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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Atuação no HU- Teka Aquarela - 19/11

Atuar é sempre uma caixinha do surpresas. Não importa muito como seja, com maquiagem, sem maquiagem, com nariz, sem nariz...

Palhaço se vira com o que tem,não é? Pois então, atuar sem maquiagem completa ou sem nariz não foi nenhum incomodo. Eu sou Teka e Teka sou eu, então que diferença faz estar caracterizado ou não?

Em companhia de Magali, os jogos começaram rápido. Usamos o carrinho de soro carregando um pacote de soro- ou seria Magali?-, pegamos carona em uma maca e queriam nos prender dentro da caixa de ferro grande que desce para cima e para baixo- vulgo elevador. Conhecemos um agente do FBI de São Paulo (sabe-se lá como isto é possível), arremessador de caminhões, mulheres com 2, 4, 6 e 10 filhos- enquanto nós duas não tínhamos nem meio filho. Meu estado de sem nariz rendeu boa conversar, inclusive uma que me colocava como bêbada que tinha quebrado o nariz no caminho. 

Mas como nem tudo são flores, tivemos aceitação e tivemos rejeição. Não daquelas discretas e pequenas, mas uma bem grande, escrita em letras garrafais e bem dita no enfoque ao "saiam daqui". Sim, sem nenhuma outra palavras a dizer, saímos. Aquele era o momento que somente eles entenderiam da dor, e nosso presença, não faria com que ela passasse ou diminuísse. A sensação de querer ter tentado, fica,embora saiba que não fosse a hora de estar lá e tínhamos que respeitar isso. 


Que outras atuações venham.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ciclos

Esta postagem é uma carta de despedida, e ao mesmo tempo, uma carta de agradecimento.

Por alguns bons meses, atuei com Mariqueta, com seu jeito energético e forma firme de falar; seus adornos floridos e seu macacão de versão falsificada de Mario; seu riso e seu nariz vermelho. Nós rimos, saímos de jogos altos para baixos, dos baixos para os altos; visitamos pacientes que nos abraçaram e aqueles que fingiram estar dormindo só para que nos não os incomodassem. Enfrentamos a primeira atuação sem monitor. Nos maquiamos, levantamos os narizes, usamos a vitrola ( e saímos de ouvidos intactos ), conversávamos, e ouvíamos a nos mesma tudo o que era bom ou menos bom.

Ela de energia alta, eu de energia baixa...Tudo bem, no meio do caminho a gente se encontra. Palhaço que é palhaço se vira com o que tem,e mais ainda com o que não tem- já viu algum deles tirar um baú de dentro do bolso? Eu não.  Até sem nariz eu já atuei - sim, e porque não ? E também já ficamos sem atuar, cuidar do outro é tão importante quanto cuidarmos de nós mesmos.

Aprendi muito e espero conseguir atuar novamente com ela. Mas é como dizem, que tudo seja eterno enquanto dure. Nesta vida, estamos em constante movimento. O tempo lapida lentamente aquilo que nem percebemos. Muito do que aprendi,foi com as atuações, foi com Mariqueta.

Quando um ciclo de fecha, outro se abre. Agora, as atuações serão na presença de Inês Tamburete e Magali Malagueta. Entramos em sintonia, mas que palhaço não está sintonizado na mesma rádio? 


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Teka Aquarela - Atuação no HU - 15/07/2014

Lembro-me que neste dia, carreguei a roupa de Teka na mochila, sem saber ao certo se seria possível atuar. Com Mariqueta temporariamente aposentada, Teka estava sem dupla por algum tempo.Então, com a vontade de ir ao hospital e participar de algo, fui com a intenção de poder observar o outro grupo. Sabe aquela coisa que fica martelando na sua cabeça? Foi assim na hora de arrumar a mochila: eu não sabia se levaria-ou não- a roupa de Teka. ‘Mas vai que dá certo?”, pensei; embora convencida de que não faria nada além do que observar hoje. No entanto, para minha surpresa, não foi desta vez que eu teria minha segunda experiência como observador. 

Pela primeira vez, Teka Aquarela e Creusa Carnaval se encontraram para atuar, e juntamente como Lupita, a noite foi repleta de magia e de surpresas. Foi um estilo novo de atuar, e apesar do horário e da quantidade de pessoas dormindo, conseguimos dá uma passadinha em todos os quartos do andar. A palavras do dia seria “diferente”. Diferente em atuar em 3 em vez de dupla, atuar alguém que nunca atuei antes, atuar em um andar que não tinha atuado antes.Um clima diferente.

