domingo, 16 de dezembro de 2012

Diário de Bordo – Teca Lua Cheia 6ª atuação no HDM



“Cara, eu vejo você contando essas coisas e só consigo pensar uma coisa: que vocês são tipo uns anjos, sei lá. Sei nem o que falar, na moral, eu não teria as manhas de fazer isso nem f*dendo viu Ray. Eu acho isso mágica, na moral mesmo...”.
Esse é um trecho de uma conversa que tive com um amigo meu ontem. Contava a ele sobre a UPI e nossas atuações.
Mas, pera aí.
Manha? Que manha? Mal sabe ele que não temos manhas, não temos um molde, não tem nada pré-preparado, não há um roteiro a ser seguido. É preciso querer muito, estar em branco, não pensar e saltar no vazio. Porque é aí que a ‘mágica’ acontece.

Branco
Vazio


Sim, o branco – vazio me guiou nesse dia. Estava muito ansiosa e curiosa para saber como seria atuar depois de tanto tempo afastada. Enquanto a música tocava e nós nos concentrávamos para subir o nariz eu comecei a pensar na oficina e no picadeiro. Lembrei do branco – vazio, de que eu precisava não pensar em nada e me entregar.
Me entreguei, disse olá pra Teca e encontrei o olhar brilhante e disponível de Flavoca Paçoca.
Saímos seguindo nossas vontades e impulsos. Encontramos pessoas muito disponíveis, cujos olhares me alimentavam durante o trajeto. Preciso confessar que é muito difícil não poder entrar em outro setor que não seja a pediatria. Foi preciso conter alguns estímulos e deixar de acompanhar alguém que nos chamava porque nós não podíamos entrar lá.
Bom, chegando ao corredor com nomes de personagens em quadrinhos foi que a mágica realmente aconteceu. No segundo quarto em que entramos conhecemos a Francinete, que em pouco tempo virou Fran. Uma linda menina bochechudinha e muito fofa de apenas dois anos. Ela chegou ao quarto no colo da mãe com dois dedinhos na boca. Olhava-nos de um jeito tão especial que fez acelerar meu coração. Perguntamos a ela que gosto tinha o dedo dela e ela respondeu ser de café. Pois pronto! Aquela era Francinete cheirinho de café. Outra colega de quarto cheirou os dedinhos dela e disse que sim, ela realmente cheirava a café.
Nesse mesmo quarto encontramos o Wesley, um rapazinho de 11 anos que estava sentado em uma cadeira de rodas. Essa cadeira logo virou um carrão potente e saímos pelo corredor passeando com ele, que guiava nosso trajeto: direita, esquerda, sinal vermelho, entra nesse quarto. E nós seguimos a risca todas as orientações. Coisa mais linda ainda era ver que Fran e Gabi – outra coleguinha de quarto dos meninos - nos seguiam pelo corredor e nos ajudavam a empurrar o carro do Wesley.
Quando levamos o Wesley de volta aos aposentos dele nós pegamos seu carro emprestado e saímos passeando pelo corredor novamente. Flavoca empurrava Teca com a ajuda das meninas e depois Teca empurrou Flavoca e Fran, que ia no colo dela. Abastecemos o carro e o devolvemos ao dono, porque não íamos entregá-lo com o tanque vazio, né?
Fran apareceu com uma pulseira de sapo no pulso que fazia barulhinho quando ela mexia o braço. Em pouco tempo aquele barulhinho virou o som que guiava a nossa dança e depois a melodia da nossa música. A música era assim: ‘Em cima! Embaixo! Pra frente! Pra trás! Sobe tudo! Yes yes yes!’ Como vcs podem imaginar, os movimentos da dança seguiam as recomendações da música. Fran nos acompanhava animadíssima e a cada vez que terminávamos uma coreografia ela falava: ‘De novo’ e começava a cantar: embaixooo e levantava os bracinhos! Hahahaha, coisa mais linda de se ver!
Perdi as contas de quantas vezes dançamos essa música. Fran não se cansava.
Foi difícil sair dali. Fran queria nos acompanhar a todo custo.
No trajeto de volta ao quartinho uma ‘merda’ aconteceu. Estávamos eu e Flavoca super animadas andando e eis que surge uma moça bem peculiar no início do corredor com a cara fechada, óculos escuros e andando como se fosse Gisele Bündchen. Ainda naquela de branco vazio eu soltei um: e lá vem ela, a modelo super famosa na passarela e coisas desse tipo. Eu e Flavoca começamos a desfilar ao lado dela, que não estava nem aí pra gente. Do nada essa mulher parou e soltou um grito: Saaaaai de perto de mim, besta fera!
Tomamos um susto gigante, mas logo em seguida as risadas rolaram soltas.
Depois desse episódio ainda deu tempo de conhecer um funcionário do hospital que ficou dançando a música da Fran conosco.
Pessoal, quase me esqueço de compartilhar uma coisa com vocês. Houve outro episódio que me encantou no dia de hoje. Estou num momento de tentar desenvolver as habilidades corporais da Teca e seguir o que Gentileza disse: explore todas as possibilidades que esse corpo oferece, fale menos. Pois bem, entramos num quarto e uma menininha estava sentada em sua cama e nos acompanhava com os olhinhos atentos enquanto chupava sua chupeta. Começamos um jogo com o olhar. Ela olhava, eu me escondia embaixo de sua cama. Ela me procurava e me achava. Depois ela me procurava e não me achava mais, porque eu me escondia agora do lado de fora do quarto e aparecia pela janela. Ficamos nessa de esconder e achar por um tempo, enquanto ela soltava umas risadinhas gostosas. Quando resolvi ficar quietinha escondida eu encontro com ela descendo da cama e andando me procurando! Coisa mais linda! Melhor ainda foi perceber que a Teca consegue sim ficar calada! Hahaha.
Bom, foi isso que aconteceu! Estava com uma saudade enorme de tudo isso!

