quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pinik Dôrada, 08.10.11

Inicio esse diário avaliando nossa atuação de hoje como FANTÁSTICA. Foi a minha terceira atuação, que compartilhei com Hort’s (Miojita), Bia (Chiquita) e Helô (Joaninha). Começamos bem, desde a preparação, ao som de Aviões do Forró, Pinika tomou força e tomou conta do seu espaço dentro de mim.
Literalmente mergulhamos num mar de criação, e a correnteza nos guiou até o fim. Encontramos espécies raras de peixes, nos divertimos com coqueiros e seus cocos, e saímos junto com a maré alta.
Cantamos com Elton John de batina, assistimos um momento beleza de uma paciente que fazia depilação, dando-a força neste momento difícil de ser mulher. Momento beleza também de uma paciente que estava fora de forma, e o ajudamos a fazer exercício de abdominal na cama do hospital.
Encontramos o carrinho de raspadinha no dia do réveillon. Conhecemos a Rainha Elisabeth e seu bebê, Socorro, Seu Barriga, o príncipe e sua princesa que queria saúde. E para atendermos a seu pedido, nós organizamos um espirro em conjunto, seguido de SAÚDE. Por último, encontramos o maior e mais funcional membro do hospital, que atualiza as notícias, toca música, passa novela e até mostra a hora de irmos de volta pra casa.

Pinik Dôrada, 05.10.11

Oi diário, acabo de chegar da minha segunda atuação e me sinto triste, muito triste. Estou decepcionada comigo. Na minha primeira atuação que não foi lá essas coisas, eu me segurei na questão de não estar me sentindo muito bem, mas dessa vez também foi ruim e agora não tenho mais desculpas. Acho que à medida que reflito sobre o que aconteceu, vou encontrando algumas justificativas. A primeira é que percebi ter subido minha máscara cedo demais e talvez antes de ter acessado meu clown. A segunda é que me intimidei com as vozes dos meus companheiros, pela surpresa de vê-los desempenhando-as tão bem. Depois iniciamos e achei que aquela impressão de ter subido o nariz muito cedo passaria. Não passou. Meus companheiros conduziram os jogos belamente, e de tão belo não consegui deixar de admirar. Fiquei de expectadora a maior parte do tempo. Não consegui entrar nos jogos, isso me desestabilizou e me manteve fora do clown.
Criei muitas expectativas em relação a essa atuação que idealizei com meus companheiros Lisbela e Zeca, por saber que seriam fantásticos, como foram, mas frustrei todas, e por isso me sinto tão mal.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mametuba de La Rossi, 03.10.2011

Mais uma vez foi muito bom...mas ainda preciso trabalhar muitas coisas. Por favor Mametuba sobreviva a próxima oficina está chegando! Sinto que ela está despertando mais, mas ainda estou pesquisando, acho que é uma pesquisa eterna. Ela precisa de mais autonomia, não sou eu, é ela. Enfim, depois de muito me massacrar por ainda não ter descoberto muita coisa do meu clown, vamos falar sobre as atuações. Bom é maravilhoso sempre, é gratificante aqueles olhares receptivos os encontros e reecontros. E no final ainda quando já não tínhamos mais tempo alguns olhares se acabando de rir e de vontade que nós fossemos lá, não sei não viu....Acho que dessa vez senti as pessoas comprarem mais o jogo. Bom por hoje só, mas tenho certeza que nas próximas vem mais, muito mais!

sábado, 15 de outubro de 2011

Jujuba Magrela, 07.10.11

Llegó el momento, caen las murallas
Va a comenzar la unica justa de las batallas

A primeira vez que Jujuba Magrela vai desbravar o Hospital de Traumas. Seria uma experiência traumatizante? Sim! No sentido de que o Traumas ficou enraizado naquele coração doce – pedindo: venha mais vezes derramar seu açúcar nesse lugar com gosto de sal!
Oye a tu dios y no estarás solo
Llegaste aquí para brillar y lo tienes todo
La hora se acerca, es el momento
Vas a ganar cada batalla, ya lo presiento

Embaladas por Shakira surgem Jujuba Magrela, Tunica Caqui e Formiga Espiroqueta!

