quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jujuba Magrela, 19.10.11

Superfantásticamente!
As músicas são asas da imaginação
É como a flor e a semente
Cantar que faz a gente
Viver a emoção,

Por isso Jujuba Magrela, Chico Esticado, Zelícia, Lisbela Duracell e Tunica Caqui estão aqui e vão viajar nesse salão!

E, nossa, como a energia estava alta! Naquele mundo paralelo encontram uma bola-laranja-de-ping-pong e vão atrás de alguém que possa pegá-la para eles.

No primeiro quarto encontraram uma vidente. Depois viram no corredor dois homens que sabiam voar. Os palhaços também sabiam e voaram para longe onde encontraram um nadador profissional [seria ele Cesar Cielo?]. Todos fizeram uma piscina e observaram atentamente o desempenho do atleta e tchanram; tiveram aula particular de nado! Aí tiveram a ideia de procurar um peixe. Era uma competição – Jujuba, Zelícia e Chico “contra” Lisbela e Tunica. Quem achasse o peixe primeiro ganharia!

E olha que sorte: no segundo quarto Zelícia achou um lago e Jujuba e Chico a ajudaram na pescaria. Guardaram o peixe numa sacola vermelha. Todos do quarto estavam envolvidos.

Os três partiram para encontrar suas amigas para contar que já tinham achado o peixe e que tinham testemunhas. Mas acabaram entrando num quarto fabuloso: cheio de estrelas de Hollywood. Angelina Jolie e Tom Cruise são pessoas muito educadas e Chico apresentou o desfile de Jujuba e Zelícia. Partiram.

Trim trim trim. Entraram no quarto do telefone. “Traumatizante”. Ficaram ali alguns instantes mas ninguém foi capaz de atender o chamado. Tu tu tu tu.

A vida continua e Chico tinha que pagar um débito. Jujuba foi atrás de quem tivesse dim dim. Aí entraram no quarto da máfia: ali os pacientes contrabandeavam Tv’s. Para ninguém suspeitar de nada os três fizeram o Jornal do Traumas contando todas as fofocas, ops, notícias dos quartos anteriores com direito até a retrospectiva. Eis que lá vira um zoológico e tiveram que alimentar as corujas. No ato os palhacinhos se transformaram em um banquete espetacular. Até que surgem Lisbela e Tunica. Conversa vai e conversa vem, Jujuba se apaixona por Bisinho Esfigmomanômetro e organizaram o casamento: Jujuba a noiva, Chico o padre, Lisbela a mestre de cerimônia, Tunica a menina das alianças e Zelícia uma das daminhas. Todos deram pitaco no casamento até que foram embora para a lua de mel.

No ultimo quarto tinha um cavaleiro com duas muletas. Cavalgaram no quarto enquanto Lisbela conversava algo. Todos tomaram o chá da tarde e partiram.

Acharam um aviso dizendo que o prédio pegaria fogo e foram atrás da saída de emergência. Entrando no quarto a única saída viável era sair voando pela janela. Cada um deu seu salto e foi embora para voltar depois ! ! !

Joaninha Geleia, 22.10.11

Na atuação de hoje, com Chico esticado e Miojita Espoleta, Joaninha estava um pouco aérea. Desde o momento de subir o nariz já encontrei dificuldade em me concentrar e buscar a energia necessária pro clown “aparecer”. A saída da sala foi meio atrapalhada, tentei lançar um jogo, mas não teve a energia necessária para que meus companheiros pudessem compra-lo. Nos quartos, o clima estava bem tranquilo, o que facilitou nossa interação com os pacientes. Não tiveram momentos de gargalhadas e brincadeiras muito intensas, porém como dizia Gentileza, o foco não é fazer o paciente rir, mas sim interagir com ele, para que esqueça por um momento a sua condição de dor, de sofrimento, de internação. Apesar de conseguirmos alcançar os pacientes e atuar em todos os quartos do setor, inclusive com as enfermeiras, senti que muitas vezes deixei o jogo cair e não estava alerta como deveria. E mesmo que eu buscasse a todo momento o Estado de Alerta, parecia que meu corpo não me obedecia, foi meio frustrante até em alguns momentos. Espero que na próxima vez eu esteja mais preparada e que as experiências que são acumuladas a cada atuação me ajudem a melhorar meu desempenho assim poder ser a melhor companheira do mundo como meus companheiros merecem e fazer um jogo bonito como os pacientes e nós também merecemos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Chico Esticado, 19.10.11