Um forte abraço,

Teca Lua Cheia.

João Canelão, 19/11/12

Diário de bordo 19/11/2012

Como deixar de ser arrogante.

Um dia me disseram que eu era arrogante. Mas que coisa! Como assim? Como uma pessoa, outrora tão alegre, sorridente, simpática, pode hoje ser chamada de arrogante? Será que eu realmente mudei? Será que perdi minha essência? E eu sou lá perfume pra ter essência?

Foi nessa busca de explicações que, por acaso, encontrei o clown. Nunca pensei que uma coisa tão singela como um palhaço fosse responder todas as minhas perguntas. Descobri que não havia perdido minha essência, apenas havia criado ao meu redor uma armadura. Um escudo. Um escudo forte de uma pseudo-arrogância e de uma enorme falsa auto-estima. Que me protegia. E que continua me protegendo. Afinal de contas não vivemos num mundo fácil. Não podemos demonstrar fraqueza. Não podemos titubear.

Um mundo onde, ao mero sinal de fraqueza, tem alguém para nos transpor uma espada. Por isso, continuo dependendo do meu escudo e não pretendo me livrar dele.

Entretanto, na palhaçoterapia, descobri um momento onde posso me desarmar, onde me sinto leve, sem armadura, sem espada ou escudo, sem mentira. Quando sou palhaço sou realmente eu, sou minha verdadeira essência e isso me faz muito bem. Acabo sendo o mais beneficiado dessa terapia. Me alimento dela. Sinto necessidade de atuar.

Infelizmente, não posso, nem devo transpor essa ausência de armas e defesas para meu dia a dia por que a toda hora descubro que o mundo é áspero, os mestres são frios e o café desce amargo.

Juju Danoninho - 26/11/2012, HUT

Querido diário,

Já faz um tempo desde que escrevi meu último diário.. Estava ansiosa por esse momento, e também um pouco medrosa, admito.. Logo encotrei Ulisses e Fabinho, e estávamos bem reticentes quanto
a essa atuação, será que estaríamos enferrujados? Como nossos clowns iriam interagir? Será que a Júlia, o Ulisses e o Fabinho atrapalhariam a Juju, o Zé e o Sancho? Sai, sai pensamento negativo, foca na energia, gerar energia e explodir o olhar.. e foi isso que fizemos, juntos nossos clowns agora iam com tudo, ganhar ou perder, descobriríamos juntos. E assim fomos, seguindo de quarto em quarto, não fomos em muuitos, acho que foram 4, mas todos estavam tão cheios de gente e e vida, conhecemos tanta gente legal, divertida e cheia de história pra contar. Aprendemos músicas de palhaço, arranjei um pretendente e aprendemos sobre a graxa das articulações. Ao fim daquela jornada éramos só sorrisos, um noite cheia de encontros, foi isso que ganhamos naquela segunda-feira.

Valesca Recheada, 27/11/12


Diário de bordo da atuação feita no HDM, com Pedro, e Priscila. .

