terça-feira, 8 de maio de 2012

Dia do abraço

Diário de Bordo – Dia do abraço 
 
A primeira experiencia com a UPI foi realmente muito linda! No inicio da manha, eu, Flavoca, Fernanda, Ulisses e Emmanuel nos perdemos e nao conseguimos encontrar a casa da Ana. Chegamos la atrasados e encontramos os nossos companheiros quase prontos! Fiquei desesperada e fui correndo me vestir. A hora da maquiagem foi um momento um tanto quanto complicado pra mim. Foi a primeira vez que fiz a minha maquiagem sozinha e o resultado nao ficou muito bom, mas acho que vou pegar o jeito aos poucos. A energia na casa da Ana estava muito muito boa! Dividir aquele espaco com os meus melhores companheiros do mundo foi maravilhoso. Estavamos todos muito animados, ansiosos e com uma expectativa muito alta. Comecou a tocar a musica cocorico e eu fechei os olhos. Consegui sentir que a energia do lugar comecava a mudar aos poucos, tudo ficava mais agitado, respiracoes ofegantes, risadas, foi lindo! Eu nao estava conseguindo me concentrar e recebi a ajuda de um lindao que ficou bem na minha frente. Logo percebi que era o Juvenal Gardenal, por conta da respiracao caracteristica dele. A presenca dele ali me fez muito bem. E subiu o nivel da minha energia de uma maneira fora do comum. Foi muito bom abrir os olhos e encontrar todos ali, prontos, em alerta e com os olhares e sorrisos mais lindos do mundo inteiro. Mas a melhor parte do dia aconteceu na rua. Saimos da casa da Ana e ja na portaria do predio comecamos a distribuir abracos. Era muito gratificante ouvir um muito obrigado a cada abraco que davamos. Algumas pessoas nos abracavam com tanta vontade que nao dava mais vontade de soltar. Com algumas outras pessoas foi preciso um pouco mais de paciencia, foi preciso conquista-las. Mas era tao lindo quando elas passavam do estagio de nao aceitacao do jogo para o estagio de: sim, eu quero um abraco seu! Eu me deixo ser abracado por voce. Eu nao sabia que as pessoas andavam tao carentes, tao necessitadas de sorrisos, de abraco, de carinho! Percebi que alguns, apos serem abracados, diziam: como é bom ganhar um abraco assim ou poxa, eu estava precisando mesmo desse abraco hoje. Fiquei muito feliz ao perceber que com um pequeno gesto como aquele nos estavamos alegrando o dia de alguem. Vivenciei uma situacao que me marcou muito. Eu entrei em uma loja e abracei as vendedoras e uma cliente. Percebi que uma menininha de uns 3 anos estava me olhando por detras da cortina do provador de roupas. Ela me olhava e ficava rindo p mim. Eu disse a ela que gostaria de receber um abraco dela, aí ela ficou toda envergonhada mas acabou saindo do trocador. Ela continuava me olhando e dando um sorrisinho fofo, mas nao saia do lugar. Eu me ajoelhei  e fiquei da altura dela e comecei a conversar com ela, aí percebi que ela deu uns dois passinhos pra frente mas continuou com os bracinhos pra tras, ainda sorrindo. A mae dela saiu do trocador e disse: gente, ela tá morrendo de vontade de abracar mas está com vergonha! Entao eu abracei a mae dela e depois abracei mae e filha ao mesmo tempo, num abraco triplo muito gostoso! Quando eu fui embora a crianca deixou que eu desse um beijinho na mao dela. Quando olhei pra tras vi que ela ainda me olhava, com uns olhinhos doces e muito encantada. Como foi bom viver aquilo ali, como foi bom conquista-la e receber aquele abraco triplo. Teve uma outra situacao em que eu e Joao Canelao estavamos juntos e um garotinho abaixou os vidros do carro e abriu os bracos pra gente com um sorrisao lindo no rosto. Fomos correndo abraca-lo e isso tambem foi uma delicia! Por falar em Joao Canelao, foi lindo atuar com ele! Nos encontramos em um momento e resolvemos ficar juntos. Ele me manteve firme e conseguiu manter a minha energia alta quando por algum motivo eu dava uma desanimada. Entramos em varias lojas, dancamos forro na rua, nos abracamos, brincamos com muitos pedestres, demos varios abracos triplos, caramba, foi muito lindo! O dia do abraco vai ficar pra sempre na minha memória.

