sábado, 25 de outubro de 2014

Vivi Manteiguinha - HUT - 25/10/2014

Novo ciclo, nova energia, novos pensamentos, nova vontade de escrever, mas algo sempre continua: a amizade e companheirismo. Ainda não no meu novo lugar de atuação, mas já deixo minha saudade de atuar no HUT, minha escola de clown e minha saudade de não poder atuar toda semana com Cassandra Paçoca, minha eterna companheira de atuação. A gente não se larga não é? 
Só que o melhor de tudo foi ver a minha vontade de estar lá, de dar meu melhor e de ter aquele friozinho na barriga antes de cada atuação, me deixou em um contentamento enorme. De realmente saber que eu estava ali e que eu podia fazer a diferença, sentimento que por um tempo estava distante de mim. De ver tantos encontros, sorrisos e olhares tão lindos. E por fim, de realmente estar me reencontrando. 
O legal foi ver tantas pessoas abertas ao encontro, de ver não só pacientes e acompanhantes entrando na brincadeira, mas todos os profissionais do hospital comprando nosso jogo. De ver cassandra paçoca xavecando o residente e dando a sentença de que vão se casar, e ver o empenho do setor em contribuir para que isso acontecesse; de participar da campanha desencalha Cassandra. De aprender que comer em pé emagrece (começando minha dieta agora), de participar da orquestra do ronco, de ouvir toda a história das dezenas de gerações até chegar a escolha do nome de dona A.  
Deixo por fim, que nesse novo ciclo eu consiga estar aberta as possibilidades, é realmente me jogar no vazio, prestar mais atenção no meu coração do que na minha mente. Como é bom saber que Eu estou de volta.





sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Esperança Sambacanção - HUT - 24/10/14

Que pena que foi bom

Que pena que às vezes ser o que a gente é, não é o bastante. Sim, eu sei que eu já sabia disso, mas preciso ser sincero, tinha esquecido.

Que pena que às vezes querer ajudar não ajuda.

 Que pena que nem sempre um olhar encontra o outro. Porque eu olhei pra o olho e ela olhou pro pé, não era de olho que ela queria falar, era de pé, de pé no chão, realidade. A seta indicando o caminho passou despercebida, e sinto que mesmo tendo visto, escolheria outra estrada, não estaria pronto...

Que pena que até no hospital tenha gente passando frio, sem lençol, sem atenção e sem cuidado, e o mais penoso é que às vezes só o tentar não aquece, que pena precisar conseguir, e não bastar a intenção, a tentativa...

Uma pena também ver alguém não poder sentir sua dor, não poder sofrer o sofrimento, porque tem gente pequena que precisa dela, porque tem filho pra criar, porque tem filho pra buscar na creche. Eu não sei se é triste ou se é feliz, se é feio ou se é bunito, ver alguém que no meio de uma dor forte, encontra forças pra pedir ajuda, não pra si, mas pro outro, pro filho que tá longe e precisa que alguém busque.

Confuso... A vida é assim meio bagunçada as vezes. Que pena que ficou por nossa conta arrumar a bagunça que sabe Deus quem criou.

Mas que bom, que bom que eu posso ter a oportunidade de viver isso, que bom encontrar com tanta dor, e com tanta tristeza, acho que ajuda a perceber que a vida é maior que meu sorriso, que a minha alegria, e maior do que eu, que tem gente que sofre, e sofre sozinho, porque quem ta do lado não sabe sentir...

 Que bom que eu tentei; conseguindo ou não, eu tentei, que bom que eu me arrisquei mais uma vez a errar, e errei, numa certa medida errei, mas continuo com a sensação de coragem, coragem de subir meu nariz pra tentar o fazer o bem, mesmo, vez ou outra, fazendo o “mal”.

 Que bom que eu tentei emprestar meus dois dedinhos pra Dona Francisca, mesmo sabendo que ela queria era os dela. Que bom que por alguns segundos aquela mãe preocupada com os filhos, - nem que fosse por alguns segundos - ficou tranquila, quando a gente prometeu que ia pegá-los na creche. E que bom, que mesmo não indo até a lavanderia lavar com minhas próprias mãos o lençol de Sr. Bartô, eu não esqueci de perguntar a todos os que encontrei pelo caminho, o que é que eu fazia pra achar um lençol limpo naquele hospital.

