terça-feira, 18 de março de 2014

Abraço Grátis 15-03-2014, da Rosinha Dos Retalhos

Acho que esse negocio de acordar 6:00 da manhã em pleno sábado não está certo! Mas eu acordei. Acordei meio dormindo ainda, com uma preguiça de despertar o corpo.
Entre um bocejo e outro na barquinha parei pra pensar: “que coisa engraçada, esse monte de gente aqui, acordou 6 horas da manhã num sábado, vai atravessar um rio, pra ir distribuir abraço de graça pra um monte de gente desconhecida, em outro estado." Achei isso muito engraçado e de uma beleza sem tamanho.
Ainda com os olhos pesando e corpo querendo cama, fui me arrumando, vestindo a pele de Rosinha que há muito não vestia, fazendo os traços dela aparecerem no meu rosto, que há tanto tempo anda tão sem cor, tão sem graça.


Confesso que apesar da energia de todos presentes naquele apertamento a minha só subiu na contagem regressiva de Lis. No 10 subi meu nariz com toda energia, deixei de lado o sono e cansaço, pois Rosinha é toda disponibilidade, e com aquele nariz vermelho quem responde é Rosinha, não San.
Foi incrível abrir os olhos e ver todos aqueles olhinhos brilhando, aquele desejo de encontros. Lembrei do meu primeiro abraço grátis, e o quanto eu esperava por aquele dia, vi neles o meu reflexo.
Então seguimos nossa caminhada até o camelódromo de juazeiro.
Tentamos nos dividir em grupos, mas era quase impossível, o lugar era menor do que esperávamos e sempre cruzávamos com outros grupos, o que me incomodou um pouco, pois como já disse aqui em outro diário, atuar com muitos companheiros me deixa muito confusa.
Tivemos muitos encontros, alguns se mostraram disponíveis para os jogos, outros nem tanto.  Mas o dia reservou alguns presentes...
Como o menininho que pegou um dos cartazes e também começou a distribuir abraços para nós, achei isso de uma lindeza inefável. Percebi que para distribuir abraços, sorrisos e cuidado não é preciso estar vestido com roupas coloridas e narizes vermelhos, é possível (e necessário) levar isso para nosso dia-a-dia, porque somente assim poderemos crescer como seres humanos.

Rosinha das Alturas - 2º Abraço Grátis

Meu segundo abraço grátis. Faz um ano desde que entrei para essa família, mudanças ocorreram e lembro-me da minha ansiedade, do meu medo de não ser 'cachorro', das expectativas, do 'novo'. Agora um olhar mais amadurecido, e ao mesmo tempo, aquele olhar tão ansioso, tão carente de olhares e sorrisos como da primeira vez. Bom, dessa vez, novidade: novos companheiros! Pois é, novos lindões agora fazem parte dessa família. "Bem vindos".

Pela primeira vez, cheguei cedo 6 horas, no local indicado e com todos juntos, partimos, atravessamos sentindo a brisa do Velho Chico, com o sol nascendo e irradiando em nossos rostos, um bom sinal de que tudo ia dar certo. Chegamos à casa de Paputcho e começamos as preparações, meias, calças, blusas, cabelos, maquiagem, espelhos, narizes. E que narizes! Subimos a energia, todos juntinhos, no aperto da UPI. Estava há dias sem durmir direito, e tudo que eu imaginava era como abraçar os outros quando nem mesmo tinha energia, quando mesmo com vontade não conseguia me manter de olhos abertos? Estava enganada, não tem como não subir a energia ao lado desses lindões! É algo realmente inefável, como toda a energia, todos aqueles olhares, todos aqueles sorrisos convergem, te cativam e te contagiam de uma forma especial. 

Descemos, fomos à ruas, fomos ao camelódromo, fomos a busca de encontros, fomos desfrutar todo o caminho! E ai bateu a saudade, já faz um tempinho que atuei e vi que realmente sinto falta dos olhares, conhecidos e desconhecidos, sinto falta desses encontros. Foi maravilhoso me aventurar com meus companheiros, antigos e novos,  foi maravilhoso encontrar, ser encontrado, cativar e ser cativado e abraçar, ser abraçado. 

Joguei com Catarina Polenta (Mosqueteiras,  o casal  preso na televisão, os moços que nos deram água fervente), Rebeca Pôca Janta (Supermega plano para devolver limões e boa montaria), Esperança Sambacanção (Abraçamos uma top famosa que não gostava de papparazi), Lindonildo Varão (negociamos abraços em troca de Xbox, mas fomos enganados, absurdo! rs), Lola Goiaba (trocamos conversas e olhares como uma menina que o trabalho era só estar sentada, #inveja), Carminha Linguicinha (vimos dragões com óculos que refletiam a alma), Zefinha Laranjeira (procuramos a seboseira no terminal que o moço tanta falava), Magali Malagueta (pagamos adiantado por costelas), Creusa Carnaval e Cassandra Paçoca (procuramos a 'mamãe') e tantos outros.


