sábado, 6 de junho de 2015

Salete Bronzeada 05/06- HDM

Diário, hoje voltei a atuar com meu grupo de origem, após algumas semanas longe... Que saudade que eu tava de Paçocar e Pamonhar pelos corredores com minhas companheiras. 
Hoje tenho que te contar um fato que me angustiou... 
Sabe quando as pessoas mais velhinhas que a gente diziam que a energia baixa e dá vontade de descer o nariz? E sabe que eu pensava que isso era só história? Pois! 
A atuação começou normal entre aspas, dessa vez, estávamos sem maquiagem, tivemos que improvisar com o que tínhamos em casa, mas nada que não fosse resolvido com muito bom humor e boa vontade! E aí... Sobe energia, encontra pessoas disponíveis, oferece seu melhor olhar. 
E lá perambulamos nós pelos corredores, Salete atrás de seu diazepam para o dia dos namorados, Jurema atrás da sua ritalina para o fim de semestre e Cassandra atrás de cocaína (?), ou de todos os medicamentos de receita azul, cada um com seus problemas, rsrsrs! 
Até chegar à ala que mais me angustia, e que me faz querer aparecer lá (olha diário, estou desistindo de meter minhas fuças por lá de vez): a oncologia pediátrica. 
Lá colocando nossos pés, ou chegando de táxi-cadeira-de-rodas com Cassandra de motorista (Sou chique, beeem), encontramos Raikivan, que tantas vezes já falei dele para você, diário. Só que dessa vez ele não quis nem saber da gente, não quis falar, não quis rir, não quis nem brigar conosco. Sua mamãe disse nos que ele tinha saído da UTI e estava ali sozinho por que não podia ter contato com os outros. A gente tentou, tentou e tentou chegar nele de alguma maneira, mas não conseguimos. Que pena! E aí quando saí daquele quarto, puft! DOWNNNNNNN! Sdds energia, sdds zuadar, sdds Salete em estado normal. Ai, me deu uma vontade de sair dali. De ir pra casa e chorar. Deu vontade de pegar aquela doença feia e brigar com ela. Mas, porém, entretanto, todavia, Gabi sempre teve uma característica forte em si, Gabi prefere as coisas terminadas, os pingos nos is, os adeus corretos, as partidas do jeito que tem que ser, então Salete que herdou essas características, continuou. Mesmo pra baixo, mesmo down, mesmo sem querer. Ainda agora, escrevendo pra você este registro, meu coração continua apertadinho. Semana que vem, tomara que ele esteja melhor.
Sigo dizendo que o que mais gosto nas atuações não é só tocar as pessoas de algum jeito, mas sim como saio tocada em todos os encontros. Esse não foi diferente. Obrigada UPI por tudo, gratidão é só o que sinto.


"Tentei explicar aos meus pais que a vida é um presente estranho. No início, superestimamos esse presente: imaginamos ter ganhado a vida eterna. Depois subestimamos, achamos uma porcaria, curto demais, até seríamos capazes de jogá-lo fora. Enfim nos damos conta de que não era um presente, mas sim um empréstimo. Então procuramos merecê-lo." Oscar e a Senhora Rosa

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