quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pedrita Bombom - abraço grátis - 14/07/2013

Querido diário,
Bem, as palavras me fogem ao citar a prática do abraço grátis, foi um momento único e especial, não sei como descrever os momentos que eu passei lá. Os companheiros que me auxiliaram na inserção na UPI foram maravilhosos, eles me levaram por caminhos nunca antes explorados por mim, eles puderem me propiciar momentos nunca antes imaginados.
Em um milhão de anos eu não conseguiria arranjar palavras pra descrever a sensação que eu tive no momento que a mulher chorou nos meus ombros, nunca eu poderia descrever o sentimento ao ver uma menina atrás da gente pra receber abraços, nunca eu poderia arranjar palavras pra dizer o que eu senti ao ver que a senhora querer os meus abraços, foi algo indescritível e único, não sei o que falar pra você. Na verdade o único sentimento que me traz é o da unidade, eu sei que eu pertenço a eles e eles me pertencem.

Assim, finalizo esse diário com o seguinte dizer: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...”. Assim, como a UPI me cativou, arranjaram um trabalhão.

Frida Seriguela - 13/08/2013 (HUT)


Começar a atuação perguntando o que vendia ali na bancada da enfermeira e receber a resposta de que ali tinha carinho e amor, mas que não vendia pois era tão caro, mas tão caro que dinheiro no mundo pagava e quando a dúvida era de como poderia conseguir isso, a resposta rápida e fácil de que teria que ser construído com o pensamento... Já tinha cheiro de dia bonito!
Sim diário, ontem foi um dia bonito. Mais uma vez com meus melhores companheiros do mundo e dessa vez com mais uma companheira fofa, Maricota das coxas grossas (como foi bom ter você conosco!!), Sancho estava disponível e barrigudo como sempre – a cada dia que passa consigo me encantar mais... – sem falar em Mira, que dessa vez ficou como Mira mesmo nos observando e quase invisível, mas que eu não tive dúvidas da energia em que ela passava pra gente!
Dessa vez Camila não tão cansada, mas uma pilha de nervos e vamos aos encontros! E que encontros viu?? Foram encontros lindos, únicos! Pedidos de abraço, construção de carinho e amor, competição dos dedinhos rodando, guardar carinho e amor no bolso e usar um pouquinho todo dia, o fim bom, seu Raimundo, descer a escada pulando e ser carregada no final por Sancho e ah, sem esquecer que a porta cortava fogo... E opa! Dançar Pablo do arrocha com o policial no corredor pode ser perigoso porque vai que ele é do IBAMA e ainda resolve paquerar Frida?
E mais uma vez Frida (linda e disponível) como eu queria essa disponibilidade e esse olhar sempre comigo, mas como é difícil manter isso ao longo da nossa vida, mas é só subir aquele nariz e olha lá, o melhor de mim, o mais verdadeiro, o mais puro pedaço meu toma conta e sai por ai, com sede de olhares e de encontros, encontros esses que como já dizia  os velhos Novos Baianos em Mistério do Planeta " ...Pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto!”
E espero ter deixado pelo menos metade do que eu recebi... Porque agora vou dormir com o som do sorriso daquela velhinha linda e do som da voz dela quando disse: “Foi a melhor visita que eu já recebi!”
Foi sim... Ir com aquele nariz é uma das melhores visitas que eu posso fazer!


Continuemos <o*




terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carminha Linguicinha - HDM - 12/08/2013

