Diferente. Acho que isso resumiu minha atuação. Atuar sem minha companheira de todos os sábados; estar acostumada com nossa dinâmica, nossos jogos, me fez ficar um pouco perdida e acomodada no jogo. Mas isso não impediu que eu me divertisse e que a atuação me marcasse de alguma forma. Me fizesse refletir, aprender com os diferentes jogos de cada um. Assistir e ao mesmo tempo interagir com a energia contagiante de Carmelita das Buchadas e a paciência e conhecimento de Rosinha da Alturas. Esse conhecimento só faz de Vivi Manteiguinha uma clown mais completa.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Vivi Manteiguinha - 6ª Atuação no HU - 12/07/2014
"Saudade tem rosto, nome e sobrenome. Saudade tem cheiro, tem gosto. Saudade é a vontade que não passa. É a ausência que incomoda. Saudade é a prova de que tudo valeu a pena...". A minha saudade naqueles dias tinha vários rostos, vários nomes e um endereço muito certo. Era uma vontade de atuar que não passava e que incomodava. A UPI e o sorriso de todas aquelas pessoas era a prova de que tudo valia a pena. Colocar minha roupa de clown, minha maquiagem e subir a máscara; como eu estava com saudade daquilo tudo. Como eu estava com saudade de ver Vivi Manteiguinha em ação; de atuar com minha melhor companheira do mundo Cassandra Paçoca. De tentar levar a alegria para aqueles que estavam no 3º andar do Traumas. É gratificante receber o sorriso de uma criança, de ouvir que sua presença ali diminui a dor que esta sentindo. De ouvir que sua ausência por algumas semanas foi sentida; isso só completa cada vez mais minha jarra. Ao final da atuação eu e Mari Mari nos sentíamos mais leves, mas vinha em nossa mente o desejo de renovar, de aprender mais, de que mais ainda era necessário.
Marieta Nariguda - HUT - 18/07/2014
Eeeita diário há quanto tempo sem escrever, há quanto tempo sem atuar também.... confesso que Marieta estava fazendo uma falta enorme, mas eu e meus companheiros estávamos tendo problemas com os compromissos diários estarem chocando com o nosso dia no HUT, mas faremos de tudo pra que isso não se repita, afinal não são apenas os pacientes e acompanhantes que precisam de nós, a necessidade de atuar também nos atinge todos os dias, saudades de ouvir histórias, fazer jogos, se emocionar, sorrir, receber lindos olhares, enfim é tanto coisa que faz falta, que poderia passar horas aqui só escrevendo sobre isso.
Mas finalmente conseguimos atuar de novo, e logo notamos que nesse tempo que nos ausentamos muita coisa havia mudado, novos funcionários, e o movimento de pessoas tinha aumentado bastante, o que trouxe algumas dificuldades. Primeiro tivemos que nos arrumar com o entra e sai de gente no quarto, depois esperar o pessoal sair para conseguirmos subir a energia, mas nada disso nos impediu de sair cheios de vontade para descobrir o que nos aguardava naqueles quartos e corredores.
Uma coisa que nunca vou me cansar é de ver o rostinho e os olhos surpresos das pessoas quando dão de cara conosco, é muito bom, é o que faz sua energia subir ainda mas e querer se aproximar daquela pessoa, e assim fizemos nos aproximamos e ali começaria nosso primeiro jogo. E logo no primeiro quarto que entramos encontramos uma senhora cheinha de vontade de desabafar, de ter alguém com quem compartilhar suas dores, o descaso que fizeram com o seu filho que estava no quarto quietinho, um moço de poucas palavras, mas a sua mãe falava por eles dois.
Ali nesse mesmo quarto eu senti o quanto essas pessoas precisam do nosso trabalho, aquela senhora só queria ter alguém que parasse um segundo do seu dia e a ouvisse, e ela falou tudo que estava guardado naquele coraçãozinho angustiado, dos longos dias de solidão, e de sofrimento, e nos agradeceu muito, com toda sua simplicidade e sinceridade por termos passado um tempo ali com os olhos atentos e o coração aberto para ouvi-la.
O nosso próximo encontro foi com um rapaz que desfilava com um vestido azul, mas ele apenas passou no quarto e foi tirar o seu figurino que segundo ele poderia causar muita polêmica. Mas logo ali na frente nos reencontraríamos com ele, e outro rapaz que se dizia balconista de farmácia mas pra mim ele era um comediante e tanto, rimos com as graças dele, e com sua coragem de ter enfrentado o poste com sua moto para saber quem era mais forte, resultado o poste quebrou as duas pernas dele, e apesar de ter perdido desafiou Sancho a pular do terceiro andar pra ver quem caia primeiro no chão, pense num moço maluquinho.
