terça-feira, 11 de novembro de 2014

HU, 5 de novembro de 2014.

Pequeno relato de uma longa semana.
[Após 14 longos dias sem atuar.
I- A companheira Dalila não estava bem.
II- A companheira Dalila viajou (PRA MOGIIII!!! E EU NÃO FUIII :'(( *cry*)]

Recebemos conosco mais uma e formamos um trio- Teka Aquarela provavelmente ficará conosco.
Fomos um trio até bem equilibrado, mas não sei quanto ao desempenho neste dia. Não sei.
Que maravilhoso poder conversar despretensiosamente com quem também se despe de máscaras enormes e canta com a alma.
Que terrível o assédio. Eu fico com nojo, não consigo não ficar. "bonitinha", "novinha"... "novinha"...
Que tal desconstruir mais os preconceitos em forma de "piada"? É saudável.

Por mais insuficiente que eu considere o meu desempenho, por menos energia que eu tenha, por mais sem-jogo que eu fique em certos momentos tensos, ainda fico feliz de ser a representação de mim mesma. Às vezes, funciono. Às vezes, não. 
Mas é preciso romper barreiras
E voar

Vivi Manteiguinha - HUT - 08/11/2014

Quando eu quero eu quero muito; é um querer que nós faz enfrentar todos os problemas, encontrar as soluções mais inusitadas e continuar com o sorriso no rosto, se divertir com o processo de inventar e testar. É voltar a sentir prazer no simples estar. É ver que ali estavam os melhores companheiros do mundo que me tiravam sorrisos contantes e que me davam a segurança para simplesmente ser. Foi andar pelos corredores e perceber os olhares curiosos e os sorrisos fugazes; foi observar que a experiência já vem chegando e ajudando na minha conduta. Foi dar uma abraço de desconfiança que se encheu de sentido; de saber que um simples momento de oração e conversa pode ter  um significado imenso, de me despir das reservas ainda existente e quebrar as ideias pré-formadas dos dois lados.  E por fim, agradecer aos meus dois companheiros Joaquim Marmiteiro e Rosinha das Alturas por simplesmente estarem ali comigo e me fazerem cada vez mais querer.

"Tenho andado distraído; Impaciente e indeciso; E ainda estou confuso; Só que agora é diferente; Estou tão tranquilo e tão contente"

Rebeca Pocajanta - Hospital Dom Malan - 24/10/2014

Dizem que cada atuação guarda uma novidade, além de estar em companhia de uma nova companheira, essa tarde reservava uma linda surpresa. Depois de finalmente arranjarmos um local pra trocar de roupa, Rebeca e Lola saímos e como um campo magnético o Alto Risco nos puxou, lá encontramos uma anja que depois de me convidar para ser sua bebê e ficar sob seus cuidados nos guiou por quartos e corredores, mas não era uma guia turística de belezas evidentes, ela soube nos mostrar os sorrisos tímidos e que só brotavam com o tempo, uns sorrisos por trás de uns olhares tristes, todas mães, todas carregadas de suas bagagens, uns fardos pesados que já me pesava só de abraçar, quanto mais abraçava mais queria descarrega-las, mais ficava carregada. Saí de lá com as pernas doídas e nem era de ficar em pé.

Abraços 
(nem um pouco contidos)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Frufruta Doce - HUT - 24/10/2014

Me reencontrar atrás de um nariz vermelho.. Não, não. De uma bússola disfarçada de nariz vermelho, que me norteia prum destino lindo, lindo; cheio de vida!
Sim, lá estata eu de novo. Num corredor, onde o único que corria era meu coração. Lá estava eu de novo. Sim, era ali. Sim, sem pressa.
Mas opa, tem outro coração correndo por aqui! Tem sim, tem sim!
E foi com esse coração linducho que vim me encontrar pra dividirmos uma rota de expedição. Uma rota de expedição que se faz para encontrar mais corações linduchos.
A energia virou música em nossos ouvidos, e logo logo ouvíamos uma a outra, ouviamos todos.
Encontramos gente de todo tipo e toda cor e toda idade, enfim.. Gente!
Bulinamos de tudo que é jeito essa gente, desde os mais quietinhos até os palhaços profissionais, de senhorinhas taradas pelo Cauã Reymond até mulher que não conseguia cagar!
Demos autógrafos, fizemos campanha política, admiramos a roupa indecente de trabalho de um moço que tinha um decote que não deixava qualquer uma se concentrar. 
E tava difícil voltar pra nossa base, a exploração tava rendendo muitas preciosidades disfarçadas de emoções. Éramos solicitadíssimas! Fomos até presidenciáveis...
Mas aí a perna cansou, até as palavras difíceis precisaram de descanço.
Então fomos sentir o gosto doce de cada conquista e se preparar pruma próxima oportunidade. 
Siiiim! E o outro coração, que me acompanhou nessa folia, era de um Toquinho de gente. De Geres. De jegues.  <3 i="">