Hoje foi a estréia de Chico Esticado no Hospital, a qual já tinha gerado grande expectativa. Em uma sala meio estranha, com uma bola de ping pong que se parecia com uma laranja, Chico, junto as melhores companheiras do mundo, saíram por aquela porta e adentraram os recintos dos pacientes. Encontramos uma vidente, que em meio a sua demonstração de poder, presenciamos uma cena pouco agradável. Aí percebi como seria difícil e diferente uma atuação no hospital. Por ser minha primeira vez ali, exitei em alguns momentos a entrar no jogo e, assim, acabei deixando minhas companheiras na mão. Um encontro com famosos de Hollywood foi um tanto recompensante, ainda mais com um desfile fashion de Zelícia e Jujuba. No outro quarto, entendi porque o nome do hospital tem a palavra “Traumas”, pois vivemos um que não será esquecido tão cedo. Não consigo olhar para pessoas no celular sem ter uma dor no coração... Enfim... Águas passadas não movem moinhos e a vida continua, numa corrida maluca... E cruzamos a linha de chegada e encontramos um cavalgador de mulas (sem-cabeça) e muletas. Ao seguirmos o vento e pularmos a janela, observei quão difícil é, e me dei várias jornaladas merecidas. Mas fica a dica para sábado: Cuidado com os celulares!

Joaninha Geleia, 17.10.11

Estado de Alerta! O Jogo começou! A Heloisa sai de cena e a Joaninha entra! Jujuba e Zeca me acompanham nessa extraordinária aventura. Viajamos da magia, à lobo mau e daí a papai noel, com direito até a rena que recebe 14º salário. De um pulo, ou melhor, uma voltinha de bicicleta em Brasília, de volta ao hospital, para então enfrentarmos o que pra mim foi o maior desafio de todos. Diante de um momento de dor e sofrimento da paciente que minutos antes ria alegremente pensando no Carlão, não deixar o clown cair e ao mesmo tempo fazer a jogada certa foi muito difícil, mas acredito que nós três conseguimos juntos passar por essa dificuldade. Depois do momento de tensão, nada melhor que um passeio de patinete seguido de cavalgada para encerrar a aventura da noite.
 É incrível como a oficina de aprofundamento faz diferença. Não que eu esteja arrasando no meu jogo, mas percebi como a minha disposição foi diferente. Apesar de deixar cair em alguns momentos ou não conseguir perceber todos os estímulos, pude notar que me apresentei mais para o jogo, mesmo que muitas vezes ele não fosse comprado e eu tivesse que amargar. Sinto que o crescimento está acontecendo, aos poucos, passo a passo, e é muito bom viver essa evolução com meus companheiros.

Joaninha Geleia, 08.10.11

Ansiedade e expectativa para a primeira atuação vem acompanhada de um pequeno probleminha: a gripe mais inoportuna que já tive. O lado bom é que pude contar com as melhores companheiras do mundo pra não me deixar cair. Lis, Hortz e Bia muito obrigada!
O momento de preparação, a maquiagem, os pequenos detalhes ...e então o nariz sobe e a Heloisa dá lugar a Joaninha Geléia  e a a mágica pode então acontecer.
Cada sorriso, cada olhar atento, ou apenas uma pequena espiada pra ver o que é que está acontecendo vale apena e é extremamente gratificante. Foi fantástico atuar, mas não posso negar que o nervosismo e a inexperiência me deixaram de expectadora muitas vezes. O estado de alerta, o corpo atento aos estímulos, a mente livre de jogos premeditados são todos pontos importantes a serem trabalhados para que cada atuação seja cada vez mais natural e jogo mais cada vez mais bonito.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Jujuba Magrela, 17.10.11

Balança que é uma loucura,
Morena vem ao meu lado,
Ninguém vai ficar parado,

E Jujuba Magrela vai mais uma vez pro Traumas! Dessa vez com Joaninha Geleia e Zeca Manivela!

O que os tirou do quarto dessa vez não foi nenhum mistério e sim a pura e simples euforia da curiosidade!

Entre muitas coisas vividas vale destacar o criadouro de pássaros numa caixinha ligada a uma mascara que ficava no rosto de uma mulher. Os passarinhos se multiplicavam numa velocidade incrível; ora eram 98 ora eram 100. E era uma luta para resgatar os benditos e coloca-los de volta na gaiola!

