cabana pedindo que lhe desse abrigo por uma noite. O camponês, por ser uma pessoa de bom coração, não negaria esta caridade à pessoa alguma. Porém, a beleza daquela mulher fez com que ele acreditasse que deixá-la dormir em sua humilde cabana era realmente uma honra.
Imediatamente após aquela noite, os dois se apaixonaram e se casaram. A noiva era delicada, atenciosa e tinha tanta disposição para o trabalho quanto era bonita. E assim eles viviam muito felizes. Mas para o camponês, que já tinha muita dificuldade quando vivia sozinho, ficou muito mais difícil ainda cobrir as despesas que sua nova vida de casado lhe trazia.
Preocupada com esta situação, a esposa disse ao marido que produziria um tecido especial, pois tecer era um trabalho comum para as mulheres nessa época. Ele poderia vendê-lo para ganhar dinheiro, mas ela o alertou que precisaria fazer seu trabalho em segredo, e que ninguém, nem mesmo ele, seu marido, poderia vê-la tecer.
O homem construiu uma pequena cabana nos fundos de sua casa onde ela trabalhava trancada durante três dias. O marido só ouvia o som do tear batendo. A curiosidade e a saudade que tinha de sua bela mulher fazia com que estes dias demorassem muito para passar.
Quando o som da tecelagem parou, ela saiu com um lindo tecido entre os braços, de textura delicada, brilhante e com desenhos exóticos. A tecelã lhe deu o nome de “Mil Penas de Tsuru”.
O marido então levou o tecido para a cidade. Os comerciantes ficaram surpreendidos e lutaram entre si para consegui-lo. O vencedor da disputa pelo tecido pagou com muitas moedas de ouro. O pobre homem não podia acreditar que tão de repente a sorte começasse a lhe sorrir. Desde então, a esposa passou a trabalhar no valioso tecido outras vezes. O casal podia, com o fruto da venda, viver em conforto. A mulher, porém, tornava-se dia após dia mais magra.
Um dia, a esposa tecelã disse ao marido que não poderia tecer por um bom tempo. A mulher estava muito cansada. Seus ossos lhe doíam e a fraqueza quase a impedia de ficar em pé.
O camponês a amava muito e acreditava naquilo que a esposa dizia, no entanto, tinha experimentado a cobiça. Ele havia contraído algumas dívidas na cidade e pediu para que ela tecesse somente por mais uma vez. No princípio ela não aceitou, mas perante a insistência do marido, cedeu e começou a tecer novamente.
Desta vez ela não saiu no terceiro dia como era de costume, o homem ficou preocupado. Mais três dias se passaram sem que ela aparecesse e isso começou a deixar o marido desesperado.
No sétimo dia, sem saber mais o que fazer, ele quebrou sua promessa, espiando o serviço de tecelagem que ela fazia.
Para a sua surpresa, não era sua mulher que estava tecendo. Arqueada sobre o tear encontrava-se um grou, muito parecido com aquele que o camponês havia curado.
O homem mal pôde dormir à noite, pensando o que teria acontecido com a mulher que amava. Amaldiçoava-se por ter sido insaciável e praticamente ter obrigado a sua querida esposa a tecer mais uma vez.
Na manhã seguinte, a porta da cabaninha se abriu e o camponês com o coração aos saltos fixou seus olhos na porta, esperançoso em ver a sua esposa sair dela com vida.
A mulher saiu da cabana com profundas olheiras, trazendo o último tecido nas mãos trêmulas. Entregou-o para o marido e disse, “Agora preciso voltar, você viu minha verdadeira forma, sendo assim, eu não posso mais ficar com você”.
Depois de dizer estas palavras, transformou-se em sua verdadeira forma para em seguida alçar voo,  exibindo um lindo rastro de pó cintilante, e deixando o arrependido camponês em eterna lágrimas.
A lenda diz ainda que se a pessoa fizer 1000 tsurus, usando a técnica do origami – arte secular de dobrar o papel, com o pensamento voltado para um desejo, ele poderá se realizar.



O origami envolve paciência, persistência, frustração e às vezes necessita da ajuda dos outros para ser montado...
Assim como nós em diversos momentos...
Assim como em vários processos de nossa vida


domingo, 15 de dezembro de 2019

Tati Abacate, Dom Malan, 14/12/2019

Que dia...


Depois de quase um mês sem ir ao Dom Malan tive que voltar, e dessa vez eu estava um pouco perdida já que seria a primeira vez indo na ala pediátrica.


Passei grande parte da atuação meio perdida já que grande parte das crianças eram muito pequenas e não tinham como falar conosco, mas não demorou muito para que encontrássemos algumas que queriam muito interagir com a gente,ou pelo menos interagir com alguém.


Não consegui não me sentir triste por Pedro, ele parecia muito querer a atenção de alguém (a atenção que pelo visto, a mãe dele não aparentava dar), senti um peso no coração quando eu e Márcia Texto tivemos que pegar o trem enquanto ele pedia para que ficássemos...



Espero que ele tenha se alegrado naquele dia e que esteja melhor agora L


sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Tati Abacate, HU, 1° andar, 13/12/2019



- Vocês são de onde? Do circo é?
- Nãoooo, o que é isso?
- É aquele lugar que tem palhaço, vocês não são palhaços?
- Palhaço,  só lembro aquele do filme... e eu tenho é medo



ps: tive que atuar de óculos porque a miopia tá de lascar :v