Olá, Diário. A atuação de hoje atrasou. Muito. Chegamos 08:30 no HDM mas devido à alguns problemas com a maquiagem, só conseguimos entrar pra nos arrumar 1 hora depois. Eu já estava desanimada e um pouco cansada mas quando Richelle chegou, de repente, com a maquiagem, minha vontade de atuar, fez que as minhas energias se renovassem... Então vamos!! A observadora da vez foi Loy. Eu, Jú e Layla atuamos. Caju iria conosco porém, no dia, ele não acordou tão bem e não pôde ir. Uma pena pois seria lindo ter a participação especial de “Deca” na nossa atuação antes que o mesmo nos deixe, mas quem sabe teremos outras oportunidades?... O que tenho pra dizer é que a atuação de hoje, pra mim, foi bem melhor do que a última. Carminha estava mais solta, mais presente, mais atenta e eu simplesmente esqueci de Júlia, de todas as provas e problemas durante quase toda a atuação. Aquelas crianças me encantam de tal forma...  o olhar de cada uma, hora de curiosidade, hora de medo, hora brilhante, emanando alegria...  Resgato em mim a criança que já fui, se é que um dia eu deixei de ser. Foram muitos visitantes ilustres: a menininha das três tranças, a menina da cadeira de rodas que queria nos atropelar, a menininha desenhista, tão debilitada fisicamente devido a uma acidente mas que em momento algum deixava transparecer sofrimento, o garotinho da oncologia que não queria que fôssemos embora, e por isso tivemos que inventar uma historinha pra sair. Sim, aquilo me deixou com o coração apertadinho mas tínhamos outras pessoinhas pra visitar e compartilhar nosso melhor olhar e nossa melhor energia. Descobrimos novos lugares no hospital. Nossa querida amiga Lara nos mostrou um jardim dentro do hospital, onde pudemos aproveitar um pouco dos raios de sol típicos da manhã. Conversamos com as gestantes, com os internos e com o tio do trailer de lanches. Então voltamos, para a salinha, depois de 1:40 de atuação... Após sairmos do estado clown, fizemos a avaliação da atuação. Pontuamos as diversas coisas positivas e também as negativas. Loy observou que teve um momento em que ao sairmos de uma sala, com duas crianças, nos despedimos de uma delas, a que nos deu mais atenção, e acabamos esquecendo da outra, que estava ao lado. Falha nossa... fiquei bem chateada mas como os erros da vida também são aprendizados, fiz um promessa a mim mesma: sempre falar com todos em qualquer ambiente que a minha clown entrar mesmo que a pessoa não esteja tão disponível assim pro jogo. Bom, acho que é isso. E o texto, pra variar, ficou grande porque eu simplesmente não domino a arte de resumir ou escrever só o necessário, então acabo falando tudo o que eu quero penso e sinto. 

Mima Vulcão - HUT - 11/08/2013

Enfim chegou o momento! Se definido em apenas uma palavra, utilizaria ÚNICO! Da subida do nariz até a descida, resolvi estar ali entregue a todo momento, aberta a cada um que surgia e se permitia entregar também. Parece até invenção, mas naquele momento eu esqueci de tantas coisas; esqueci até mesmo que diante de mim haviam pessoas machucadas fisica e psicologicamente... Pessoas que não desejavam estar ali, mas não havia jeito de não estarem. Todavia, mesmo assim se permitiram brincar, sorrir, se distrair; esquecer por um momento a gravidade de seus machucados.
É incrível como balas fruto de um tiroteio alojadas em um corpo podem se transformar em balas Icekiss, e como uma pessoa que acabou se amputar um membro do corpo e se sente terrivelmente sozinha permitiu que chegássemos tão perto e aceitasse nosso jogo. Lembrava o tempo inteiro que não estava ali só por mim, para massagear meu ego ou coisa do tipo, mas estava ali para um encontro. Encontrar quem? Não fazia ideia. Mas estava ali. Estava pronta. Com os olhos prontos. Pronta para me abrir, para me entregar.