Nas andanças encontraram um quarto de contos de fadas com Lobo Mau, Chapeuzinho Vermelho, Mamãe e uma cama que falava “créééu”! Tamanha foi a confusão que Zeca enlouqueceu e única solução dada pelos moradores do bosque foi dar um novo cérebro para ele (que sorte que a Chapeuzinho tinha na sua cestinha uma serra e um cérebro extra!)

Eles também tiveram um sonho de criança realizado naquela noite. Puderam conhecer de uma vez só o Papai Noel, uma Rena e dois Gnomos ajudantes! Gnomos não moram no Polo Norte, Renas são australianas e Papai Noel para até o 14º salário para uma equipe que só trabalha 3 meses no ano – que trabalho maravilhoso! Para um bom menino na cama do lado do Noel nada mais justo que dar um presente. Ele não conseguiu falar o que queria, mas abriu um bocão de sono então os palhaços trataram de providenciar uma cama-mega-poderosa que fazia de tudo!

E no último quarto tinha algo especial! Uma moça mostrou o filho dela: um lindo celular com poderes de tele transporte. Não é que o danado depois de colocado na cama da mãe apareceu na cama da colega de quarto? Nesse mesmo lugar estava a Dama de Vermelho espalhando toda sua beleza e conquistando o coração malandro de Zeca [hoje dava até para achar que ele é do tipo que se apaixona fácil! hehehe] e adivinhem só a sobrinha da presidente Dilma também estava lá! A pobre sobrinha tentou ir para Brasília de Bicicleta e se machucou – mas só ganhou uma bota porque a tia não quis dar a outra.

O último quarto foi também do reencontro! Jujuba pode rever Roberto Carlos que os presenteou com outra mágica: fez desaparecer uma mulher! E Jujuba também pode se alegrar vendo sua amiga do isolamento agora ali, rindo, feliz, podendo puxar novas brincadeiras. E quando eles estavam lá veio a notícia maravilhosa: a mocinha teria alta naquela noite! Festa no quarto! Uma pena que os palhaços foram embora enquanto a moça sofria para ser transferida de uma cama para outra – não tinha nada no alcance deles senão partir e torcer para que ficasse tudo bem. Saber a hora de sair de cena foi essencial naquele momento.

E os palhaços se foram, com direito a voltinha de patinete no corredor seguido por uma cavalgada ! ! !

Pinik Dôrada, 08.10.11

Inicio esse diário avaliando nossa atuação de hoje como FANTÁSTICA. Foi a minha terceira atuação, que compartilhei com Hort’s (Miojita), Bia (Chiquita) e Helô (Joaninha). Começamos bem, desde a preparação, ao som de Aviões do Forró, Pinika tomou força e tomou conta do seu espaço dentro de mim.
Literalmente mergulhamos num mar de criação, e a correnteza nos guiou até o fim. Encontramos espécies raras de peixes, nos divertimos com coqueiros e seus cocos, e saímos junto com a maré alta.
Cantamos com Elton John de batina, assistimos um momento beleza de uma paciente que fazia depilação, dando-a força neste momento difícil de ser mulher. Momento beleza também de uma paciente que estava fora de forma, e o ajudamos a fazer exercício de abdominal na cama do hospital.
Encontramos o carrinho de raspadinha no dia do réveillon. Conhecemos a Rainha Elisabeth e seu bebê, Socorro, Seu Barriga, o príncipe e sua princesa que queria saúde. E para atendermos a seu pedido, nós organizamos um espirro em conjunto, seguido de SAÚDE. Por último, encontramos o maior e mais funcional membro do hospital, que atualiza as notícias, toca música, passa novela e até mostra a hora de irmos de volta pra casa.

Pinik Dôrada, 05.10.11

Oi diário, acabo de chegar da minha segunda atuação e me sinto triste, muito triste. Estou decepcionada comigo. Na minha primeira atuação que não foi lá essas coisas, eu me segurei na questão de não estar me sentindo muito bem, mas dessa vez também foi ruim e agora não tenho mais desculpas. Acho que à medida que reflito sobre o que aconteceu, vou encontrando algumas justificativas. A primeira é que percebi ter subido minha máscara cedo demais e talvez antes de ter acessado meu clown. A segunda é que me intimidei com as vozes dos meus companheiros, pela surpresa de vê-los desempenhando-as tão bem. Depois iniciamos e achei que aquela impressão de ter subido o nariz muito cedo passaria. Não passou. Meus companheiros conduziram os jogos belamente, e de tão belo não consegui deixar de admirar. Fiquei de expectadora a maior parte do tempo. Não consegui entrar nos jogos, isso me desestabilizou e me manteve fora do clown.
Criei muitas expectativas em relação a essa atuação que idealizei com meus companheiros Lisbela e Zeca, por saber que seriam fantásticos, como foram, mas frustrei todas, e por isso me sinto tão mal.

