sábado, 23 de novembro de 2013

Paputcho - Atuação na CIENTEX VII – 22/11/2013

É de ciência e para minha consciência vou participar da CIENTEX VII, e dessa vez é diferente, é a primeira vez na Univasf de Petrolina. Então, vamos fazer um pouco de não ciência para quem está hipnotizado na racionalidade do saber supremo das letras superiores.
Portanto, o produto apresentado foi o FELICITEC, que tem como prescrição fazer com todos potencializem aquilo que todos têm quando é criança, mas que esquece quando fica adulta e ainda mais quando precisa escrever um livro de Lattes, que é a alegria do riso espontâneo, que se dá no encontro.
Encontramos muita gente por entre os corredores da sabedoria racional, e para espanto dos cachorros (animais canídeos) que fazem parte da Univasf, todos estavam a revisitar a criança que habita em cada um, com sorrisos maravilhosos no rosto.
Encontramos as meninas do 2º Período de Enfermagem no banquinho que não era da praça, cada um com um livro de Histologia, que segundo os meus conhecimentos esculhambísticos, no qual “logia”, vem do Grego logos, que significa “estudo”, e “histo” que vem num sei de onde e significa “isto” mesmo, pois na gramática portuguarani, a letra “h” é mudinha, então, num necessita falar, né!? Portanto, Histologia quer dizer “estudo do isto”, e assim estudamos por um bom tempo e foi muito engraçado, em contrapartida cada uma recebeu uma pastilha de comprimidos “diet de alegria”, que além de proporcionar a máxima alegria, ainda emagrecia, pois tinha que tomar um a cada refeição, substituindo-as, por durante uma semana.
Ainda pude deparar com uma administradora importada, pois ela tinha os zoinhos bem puxadinhos e falava sotucatês de outras regiões para longe do Sertão e tentamos montar uma estratégia de venda para ficar rico com apenas três “jujubas de alegria”, mas como ela estava muito científica, foi logo direto e disse, acho melhor a gente comer, pois num vai dar certo, não!

E antes do trem passar, ainda espiei os trabalhos dos moços sabidos da razão e da academia dos cérebros.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Joaquim Marmiteiro - Atuação no HUT – Sala Verde – 19/11/2013

Cansaço: s. m. que exprime deterioramento físico. No meu caso, foi essa a palavra que me caracterizava antes do momento da volta das minhas atuações pela UPI. Após a visita ao hospital, o cansaço incrivelmente esvaiu-se e se transformou em uma aura de leveza e de vibrações positivas.

Fiquei um bom tempo sem atuar, algo como um mês e meio. E já não via a hora de voltar à ativa. O curso de aprofundamento em clown que foi ministrado a mim e a alguns dos meus outros companheiros meus acabou por instigar uma vontade urgente de vestir a máscara vermelha uma vez mais.

Agora, minhas companheiras de atuação são a Carol Raquel e a Bruna. Por problemas técnicos, apenas a Carol Raquel atuou comigo. Ela havia me dito que não tinha tanta prática em atuar com não-crianças e ficou a apresentação da minha conduta – também inexperiente -  sobre como se portar com esse tipo de público ficou como uma responsabilidade saudável a mim designada. Eu também tinha meus receios: eu atuaria na sala verde do HUT, um local conhecido pelo grande número de pessoas com olhares fixos nos clowns. 
Apesar de eu também ficar um pouco nervoso, posso dizer que nos saímos bem perante a insegurança mútua que em nós residia. E uma coisa tenho a dizer: que melhor companheira do mundo é ela! Dona de vários olhares e de uma meiguice deslumbrante, ela conseguiu cativar tudo e todos. Espero ter conseguido acompanhá-la com seu carisma ofuscante.

Um pouco mais maduro, e colocando em prática aprendizados do aprofundamento em clown, consigo agora perceber pelo olhar dos pacientes aqueles que melhor estão dispostos e aqueles que não. E isso é ótimo.


E como foi bom voltar a ajudar quem precisa de um pouco de descontração, de atenção e de carinho. Acredito que assim, e pouco a pouco, fazemos deste mundo um lugar mais acolhedor.


Joaquim Marmiteiro

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Paputcho - Atuação no HUT VII – 19/11/2013