E que lugar estranho era a aquele? Quem a tinha colocado ali? E como sair daquela sala que ficava bem no alto? Foi aí que elas viram uma nuvem que tinha passado do prazo de validade jogada em um lixeiro com símbolo estranho. Ahá! Ali só podia ser o céu!

E tinha uma nuvem safada tentando escapar pela fechadura da porta. Elas abrem e eis que passa uma nuvem ambulante. Uma nuvem de braços e pernas toda branquinha. Nenhuma duvida: para sair da sala elas tinham que pegar carona na nuvem. E o voo começa!

Como São Pedro é organizado. O céu é dividido em pequenos quartos! Jujuba fica surpresa ao descobrir que os anjos recém-chegados não entendem como o céu funciona e que a pessoa mais esperada por lá é o Dr. Curativo.

E que beleza! Elas encontraram o bendito Dr. logo no segundo quarto. Foi um momento marcante para todas as palhaças: um encontro de palhaça-pessoa-Deus. Inexplicável!

Era hora de partir para outras aventuras e as companheiras ganham o poder mágico de transformar dor em música. E assim fizeram para uma jovem que estava no isolamento [e como essa palavra tem peso para quem está lá dentro!] Por alguns minutos ali não era o lugar mais sozinho do hospital. Tinha uma paciente, uma acompanhante, 3 palhaças, uma servente dançarina, uma enfermeira e um publico enorme na porta. Todos unidos naquela difícil missão. Funcionou! Prenderam a dor e a música continuou mesmo com a ausência (física) das palhaças.

Nos outros departamentos ali perto encontraram vários cantores nordestinos: Dominguinhos, Sergio do Forró e Zé Ramalho! Cantaram, dançaram, envolveram e foram envolvidas. Até que encontraram Roberto Carlos que, pasmem, também é mágico e as ajudou a levar a luz para os outros quartos.

Espalharam saúde através de atchim coletivo, plantaram flores, entregaram celulares, descobriram como tirar o ronco de uma pessoa e inúmeras maneiras de acordar alguém!

Até que chegaram no maior desafio do dia: levar para casa alguém que estava muito triste e irritado por estar ali. Depois de tentar vários olhares, um foi aceito. E dentro daquele mar de fúria aquele senhor por alguns segundos estava no seu lar e as presenteia com um sorriso singelo mas que tinha o tamanho do céu inteiro!

É hora de partir.

Numa corda bamba lá vão as palhacinhas ansiosas pelo dia em que voltarão para aquele lugar que já terá um novo significado ! ! ! 

Tunica Caqui, 07.10.11

Ao som de Shakira nos aquecemos e assim como a musa nos envolvemos na música e o trio saiu  empolgado para desbravar o corredor. Uma touca presa na porta nos indicou o caminho para o céu, cheio de nuvens, como aquela que pela porta queria escapar. Encontramos vários anjos no caminho, um Dr. Curativo que tinha solução pra tudo. No embalo, em um quarto nos foi revelado que o senhor não sabia cantar, aí descobrimos que na verdade, ele só “cantava” a sua esposa e nessa melodia dançamos um forró. Por incrível que pareça no quarto ao lado encontramos em baixo da cama de um senhor o chapéu perdido do Rei do Forró, Luiz Gonzaga! E claro que assim, percebemos o porque de todos ali estarem meio abatidos, era ressaca da festa da noite anterior! :D Conhecemos um mundo cor-de-rosa, tudo da senhora era rosa, demos “Saúde!!!” a quem queria através de um “atchim” e até casa entregamos, flores regamos e entregamos um bouquet!

