sexta-feira, 8 de junho de 2012

Diário de Bordo – dia 18/05/2012 Luta Antimanicomial



Cuidar sim, excluir não!!! Fomos convidados para participar do movimento da luta antimanicomial, éramos muitos palhaços espalhados nas ruas comprando uma causa nobre e louca!!! Como Miojita domina todas as línguas, todos os instrumentos, todos os animais, ela foi às ruas com seu espírito revolucionário gritar pelo movimento de respeito, dignidade e humanização do cuidado a saúde mental. Foi uma experiência lindíssima e única.

Diário de Bordo (atuação no Hut, Pinik, Lisbela e Miojita) dia 24/03/2012



Hoje, Lis, Vitória e eu decidimos atuar!!! Quanta saudade das minhas velhas companheiras, as melhores...

Eu estava bastante nervosa, ansiosa e com medo!!! Medo porque duas novas integrantes do projeto iriam assistir nossa atuação e de certa forma acabo me cobrando muito, afinal querendo ou não acabamos sendo “o modelo” para eles, uma referencia. Diversos sentimentos escoavam em mim e como nossa última atuação depois do segundo aprofundamento foi tirrivel (como diz Vits) acabei internalizando isso e com certo receio de que pudesse fazer merda na frente de Daiane e Ray. Ainda pra piorar estava psicologicamente mal, baixo-astral, meio borocochô. Não iria deixar minhas companheiras na mão, então fui... Vestir a roupa, fiz a maquiagem e a hora de subir o nariz... ai Jesus!!! Não queria subir, era como se não tivesse preparada. Concentração tudo que eu quero eu quero muito!!! Ki nada isso não funcionava, então fechei os olhos e só escutava a voz de Gentileza com seu pandeiro e na terceira batida (pensei) eu vou e fui! Subir o nariz mesmo sem alcançar o estado de Clown e me alimentei nos mais lindos e brilhantes olhares de minhas companheiras que foram generosas. Miojita agora estava pronto e fui, no vazio, pronta para tudo, agora cheia de coragem e vida. E acredite minha gente, essa foi uma das melhores atuações que já vivenciei, quanta riqueza, como tudo fazia sentido mais ainda agora, o vazio - sem jogo pronto, como fluía naturalmente e como jogamos um lindo, não um belo, um belíssimo jogo!! Emocionante, vibrante!!! Escutamos nosso publico e fizemos o nosso melhor.... Miojita, Lisbela e Pinik estavam numa cumplicidade que dava gosto de se vê. Nem se que me lembrava da presença das meninas que estavam ali como observadoras (me desculpe meninas). Hoje pude também vivenciar o famoso ienchê e segue que tanto trabalhamos na oficina de aprofundamento. Escutei o meu publico e enchi o quá-quá-quá de um pato de uma senhora que comprou o jogo e juntas fizemos tantos quá-quá-quás!!! Sai do hospital realizada e aliviada!! Ao final sentamos as três para falar sobre a atuação e para ouvir as observações de Ray e Day. Hoje foi um dia incrível e como sair feliz da atuação, esqueci dos problemas, estava agora psicologicamente bem. Agradeço as minhas companheiras Vits e Lis pelo apoio e pelo encontro.

Atuação 2º Andar-Clínica Ortopédica: dia 12/11/2011



Em busca do tesouro escondido, eu, Joaninha e Lisbella saímos a procura de um mapa para orientar nossa viagem. Só que durante essa viagem encontramos no caminho pessoas e lugares incríveis!! Primeiro uma fada – madrinha que entregou-nos uma missão: procurar uma Pílula-falante para um garoto chamado R. Depois o garoto A. (este está no hospital a um bom tempo) o qual comprou nosso jogo e disse que sabia onde estava o mapa e iria nos ajudar. Ainda no caminho nos deparamos com um pirata de pouco cabelo e seu marujo cheio de piolhos-pulgas, com uma modelo fotográfica no inicio da carreira e com a mulher do Pé fashion. A. e seu amigo Tarcisio Chiquim Thiago nos acompanharam em toda aventura. Finalmente encontramos o local do tesouro e este segundo a fada – madrinha era um tesouro muito valioso que deveria ser distribuindo entre todos os tripulantes do navio Hut, abrimos o baú e dentro estava o tal procurado tesouro – a saúde. Então como havia sugerido nossa fada-madrinha flutuamos pelos corredores e quartos distribuindo o tesouro perdido para todas as pessoas.
Hoje foi uma linda atuação. O que ficou de mais marcante foi no final poder cantar junto com Lisbella uma música de ninar para um senhorzinho muito debilitado se acalmar e dormir. Gente isso foi de arrepiar até a careca do homem do quarto ao lado!!! Que sensação maravilhosa é está ali disponível para alguém que precisa....
Quando já estávamos nos despedindo de nossos palhaços, chega uma enfermeira (fada) e nos falou coisas lindas sobre nosso trabalho e isso me emocionou. Ter esse retorno dos profissionais é muito motivador, dá um gás para continuarmos com mais e mais Vontade!

