segunda-feira, 21 de julho de 2014

Lupita Toin-oin-oin - HUT - 15/07/2014

Mais uma atuação… e te digo que estava morrendo de saudades de atuar, entre tantos feriados e jogos do Brasil, faz um mês que já não curtiu e vivia tantos encontros. E as minhas parceiras de hoje foram Creuza Carnaval e Teka Aquarela. Começamos embaladas ao som de Shakira, dando início a festa! E fomos atrás de outros embalos. No primeiro quarto entramos ao ritmo de uma valsa clássica ao nos depararmos com uma atriz que estava fazendo o papel de princesa, na verdade a bela adormecida, já que ela adorava ficar deitada. Para o papel ficar completo lançamos a proposta de achar um príncipe para ela, alguém que fosse muito especial, tanto quanto ou mais que a nossa princesa, mas ainda não achamos, e desconfio se ele existe mesmo. Ao entrar no próximo quarto, perguntamos o que queriam por ali, como fadas madrinhas: quais os desejos? E então a mãe nos pediu a voz do seu filho que havia sumido. Iríamos atrás dessa voz, e começamos a pedir mais detalhes, não daríamos qualquer uma. Então a mãe nos disse que era uma voz de 22 anos, nem grossa, nem fina, e uma voz masculina. E daí, começamos a nossa busca. Ao entrar no próximo quarto e procurar pela voz, soubemos que mais outro menino tinha sido levado a voz e um lado (que estava esquecido), segundo a mãe. E então contamos a ela da suspeita de ali estar havendo um roubo em massa de vozes, e para uma outra mãe que estava ao lado falamos para ela cuidar bem da voz do filho que estava a falar no telefone. No quarto posterior, eis que encontramos um rapaz cuja voz soava bastante grave, ele tinha 22 anos e então começamos a suspeitar tivesse sido ele o ladrão da voz... conversa vai e conversa vem, ele nos confirmou o roubo, e então ficamos sem saber como arrancar essa voz dele. Ficamos lá a enrolar, mas nenhuma ideia surgiu. Entre tantas conversas, descobrimos que naquele quarto também havia tido roubos de cabelo... e as vítimas logo suspeitaram de Creuza, pelo seu lindo e liso cabelo (digno de vilã global, segundo uma das vítimas). E depois de um certo tempo de conversa saímos porque lá chegou um doutor que queria colocar um supositório na gente já que não estava rindo, dizendo que estávamos constipadas já que tínhamos negado estar de TPM. Vê se pode uma coisa dessa??
No próximo quarto encontramos um garotinho que relutava e reclamava para tomar injeção... e então ele nos contou que no seu aniversário o Mickey estava no seu bolo. Falamos pra ele que conhecíamos sim o Mickey, apesar de ele não acreditar. E inclusive até mostrei pra ele o lenço de Teka, que tinha sido presente da Minnie, e ele continuou não acreditando. E deixamos a história pra lá. Mas ameaçamos ele dizendo que se não tomasse o remédio, o Mickey não mais apareceria no seu bolo, e ele começou a ficar pensativo. Depois que saímos do quarto dele, mesmo assim ele continuou a nos seguir, e interagimos bastante no corredor. E por fim conhecemos uma senhora muito simpática que podia estar em muitos lugares ao mesmo tempo, e ela era um amor de pessoa.

Mais uma noite encantadora, mais uma atuação rica em emoções... E um bem querer toma posse de mim... Vontade de encontrar e ser encontrada... Vontade de seduzir e ser seduzida... Vontade de olhar e ser olhada... Vontade de dar e receber atenção... Vontade de tudo de bom... E agora só a espera de uma nova noite cheia de magias e bons sentimentos. 

Esperança Sambacanção - Dom Malan - 18 de Julho de 2014.



