segunda-feira, 29 de junho de 2015

CHIQUITA FURACÃO – HUT – 24/04/2015

 A volta é difícil. Dá medo de não conseguir. Dá medo de conseguir e parecer que não foi real. Expectativas em cima de você. E você sem expectativa nenhuma. Parar de pensar. E se tudo virar branco-vazio? E se o branco tomar conta de tudo? A volta é difícil. Estou de volta, dando voltas, até estar de novo de volta.
Núcleo do dia: Vivendo a filosofia do rio.

CHIQUITA FURACÃO – ABRAÇO GRÁTIS – 19/04/2015


Hoje quis ficar como expectadora. Depois de mais de 1 ano sem atuar, não sabia se conseguiria dar conta do recado. Além disso, minhas reflexões e confusões mentais tem me deixado muito introspectiva depois dessa volta pós-intercâmbio. É bonito ver a aflição misturada com nervosismo mais expectativa que esses novos palhaços transbordam nos olhos. Os mesmos sonhos, a mesma paixão que havia em mim quando estava no lugar deles. Não que isso não exista mais nos meus olhos, mas acredito que o sentimento se transformou. Lembrei da minha primeira atuação, do meu abraço grátis. Foi lindo ver aquele tanto de gente perdido em tanta gente e se encontrar em mais um monte de gente.

Núcleo do dia: Recordação.


Bartolomeu Barbudo – Atuação HUT – 25/06/2015





Palhaço-poeta.
Palhaço-Pessoa.

“o palhaço é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é alegria
A alegria que deveras sente
E os que riem do que faz
Na alegria sentida, o fazem bem
Não as duas que ele traz
Mas uma especial que ele tem.
E assim, nos corredores do hospital
Gira, a desafiar a tensão
Junto com companheiros sem igual
Fazendo do nariz, um coração.”


Baseado em Autopsicografia, do Fernando Pessoa.

João Negresco - HUT 26/06/2015

Oi :)
Nossa segunda atuação sem monitores, sem observação.
Foi um carrossel de energia, altos e baixos. Em um dos momentos eu gostaria que Pedrinho Palito e Frufruta Doce estivessem lá.
Depois de subir a energia e devolver a chave da galinha fomos procurar olhares disponíveis, no primeiro quarto energia alta! Jogamos com todos os hospedes e com uma técnica de enfermagem que estava lá, foi ótimo, demoramos bastante, e saímos procurando um creme da reniew pra rejuvenescer o irmão mais velho. No segundo momento um quarto de vaqueiro, seguuuuuura peão! Laçamos e deslaçamos, subimos a energia do local (e a nossa também) e no meio do jogo alto, entrou no quarto uma médica que tem o cabelo laranja, professora da universidade e seu grupinho de alunos, Tatá labokita e eu já estávamos saindo do quarto quando ela disse: "Depois a gente volta" Essa médica sempre está presente durante as atuações, e sempre está com um olhar, e um sorriso, disponível. Ela respeita, e acho que gosta, do nosso papel.
O último quarto, tinha um rapazinho que trabalhava com som, "Robsom som som" ele não queria jogar, a mãe dele queria e parecia estar bem disponível. As vezes ela ria, conversa com a gente, mas ''Robsom som som" não dava nem ousadia. De repente a mãe dele que falava "ele tá melhorando" começou a chorar, "Robsom som som" virou a cara e ficamos eu e Tatá labokita no silêncio constrangedor, sem saber o que fazer, sem saber se ainda éramos clowns ou se já estávamos como Dandan e Thaíse, enrolamos um pouco e saímos, tristes, sem ter noção do que teríamos que ter feito. No meio do corredor tinham dois jovens, que mexiam no celular atrás de uma rede wi-fi pra bulir no whats app. Subimos um pouco.
Tinha um dotô que usava o celular e perguntou se foi a gente que passou na televisão, se era o povo da psicologia que fazia isso e se era da UNIVASF.
Entramos no quarto, baixamos o nariz e quando procuramos a maquiagem, CAAAAADÊÊÊÊ A MAQUIAGEM???? Taquicardia, já tirei meu propranalol da mochila e fomos procurar se tinha algum companheiro atuando nos andares de cima, e que podiam ter pegado a make. E encontramos na clínica cirúrgica, lá tinham três companheiros atuando, Dinho vitamina C, Isabel Decibel e Chiquita Furacão. Foi tão lindo vê-los atuar, jogo alto, cheio de energia, emoção, VIDA! DISPONIBILIDADE! Arrasaram. Deu vontade de subir o nariz de novo. Mais tranquilos, saímos do hospital, Dandan e Thaíse, no melhor clima de companheirismo possível, discutindo o que foi bom, o que foi ruim e o que precisamos melhorar.
Ansioso pela próxima atuação.