Foi um prazer atuar e me divertir com cada um de vocês, com todos dessa minha família UPI. Tenho certeza que deixamos algo lá, que ativamos um pouco das mil borboletas que cada pessoa tem guardada naquela caixa. Que venham  mais encontros, que venham mais olhares, que venham e que tudo se multiplique, eu estou esperando ansiosamente! Ansiosa para o 'indeterminado', rs. ;DD


Fotos by Lorena Santiago e outras máquinas. hehe

Frufruta Doce - Abraço Grátis - 15/03/2014


O dia se inicia com a brisa fresca que levanta do rio de manhã cedinho, dedurando que o último sábado seria mágico. Poizé, quando dei fé já estava mais eu do que nunca, rodeada dos melhores companheiros do mundo, gerando energia ao ouvir uma música capaz de eriçar os pelos do meu corpo. Sim, essa energia tomou conta do meu corpo todo e foi mais que suficiente para dar combustível a minha distribuição de abraços. Ah, e não quiria falar em abraços grátis pra ser um pouquinho do contra já que não acho que tenha sido de graça mesmo, apesar de não parecer. Ganhei em troca algo mais valioso que diamantes verdes de umbu! Ganhei abraços de volta, sorrisos e um enchimento de jarra. A jarra que levo sempre comigo está quase cheia, cheia de um cuidado contagiante, de amizades cativadas e de muitos e muitos encontros; cheia de mim quando posso ser plenamente eu. E pra essa felicidade toda encher minha jarra de vez falta só um tiquinho assim! Falta só esses encontros virarem rotina, uma rotina que me espera pra eu poder cuidar de gente com fragilidades carentes de cuidado, pra eu encontrar sentimentos que se perderam nessa vida, pra eu poder despertar sorrisos, sejam eles feitos de dentes ou de olhares.
Essa manhã de sábado teve gosto de primeira mordida numa manga. Primeiro porque gosto muito de manga mesmo! e acho que tem gosto daqui, da região; segundo porque precisei descascar uma barreira defensiva pra poder me permitir encontros; e terceiro porque foi um gosto de descoberta, de um sabor macio, molhado, docinho e azedinho na medida, com gosto de infância, já que eu me melecava toda com a fruta e pude me envolver por inteiro com o gosto dessa experiência. Bem, viajei o mundo inteiro sem tirar os pés de Juazeiro! Brinquei de cavalinho com meninas e meninos que me permitiram às suas maneiras abraçar suas personalidades, me camuflei pra chegar escondidinha nas pessoas que me buscavam pelo rabo do olho ansiando nosso encontro, senti corações enooormes repousarem, se aconchegando no meu peito! E como foi bom poder fazer tantas angústias desaparecerem de olhares para dar vez ao brilho nos olhos de quando se era criança! Porque hoje é que é tempo de ser feliz; hoje e sempre!
Eu, Frufruta Doce, me despeço - mas só por enquanto! - agradecendo aos melhores companheiros do mundo!

Fico aqui com gosto de quero mais!

Lola Goiaba (Dia do Abraço Grátis, 15.03.2014)

        Primeiro dia de atuação. Dia do abraço grátis. Isso me fez lembrar que num passado não tão distante eu me sentiria desconfortável por ter que abraçar pessoas. As vezes nós tememos o contato, talvez seja uma tentativa de autopreservação. Isso me fez pensar nos contatos, que já tive em toda minha vida, desde o primeiro até o último, e chegar a conclusão de que contato é abertura. Abertura pra tocar, pra sentir, pra experimentar, seja lá o que for que pode ter lá fora. E por "lá fora" quero dizer exterior a mim. Sempre dá medo, afinal, lá podemos encontrar de tudo. Dor, conforto, alegria, tristeza, miséria, bonança... Eu estava um pouco apreensiva em abraçar desconhecidos. Depois de tudo, só pude concluir que Lola aguça minha curiosidade. Eu estou completamente entregue a ela. Independente do medo que eu sinta o impulso de confiança dela é maior que tudo. 

       Afinal, se ela tinha o melhor abraço de todos, por quê não oferecê-lo? Seria injusto comigo e com as pessoas todas que ela abraçou. Foi uma experiência de contato. De reconhecimento: reconhecendo-se em desconhecidos. Me fez pensar que todas aquelas pessoas, ali naquele espaço, também estão a cada segundo sendo impulsionadas a entrarem em contato com um mundo de coisas fora de si. Alheio, desconhecido. Que talvez elas também tentem fugir disso, como eu já tentei. Procurando estabilidade, se prendendo a rotinas, comprando pão toda manhã e indo trabalhar. Vivendo sempre o mesmo dia, um após o outro, se acostumando a desesperar algo novo. Colocando máscaras, se perdendo de si mesmos cada vez mais. Talvez só tenham sido ensinados a serem assim. A desistirem de comprar o risco, já que isso resultou num joelho ralado, do qual suas mães reclamaram durante uma semana inteira. 

      Desde aquele dia, daquela atuação, gosto de pensar comigo mesma que pelo menos uma das pessoas que foram abraçadas agora pensa que o contato é importante, mesmo que haja riscos. Que o joelho ralado vale a pena, se comparado a brincadeira toda (afinal, se não valesse eu não teria ralado o meu várias vezes, né?!). Que elas vão comprar o risco, que vai valer a pena. Que elas vão se permitir cativar e serem cativadas.