Em seguida encontramos uma senhora e seu filho no quarto, ela também precisava conversar como a maioria das pessoas ali precisa, era nítido o cuidado que ela tinha com seu filho, e o carinho existia entre eles, apesar de todas as dificuldades eles tinham muito que agradecer, aquele moço tinha escapado de um grave acidente, um história linda de sobrevivência que nos dá um incentivo ainda maior pra valorizarmos nossas vidas e as pessoas que amamos.
No outro quarto havia um pequenino que tinha acabado de vir de uma cirurgia, confesso que era quase impossível não se encantar com o seu jeitinho cheio de doçura, seu sorriso apesar de tímido era de uma sinceridade incrível, e seu relacionamento com a sua mãe também eram de uma lindeza sem fim. Para minha surpresa ao entrarmos no quartinho para nos trocarmos, Fabinho contou para mim e Dan que esse pequenino teria que amputar um ou dois dedos da mão, que necrosaram, nós já sabíamos que ele tinha sofrido um acidente sério devido a bomba que estourou na sua mão, mas desconhecíamos esse detalhe.
Confesso que esse último fato me deixou bem triste, por ele ser criança e sempre que vejo alguma criança passando por uma situação delicada penso que poderia ser a minha irmã ali naquela mesma situação, só espero que ele saiba lidar com a situação com toda a sua doçura, porque não tenho duvidas que apesar de tudo ele ainda terá muitos momentos de alegria em que aquele mesmo sorriso tímido poderá reaparecer e encantar a todos que tem a oportunidade de recebe-lo.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Lupita Toin-oin-oin - HUT - 15/07/2014
Mais uma atuação… e te digo que estava morrendo de saudades
de atuar, entre tantos feriados e jogos do Brasil, faz um mês que já não curtiu
e vivia tantos encontros. E as minhas parceiras de hoje foram Creuza Carnaval e
Teka Aquarela. Começamos embaladas ao som de Shakira, dando início a festa! E
fomos atrás de outros embalos. No primeiro quarto entramos ao ritmo de uma
valsa clássica ao nos depararmos com uma atriz que estava fazendo o papel de
princesa, na verdade a bela adormecida, já que ela adorava ficar deitada. Para
o papel ficar completo lançamos a proposta de achar um príncipe para ela,
alguém que fosse muito especial, tanto quanto ou mais que a nossa princesa, mas
ainda não achamos, e desconfio se ele existe mesmo. Ao entrar no próximo
quarto, perguntamos o que queriam por ali, como fadas madrinhas: quais os
desejos? E então a mãe nos pediu a voz do seu filho que havia sumido. Iríamos
atrás dessa voz, e começamos a pedir mais detalhes, não daríamos qualquer uma.
Então a mãe nos disse que era uma voz de 22 anos, nem grossa, nem fina, e uma
voz masculina. E daí, começamos a nossa busca. Ao entrar no próximo quarto e
procurar pela voz, soubemos que mais outro menino tinha sido levado a voz e um
lado (que estava esquecido), segundo a mãe. E então contamos a ela da suspeita
de ali estar havendo um roubo em massa de vozes, e para uma outra mãe que
estava ao lado falamos para ela cuidar bem da voz do filho que estava a falar
no telefone. No quarto posterior, eis que encontramos um rapaz cuja voz soava
bastante grave, ele tinha 22 anos e então começamos a suspeitar tivesse sido
ele o ladrão da voz... conversa vai e conversa vem, ele nos confirmou o roubo,
e então ficamos sem saber como arrancar essa voz dele. Ficamos lá a enrolar,
mas nenhuma ideia surgiu. Entre tantas conversas, descobrimos que naquele
quarto também havia tido roubos de cabelo... e as vítimas logo suspeitaram de
Creuza, pelo seu lindo e liso cabelo (digno de vilã global, segundo uma das
vítimas). E depois de um certo tempo de conversa saímos porque lá chegou um
doutor que queria colocar um supositório na gente já que não estava rindo,
dizendo que estávamos constipadas já que tínhamos negado estar de TPM. Vê se
pode uma coisa dessa??
No próximo quarto encontramos um garotinho que relutava e
reclamava para tomar injeção... e então ele nos contou que no seu aniversário o
Mickey estava no seu bolo. Falamos pra ele que conhecíamos sim o Mickey, apesar
de ele não acreditar. E inclusive até mostrei pra ele o lenço de Teka, que
tinha sido presente da Minnie, e ele continuou não acreditando. E deixamos a
história pra lá. Mas ameaçamos ele dizendo que se não tomasse o remédio, o
Mickey não mais apareceria no seu bolo, e ele começou a ficar pensativo. Depois
que saímos do quarto dele, mesmo assim ele continuou a nos seguir, e
interagimos bastante no corredor. E por fim conhecemos uma senhora muito
simpática que podia estar em muitos lugares ao mesmo tempo, e ela era um amor
de pessoa.