atuação 01.05

Certo, primeira atuação com os novos integrantes do projeto. Respira, respira... até parece que eu nunca fiz isto antes! Mas acho que é assim mesmo, todo dia de palhaço é um novo dia. Uma apreensão que não transpassava a pele que habito, ou pelo menos tentava não demonstrá-la. Afinal, pra que mais um apreensivo quando já se tem outros 3? O universo estava meio desequilibrado. Sancho Pança-Fofa, Juju Danoninho, Marilinha Leite-Quente e Chico Esticado saíram daquele recinto em direção ao picadeiro, dinâmico, móvel, eletrizante. Os jogos foram saindo, encontrando pessoas, procurando corredores, nadadores e jogadores. A cada interação, um momento diferente. Agora é sério, as críticas que sempre visitam minha consciência: 4 pessoas atuando é um pouco desgastante, pois são muitos estímulos e ficamos sem saber aonde ir e o que fazer; bater na mesma tecla foi algo que aconteceu algumas vezes neste dia, além de não conseguir comprar alguns jogos que foram saindo. Quando se olha desta maneira, pode parecer que não fizemos nada além perambular por um hospital. Mas aí eu recordo à minha consciência das pessoas que conhecemos e relacionamo-nos. Um beijo fantástico de uma senhora não-verbal, mas que nos falou muito com um olhar singelo e um beijinho doce; um senhor meio desconfiado que acabou desabafando sobre a sua admiração por cangurus; o jeito matuto de um menino que havia tentado suicídio dias antes, com uma performance de elegância e charme; e até um palhaço que um dia já foi gente. Relações regadas de sinceridade e verdade, uma troca de sentimentos que todos saíram ganhando. Caro Fabinho, se o que fizemos ali não foi uma grande mágica, então eu não sei o que foi, só sei que foi assim! Encerro meu diário hoje dizendo que nossos narizes vermelhos são voltados para frente porque apontam o caminho que devemos seguir, sempre em busca de melhores “nós”.

Atuação 30.04.12

Primeira atuação, expectativa, ansiedade, nervosismo? Não. Eu estava perfeitamente tranquilo e calma. Mas enquanto me vestia e me arrumava fui tomando consciência daquilo, e isso me apavorou, a noção de responsabilidade, de que eu tinha que fazer uma diferença de alguma forma. Mas logo entramos em estado de clown e os olhos brilhantes dos meus melhores companheiros me guiaram para uma atuação linda, que de fato mexeu comigo e reforçou em mim a vontade de estar disponível, de brilhar o olhar, de sorris e de chorar se preciso for. O fato mais marcante da atuação foi quando, em um jogo de reis, rainhas e títulos de nobreza, nós nos deparamos com uma senhora, jogamos com ela, conversamos, e ela entrou em um jogo de dizer que tinha comprado o título, pois bem, na hora de ir embora eu disse que iria atrás de dinheiro para comprar um título para mim também, ao que ela me respondeu: “Mas vocês não precisam, vocês já são reis e rainhas, porque isso que vocês fazer é lindo”. Foi extremamente gratificante e voltei para casa feliz, feliz de verdade pela minha primeira atuação.

Petrolina, 31/04/2012,
Ramon del Tamborete.

Dia do abraço

Hoje foi a tão esperada intervenção dos abraços grátis. Pudemos começar nosso trabalho e nossas intervenções, sentimos o gostinho de atuar e de fazer diferença de alguma forma para as pessoas. Houve de tudo, desde pessoas solicitas que logo abraçavam e abriam um grande sorriso, até aquelas mais tímidas que vinham com reservas mas logo entrevam no jogo. Houve pessoas que nem sequer pararam para nos olhos e houve pessoas que se emocionaram e de fato ficaram com os olhos marejados. Pude perceber o quanto o mundo é carente, é carente de sorrisos, é carente de abraços, é carente de amor. E a partir de hoje, vou fazer o que estiver ao meu alcance para tornar o mundo um lugar menos carente dessas coisas que são tão importantes. Assim como, tenho fé, que meus companheiros também farão (e fazem).
Alguém vai de abraço? ^^