Diário de bordo - Cassandra Paçoca 15/03/2014

Já li alguns diários da UPI e achava um máximo tudo aquilo, a grande quantidade de magia que aqueles textos continham. Agora me vejo sentada escrevendo meu próprio diário e acho isto incrivelmente louco. Pode parecer besteira, mas agora me vejo de fato dentro do projeto apesar de ter passado por todas as etapas e testes ( por sinal, os testes mais divertidos da vida, recomendaria a todos passar por eles e curtir todo o caminho) só agora posso de fato registrar o que eu fiz como clown.
Durante toda minha vida sempre tive uma leve dificuldade de me jogar e de poder dizer "sim " ao jogo, mas Cassandra vem me mostrando um lado meu que não conhecia, um lado tão leve e agradável, e isto tem sido algo maravilhoso ! 
Não posso negar que estava bastante com medo, sem imaginar como iria jogar, não fazia ideia do que podia vim a encarar, e este vazio assusta (e como assusta! ), mas o que de fato me deu confiança naquele sábado foi estar na presença de todos aqueles, que como eu, tinham que passar por aquilo, perceber que não estava sozinha foi algo bastante reconfortante e tranquilizador, Creusa já foi logo dando minha mão e naquele momento senti que Cassandra estava pronta para decolar.
Comecei contida, analisando tudo a minha volta e quando percebi, já estava eu e mais minhas amigas encalhadas: Vivi Manteguinha, Filiponga Queixo- Fino, Creusa carnaval e Magali Malagueta atrás de casamento pelo camelodromo, não é que todas saíram casadas? com direito até lua de mel (DESTACANDO: 2 abraços bem caprichados ), foi delicioso, correr por lá, fazer bagunça, carregar e ser carregada, receber um abraço surpresa, conversar com Jenifer e Stefani e perceber que não tenho 1/3 de todo o requebrado delas e dançar, dançar, dançar sem se preocupar com coreografia ou se tinha um monte de gente ao redor olhando. A única vez que minha energia baixou foi ouvir uns 2 comerciantes falar sobre o dinheiro como sinônimo de felicidade, negar um abraço, mas foram apenas dois, e o que é o nº 2 quando se tem todos aquele ao seu redor brincando e sorrindo com você ? Pobres eram eles que não poderam receber a riqueza de abraços que eu tinha a dar. 
Enfim, tudo foi lindo, fui e voltei dirigindo, dei sin
al e inclusive manobrei...Cassandra vem promovendo mudanças incrivelmente maravilhosas. 


segunda-feira, 17 de março de 2014

Toquinho de Geres - Abraço Grátis - 15/03/2014


Finalmente a primeira atuação. O abraço grátis, que eu tanto tinha ouvido falar. No entanto, nunca se sabe o que esperar. Depois de mais de um mês de formada, será que eu lembraria de como buscar a energia pra subir meu nariz? Com uma semana tão cheia, não tive tempo pra pensar muito, o que acho que foi essencial. Eu, de fato, iria pular no vazio naquela manhã de sábado.

Então, 5 da manhã eu já estava de pé, acordei mainha pra ela deixar meus companheiros e eu na barquinha. Chegando lá, já estava todo mundo esperando a gente e aí #partiu Juazeiro! O apertamento de Paputcho tava coisa linda de se ver: cartazes, luzes, comida e melhores companheiros mundo. Fico bestinha com o carinho dos nossos monitores e o amor e dedicação que eles têm a esse projeto. Depois de vestir a roupa, fazer a própria maquiagem, e finalmente subir o nariz, me encontrei mais uma vez com Toquinho. E como estava com saudades!

O caminho pro Camelódromo foi cheio de energia. Foi encantador ver a reação das pessoas, tirar foto, dar bom dia, correr pela rua. Quando chegamos, bateu aquela dúvida, tipo, “E agora, como faz isso? Já é pra abraçar?”. Mas, felizmente, essa dúvida logo sumiu e comecei a embarcar nos jogos. Em alguns foi fácil, em outros foi mais difícil. Percebi como a maioria das pessoas está disponível para um momento de troca, uma conversa, uma brincadeira, o que já faz eu me sentir alegre e esperançosa. Sim, ainda não estou falando do abraço. O importante é aproveitar o caminho e o abraço é apenas a finalização do encontro. Claro que também me deparei com aqueles mais relutantes e grossos (uma senhora grossa, especificamente), mas tive sorte e esses foram quase nulos.

Não sei até que ponto fiz alguém feliz com meus abraços, mas posso dizer que eles me trouxeram um dia cheio de sorrisos e de crescimento. Nem senti o tempo passar, “Mas já acabou? Queria interagir com mais outros clowns (mimimi)”. Foi um dia que vou levar pra sempre comigo, assim como todas as experiências que a UPI tem me dado. Fica também o sentimento de que tenho muito a aprender e mal posso esperar pra isso.

Prazer, Toquinho de Geres :)