Mais uma noite encantadora, mais uma atuação rica em
emoções... E um bem querer toma posse de mim... Vontade de encontrar e ser
encontrada... Vontade de seduzir e ser seduzida... Vontade de olhar e ser
olhada... Vontade de dar e receber atenção... Vontade de tudo de bom... E agora
só a espera de uma nova noite cheia de magias e bons sentimentos.
Esperança Sambacanção - Dom Malan - 18 de Julho de 2014.
“Um sorriso pode mudar seu dia. Um xero”
Dizia mais ou menos assim o
recado que deixamos no balcão da enfermeira da oncologia. O clima do lugar
estava pesado, as duas profissionais responsáveis por aquela área estavam
claramente cansadas e sobrecarregadas, o dia parecia ter sido cheio e dentre
tantos problemas nossa presença ali parecia inútil, ninguém me olhava nos olhos
por mais que eu buscasse, e pareciam ter coisas mais importantes pra se dá
atenção do que a palhaços que fazem mímica e animam crianças.
O foco não era a gente, o
foco não era o amor, ou o encontro que estávamos propondo ali. Foi difícil pra
mim, foi difícil voltar aquele lugar que outrora me desestruturou tanto, e mais
uma vez voltar mal recebido. Gled, mais do que Esperança, parece um pouco com
Renato Russo quando ele canta: “Sempre precisei de um pouco de atenção...” chegar
e não ser visto, mesmo que eu esteja com um nariz vermelho, lag verde e samba
canção, me dói. É duro pra mim. Mas talvez uma terapia me ajude...
Mesmo não sendo visto, eu e
minhas companheiros procuramos enxergar; fizemos nosso recado, correndo pra não
ser visto, e saímos dali. Plantamos nossa semente, só que não sabemos se irão
regar ou se irão colher, essa parte não nos diz respeito. É preciso aceitar o
ritmo de vida de cada um, é preciso ter cuidado com a história do outro e tudo
que ele carrega. Cuidado, cuidado, cuidar... Sinceramente achei que era mais
fácil.
A Frufruta (Jully), que
esteve conosco nesse momento, só quero pedir uma coisa; mantém a essência do
teu nome, amadurece sem perder tua essência, não deixa de levem o Doce de
Frufruta embora, e olha, vão tentar viu? Boa sorte pra você, boa sorte gente.
Núcleo do dia: “Telegrama,
dizendo nego sinta-se feliz.”
Esperança Sambacanção - Dom Malan – 4 de Julho
O·lhar –
1. Dirigir a
vista.
2. Fazer por
ver.
3. Encarar,
considerar.
4. Estar
voltado.
5. Estar
fronteiro.
6. Fitar os
olhos em; ver; encarar.
7. Contemplar.
8. Cuidar
de.
9. Exercer
vigilância ou cuidado sobre.
10. Observar;
notar.
11. Ponderar;
atender.
12. Verificar
com o dedo se a galinha está para pôr ovo.
13. .Ato de
olhar.
14. Modo de
olhar.
15. .Aspecto
dos olhos.
Tantas definições mas nenhuma define, encontrei com
o olhar de uma criança nessa atuação, e foi um olhar que provavelmente eu leve
por muito tempo em mim, o aparelho que ela tinha na garganta não a possibilitava
falar, e se naquele dia a única forma de se comunicar era através do olhar, pra mim
que ela era especialista nisso.
Como dizem os barbudos “Clareia a minha
vida, amor, no olhar..” ela clareou, me iluminou, me acendeu, jogamos um jogo
pequeno, mas lindo de se ver, e ela agradeceu da melhor forma que ela podia, com
um olhar, fundo e brilhante, (aquele, típico de gente pequena, de gente ainda
pura) o sorriso também não era de ficar pra trás, era branco e grande, e
combinava perfeitamente com a toalha cor de rosa que colocamos enrolada nela, pra
se fazer de um vestido de festa, ela estava linda e iluminada, até o sol
concordaria.
Rosinha dos retalhos (nossa San), que naquela
atuação deu o ar de sua graça, nos ajudou como uma boa monitora que ela é, nos
mostrou aquela coisa de jogar pequeno e de fazer o simples - de que a gente tanto
fala - plantou a semente dela em mim, e por mais difícil ou complicado que me
pareça, eu espero sinceramente vê-la flores-ser. Porque o bem, pra gente fazer,
antes a gente precisa receber.
“Pois é de Deus tudo aquilo que não se pode ver...” (L.H.)
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