domingo, 26 de outubro de 2014

Diário de Bordo - 24/10 - Jamaisvista de Listras

É tão difícil compreender como todas as coisas do mundo tem visões diferentes. Acho que não existe visão distorcida, é apenas visão.
Depois de um funk dos bons, subo o nariz e me vejo conhecendo novos rostos, como o de Esperança, e reencontrando outros, como o de Rosinha; tudo que eu queria era me libertar e aproveitar o momento porque Jamaisvista provoca libertação da minha alma.
Não sei falar bonito nem usar construções frasais perfeitas, mais sei que apesar de todos os pesares da atuação; foi bom!
Foi bom conhecer Inca Carranca e toda sua anca à mostra na maior das alegrias, mesmo que tinha uma pontinha de humor negro quando virou pro Esperança e perguntou: Porque você não se joga da janela? Pensei, porque ela pensou isso?, foi só pra provocar?, ela não estava gostando? . Ela brilhava tanto com o nosso cuidado que não consigo compreender o porquê da janela, acho que foi apenas uma forma de tentar interagir com o imperativo; acho que pra ela somos bobos da corte que segue ordens. E ela prosseguiu: Dança pra eu ver! Vem cá agora! Mais eu gostei dela, gostei muito.
E Lara, com sua boina cor de rosa e sua língua afiada que não respondia o que perguntávamos, mas adorava fazer pergunta. Senti algo estranho diante de uma criança tão ríspida, fiquei pensando em como teria me saído se tivesse entrado no seu quarto, e não conhece-la apenas no corredor; será que ela se sentiu ofendida por não termos dado tanta ligança à ela?!
Durante o nosso percurso conhecemos dona Chiquinha (Francisca), uma senhorinha fofinha, toda bonitinha e que sabe lavar uma roupa como ninguém. Queria ter dado meus dedinhos pra ela, acho que só dois não iam fazer muita falta pra mim como faz pra ela; ela estava triste e eu não consegui me envolver. No mesmo quarto de dona Chiquinha, encontrei uma mãe desesperada de dor que se contorcia na cama e a única coisa que conseguia pensar era o horário de buscar as crianças na creche, ela estava atrasava e precisava que alguém fosse no seu lugar, prontamente nos disponibilizamos a ir no seu lugar pegar os meninos, provocamos um conforto momentâneo enquanto a dor a corroía por dentro.
Um dos melhores momentos da atuação foi conhecer seu Bartô, um ilustre sobrevivente do descaso que é o hospital público. Com as duas pernas amputadas, seu Bartô pedia por um lençol para cobrir suas partes intimas, mas a máquina da lavanderia estava quebrada e não existia lençol pro seu Bartô. A nossa maior missão do dia foi tentar achar esse lençol e fizemos tudo que podíamos mas a nossa missão foi fracassada, não se leva mais à sério os palhaços como antigamente, ninguém nos escuta quando é algo sério. Nós tentamos a cada lugar que passávamos, tudo em vão; mas não me arrependo, fizemos o que estava ao nosso alcance.

É difícil lidar com as impotências! Que bom, que pena, que tal... que podemos usar o erro ao nosso favor.

sábado, 25 de outubro de 2014

Vivi Manteiguinha - HUT - 25/10/2014

Novo ciclo, nova energia, novos pensamentos, nova vontade de escrever, mas algo sempre continua: a amizade e companheirismo. Ainda não no meu novo lugar de atuação, mas já deixo minha saudade de atuar no HUT, minha escola de clown e minha saudade de não poder atuar toda semana com Cassandra Paçoca, minha eterna companheira de atuação. A gente não se larga não é? 
Só que o melhor de tudo foi ver a minha vontade de estar lá, de dar meu melhor e de ter aquele friozinho na barriga antes de cada atuação, me deixou em um contentamento enorme. De realmente saber que eu estava ali e que eu podia fazer a diferença, sentimento que por um tempo estava distante de mim. De ver tantos encontros, sorrisos e olhares tão lindos. E por fim, de realmente estar me reencontrando. 
O legal foi ver tantas pessoas abertas ao encontro, de ver não só pacientes e acompanhantes entrando na brincadeira, mas todos os profissionais do hospital comprando nosso jogo. De ver cassandra paçoca xavecando o residente e dando a sentença de que vão se casar, e ver o empenho do setor em contribuir para que isso acontecesse; de participar da campanha desencalha Cassandra. De aprender que comer em pé emagrece (começando minha dieta agora), de participar da orquestra do ronco, de ouvir toda a história das dezenas de gerações até chegar a escolha do nome de dona A.  
Deixo por fim, que nesse novo ciclo eu consiga estar aberta as possibilidades, é realmente me jogar no vazio, prestar mais atenção no meu coração do que na minha mente. Como é bom saber que Eu estou de volta.