Apesar dos tropeços desajeitados de 3 vozes querendo falar ao mesmo tempo e se embolarem, mas claro, como se tudo fosse parte do jogo, conseguimos arrancar sorrisos e muitos olhares. Conhecemos a Barbie, eu ganhei meu lenço da Minnie, e em breve, todas nós seríamos convidadas para a festa com o bolo do Mickey. 

Ainda atuamos em um quarto onde um certo membro de UPI estava presente, não como clown. O divertido foi descobrir que Creusa tinha cara de vilã figurante, Lupita, de garota boazinha da novela, e Teka, a amiga da garota boazinha. Não só isto, descobrimos que além de ser a vilã figurante, Creusa ainda saiu escondendo os cabelos perdidos do andar. Na verdade, cabelos, vozes, foi um dia de “achados e perdidos” do andar. Mas a grande questão da noite foi como se faz para plantar a semente da uva sem caroço?



terça-feira, 15 de julho de 2014

Atuações HU- Teka Aquarela

A parte boa de escrever diários depois de muito tempo é que os momentos marcantes ficam. Só as boas lembrança fazem parte da memórias.Depois de muito tempo, com 2 diários atrasados e 2 semanas sem atuar, me dar conta em lembrar do único momento que realmente ficou é algo sem palavras. 

Em suma, eu poderia descrever como uma atuação qualquer, em uma terça qualquer, com uma pessoa qualquer, no mesmo hospital de sempre, com a mesma máscara de sempre. Foram risadas, sorrisos,o sim para os jogos, a aceitação, o humor, o brilho,o toque, o espelho, o olhar. Uma atuação,como outra qualquer, com a mesma animação que tento fazer com que Teka leve a cada cantinho que passa. E ainda assim, o que fez esta atuação ser diferente?  Nada. Na atuação, Nada

Era um casal, em um quarto de hospital, cheios de vontades de sair de lá, que aceitaram um doce, que brincaram de espelho, que ele era professor de teatro, que eu peguei o buquê, que ele era bom partido mas seria melhor inteiro. Confuso? Começaremos outra vez: era um casal dentro de um quarto, que ela aceitou um doce, que ele brincou de teatro, que Mariqueta se viu no espelho, que o marido de Teka fugiu antes mesmo de se casar, Teka era o Branco e Mariqueta,o Augusto; ou era o contrário? Teka era o Augusto e Mariqueta era o Branco? 

O ápice desta terça tão igual a todas as outras foi o que aconteceu depois dela. Não foi um momento especial para Teka, ela mal sabia o que foi tudo aquilo; mas foi para mim, Andreza, que após conversar com os melhores companheiros do mundo descobriu algo muito especial. Com conversas e sentimentos aflorados após a atuação,Tathy- que estava de observadora neste dia- comentou conosco que aquela mulher do quarto, sim, aquela que aceitou o doce, que deu risada, que jogou o buquê, tinha um tremendo medo de palhaços.  Sim, de nós mesmos, daqueles seres portadores do nariz vermelho. E não, Teka não fez a menor idéia de que aquela moça tinha medo dela.

Não sei exatamente o motivo, mas saber deste medo de palhaço mudou toda uma visão que tinha sobre atuar e de como as pessoas podem superar seus medos, assim, tão delicadamente, de forma tal que nem nos damos conta. Cada ser é único nas batalhas que trava durante o vida e muitas delas nem são captadas por nossos olhares. Julgamos e criticamos muitas vezes sem saber o que passa com os outros e não nos damos conta de quantas e quantas vezes aquelas pessoas já caíram e se levantaram em um único dia.

