terça-feira, 8 de maio de 2012

Fefê - 1ª atuação

Camila Freitas Santos – Fefê Xogás
Relatório da 1ª Atuação no HUT – dia 30/04/2012

Para primeira atuação no hospital, até que eu estava muito tranquila. Era como se eu sempre fizesse aquilo, como se fosse uma parte de mim. Eu me senti em casa quando entrei no elevador, percorri os corredores, fui ao repouso das enfermeiras. Era como se eu fosse uma parte daquilo tudo, e tudo agora era perfeito porque eu estava ali. Pela primeira vez eu entrei no hospital não como paciente, mas como futura profissional, e isso me deixou emocionada.
Voltando a atuação, eu estava muito segura de que tudo seria muito bom. E foi. O nosso jogo, embora não tenha se modificado muito ao longo da atuação, foi praticamente nos dado de presente. E atuar com Roberta e Helô completou a sensação de que tudo estava do jeito que eu sempre sonhei. Obrigada às minhas melhores companheiras do mundo por me ajudarem a brincar e a me divertir com aquelas pessoas. Espero que tenha sido tão bom atuar comigo, como foi pra mim atuar com vocês.
Houve um momento de desespero em que o nariz de Roberta caiu. E nesse momento eu entendi totalmente o que é estar entregue ao jogo, disponível pra que tudo aconteça. Imediatamente simulamos uma emergência e uma cirurgia para dar a nossa companheira a chance de se recompor. E junto comigo e Helô, Roberta conseguiu se reencontrar no jogo, e tudo seguiu na mais perfeita ordem.
Me sinto completa, como já disse. No lugar onde sempre sonhei estar. Valeu muito a pena esperar por essa oportunidade. Como já havia dito na oficina, esta é a realização de um sonho que eu compartilho com meus companheiros. Um sonho lindo, ao qual vale a pena se dedicar.

Dia do abraço

Camila Freitas Santos – Fefê Xogás
Diário de Bordo do dia 28/04/2012 – Intervenção Abraço Grátis

Eu queria colocar em palavras tudo que senti quando naquele sábado de manhã, quando reencontrei os meus melhores companheiros do mundo. Foi como voltar no tempo e estar novamente na sala do DA, com Gentileza nos esperando com aquele olhar brilhante. Logo que cheguei a casa de Ana Vitória, encontrei com Fábio e com Vannessa. Foi lindo abraçá-los, sentir que apesar de ter mais de um mês que não convivemos todos os dias como foi na oficina, nada mudou. Os meus companheiros me cativaram, e eu vou levar isso comigo independente do que aconteça, de onde eu esteja, e do tempo que passe.
Continuando: Fazer a maquiagem foi uma bagunça divertida. Todos correndo de um lado pro outro, se ajudando, se completando. O nosso pancake até ganhou um apelido: o “xcake” branco! O nome pegou de uma forma tão simples, logo todos estavam gritando “O xcake branco! Cadê o xcake branco?”.
Logo estávamos prontos, a música começou a tocar, e foi como se o tempo não tivesse passado. Ouvir novamente o Cocoricó, o Kuduro, e outras músicas que nos deixam elétricos e cheios de vontade de brincar, foi delicioso. Então saímos às ruas, e comecei a abraçar a primeira, a segunda, a terceira pessoa... E quanto mais eu abraçava, mais eu sentia vontade de abraçar. Eu estava tão disponível pra abraçar, tão entregue ao meu gesto de carinho, que quando recebi a primeira recusa (que foi, inclusive, de uma criança) eu fiquei em choque. Por que ela não queria receber o meu carinho, que estava ali, todinho pra ela? Mas então eu lembrei que o jogo é mais importante que a minha jogada, e rapidamente direcionei o abraço a mãe dele que o recebeu educadamente.
Então, as demais recusas ficaram mais fáceis, e cada vez menos frequentes.  E quando voltamos pro apartamento, eu não queria sair do meu clown. A Fefê não queria voltar pra caixinha dela dentro do meu coração. Mas quando finalmente voltou, não ficou uma sensação de vazio, mas sim uma sensação de dever cumprido. E quando eu cheguei em casa, dormi tranquilamente como não fazia a algum tempo.

Juvenal Gardenal - 1ª atuação

Juvenal

É tão gardenal
Fala e dança
Treme o pezinho
E solta risinho

Atua doido
Vadio sorridente
Tapado querido
Quer curar paciente

Fica doidão
É todo amante
Assim retardado
Brinca com acompanhante

Sorri com Zequinha
Quer casar com a da bicicletinha
Vai Manivela!
Vai Lolozinha!