Que bom mas que pena, que pena mas que bom também, que pena, que pena, que bom e que bom sabe, que bom que foi uma pena, que pena ter sido bom...  que tal!

E que tal a gente não parar? Porque hoje eu aprendi que não estou pronto, e consequentemente, não estou morto.


Rosinha dos Retalhos - HU 24-10-14

Rir é muito bom. Rir com o outro é melhor ainda. 
Mas hoje eu não queria rir, eu queria ter sentado com Dona Francisca e escutar o choro silencioso dela, pela falta dos seus dois dedos. Queria ter conseguido um lençol limpo pra Bartolomeu cobrir a metade do corpo que lhe restou. Queria ter ido buscar Diego e Diogenis na creche, e leva-los até sua mãe internada. 
Hoje eu queria ter sido uma super clown. Mas eu não consegui.

Núcleo do dia: que pena.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Rosinha dos Retalhos - HU 14-10-14

É hora de começar novos ciclos.

Nova companheira de atuação, novos encontros, novas experiências.
Hoje depois de um dia meio cansativo, encontro minha companheira aninha, e vamos juntas nos permitir ser Rosinha e Jamais Vista.
Nos arrumamos no repouso das enfermeira, e lá estavam três profissionais, cansadas, reclamando do dia, do chefe, do desrespeito que a profissão sofre. Não falo nada, apenas faço minha maquiagem, e escuto os desabafos. 
Saímos, e nos deparamos com um cavalheiro que abriu a porta corta fogo para nós. Com um quarto no qual havia castelos e fadas com dedo mágica, que será futura presidenta do Brasil (um dia, quem sabe). Com a vó que ficou linda com o laço de rosinha. Encontramos tia Uda, que tava doida pra saber que dia a bacia dela ia ser consertada. O homem que não parava de rir, e acabou contagiando o quarto inteiro, de repente todos no quarto riam ao mesmo tempo, sem nenhum motivo. Isso foi realmente muito engraçado. Ah, encontramos também o Maycon, que disse que eu tinha cara de trinta anos, fechei a cara com ele, e sai rebolando os meus vinte anos para ele. Quando estamos no quarto ao lado Maycon e o seu amigo aparecem na porta, aquele efeito procissão. Ahhh, isso é tão bom.
E minhas terças à noite serão assim a partir de hoje, espero. Sempre com novos encontros pelo caminho e a construção de uma amizade companheira, com Jamais Vista de Listras.




terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bartolomeu Barbudo - Atuação HUT 17/10/2014

Nesta sexta, tive o grande prazer de atuar com Toquinho de Geres e Lindonildo Varão! Saí direto da aula no hospital para a atuação no hospital! E como foi divertido!
Fazia tempo que não atuava, desde o fim do semestre letivo passado. Mas o ritual de subir a máscara, de estar junto das minhas companheiras traz a memória e a energia de atuações passadas e parece que aquele momento nunca se afastou de mim.
Tudo faz sentido quando estamos naquele corredor de hospital, vestido como palhaços e encontrando cada pessoa e cada paciente. Funcionárias e funcionários também. Faz sentido as oficinas de formação e aprofundamento, faz sentido a busca por um ambiente hospitalar mais humanizado e menos opressor, faz sentido a busca por uma promoção de saúde enxergando a paciente na sua integralidade.
Houve muita sincronia entre nós 3: Bartolomeu Barbudo, Toquinho de Geres e Lindonildo Varão. Suas energias me empolgavam ainda mais, a cada quarto, a cada encontro. Dançamos, fizemos dançar, paqueramos, encontramos o Lula e o sósia do Lula, Toquinho de Geres achou a irmã...


Foi uma atuação que me encantou, que me mostrou o quanto é bom fazer parte da UPI.

domingo, 19 de outubro de 2014

Esperança Sambacanção - Maternidade de Juazeiro - 17.10.2014

Doce, como o bolo de chocolate da enfermeira que se espantou ao ver o aniversário surpresa...

Estimulante, como a coca-cola gelada que compraram pra brindar a vida em pleno plantão...

Entrelaçado perfeitamente, como o ponto de crochê, da técnica em enfermagem que entre um soro e outro, termina o enfeite de pano da mesa de natal...

E por fim, colorido, como se colocassem dois palhaços verdemente alaranjados pra colorir um hospital de paredes bege.  


Núcleo do dia: “Lua de Chorrochó.”