Depois de alguns muitos dias sem atuação no HUT, eis que surge o sinal para que eu voltasse à cena do palco das poucas multidões do 2º piso do HUT, e o sinal foi dado pela sábia natureza, que fez chover no sertão, imagine só que negócio mágico, mas antes disso ela desmanchou todos os peteados maravilhosos das meninas da Univasf e encheu os zóios da gente de areia, pois foi uma ventania da mulestcha.
Dado os sinais, vamos à atuação, pois lá estavam o Joaquim Marmiteiro e não o Zeca Aventureiro (como havia dito outrora, rsrs), a Lupita Toion-oin-oin, a Cidoca dos Babados e o Paputcho Bico Fino no espaço do encontro. Logo de início, ficamos a ver navios, quer dizer a esperar um lugarzinho só para se abelezar nos figurinos, mas deu certo, entre banheiros e corredores, acabamos no lugar de descanso das meninas de enfermagem.
Aprontados, partimos, eu e a Cidoca para o palco que se apresentasse a nossa frente, logo na primeira enfermaria, tivemos que pular um poça de água que escorreu pela janela e ficou bem na porta de entrada, após passarmos percebidamente percebidos, chegamos até dona Carmelita, que estava de repouso, só aguardando uma cirurgia, por causa de um aneurisma, segunda sua filha Vera, como ela num tava podendo falar muito, eu e a Cidoca desenvolvemos um código linguístico novo, ou seja, por gestos aleatórios e sem sentidos, com explicação verbal para cada gesto.
Logo ao lado tinha um casal, a esposa paciente e o esposo nem tão paciente assim, mas estava feliz, pois estava falando com a sogra da esposa dele e que ele ama tanto quanto a sua própria mãe e nessa ladinha de sogra-mãe deu um jogo bem legal, que quando a gente saiu, eles colocaram a cadeira no corredor, aí, nós aproveitamos para tirar fotos de coração do casal namorando na calçada, deu jogo de novo. Porém, na saída, eis que a gente precisou esperar a barquinha para fazer a travessia, pois estava cheio de água, ainda.
Chegando à outra margem, quer dizer na outra ala (direita), no caso Juazeiro, adentramos de vez, e tinha um “caba” com uma bota de gesso num pé, surgiu daí a história do cachorro que pulou em cima da pata da pata da pata que quebrou a pata, foi uma falta de sentido só, mas que deu liga.
Voltamos para a ala Petrolina, encontramos um senhor que havia levado um tombo da moto, dizendo ele que ia na garupa e que pulou por cima da moto e caiu lá na frente, esse foi um motivo para começar um jogo que gerou até modos operandi de cair e levantar, mas sem execução, só na teoria (risos), e quando o filho dele colocou logo a música do Victor e Léo (Na linha do tempo), o negócio ficou animado e rolou até declaração de apaixonamento sem paixão pelos moços que ali não estavam, mas que um ficaram velhos e não tão moços assim. Até a Dona Neide, que estava com um filho na cama ao lado, apesar do sofrimento (está a 30 dias no hospital) entrou no jogo, e como os óculos dela estava com a lente quebrada, foi a forma de dizer que a aterrizagem não precisa ser a pessoa, pois erá só jogar os óculos no chão.
Na volta para Juazeiro (ala direita) entramos num quarto a procura do pai da Cidoca, no caso o Seu Sebastian, e no jogo do reconhecimento de paternidade só nas aparências belezísticas, o jogo durou foi tempo, que até perdemos a noção das horas, ao lado dele estava um paciente moçambicano, que não jogou, mas a esposa (brasileira e nordestina) dele caiu na brincadeira, num quis nem saber se a chuva era de verdade ou se o povo da Univasf estava pregando um trote com os calouros de Astronomia e estavam colocando eles para lavarem o telhado do HUT e fez parte daquele momento muito legal, sem contar a Soelma, a irmã que Cidoca estava querendo. No final eu quis apresentar a minha vovozinha ao Seu Sebastian, mas quando disse que ela tinha só 103 anos, ai ele disse que num queria não, pois era muito velha, mas olha só o Seu Sebastian com 75 anos, disse que se fosse a Cidoca era outra coisa, mas espia só (risos), mas ele foi muito respeitoso, diga-se de passagem, aliás, foi um grande encontro, o nosso, naquele quarto de enfermaria.
Ainda teve a senhora do N7, na ala de Petrolina, que estava meio esquecida das coisas, mas que era uma graça de pessoa e deu boas risadas.
E quando a gente estava de partida, algumas falas ressoavam, do tipo: “Vocês voltam quando agora?”, Você vão vir amanhã!?”.

Ah! Teve uma coisa interessante, nesse dia eu falei tanto e eu nem falo tanto assim, vocês sabem, né!? (risos), quase num deixo a Cidoca falar, mas garanto que noutro dia, nesse mesmo horário, numa volta ao passado, eu vou procurar colocar mais pausa nessa minha ladainha toda (risos). Desculpaê, Cidoca dos Babados, minha melhor companheira do mundo nesse dia tão alegre.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Pedrita Bombom - 17/09/2013 - HUT

Querido diário,

Essa declaração será diferente e sucinta. Nós nos metemos em situações constrangedoras e pela primeira vez teve alguém para observar nossos passos, nossa querida Horts. E pela primeira vez descobrimos que não temos limites de tempo. E pela primeira vez nosso ônibus já ia partir e tínhamos que nos apressar. E pela primeira vez eu fui desafiada a atuar sem enxergar. E nesse mar de primeiras vezes eu me vi acuada, mas eu tinha os melhores companheiros do mundo. E com eles eu mais uma vez eu corri, brinquei, viajei, naveguei, sorri, cantei, contornei situações e me renovei.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Lisbela Duracell, algum dia de Agosto 2013

Nem preciso comentar o quanto este diário esta atrasado. Ele começou na verdade no período de seleção dos novos. Quanto fui invadida por uma esperança imensa, naqueles novos meninos, na medicina, na saúde. Vejo o quanto é necessário ao longo do curso, procurar elementos que nos mantenham no caminho que escolhemos. Pode ser amigos, pessoas queridas, músicas, poesias, lugares, sonhos. Já escutei em várias palestras perguntarem o pq de nós estudantes entrarmos de uma forma na universidade e sairmos de outra, como se ao longo do processo houvesse uma corrupção de valores e ideais. Porém, é muito pesado carregar um peso tão grande. Bom encontrar ou reconhecer no caminho companheiros, que seguem caminhos bem parecidos, e que te oferecem o ombro sem grandes questionamentos e que te erguem nos momentos difíceis de continuar.