Chiquita Pequena Sombra - HUT - 11/08/2013

O que falar da primeira atuação? rs Um misto de sensações ao mesmo tempo, um frio na barriga constante, que quanto mais as horas se passavam e ia chegando o grande momento, as sensações aumentavam. Era um tal de como será? O que vou fazer? Como devo me comportar? Mas depois procurei esquecer tudo isso, já que palhaço pronto é palhaço morto e enfim resolvi ir desfrutando dos momentos aos pouquinhos.
O caminho de casa para o HUT, que diga-se de passagem é longo, pareceu mais longo do que o de costume e o pensamento sempre voltado para a atuação. Ao encontrar minha melhor companheira Mima é que a ansiedade aumentou mesmo, as duas compartilhando o que sentia, foi bastante legal, e finalmente chegou a hora de irmos. Chegamos lá, assinamos o livro ata e fomos ao encontro de Ulisses e adivinhem: Cadê a chave? Kkkkkkkk Mas ainda bem que ele foi atrás da bendita e deu tudo certo, e lá vamos nós =)
Troca de roupa, ajeita o cabelo, faz a maquiagem, acessa o clown e lá estamos nós, Chiquita Pequena Sombra, Mima Vulcão e Zé do Respeito, todos lindões e com olhares mais que disponíveis. Confesso que de inicio Chiquita ficou um pouco perdida, mas logo depois se encontrou ^^
Tão bom encontrar as pessoas, da maneira mais linda possível, independente do sofrimento, elas estavam disponíveis e de uma certa forma precisando da gente ali. Me apaixonei por umas velhinhas que estavam internadas, eu amo idosos e ficar ali com elas foi bastante emocionante, ainda mais por lembrar da avó da Ninha.
Tantos encontros tivemos que impossível não citar alguns momentos rs, dançamos as danças da motinha e da bicicletinha, Zé jogou o jogo do burro e adivinhem, ele foi o burro, até um irmão gêmeo ele encontrou, a bala icekiss que é quente e onde ela fica alojada dá choque, jamais vou esquecer e logicamente não poderia deixar de citar a minha mais nova mãe e um irmão que encontrei lá e o celular que tinha anestesia rs

Tantas sensações que até fica meio difícil de falar, porque só sentindo e estando lá pra ter o mínimo de noção como eu estava e de como sai do hospital, uma sensação de dever cumprido e uma realização sem tamanho, uma vontade de ficar ali pra sempre e arrancar aqueles sorrisos e olhares a vida inteira. Cada vez mais tenho a certeza de que é isso mesmo que eu quero, que eu estou no lugar certo. Que venham outras atuações e que eu sempre possa estar melhorando e conseguindo olhares e sorrisos tão sinceros como os que recebi =D

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Zeca Aventureiro - HUT - 07/08/2013

  Aquele dia cheio de ansiedade finalmente chegou! O meu primeiro dia de atuação no ambiente hospitalar. O Abraço Grátis, na feira da Areia Branca já tinha me ajudado a contornar aquela pontinha de medo e a aprender a contornar algumas adversidades.
                E assim foi, segurei a ansiedade até às 19:30, quando finalmente vesti minha roupa, fiz a maquiagem com ajuda de Amandinha, recebi instruções dos monitores e até que enfim a hora mais esperada: a subida do nariz! Naquela hora puxei toda energia possível, a das bolinhas percorrendo o corpo, a das 5000 borboletas e a partir daí já era diferente! Usar o elevador foi uma diversão, a mulher que passou com o carrinho do lanche também caiu na brincadeira e assim chegamos no nosso andar...
                Então fomos para o primeiro quarto, quando de repente uma criança começou a chorar e percebemos que era a hora de recuar e procurar outras pessoas... E assim foi! Cantamos o show das poderosas, músicas de Leonardo, atirei-o-pau-no-gato, fizemos um desfile de modas e mandamos muitos abraços para as pessoas que estamos conversando no telefone! Mas nem tudo foi tão fácil, logo em seguida vi o meu clown fugir de mim quando vi uma senhora com o fêmur quebrando, e que não conseguia falar, imediatamente senti muita pena e já não conseguia atuar normalmente, o que vou ter de aprender a contornar!
                Mas depois desse momento, tudo voltou ao normal... Descobrimos uma senhora que morava no Caititu, muito simpática, e que dizia está procurando a saúde! Foi uma aventura ajudar ela a procurar a saúde... E o mais interessante é que ela acordou com nossa presença, e eu nunca vi alguém acordar com tão bom humor!
                E então o tempo corria sem a gente perceber, e quando vimos já era a hora de guardar o nosso clown! A vontade de continuar atuando estava presente, mas tínhamos de respeitar o momento de descanso do próximo. E ai descemos o nariz, trocamos de roupa e fomos avaliar nossas atuações.
                Sai do traumas com a certeza de quão linda e importante é a UPI e com muita vontade de continuar nesse projeto. Agora é torcer para ir me aperfeiçoando aos pouquinhos, cada vê mais, e fazer um trabalho cada vez melhor.
                Há... Karol, Amandinha e Lorena, brigadão por esse diaa lindo ao lado de vocês!

                Até a próxima quarta diário!