“Um sorriso pode mudar seu dia. Um xero” 
       Dizia mais ou menos assim o recado que deixamos no balcão da enfermeira da oncologia. O clima do lugar estava pesado, as duas profissionais responsáveis por aquela área estavam claramente cansadas e sobrecarregadas, o dia parecia ter sido cheio e dentre tantos problemas nossa presença ali parecia inútil, ninguém me olhava nos olhos por mais que eu buscasse, e pareciam ter coisas mais importantes pra se dá atenção do que a palhaços que fazem mímica e animam crianças.
        O foco não era a gente, o foco não era o amor, ou o encontro que estávamos propondo ali. Foi difícil pra mim, foi difícil voltar aquele lugar que outrora me desestruturou tanto, e mais uma vez voltar mal recebido. Gled, mais do que Esperança, parece um pouco com Renato Russo quando ele canta: “Sempre precisei de um pouco de atenção...” chegar e não ser visto, mesmo que eu esteja com um nariz vermelho, lag verde e samba canção, me dói. É duro pra mim. Mas talvez uma terapia me ajude...
       Mesmo não sendo visto, eu e minhas companheiros procuramos enxergar; fizemos nosso recado, correndo pra não ser visto, e saímos dali. Plantamos nossa semente, só que não sabemos se irão regar ou se irão colher, essa parte não nos diz respeito. É preciso aceitar o ritmo de vida de cada um, é preciso ter cuidado com a história do outro e tudo que ele carrega. Cuidado, cuidado, cuidar... Sinceramente achei que era mais fácil.
       A Frufruta (Jully), que esteve conosco nesse momento, só quero pedir uma coisa; mantém a essência do teu nome, amadurece sem perder tua essência, não deixa de levem o Doce de Frufruta embora, e olha, vão tentar viu? Boa sorte pra você, boa sorte gente.

Núcleo do dia: “Telegrama, dizendo nego sinta-se feliz.”

Esperança Sambacanção - Dom Malan – 4 de Julho



O·lhar –
1. Dirigir a vista.
2. Fazer por ver.
3. Encarar, considerar.
4. Estar voltado.
5. Estar fronteiro.
6. Fitar os olhos em; ver; encarar.
7. Contemplar.
8. Cuidar de.
9. Exercer vigilância ou cuidado sobre.
10. Observar; notar.
11. Ponderar; atender.
12. Verificar com o dedo se a galinha está para pôr ovo.
13. .Ato de olhar.
14. Modo de olhar.
15. .Aspecto dos olhos.

            Tantas definições mas nenhuma define, encontrei com o olhar de uma criança nessa atuação, e foi um olhar que provavelmente eu leve por muito tempo em mim, o aparelho que ela tinha na garganta não a possibilitava falar, e se naquele dia a única forma de se comunicar era através do olhar, pra mim que ela era especialista nisso.
               Como dizem os barbudos “Clareia a minha vida, amor, no olhar..” ela clareou, me iluminou, me acendeu, jogamos um jogo pequeno, mas lindo de se ver, e ela agradeceu da melhor forma que ela podia, com um olhar, fundo e brilhante, (aquele, típico de gente pequena, de gente ainda pura) o sorriso também não era de ficar pra trás, era branco e grande, e combinava perfeitamente com a toalha cor de rosa que colocamos enrolada nela, pra se fazer de um vestido de festa, ela estava linda e iluminada, até o sol concordaria.
               Rosinha dos retalhos (nossa San), que naquela atuação deu o ar de sua graça, nos ajudou como uma boa monitora que ela é, nos mostrou aquela coisa de jogar pequeno e de fazer o simples - de que a gente tanto fala - plantou a semente dela em mim, e por mais difícil ou complicado que me pareça, eu espero sinceramente vê-la flores-ser. Porque o bem, pra gente fazer, antes a gente precisa receber.

“Pois é de Deus tudo aquilo que não se pode ver...” (L.H.)                                       
Núcleo do dia:                                                                                                                                          





sábado, 19 de julho de 2014

Frida Seriguela - HUT - 17/07/2014

Dedicatória que quer dizer quando todo o amor do mundo quer se exibir em uma só frase, então, dedico esse diário as minhas duas melhores companheiras do mundo que me acompanharam na última atuação.

Foi bem no susto, na catina fazendo um trabalho e chega as duas indo atuar... Senti vibrar essas bolinhas quatro dedos abaixo do meu umbigo, a caixinha que havia um tempinho que ficava ali, pediu pra percorrer pelo meu corpo, subir para os meus olhos e pintar meu nariz de vermelho.
Fui. Frida foi.