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dia do abraço

Diário de bordo da minha primeira intervenção 
Querido diário, estava morrendo de saudade, aconteceu dia 28/04 a minha primeira atuação como Clown. Só posso dizer q estou feliz e realizada, confesso q estava com muito medo de errar, de não conseguir, ou simplesmente de querer desistir.
Mas não aconteceu nada de ruim, pelo contrário, ocorreu tudo as mil maravilhas. Meus companheiros lindões arrasaram, e me passaram toda a confiança necessária, para ir para a rua, abraçar desconhecidos, e me emocionar profundamente quando uma princesa muito especial interrompe seu almoço me dá atenção e desenha pra mim. 
Não foi só as pessoas q se surpreenderam com os abraços, eu também me surpreendi com o fato da Valesca Recheada ser tão disponível sempre. Cada dia que passa estou mais certa que vou me dar muito bem com ela!
Gostaria de ressaltar como foi bom ter Xena Macaxeira (Lorena), como minha companheira o tempo todo.

Dia do abraço

Quando soube que iriamos atuar no próximo sábado, todas as minhas atenções durante a semana ficaram voltadas para o grande dia. Um dia se antecedia, eu só conseguia  pensar no 'dia do abraço", espalhei para todos. A ansiedade tomou mais uma vez conta de mim. O grande dia chegou, acordei mais cedo do que o normal e fiquei bolando várias vezes na cama pensando, articulando, imaginando como iria ser. Meu coração palpitava  por saber que ia encontrar meu clown mais uma vez...lembrei-me então de uma citação do livro o Pequeno Príncipe " Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz." Me senti completamente assim, estava muito feliz em saber que ia me encontrar com Amélia! =D
Parei então de inquietar minha mente e deixei que as minhas ações não pensadas fizessem do meu dia. Enfim, toda a articulação de um trabalho bem feito e planejado voltou à tona em minha cabeça. Eu só conseguia pensar nas oficinas, a ouvir vozes e músicas dentro de mim. Estávamos todos afoitos e muito ansiosos. Nos arrumamos, nos maquiamos e por fim fomos em busca dos nossos clowns juntos. Aquela busca por algo que estava dentro de mim, parecia um labirinto em que já havia percorrido algumas vezes, porém o meu clown gritava, afim de nos encontrarmos mais rápido. E assim o encontro foi se dando ao som de músicas que e faziam lembrar dela, a linda Amélia Ventosa. Tchanram,  finalmente nós encontramos, lá estavam eu diante de Amélia, sorridente, olhar brilhante, e pernas inquietas. Que saudade que eu estava dela e de todos os melhores companheiros do mundo!. Fomos as ruas da cidade, em busca de encontros, a fim de encontrar o encontrável, o contato, o afeto. Vi, vi flores, vi arco-íris, mas vi também ervas daninhas, céu nublado e terra seca. Muitas vezes esquecemos na real e simples importância, do olhar, do sorriso. Nunca paramos pra pensar se em algum momento fomos parte da vida de alguém quando os sonhos dessa pessoa se tornaram realidade. E como, nós respondemos a isso? Ou se estivemos lá, quando os sonhos delas morreram. Como, nós respondemos a isso? Será que sabendo dessa responsabilidade todas nós continuaríamos a nós aproximar e modificar para melhor a vida dessa pessoa? Não sei, como você iria responder isso? Acho que a melhor forma de tentar descobrir isso seria através do autoconhecimento inicialmente, do que somos capaz e do quanto somos capazes. É bom lembrar, que tem sempre alguém precisando da gente, e que simples coisas fazem a diferença. Esse foi o meu primeiro dia de atuação, simples, contagiante e REDESCOBRINDO O REAL SIGNIFICADO DE SER E EXISTIR NESSE MUNDO! Eu sirvo pra quê, nós servimos pra quê? Total entrega, disponibilidade, verdade, muita verdade. O QUE EU QUERO, EU QUERO MUITO!. Essas palavras não saem de minha cabeça. Por fim, o grande dia não terminou, apenas está continuando o trabalho que iremos construir juntos, Que "exista sempre amor pra recomeçar", as pessoas precisam de nós! Beijocas e até mais :*