domingo, 16 de outubro de 2011

Mametuba de La Rossi, 03.10.2011

Mais uma vez foi muito bom...mas ainda preciso trabalhar muitas coisas. Por favor Mametuba sobreviva a próxima oficina está chegando! Sinto que ela está despertando mais, mas ainda estou pesquisando, acho que é uma pesquisa eterna. Ela precisa de mais autonomia, não sou eu, é ela. Enfim, depois de muito me massacrar por ainda não ter descoberto muita coisa do meu clown, vamos falar sobre as atuações. Bom é maravilhoso sempre, é gratificante aqueles olhares receptivos os encontros e reecontros. E no final ainda quando já não tínhamos mais tempo alguns olhares se acabando de rir e de vontade que nós fossemos lá, não sei não viu....Acho que dessa vez senti as pessoas comprarem mais o jogo. Bom por hoje só, mas tenho certeza que nas próximas vem mais, muito mais!

sábado, 15 de outubro de 2011

Jujuba Magrela, 07.10.11

Llegó el momento, caen las murallas
Va a comenzar la unica justa de las batallas

A primeira vez que Jujuba Magrela vai desbravar o Hospital de Traumas. Seria uma experiência traumatizante? Sim! No sentido de que o Traumas ficou enraizado naquele coração doce – pedindo: venha mais vezes derramar seu açúcar nesse lugar com gosto de sal!
Oye a tu dios y no estarás solo
Llegaste aquí para brillar y lo tienes todo
La hora se acerca, es el momento
Vas a ganar cada batalla, ya lo presiento

Embaladas por Shakira surgem Jujuba Magrela, Tunica Caqui e Formiga Espiroqueta!

E que lugar estranho era a aquele? Quem a tinha colocado ali? E como sair daquela sala que ficava bem no alto? Foi aí que elas viram uma nuvem que tinha passado do prazo de validade jogada em um lixeiro com símbolo estranho. Ahá! Ali só podia ser o céu!

E tinha uma nuvem safada tentando escapar pela fechadura da porta. Elas abrem e eis que passa uma nuvem ambulante. Uma nuvem de braços e pernas toda branquinha. Nenhuma duvida: para sair da sala elas tinham que pegar carona na nuvem. E o voo começa!

Como São Pedro é organizado. O céu é dividido em pequenos quartos! Jujuba fica surpresa ao descobrir que os anjos recém-chegados não entendem como o céu funciona e que a pessoa mais esperada por lá é o Dr. Curativo.

E que beleza! Elas encontraram o bendito Dr. logo no segundo quarto. Foi um momento marcante para todas as palhaças: um encontro de palhaça-pessoa-Deus. Inexplicável!

Era hora de partir para outras aventuras e as companheiras ganham o poder mágico de transformar dor em música. E assim fizeram para uma jovem que estava no isolamento [e como essa palavra tem peso para quem está lá dentro!] Por alguns minutos ali não era o lugar mais sozinho do hospital. Tinha uma paciente, uma acompanhante, 3 palhaças, uma servente dançarina, uma enfermeira e um publico enorme na porta. Todos unidos naquela difícil missão. Funcionou! Prenderam a dor e a música continuou mesmo com a ausência (física) das palhaças.

Nos outros departamentos ali perto encontraram vários cantores nordestinos: Dominguinhos, Sergio do Forró e Zé Ramalho! Cantaram, dançaram, envolveram e foram envolvidas. Até que encontraram Roberto Carlos que, pasmem, também é mágico e as ajudou a levar a luz para os outros quartos.

Espalharam saúde através de atchim coletivo, plantaram flores, entregaram celulares, descobriram como tirar o ronco de uma pessoa e inúmeras maneiras de acordar alguém!

Até que chegaram no maior desafio do dia: levar para casa alguém que estava muito triste e irritado por estar ali. Depois de tentar vários olhares, um foi aceito. E dentro daquele mar de fúria aquele senhor por alguns segundos estava no seu lar e as presenteia com um sorriso singelo mas que tinha o tamanho do céu inteiro!