Encontrar dentro daquele banheiro frio os olhos brilhantes e enormes de Jurema das pamonhas e minha outra companheira do sorriso de metal Zefinha das laranjeiras. É quando encontro Frida de vez, é quando faço do meu redor possibilidade, é quando vem a sensação doce que dá no estômago ao se jogar no branco...
Dou suspiros toda vez que lembro de todos os encontros... Desde o encontro com Maca que logo depois virou Thiaguinho, até Dona Maria que sai todoooo ano na propaganda da globo e que esse ano ia ser gravada ali a de final de ano (Bem explicado o porque de todo mundo tá de branco...) porque hoje é um novo dia, de um novo tempo...
É quando surge um pequeno correndo pelo hospital, é quando o pequeno quer apostar corrida e não pode correr, é quando a gente faz uma corrida de Câmera Lenta e ele sempre vence! Beleza maior é quando a imaginação toma o espaço e nos tornamos capazes de fazer uma pipa, da cor que ele quiser e empinar no meio do corredor (E ainda fazer ele ser capaz de derrubar todas as nossas pipas...). Beleza são os olhos brilhantes que faz a gente descobrir que as vezes quem precisa daquilo somos nós.
Acertar o nome do rapaz que estava com o Cabo (que antes estava na bunda de outro senhor) na cabeça foi incrível. Tirando as dicas de relacionamento e o convite para o Copa Vela em Paulo Afonso... Do Traumas para o mundo! rs

É quando muita coisa começa a fazer sentido se é que é preciso mesmo fazer sentido... Me questiono as vezes se o mundo lá fora não é um pouquinho complicado e se eu não posso me juntar com a moça, do livro que li ainda essa semana, e simplificar um pouco as coisas e tentar entender o mundo de um jeito que ele possa ficar mais bonito.
E nessa maneira de entender o mundo, vejo sentido em quase tudo e quando não vejo, o nariz vermelho me dá de presente a falta de sentido como jogo. Me sinto com a jarra um pouco mais cheia...
Me sinto tendo a certeza (que segundo a moça do livro é quando a ideia cansa de procurar e para) de que isso tudo é por Amor (só pode ser ele...), porque a falta de sentido talvez seja por causa disso... Porque é Amor.
E quanto ao amor? A moça do livro não sabia explicar...

 "É um gostar que não diminui de um aniversário pro outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."

Permaneceremos sem sentido então... =)



terça-feira, 15 de julho de 2014

Atuações HU- Teka Aquarela

A parte boa de escrever diários depois de muito tempo é que os momentos marcantes ficam. Só as boas lembrança fazem parte da memórias.Depois de muito tempo, com 2 diários atrasados e 2 semanas sem atuar, me dar conta em lembrar do único momento que realmente ficou é algo sem palavras. 

Em suma, eu poderia descrever como uma atuação qualquer, em uma terça qualquer, com uma pessoa qualquer, no mesmo hospital de sempre, com a mesma máscara de sempre. Foram risadas, sorrisos,o sim para os jogos, a aceitação, o humor, o brilho,o toque, o espelho, o olhar. Uma atuação,como outra qualquer, com a mesma animação que tento fazer com que Teka leve a cada cantinho que passa. E ainda assim, o que fez esta atuação ser diferente?  Nada. Na atuação, Nada

Era um casal, em um quarto de hospital, cheios de vontades de sair de lá, que aceitaram um doce, que brincaram de espelho, que ele era professor de teatro, que eu peguei o buquê, que ele era bom partido mas seria melhor inteiro. Confuso? Começaremos outra vez: era um casal dentro de um quarto, que ela aceitou um doce, que ele brincou de teatro, que Mariqueta se viu no espelho, que o marido de Teka fugiu antes mesmo de se casar, Teka era o Branco e Mariqueta,o Augusto; ou era o contrário? Teka era o Augusto e Mariqueta era o Branco? 

O ápice desta terça tão igual a todas as outras foi o que aconteceu depois dela. Não foi um momento especial para Teka, ela mal sabia o que foi tudo aquilo; mas foi para mim, Andreza, que após conversar com os melhores companheiros do mundo descobriu algo muito especial. Com conversas e sentimentos aflorados após a atuação,Tathy- que estava de observadora neste dia- comentou conosco que aquela mulher do quarto, sim, aquela que aceitou o doce, que deu risada, que jogou o buquê, tinha um tremendo medo de palhaços.  Sim, de nós mesmos, daqueles seres portadores do nariz vermelho. E não, Teka não fez a menor idéia de que aquela moça tinha medo dela.

Não sei exatamente o motivo, mas saber deste medo de palhaço mudou toda uma visão que tinha sobre atuar e de como as pessoas podem superar seus medos, assim, tão delicadamente, de forma tal que nem nos damos conta. Cada ser é único nas batalhas que trava durante o vida e muitas delas nem são captadas por nossos olhares. Julgamos e criticamos muitas vezes sem saber o que passa com os outros e não nos damos conta de quantas e quantas vezes aquelas pessoas já caíram e se levantaram em um único dia.