Na UPI eles se misturam. São de vários cursos, de várias idades e de vários cantinhos do Brasil. E é uma maravilha promover um espaço em que possam se comunicar, antes de compreenderem na prática profissional o quanto isto é importante. Ficava me questionando como chegar às pessoas que o projeto não consegue comportar e como garantir que as que estão dentro promovam o encantamento da arte do clown. Mas não tem como. Não tenho como garantir isso. Porém, acontece. Porque é bom abraçar as pessoas, sentindo todos os músculos quererem aquilo. É bom beijar, sabendo que aquele é o nosso melhor companheiro do mundo. É uma relação de cuidado que permite dizer adeus por imaginar que aquilo será o melhor para o outro, por mais que doa. Com isso, o projeto chega onde nem todos precisam virar clowns. E os que são, promovem o projeto quando se permitem ser sem a máscara, em espaços além do hospitalar, com todas as pessoas, independente de cor, classe econômica, profissão, sexualidade, condição de saúde.

(uma imagem disponível em algum lugar aí)
Pouco tempo depois lá estavam eles no hospital. Lindões. Eu só precisava, juntamente com os outros da coordenação, agir na organização dos horários, dos grupos nos hospitais, e conversar sobre as primeiras impressões. No “palco”, retornei com uma grande amiga, das antrolas, Miojita e um presente, um menino, o Marmiteiro. O caminho de quem começa é bem tímido, cheio de receios, de inseguranças. Mas o de quem já esta na estrada, só carrega a experiência de saber que é sempre novo e que o “estar em branco” é um dos nossos melhores amigos e que estar disponível é nosso melhor estado. Já conversei tantas vezes sobre isso. Não há cansaço. É bom vê-los começando, acreditando no que estão fazendo, vendo ou sentindo “os resultados”.


Sobre esta atuação, para comentar, teve um ponto que foi sinalizado pelo Marmiteiro e que é interessante compartilhar com o grupo. Tinha um rapaz numa cama, mas sem companheiro de quarto. Estava sendo acompanhado pela mãe, do lado, fiel, uma gracinha. Ele estava com uma cicatriz enorme no rosto, com sangue ainda saindo e com lesões na boca que o impediam de verbalizar muito. Uma queda de moto, de leve. Que coisa, como atuar com um rapaz naquele estado? Como é possível fazer graça? Aonde existe graça? Mas ele nos queria lá e atuamos... como é possível um tatuador fazer um erro daquele tamanho? Como pode um desenho sair torto daquele jeito? A mãe logo entrou no jogo... A graça, a risada, não é o foco, não é o principal. O caminho para chegar lá é que é mais interessante.
 

Por essas e muitas outras, é bem difícil dizer quem “ganha” mais. Por essas e muitas outras guardo a UPI no coração, sem pagar aluguel, sem cobrar pedágio. Pois não funciona como um refúgio onde posso ser o melhor de mim, mas o ambiente em que o que sou, do jeito que sou, com todas as características, histórias, e danças estranhas, são simplesmente naturais, minhas, e me tornam Ana e Lisbela. Onde o amor combina com amizade, com coisas bregas, com prosa, com poesia, com abraços e até com palavras que nos colocam no eixo.  

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Rosinha das Alturas - HUT - 30/09/2013

Sorry, Diário, acabei esquecendo de postá-lo. Então... Como nem eu nem Paputcho íamos viajar essa semana, então bora atuar! Bom, uma vez uma grande companheira disse que nem ela nem sua mãe agradeciam uma a outra, porque tudo que elas faziam, era por amor. Da mesma forma, todos nós atuamos e brincamos, não para recebermos elogios, mas porque realmente gostamos, realmente queremos aliviar a dor do outro. Essa atuação de hoje tocou a mim e a Paputcho, não esperávamos nada em troca, mas a senhora nos perguntou:'-Vocês voltam quando? Toda vez que vocês vem aqui, me sinto aliviada'. Sabe aquele momento que você percebe que você conseguiu atingir seu objetivo? Que embora o setor estivesse cheio de tristeza, mães e filhos, parentes e amigos, estivessem lamentando os acidentes de motos, que embora tudo isso, você conseguiu atenuar parte da tensão que eles tem em seus ombros? Sabe aquele momento que você percebe que os pacientes se permitiram estabelecer o encontro com você, que gerou um lindo encontro e que não só ele precisava de você mas você dele? Sabe... Precisamos cuidar uns dos outros, a cada segunda eu vejo que estou onde deveria estar. Estamos crescendo a cada dia, meus melhores. Ansiosa para segunda. ;D