É hora de partir.

Numa corda bamba lá vão as palhacinhas ansiosas pelo dia em que voltarão para aquele lugar que já terá um novo significado ! !

Tunica Caqui, 07.10.11

Ao som de Shakira nos aquecemos e assim como a musa nos envolvemos na música e o trio saiu  empolgado para desbravar o corredor. Uma touca presa na porta nos indicou o caminho para o céu, cheio de nuvens, como aquela que pela porta queria escapar. Encontramos vários anjos no caminho, um Dr. Curativo que tinha solução pra tudo. No embalo, em um quarto nos foi revelado que o senhor não sabia cantar, aí descobrimos que na verdade, ele só “cantava” a sua esposa e nessa melodia dançamos um forró. Por incrível que pareça no quarto ao lado encontramos em baixo da cama de um senhor o chapéu perdido do Rei do Forró, Luiz Gonzaga! E claro que assim, percebemos o porque de todos ali estarem meio abatidos, era ressaca da festa da noite anterior! :D Conhecemos um mundo cor-de-rosa, tudo da senhora era rosa, demos “Saúde!!!” a quem queria através de um “atchim” e até casa entregamos, flores regamos e entregamos um bouquet!

Um dos casos marcantes do dia foi a interação das pessoas da equipe de limpeza, do plantão... uma senhora da limpeza nos revelou um lugar privado (quarto de “isolamento”) e com um lisonjeio desse, a pedida da vez foi dançar. Naquele momento parecia que não havia ninguém a nos olhar, apesar da platéia que se fazia na porta do quarto. Dançamos loucamente nossa dança pessoal e foi super gratificante ver a chefe da enfermagem adentrar a dança, uns ASG’s também e a vontade dos internos só olhando!

O rabo de cavalo do cabelo se transformou em uma antena que captava informações das pessoas, e em um dos quartos funcionou para captar a mensagem de que a irmã gêmea da Tunica Caqui havia visitado outro dia lá o hospital. A senhora olhava e dizia: “eu lembro de você, eu a conheço...”, chamou o filho para comprovar que ela me conhecia e ao gritar “Roberto, Roberto!!” viramos tietes do Roberto Carlos.

“O importante é que emoções eu vivi”. E uma delas, para fechar a atuação com chave de ouro, foi a de um senhor meio ranzinza, com um olhar desconfiado, que observou toda a atuação no quarto como se houvesse uma parede de vidro que o separava de tudo, e o tornava espectador. Essa parede foi se desmanchando e sem temor fomos em sua direção e dissemos que aquele era o quarto mais animado e ele tinha ganho o passaporte pra lá, e no prêmio ainda havia um desejo a ser concedido. Ele desejou sua casa e lhe demos uma, com direito a entrada pela porta e tudo. E nós ganhamos o que? Um sorriso sem graça que se desmanchava em um sorriso sincero! o//

Tenho os melhores companheiros do mundo, e o jogo é lindo quando se joga com vontade, deixando sair aquilo que nem a gente sabe que existe escondidinho aqui dentro.

Zeca Manivela, 05.10.11

A vida do palhaço tem muitos desafios. O nosso primeiro deste dia foi perceber que ninguém tinha músicas que ajudariam a assumir nossas condições de Lisbela Duracell, Pinik Dôrada e Zeca Manivela. Decidimos nós mesmos, donos das mais belas vozes ilustrar esse momento musical. Parodiamos La Bamba e assumimos nossa seriíssima condição de palhaços!

Avante palhaços!
O parto.
Quem poderia imaginar?
Mas, sim, estava lá!
O filho de Lisbela com, com... Zeca?
Depois da gentil parteira atuar,
Tirando aquela criança de um ventre
E a oportunando a mamar,
Observo. O nariz tinha alguma semelhança.
Mas, só. Lembrei-me do vizinho,
Do dono da padaria e até do vigilante.
Será? Eu sei que era dela,
Mas, já do Manivela...

O casório sem lua de mé.
Mirei a vista numa mocinha
Parideira que só ela,
Averigüei os quarto da bixinha.
E ainda, sôrtera, tive que ajudar!
Butei a sôrtera no palco
E a fiz disfilar.
Logo sem demora, ela me arranja um par

Ela que logo é casar!
Vendo a ligeireza daquele cenário,
Michael andou pra trais
Disse não na cara do vigário.
Mas a mocinha ainda quis mais!
No que era pra ser fossa
Ela transformou em bossa.
Jogou para seu buquê para trais
E saiu em busca de um novo rapaiz.