Saber disto foi sim especial. Talvez não tenha sido um momento marcante para Teka, talvez um momento marcante para ela ainda não tenha chegado. Mas sim, para mim, saber disto fez muita diferença. Se me perguntassem antes o que eu faria se encontrasse uma pessoa com medo de palhaços na hora da atuação, provavelmente responderia “Não sei”. Hoje, a reposta seria totalmente diferente “Eu continuaria atuando até onde esta pessoa me deixar ir”, responderia.  

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Atuação no Dom Malan 18/06/2014 - Pedrinho Palito



Aos poucos venho me familiarizando com tudo isso sabe, estranho isso né? Meio que: véi você vem todas as quartas aqui se junta com essas meninas e vão para os quartos; porém não é só isso tem muito mais... desde o porteiro que olha seu crachá e se você está de tênis, até aquele corredor cheio de supresas, tudo isso é muito bom. Como é de costume eu cheguei um pouquinho atrassado sabe, ja chego pedindo desculpas e tal, e dessa vez esqueci o tênis, poxa e ai o que eu faço? "Moço mas ali no quartinho eu ja vou botar a sapatilha", "Não pode" ok então, entendo. Bota a sapatilha, entra, tira sapatilha pra tirar a calça, veste a roupa e bota a sapatilha, nunca foi tão difícil calçar essa bendita.
Hoje a missão de observar essa linda atuação que foi ficou com Richele. Logo no começo vemos 2 casais lindos se amando na área de ventilação hehe, o amor estava no ar, contagiou tanto que ja veio uma mulher pedindo pra abraçar, comecei a sentir que dali pra frente tudo ia ser do bom e do melhor. Pela primeira vez consegui ver o jogar com um profissional farmacêutico, coisa que ha muito tempo esperava, foi tão espontâneo que quando vimos mais na frente la estava ele se escondendo atras de nós e caiu pra dentro do jogo hehe. Sempre tem aquela criança que não estar muito afim, pois bem a

encontramos bem ali no primeiro quarto com a camisa do Brasil, ele não queria conversa, ficava envergonhado, a mãe ali super disposta e incentivando o filho... mas como quando é pra ser é pra ser mais ali na frente lá estava ele ali atrás de nós nos seguindo e se escondendo. Esse dia parece que tinha algo brilhando na gente que teve um momento que o corredor ficou lotado de gente e nós no nosso "showzinho" no quarto com o novo hit do momento  NUM SEI SEI LÁ.
Que hit é esse? Pois é sabe essas bendita palavra: Música, que nos acompanha, então dessa vez não podia faltar né e veio da proposta de um jogo de uma paciente que pedia pra colocarmos a musica na cabeça e dançarmos, estranho isso né, mas dai em diante ela só sabia rir e se movimentar, quando percebemos la estava la é cantando "Num sei, Sei lá, Num sei, Sei lá, hahaha(8)". Encontramos a missão do dia difundir essa música por todos os quartos, em vez em quando ela aparecia pra ver se estavamos fazendo o trabalho certo e relembrava como era a risada certa ;D
Nesses encontros e desencontros acabamos por ver um painel onde tinha escrito: NÃO LEIA u.u isso confundiu muito nossa cabeça e de algumas pessoas que passavam ali. Creio que elas também queriam ler e não estavam se aguentando ficar sem ler, acho que tinha alguma macumba ali porque todo mundo lia. Quando então fomos pegos de surpresa, na verdade a Magali foi capturada por um enfermeira e leva a um quarto, com muito esforço conseguimos libera-la. A ajuda veio e um homem que passava com um carro e pedia para adentramos dentro dele, mas fiquei com uma leve desconfiança que ele também nos queria levar pra ele... Uma menina apareceu com seu cachorrinho, ela foi dar um voltinha por ali com ele pra dar um respirada (não sabia que podia levar cachorro pro hospital).
Chega então a hora mais feliz, qual qual qual ? A HORA DO LANCHE o/ contudo mais uma vez não conseguimos arrancar um lanchinho delas, mas ela até ofereceu trabalho agente, quem sabe se no final ela não daria uma recompensa agente, sendo assim ela nos puxou para um trenzinho e lá fomos nós dando partida para mais uma atuação, UMA DAS MELHORES QUE JÁ TIVE.