Querido diário, fazia tempo q eu não atuava, as circunstâncias nos mantiveram afastados. Mas enfim voltei, e agora é pra ficar. A Valeska estava meia lerdinha, aliás muitoo lerdinha. E eu consegui discernir bem o que era típico dela, e o que era, a Vannessa interrompendo a Valeska. Mas, o fato é que eu me divertir horrores, meu Clown estava tão loucamente infantil. E isso foi lindo, Franchesca e Canelão foram lindões, me deixaram a vontade, e como uma criança num passeio eu me distraia toda hora, isso era bom e ruim ao mesmo tempo, tenho mesmo q aprender a controlar minha dispersão.
Teve um momento tenso na atuação, queria ajuda pra saber o que fazer, às vezes eu e meus companheiros seguíamos jogos diferentes, e quando eu voltava ou tentava entrar no jogo do outro me dava mal de alguma forma. Quando Canelão estava jogando com dois meninos, e eu vim falar com ele, um dos meninos empurrou a mão na minha boca, e eu tive vontade de esganar ele, na verdade foi Valeska q teve essa vontade, ela é muito brigona, e ás vezes esnobe, estamos trabalhando isso nela. Como eu deveria ter agido? Eu vou postar três videos no grupo e vcs vão entender oq aconteceu.

Bom, estou feliz, Valeska também, como é bom ser feliz! Beijos lindões

JUVENAL - 29/11/2012 - OITAVA ATUAÇÃO

Pinik, Xena e Juvenal juntos no HUT, que loucura, hein? No começo, a insegurança típica de quem não dava as caras em casa parecia falar mais alto. Juvenal não saía de seu confortável esconderijo há bastante tempo. Foi rápido, mas certeiro. Há muito para ser enchido e para ser derramado milhares de vezes. Então, vamo que vamo!

Flavoca Paçoca, 30/11/12


Petrolina, 03 de dezembro de 2012.
Diário de Bordo - Atuação no Hospital Dom Malan, dia 30 de novembro de 2012

Estes dias estive pensando seriamente em não mais fazer parte da Palhaçoterapia. Meu tempo tem estado tão escasso e eu não estava mais encontrando prazer em estar aqui. Acho que, na verdade, tinha esquecido a motivação do que me trouxera até aqui. Foi então, que Deus me concedeu a grande dádiva de conhecer Francinete.
Nesta sexta-feira, estivemos no Dom Malan, eu, Rayanna, Flavoca Paçoca e Teca Lua Cheia. Ganhamos um grande presente. Não posso negar que no início foi meio difícil para mim. Estava a tanto tempo sem atuar e eu e Ray esperamos tanto pelo dia em que atuaríamos juntas, que eu não sabia o que fazer ou como fazer (mas acho que é exatamente assim que funciona, não é mesmo?). Encontrar o olhar de Teca após subir o nariz me encheu de vontade e fez Flavoca aparecer de verdade.
Brincamos muito, nos divertimos, mas foi tão bom quanto o que ainda viria. Finalmente, chegamos a pediatria e encontramos nosso “Energético“, o nosso “Cafezinho”, a nossa Francinete. Uma bela menininha de dois aninhos que comprou todos os jogos, inventou tantos outros e esteve conosco em todo o hospital. E ao final de tudo nos fez dançar umas mil vezes uma coreografia, até Flavoca e Teca perderem todo o fôlego. “Pra cima, pra baixo, pra frente, pra trás, sobe tudo, Yes, Yes, Yes”. Acho que nunca mais vou esquecer essa coreografia.
Não podemos esquecer de Wesley que nos emprestou seu automóvel super potente para passearmos no Hospital. Passeou conosco e nos emprestou (devo confessar que sempre quis andar em uma cadeira de rodas).  Também temos Gaby que nos seguiu e que, mesmo em silêncio, foi muito importante para nós (principalmente porque me ajudou a empurrar a cadeira quando Teca estava sentada).  Sem falar de Cris com sua risada tão gostosa, ou de Caio (ou era Carlos? Meu Deus eu esqueci!)... Enfim, esse lindo garotinho veio atrás de nós pensando que não voltaríamos mais.
De fato, acredito que aquela atuação foi um conversa de Deus comigo, me mostrando o quanto é importante, principalmente para mim, estar na Palhaçoterapia. Foi uma manhã para lembrar o quanto é bom se jogar no branco e no vazio para que o dia de alguém e o seu próprio dia seja colorido e cheio de alegrias.


Flavoca Paçoca