Menino Saudade
Com sua espontaneidade,
Ah, ele vai fazer falta!
Alegra velhos e mocidade,
É um banguelo peralta.

Ele? Um jogador!
Lança um, recebe outro
Parece nem sentir dor.

Cantor de funk profissional
Rouba risos com categoria
Absurdamente sem igual.

Inspirei-me em sua generosidade,
Ele colocava amor com facilidade
Pois, dava a todos de presente
Gargalhadas. Mesmo, naqueles sem dente.

Sem mais, despeço-me com um profundo agradecimento aos meus melhores companheiros
do mundo.

Zeca Manivela.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Rosinha Motoca, 03.10.11

Que maravilha foi o dia de hoje!!! No começo estava meio tensa por causa dos imprevistos que aconteceram na minha primeira atuação, mas no final tudo ocorreu nos conformes. Adorei a companhia das minhas companheiras de viajem – Mametuba de La Rossi e Chiquita Oião. No começo achava que iria dar tudo errado como no sábado, por causa do atraso. Pensei: “Não pode ser!!! Mais uma vez vai dar errado?” Fiquei triste com aquilo!!! Mas depois de 30min de atraso, pudemos subir, pois a equipe já estava completa. Acho apenas que nós como um todo, precisamos estar mais atentos com o compromisso do horário. Por causa desse atraso, não conseguimos ir em todas as enfermarias e quartos. Isso é só um toque que eu acho que precisamos melhorar, para que o nosso projeto torne-se cada vez mais completo e sem faltas. Mas de toda forma isso não impediu a nossa atuação onde podemos alcançar. Como a foi bom, gratificante e divertido!!! Rosinha não parava de dar risadas a todo o momento junto com as suas amigas e, é claro, com os componentes do 2º andar. Todos foram abordados, até mesmo o médico que estava presente e que, com toda bondade, também comprou o jogo conosco. Foi bom!!! Tô dando pulos de alegria aqui!!! Ai que alívio!!! Alívio porque dessa vez deu certo. Até mais!!!

Formiga Espiroqueta, 26.09.11

Cheguei ao hospital impaciente, não nego. Talvez mais preocupada do que impaciente. Estava com a semana corrida, milhões de atividades, provas e trabalhos. Cheguei até a pensar que meu clown talvez não conseguiria dar o melhor, pensei que não conseguiria me concentrar nos jogos e nos meus companheiros que, aliás, sempre são os melhores. Alguns desencontros fizeram com que eu atuasse apenas com Nina. Começamos um pouco atrasadas, diga-se de passagem. 
É surpreendente perceber o quanto a palhaçoterapia é, de fato, uma terapia. :) Terapia esta não apenas voltada ao paciente, mas que inclui o próprio clown. O modo como cheguei ao hospital e o modo como saí: duas pessoas totalmente diferentes! As atuações me ajudam a perceber o que vale a pena, de verdade, na vida. Coisas que as tarefas do dia-a-dia fazem questão de abafar. Parafraseando Lenine:

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei a vida não pára
A vida não pára

domingo, 2 de outubro de 2011

Rosinha Motoca, 01.10.11

Hoje meu comentário vai ser bem breve querido diário. Eu e Rosinha estamos triste, pois não pudemos  atuar. Confesso que estava tensa com a segunda atuação, por causa de alguns probleminhas da primeira atuação, mas de toda forma eu fui. Fui... ou não fui... Na verdade eu fui, mas Rosinha não pode expressar-se naquele momento. Que triste!!! : ( Deixo aqui os meus "pêsames". Até breve!!!

sábado, 1 de outubro de 2011

Mametuba de La Rossi, 01.10.2011

Infelizmente não temos o que contar de hoje, nossos clowns acordaram doidos para se exteriorizar mas acabaram murchando, a nossa maquiagem importante acessório foi esquecida por nós ou por nossos companheiros talvez. Mas não me conformarei, fiquei muito triste por não ter apresentado Mametuba para as pessoas que talvez estivessem esperando a nossa visita nessa linda manhã de sábado....e nós esperando encontrá-los, nos ligarmos a elas pelo simples instrumento do olhar, e dá cada vez mais combustível e amadurecer o nosso clown cada vez mais. Espero não ter que cortar o barato da Mametuba outra vez, ela quer muito o o lugar dela em mim que já é só uma vez na semana...Também fiquei triste por meu companheiro Felipe que apresentaria pela primeira vez o Chico Esticado para aquelas pessoas, enfim o amargar de hoje foi muito ruim mesmo.