Assim comecei
Meio atrasado
Meio vazio
Deu até arrepio

Rio de emoções
Arrebata profundo
Vamos logo
Já saí doido
Quero abraçar o mundo!

Dia do abraço

Juvenal Gardenal distribuiu abraços hoje e foi incrível. No começo, o pudor de alguém que desconfiava do taco de seu clown causava certo nervosismo. No final, apenas corpo cansado e coração preenchido. Confesso que, com o passar do tempo, a atividade ficava mais difícil. Daí todo o sentido daquilo que sempre nos diziam durante a oficina de iniciação "cuidado! cuidado! muito mais energia dentro, não a desperdicem com excesso de movimentos que pouco significam! Firmeza no olhar - epa! não deixa o olhar do teu melhor companheiro do mundo cair" Essa dureza em sustentar a verdade em forma de alegria horas a fio me fez questionar se ela não advém, justamente, do fato de não sermos verdadeiros uns com os outros na maior parte do tempo. Não encontrei a resposta...

Zeca Manivela 30.04.12

Diário de Bordo – Zeca Manivela – 30.04.2012

Aprontamento.
Pinta-cara, roupa tudo nos conformes.
Taquicardia.
Ouço corações ansiosos por um nariz e um corredor de hospital.
Calma, calma. A ordem é clara, muita energia, pouco movimento. 
Explosão.
Olhos brilhantes, narizes acesos. Chegou a hora, vamos lá!
Desafio.
Primeiro olhar, segundo, terceiro. Como eles são curiosos.
Amargar.
Vai um jogo aí? Que tal esse? Mas, esse poderia ser tão perfeito. Siga em frente, meu filho, a hora de amargar é agora mesmo. Mas, depressa, o há mais jogos ali.
Universo.
O que parecia ser impossível, desmistificou-se. Céu, Sol e Lua. Todos juntos, juntinhos em um quarto só. Só deles. Tudo isso para a surpresa de dona Eulália.
Saliente.
Que menino saliente. Onde já se viu querer casar com a freira? Se mulher que casa com padre vira mula sem cabeça, o que acontecerá com esse cara? Corre, quero nem ver essa mutação.
Agente. A gente.
Aqueles que zelam pela segurança também lançam e compram jogos. Esse mundo tá perdido mesmo. Ou, quem sabe, se encontrando.
Todo o chão se abre.
Certo de que vou voltar para o mesmo lugar, mas com a certeza de um outro mundo, até breve!

Primeira atuação

DIÁRIO DE BORDO - 1ª Atuação

Muita ansiedade, muita expectativa, muito medo, muito alvoroço, muito, muito. Finalmente o grande dia chegou. Era hora de eu dar o melhor de mim e mostrar paras as pessoas que eu realmente estava dando o melhor de mim. E foi incrível! Não tenho outra palavra para descrever. Atuar com Ramon del Tamborete e Nina Xurumela, meus melhores companheiros do mundo, foi algo inenarrável. Começamos brincando de esconde-esconde e, de repente, eu me vi gargalhando da nossa brincadeira que estava muito divertida. Até que chegamos no andar onde iríamos atuar e descobrimos que na verdade não estávamos num hospital, mas sim num castelo: havia reis e rainha, nobres, condessas, duques. Cada qual com seu título, com a sua história e o seu motivo de estar no castelo. Todos singulares. Muitos deles comprando o jogo e sendo realmente nobres.  Mas me chamou muita atenção um pequenino que estava lá, sua mãe pediu para que fossemos até ele, que no início estava tristinho  e com dor, pois ele estava todo machucado de um acidente de moto - moto não, acidente com cavalo, porque não existiam motos nos tempos de castelos - e lá estava ele tristinho e foi só eu chegar perto e começar a jogar com ele que um sorriso lindo abriu-se de orelha a orelha. Fiquei emocionada. É incrível como o ser humano precisa de tão pouco para ser feliz, e mais incrível ainda é que à medida que crescemos e nos tornamos adultos nos esquecemos disso, que simples coisas são suficientes para a nossa felicidade. Esse menino loubrou-se o pequeno príncipe, e ele era um pequeno príncipe de fato.
Nessa primeira atuação fico com as palavras "imaginação" e "realidade", lembrando-me da frase do filme Ponte para Terabithia : "feche os olhos, mas deixe a mente aberta".