Saber disto foi sim especial. Talvez não tenha sido um momento marcante para Teka, talvez um momento marcante para ela ainda não tenha chegado. Mas sim, para mim, saber disto fez muita diferença. Se me perguntassem antes o que eu faria se encontrasse uma pessoa com medo de palhaços na hora da atuação, provavelmente responderia “Não sei”. Hoje, a reposta seria totalmente diferente “Eu continuaria atuando até onde esta pessoa me deixar ir”, responderia.  

terça-feira, 27 de maio de 2014

Teka Aquarela - 2ª Atuação no HU - 20/05/2014

Passei um tempo sem saber como por em palavras como foi a atuação de Teka na semana passada e hoje cheguei a conclusão que ainda não sei. Olhar para a tela e não ver as letras surgindo dão a sensação de que não tive sentimentos grandes o suficiente para que transbordassem por si só – e tentar ouvir aulas de francês enquanto se faz isso, não ajuda!- e por isto, tento puxá-los para dar cor a um dia não tão colorido.A busca por uma sensibilidade que hoje não parece presente e a chance, sem sucesso, de repetir o mesmo afeto que Teka teve ao dar voz a olhares tão silenciosos. 

Naquele dia, não fui com o pensamento fixo na atuação. As prioridades eram outras e o cuidar que tanto prezamos poderia passar despercebido se não houvesse um pouquinho de atenção. Cheguei a pensar que não atuaríamos. Foram tantas coisas faladas em tão pouco tempo! Foi uma noite turbulenta em vários sentidos.

Altas revelações: encontramos atores globais, re-encontramos velhos BFFs e a rosinha quase perdeu o pudor  -até descobri que meu olho foi feito a partir do caco de vidro de um prato barato! Atraímos olhares para o corredor, aprendemos como andar disfarçados, e nos auto-convidamos para ir a pria na terra do gesso. 

Depois de cada grupo atuar em cada andar, a coisa mais engraçada  que aconteceu foi de os 2 grupos se encontrarem em um mesmo andar e começar a atuar juntos!( mesmo que por apenas poucos minutos ) Alguns pacientes mal conseguiam olhar para nós sem dar risada.

A atuação foi curta.Começamos tarde, embora tenha rendido bons frutos. Atuação curta, curto igual a este diário.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Teka Aquarela - 1ºObservação HU - 13/05/2014

Observar. 

Perceber em cada gesto, um mundo novo; em cada olhar, um brilho próprio e em cada sorriso, uma gratidão. Sentir o quanto um simples olhar constrói diálogos inteiros sem precisar de uma única palavra e o quanto um sorriso pode ser o adeus mais feliz que você já recebeu em todo seu dia.

Os olhares que contemplam tudo por fora,são os mesmo que refletem o que se tem por dentro. São eles que interiorizam pensamentos para a alma e esta,por fim, se encarrega de dá-lhes embelezamento. São os mesmos que revelam o pesar de nossos ombros e a alegria de um coração.

A sutileza de poder trocar olhares e ver no outro o reflexo do próprio ser. Vislumbrar o nascer do riso em sua forma mais natural e espontânea assim como ouvi-lo ser dispersado pelos corredores. E que fim, desejar este seja o nosso canto, mesmo que dele só se faça uma pequena lembrança. 

Aprender que as mais belas descobertas ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olha,quando atribuímos um novo significado até nas situações mais corriqueiras de um dia tão normal.E assim, tão delicadamente, aprendemos a não fechar os olhos para o mundo enquanto ainda existem tantos outros a espera do nosso olhar.

“As palavras estão cheias de falsidade ou de arte; o olhar é a linguagem do coração"

Foi esta foi minha a sensação de observar e a vontade de Teka em querer participar, mesmo que seja  apenas com um olhar.



sexta-feira, 9 de maio de 2014

Teka Aquarela - 1ª Atuação no HU - 06/05/2014

Oficialmente, a primeira atuação de Teka em um hospital. 
Oficialmente, a primeira de muitas delas.


Confesso, estava nervosa e com receio de fazer o que não deveria e de não conseguir jogar com os clowns, melhores companheiros do mundo, deixar o jogo cair. As dúvidas não paravam de surgir...mas como dizem que “palhaço pronto, é palhaço morto”,então que bom que não me senti preparada.

Trocamos de roupas, nos maquiamos, foi aí que percebemos que quase todos nós tínhamos algo em comum- além dos narizes, claro: amarelo. Na hora foi engraçado, mas até então era apenas uma coincidência.  Reunidos em uma salinha, optamos por subirmos os narizes juntos . Depois,lá estávamos prontos para iluminar o hospital com pontos vermelhos, assim como fez Rudolph iluminando o caminho para o papai Noel.