Chico Esticado, 01.10.2011

Sem Chico Esticado...

Hoje foi o dia que Chico não apareceu... Pois bem, fui até o HUT no horário planejado e encontrei meus companheiros, os melhores companheiros do mundo. Ana Karla e Andressa estavam lá e logo perceberíamos um desencontro que afetaria nosso dia. Ansiosos por atuar e deixar acordar os clowns, conversamos sobre como seria nossa preparação, quando nos demos conta que estávamos sem a maquiagem. Aí a porca torceu o rabo; começamos a ligar para os outros companheiros, mas sem obter avanços em encontrar a bendita maquiagem. E sem uma parte da identidade dos nossos clowns, decidimos que a atuação não seria possível. Fiquei chateado com esse acontecimento, e resta agora a reflexão ao grupo sobre como devemos proceder em relação a esses pequenos detalhes que fazem a diferença. Acho que, em parte, temos culpa por esperarmos alguém trazer a maquiagem ou não termos nos articulados com quem ficou com a maquiagem, ao mesmo tempo que quem ficou com ela poderia ter se manifestado e nos procurado para repassar o kit. Enfim, isso não importa mais, pois não apoio nenhuma “caça às bruxas” para saber de quem foi a culpa por esse mal-entendido, mas temos que, através de análises e críticas construtivas, discutir um melhor planejamento para esta e outras situações que possam acontecer novamente. É assim pessoal que podemos melhorar o nosso projeto, sem apontar dedos para os companheiros, mas unindo as mãos para que juntos possamos aprimorar nossos métodos e atingir nossos objetivos!

Tunica Caqui, 19.09.11

1º Andar (Clínica Ortopédica) com Tunica Caqui, Mametuba de La Rossi e Formiga Espiroqueta.

Navegar por mares nunca antes navegados é sempre uma experiência com frio na barriga, mesmo para Tunica, Mametuba e . Embarcamos em uma aventura que se iniciou ao abrirmos a porta e encontrarmos com um rapaz que nos ‘liberou’ a passagem para a área desconhecida. De cara encontramos um moço e uma garota, mas a mesma não curtiu nossa alegria, estavam descendo pra comer algo, acho que era o monstro da fome que a dominava!! No penúltimo quarto da atuação encontramos com ela novamente e ela já se lançou dentro do jogo!

Jogamos muito. De início, a atacante praticamente artilheira do time era a Formiga Espiroqueta. Ela estava mais liberta, mas aos poucos vendo a interação fui também me desprendendo, acho que ajudou muito termos encontrado uma criança no primeiro quarto em que entramos. Tímido, se escondia, mas ao mesmo tempo era perceptível no olhar que ele queria brincar. Entrou no jogo também a sua mãe, e como não recebíamos estímulo deles, a Formiga lançou a idéia de que aquele dia era especial, e estávamos imbuídos do poder de conceder um desejo pra cada pessoa. Só não valia qualquer coisa e dinheiro, porque esse tava em falta no mercado! Um dos pacientes do quarto, pediu que lhe trouxéssemos a sua namorada que mora longe, e nos apresentou uma foto dela, a qual pegamos, circulamos e adentramos o quarto em busca do seu leito novamente. O sorriso dele foi contagiante e assim ainda realizamos mais um pedido seu, que era caminhar pela enfermaria com aquela primeira criança, que era seu amigão do hospital e como ele estava de preto, lembrei do MIB homens de preto e começamos a circular cheio de pose no quarto. Sobre os desejos, ainda dançamos, os presenteamos com nossa cantoria porque não tinha música e entregamos a um sábio idoso uma casa no seu leito.

O rapaz que nos pediu a presença da sua namorada tinha pinos nas pernas, e seus pinos era dourados com preto e pareciam um braço de guitarra. Na hora eu Tunica Rock’n Roll queria desabrochar, mas o jogo do momento ainda tinha um lindo potencial de crescimento. Deixei-a dando um gás internamente com a empolgação.