Atuação 3º andar com Joaninha Geléia, Chico Esticado e Miojita Espuleta


Clinica Médica - dia 22/10/2011

Vontade, essa é a palavra para começar o meu diário. Peço desculpas aos meus companheiros Helô e Felipe, pois neste dia me faltou Vontade – Eu Quero muito, palavras essas que durante a atuação ecoavam dentro de mim, como se Gentileza estivesse do meu lado gritando-as. Hoje realmente não foi um dia bacana para Miojita atuar, sua companheira Hort´s esqueceu o nariz, voltou pra buscar e quando chegou ao Hospital havia se dando conta que esquecerá também o espelho e o short. Tudo pronto?  Será???? Subir o nariz sem está realmente no Clown e tentando me manter busquei o olhar de Chico, grande e brilhante, ali pude me alimentar. Todos em alerta e saímos em busca de aventura, ao chegarmos ao primeiro quarto fui trupicando nas muletas de um paciente, xará de Chico Esticado, esse era Seu Chico Chicote, acompanhado de sua esposa muito alegre que já foi logo reclamando que eu havia derrubado o pau do marido dela e tinha que levantar. Pronto, o jogo foi lançado pela mulher e compramos!! Foi bastante divertido! E quem disse que Miojiota queria levantar o pau do velho?? Como não tinha uma carta maior, e ninguém quis levantar, foi o jeito neh!! As demais pessoas do quarto compraram o jogo e tudo agora girava em torno do pau, um paciente reclamou dizendo que estava sem o pau e queria um também, e lá vamos nós – Miojita, Chico e Joaninha a procura de outro pau para o paciente. (gente, na hora pensei na cara de Wagner de sem graça se tivesse com a gente naquele momento, hehehe).Na procura desesperada por um pau reencontrei Dona R. e seu marido que estavam passando lua-de-mel no hotel com vista para o rio, foi ótimo revê-la e sentir a alegria e a disponibilidade em seu olhar quando a chamei pelo nome. A atuação foi legal, acho que deveria ter me entregado mais. Primeiro fui pra casa meio triste, depois refletindo pude perceber que altos e baixos fazem parte da nossa pesquisa, afinal “palhaço pronto é palhaço morto”!!!!!!!

Diário de bordo 31/05/12



Meu querido diário... Não querendo confessar, mas já confessando... gostaria de dizer que minha atuação hoje não foi das melhores. Estava cansada... exausta... meio pensativa... e isso atrapalhou bastante o andamento do processo. Minhas amigas Jujuba e Amélia foram espetaculares em suas performances. Confesso que ADOREI a atuação das duas. Acredito que a dinâmica do andar também não estava muito agradável, contribuindo assim para um não desenvolvimento satisfatório de minha parte. Para acabar de completar, encontramos um paciente extremamente “pra frente” como dizem os mais antigos para referir-se a homens enxeridos!!! Ave!!! Fiquei horrorizada com tamanha ousadia daquele senhor. Parecia que ele queria nós 3 para ele. Horrível! Uma sensação horrível senti quando ele nos elogiava com terceiras intenções!!!
              Hoje meu amigo diário, como você já percebeu, o discurso será breve e não tão agradável em relação à minha atuação. Quero deixar bem claro que o problema foi meu e não das minhas companheiras. Estas foram excelentes em suas atuações. Quero, por isso, deixar os meus parabéns às duas que realmente deram um show quando o que mais pairava no ar era simplesmente o “silêncio da face oculta”.
              Vou ficando por aqui com esperança que da próxima vez trarei boas notícias sobre mim. Inté mais! : )

Jujuba Magrela, 28.05.12


Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Jujuba Magrela, Juvenal Gardenal e Likita Ratatouille estavam no topo de uma montanha procurando ares mais frescos. Viram vários tipos de gente: vendedor de casaco, banqueira, cantores, atletas, dançarinos, e dois pequenos aventureiros – um deles era uma pequena garotinha que lançava bombas. Ao descer novamente para o litoral encontraram Pinik Dôrada, Miojita Espuleta e Zé do Respeito todos estavam à procura do motorista do trem. A chave do veículo se perdeu e eles meio que se perderam pelo caminho. Depois de muito tempo conseguiram viajar.

# UMA PAUSA # :  Diário de Bordo - Fernanda Samira, 28.05.12

Não devemos nos acanhar quando as coisas não saem como esperado. Cada visita ao hospital é um aprendizado. Com os altos e baixos dentro cada atuação é que percebemos o quanto estamos fazendo a diferença naquele ambiente e cumprindo – ou não – nosso papel ali: confortar o paciente e tentar transformar o hospital em um lugar mais agradável.

Como palhaços naquele momento, a tentativa de levar o lúdico é o meio escolhido pela UPI para amenizar o sofrimento daquele local. Provocar o riso fácil não é nosso objetivo. Expressar um palhaço-personagem, muito menos. O palhaço é um instrumento, mas a pessoa por trás dele é a medida, a alma, o humano.

Entender que se precisa ganhar a confiança do paciente para depois começar a brincadeira no mundo fantástico é fundamental nessa troca. Manter o olhar disposto a encontrar o outro – seja o paciente, seja o palhaço que está ali – é imprescindível. Saber a hora de parar e ouvir o outro e saber a hora de falar – mesmo que com um simples gesto é um desafio constante, mas precisa ser praticado.

A atuação hoje conseguiu arrancar bons risos e teve seus momentos de encontro com o paciente – mas sob duro esforço. As lacunas entre uma expressão de contentamento e uma de insatisfação dos pacientes e acompanhantes foram constantes, bem como, as lacunas de troca de estímulo entre os palhaços.

É preciso reconhecer que hoje todos nós merecemos jornaladas e precisamos perceber que falhamos mais que acertamos. Sinto que faltou um pouco mais de sensibilidade, mas vocês, palhaços, são meus melhores companheiros e sei que juntos vamos seguir em frente porque “eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor - e será -, mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita...”.