Um dos casos marcantes do dia foi a interação das pessoas da equipe de limpeza, do plantão... uma senhora da limpeza nos revelou um lugar privado (quarto de “isolamento”) e com um lisonjeio desse, a pedida da vez foi dançar. Naquele momento parecia que não havia ninguém a nos olhar, apesar da platéia que se fazia na porta do quarto. Dançamos loucamente nossa dança pessoal e foi super gratificante ver a chefe da enfermagem adentrar a dança, uns ASG’s também e a vontade dos internos só olhando!

O rabo de cavalo do cabelo se transformou em uma antena que captava informações das pessoas, e em um dos quartos funcionou para captar a mensagem de que a irmã gêmea da Tunica Caqui havia visitado outro dia lá o hospital. A senhora olhava e dizia: “eu lembro de você, eu a conheço...”, chamou o filho para comprovar que ela me conhecia e ao gritar “Roberto, Roberto!!” viramos tietes do Roberto Carlos.

“O importante é que emoções eu vivi”. E uma delas, para fechar a atuação com chave de ouro, foi a de um senhor meio ranzinza, com um olhar desconfiado, que observou toda a atuação no quarto como se houvesse uma parede de vidro que o separava de tudo, e o tornava espectador. Essa parede foi se desmanchando e sem temor fomos em sua direção e dissemos que aquele era o quarto mais animado e ele tinha ganho o passaporte pra lá, e no prêmio ainda havia um desejo a ser concedido. Ele desejou sua casa e lhe demos uma, com direito a entrada pela porta e tudo. E nós ganhamos o que? Um sorriso sem graça que se desmanchava em um sorriso sincero! o//

Tenho os melhores companheiros do mundo, e o jogo é lindo quando se joga com vontade, deixando sair aquilo que nem a gente sabe que existe escondidinho aqui dentro.

Zeca Manivela, 05.10.11

A vida do palhaço tem muitos desafios. O nosso primeiro deste dia foi perceber que ninguém tinha músicas que ajudariam a assumir nossas condições de Lisbela Duracell, Pinik Dôrada e Zeca Manivela. Decidimos nós mesmos, donos das mais belas vozes ilustrar esse momento musical. Parodiamos La Bamba e assumimos nossa seriíssima condição de palhaços!

Avante palhaços!
O parto.
Quem poderia imaginar?
Mas, sim, estava lá!
O filho de Lisbela com, com... Zeca?
Depois da gentil parteira atuar,
Tirando aquela criança de um ventre
E a oportunando a mamar,
Observo. O nariz tinha alguma semelhança.
Mas, só. Lembrei-me do vizinho,
Do dono da padaria e até do vigilante.
Será? Eu sei que era dela,
Mas, já do Manivela...

O casório sem lua de mé.
Mirei a vista numa mocinha
Parideira que só ela,
Averigüei os quarto da bixinha.
E ainda, sôrtera, tive que ajudar!
Butei a sôrtera no palco
E a fiz disfilar.
Logo sem demora, ela me arranja um par

Ela que logo é casar!
Vendo a ligeireza daquele cenário,
Michael andou pra trais
Disse não na cara do vigário.
Mas a mocinha ainda quis mais!
No que era pra ser fossa
Ela transformou em bossa.
Jogou para seu buquê para trais
E saiu em busca de um novo rapaiz.

Menino Saudade
Com sua espontaneidade,
Ah, ele vai fazer falta!
Alegra velhos e mocidade,
É um banguelo peralta.

Ele? Um jogador!
Lança um, recebe outro
Parece nem sentir dor.

Cantor de funk profissional
Rouba risos com categoria
Absurdamente sem igual.

Inspirei-me em sua generosidade,
Ele colocava amor com facilidade
Pois, dava a todos de presente
Gargalhadas. Mesmo, naqueles sem dente.

Sem mais, despeço-me com um profundo agradecimento aos meus melhores companheiros
do mundo.

Zeca Manivela.