Minha viagem, com digníssima Rosinha das Alturas,foi ..Como poderia falar, indescritível? Não, inacreditável? Ou melhor, In...In...Quem sabe eu consiga achar um adjetivo justo até o final deste diário.
Tivemos a honra de conhecer Helena. E não, não qualquer Helena, a própria Helena de tróia! Com seus cabelos loiros e tudo mais- quem sabe ainda iremos conseguir o telefone de Brad Pitt em uma próxima visita. Claro que, como clowns educadas que somos, tivemos de reverenciá-la. E não somente Rosinha e eu, o corredor inteiro veio fazer o mesmo.

                                  

Como se ainda não fosse o suficiente, conhecemos o super herói John! – Esperança ficaria feliz em encontrar mais um companheiro de luta- E a sua super professora e mentora que estava dividindo o mesmo quarto no hospital com ele! Fiquei de cara- eu não, Teka. Ainda aprendemos a arrancar feijão com a senhora da terra do feijão. Será que ela vai trazer pra gente aqueles feijões mágicos que crescem até o céu? Deveria ter perguntado. Mas bom,ela prometeu fazer feijão “pá nois” assim que ficasse boa. 

Assim que entramos no quarto das luluzinhas(mulheres e clowns somente, pfvr!) fomos anunciadas ! Conversa vai, dupla sertaneja surge, dicas de maquiagem vem. Saímos de lá muito mais prendadas do que quando entramos, e olha quem clown é especialista em tudo.  Caçamos o que não sabíamos o que era junto com a presidente da equipe vermelha. Embora nossas buscas só nos tenha levado em becos sem saídas, a honra da Equipe Vermelha ficará viva até encontrarmos!

O time do solzinho, ou as amarelinhas ( Rayovac também serve ), se reuniu e assim criamos nossa própria marca. Involuntariamente, mas nosso timinho amarelo de luz ficou mais lindo e mais sorridente. 
Brincadeiras a parte, nem eu nem Teka saberíamos descrever o que realmente houve. A sensação de ouvir os risos, de ver a magia do clown entrando em cena e iluminando um pouquinho de cada vez , não tem preço.

Com a permissão para citar uma frase da música de Xuxa (...Ah, vai, uma vez só!)

“No amarelo um sorriso. Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar. Brilha dentro da gente” 

PS: Quero deixar minha insatisfação de não conseguir utilizar amarelo neste tema! u_U






sábado, 15 de março de 2014

Teka Aquarela - Dia do Abraço Grátis - 15/03/14

Difícil colocar em palavras o que nem a mente tem certeza do que é. Mais difícil ainda e ter que se desvincular dos sentimentos que preenchem todos os espaços e te fazem ver o mundo menos colorido e vestir uma máscara com a qual mostra a maior parte do seu íntimo. E foi assim que coloquei-a, sem saber como fazer, sem saber como ou o que pensar.

O nariz significou a vontade que estava  faltando e a coragem que insistia em não surgir. Sim. Sim. Diga sempre sim. Já ouvi isso tantas e tantas vezes e continuo dizendo sim mesmo quando meu eu, aquela por trás de Teka, gostaria de recusar por um breve momento


Confesso, a caixinha não estava tão cheia quanto deveria,pelo menos não estava até chegarmos ao camelódromo de Juazeiro.  Teka ainda estava sem fala, muda, tímida com tantos rostos. Em poucos minutos foi que surgiu o primeiro abraço,curto embora simpático. E o segundo logo depois. O terceiro, o quarto,o quinto...Até que se perdeu na contagem. 10 ou 100, quem se importa?  Aconteceu.


Uns mais simpáticos, outros alegres, outros breves como a sutileza de um piscar de olhos. Duplas, trios, em grupo. O jogo corria, não, pulava de clown em clown e se multiplicava como uma velocidade incrível. “Cadê o sol?” “Olha, o Michel Jackson!” “Olha o cameeeelo!”  


Não foi apenas o jogo de Teka. Foi o Teka Aquarela, Mariqueta Boabunda, Toquinho de Geres, Inês Tamburete, Bartolomeu Barbudo e quem mais estivesse lá para se encontrar  no olhar e passar a bola.Mesmo se tivéssemos jogos montados, estes de nada serviriam. 


Bons ou talvez não tão bons assim,

Cada momento foi único a sua maneira.



“E quando vem o abraço

Não envolve apenas o corpo
Mas o inteiro ser”