domingo, 28 de junho de 2015

Diário de Bordo – Jamaisvista de Listras 23/06/15, Feriado de São João

Mandacaru quando fui morar na cerca... E é dia de São João, dia de fogueira e milho cozido, dia de canjica e casamento na roça. Aprendi a respeitar essa data que para os nordestinos é tão importante e hoje me empolgo só de saber que o São João está chegando. Mas nessa terça de feriado o dia começou diferente: precisamos fazer uma reportagem sobre o poder do riso e gostaríamos que a UPI participasse dessa reportagem o.O CHOCADA. AI-MEU-DEUS o que fazer? Já sei, vou ligar pra Gui e Dani, meus companheiros e ver se eles topam ir comigo, Sim! Sim! Sim! Somos clowns e não podemos negar o jogo!
A ansiedade me cercava e eu, que deveria estar acalmando os meninos por atuarem menos vezes, estava sendo acalmada por eles. Aí se vê o retorno das nossas ações, solidariedade é uma via de mão dupla. Frederico e Miguel, vocês me representam!!!
Quando os holofotes da São Paulo Fashion Week se acenderam estávamos lá, NÓS TRÊS e o mundo, e as câmeras também; foi meio assustador, mas foi assim, e tratamos de nos afastar deles para fazermos o nosso melhor, divertir e confortar. Que dia foi esse, quantas histórias lindas acompanhamos e quantas despedidas felizes.
Conheci o senhor Branco de
Neve que tinha cabelos feitos de algodão e simpatia que exalava pelo quarto, os problemas eram com ele mais quem dava o conforto à filha também era ele. Cadê aquela lei que dizia que quando passamos por um problema de saúde, quem está do nosso lado tem que nos confortar e nos dizer que vai dar tudo certo? As coisas se inverteram e nem percebemos, o problema é meu e o conforto quem dá também sou eu. Ah quanta força aqueles cabelos de algodão têm! Quantos ciscos ele limpou do olho da sua querida e frágil filha!

Foi um lindo dia lindo, foi uma linda atuação!

HUT - 26/06/2015 - Dinho Vitamina C

Quando o que se espera é nada mais nada menos do que o inesperado... parte 8/XYZ

Finalmente de volta aos eixos, e no auge do São João, que Isabel Decibel, Chiquita Furacão e este que vos escreve voltaram ao nosso querido HUT, ou como eu gosto de chamá-lo: "Traumas" (só para os mais íntimos).

Apesar de ter sido em pleno São João, não vi ninguém forrozando pelos corredores, embora nossa querida Diva sambava na cara das recalcadas a todo o momento, com sua chiquereza e sua pompa. Mas voltando ao São João, sim... o único resquício de São João que vi por aquele lugar foi na hora do rango. Vocês devem estar pensando, canjica, mungunzá... não, meus caros, Schin! Sim meus caros, substituíram o as bebidas por Schin e os soros por Caribé. E acharam que eu não perceberia, alguns me disseram que eu estava louco... diziam que era chá, mas tenho certeza do que vi!

Não é atoa que algo soava estranho, pacientes não muito empolgados e tal... pois é claro, estavam todos pra lá de Hong Kong...

Em meados de nossa aventura por aquela selva de suturas e bisturis, houve algo inusitado, algo que nunca vivera antes... Uma situação inusitada fez com que nossa amiga Chiquita Furacão transforma-se em Talita Siqueira por um breve momento, a fim de ajudar em uma situação complicada. Um rapaz com um corte bem punk (metade careca metade com cabelo) estava desesperado para levantar-se e pegar sua moeda que caiu no chão, o que não parecia uma boa ideia pra ninguém. Para ajudar na situação, Chiquita transformou-se em Talita, chamou as damas de branco e foram ajudar nosso amigo, o punk de 70 anos, a deitar-se e pegar o dinheiro uma outra hora. Participei dessa ação tentando convencê-lo de que o dinheiro não estava no chão e sim no travesseiro. Enquanto eu, Dinho, e Talita ajudávamos o pobre coitado, Isabel ficou cuidando de nossa fonte de energia, vinda das risadas inocentes de um guri bem animado. O trabalho em equipe foi bem executado, e nosso amigo deitou-se por fim, e Talita virou novamente Chiquinha. Bom trabalho tropa!

Após aquela situação toda, conseguimos ir até o fim, de um extremo à outro, ganhamos até balinha pela persistência (pelo menos foi o significado que dei a ela).

Como marinheiros, nunca sabemos como estará o mar enquanto navegamos, às vezes mais calmo, às vezes mais agitado, às vezes mais perigoso. Bom, esse foi o dia do Mar em Fúria, e sobrevivemos à ele graças à nosso trabalho em equipe.