O outro quarto que entramos tinha um senhor comendo que não queria ser atrapalhado e um outro que era muito desconfiado, mas que ainda recebeu como concessão do seu pedido um carro, nada resistente, feito de Mametuba, Formiga e Tunica, mas um modelo lindo! :D O jogo não perdurou muito lá e seguimos para a outra porta, e lá estava uma senhora sentada com os olhos nos dizendo ‘boas-vindas’. Ela e sua companhia estavam ouvindo forró ao celular, e o seu pedido a nós foi também uma canção, mas o repertório mudou e dançamos e cantamos ao ritmo de uma música gospel. Eu não sabia cantar nada, não conhecia a letra, mas naquele momento, o mais importante era tentar realizar o pedido. Em um outro leito um rapaz também solicitou uma música gospel e como eu não sabia nenhuma, incorporei a apresentadora do show das cantoras.

A Dona R. foi uma surpresa marcante no dia. Quando chegamos no seu quarto e interagíamos com a outra paciente, ela estava deitada, repousando com os olhos fechados, e depois começou a querer se levantar, mas não conseguia sozinha. Nessa hora nos pediu ajuda, mas não tínhamos conhecimento de sua mobilidade, então, não podíamos mexê-la como ela queria. Bia chamou uma das enfermeiras que chegou e arrumou o decúbito preferido, e a D. R., acordada começou a interagir conosco. Sua blusa e seu lenço eram floridos, e começamos a dizer que refletia a sua alegria, que ela tinha um excelente bom gosto e que ela seria a partir de então nossa consultora de moda para melhorar nosso figurino. Ela nos disse que nada precisava ser mudado, estava tudo lindo, que a gente não esquecesse o nome dela e que retornássemos mais vezes, que ela era uma pessoa alegre, mas que o hospital e essa coisa ruim que ela estava passando estavam a deixando calada, triste. Foi então que falamos que o nome dela* combinava com a sua roupa e com vibração, alegria, que não iríamos esquecê-la e que ela tinha direito a um pedido, o qual foi para tirar tudo de ruim que ela estava sentindo. Recebemos dela o ‘combo’ de coisas ruins e pensamos em jogar pela janela, mas poderia acertar alguém, então jogamos no lixo e concluímos mais uma das solicitações!

Andando pelo corredor vimos uma moça sentada à porta de uma das enfermarias sobre uma escadinha. Parecia uma modelo fotográfica em ação. E como já estávamos no clima da moda após as dicas de D. R., incorporamos as modelos na passarela (corredor) e descobrimos que a única forma de entrar para o quarto que a moça vigiava era sendo também uma modelo e assim desfilamos com umas senhoras no quarto, recebemos mais dicas de beleza, troquei meu lenço rosa com a Espiroqueta e tivemos um momento ímpar: houve uma senhora que deitada sobre o seu leito começou a chorar quando dissemos que ela poderia pedir o que almejasse e um lindo momento ocorreu: ela segurou a mão de Mametuba e trocaram olhares sinceros por um bom tempo. Esse foi um dos quartos mais emocionantes. Tive dificuldade de não sair do clown quando vi uma paciente que semanas atrás havia dado entrada no hospital em intensa dispnéia por derrame pleural caminhar de um lado a outro da sala desfilando conosco e dando gargalhadas.

O próximo quarto que entramos foi um indicado por um homem que passava pelo corredor e começamos a desfilar juntos. Perguntamos de onde é que um modelo tão bem treinado estava vindo, que precisávamos encontrar esse lugar. Na enfermaria, encontramos um senhor que ria sem parar com a nossa presença e fazia sinal de ‘legal’ e falava: “aí, amizade!!”, que virou nosso cumprimento aos demais pacientes. Um dos acompanhantes estava repousando sobre uma cadeira meio alongada, que me recordou um daqueles equipamentos de academia que se usa para fazer abdominal. Como percebi a receptividade dele, lancei o jogo de que eles ali se preparavam o corpo pro desfile na passarela, que ele fazia muito bem ao trabalhar o abdome para ficar tanquinho! Ele comprou o jogo e disse que quem quisesse poderia também malhar a ‘barriguinha’.

O último quarto que adentramos vimos as pessoas conversando e entramos na conversa: o assunto era dormir. Uma das pacientes tinha a mania de dormir sobre a mãe e queria essa posição para dormir. Uma senhora preferia dormir de ladinho e um dosacompanhantes, vendo que estávamos juntando uma posição a outra para criar uma nova posição para acabar com nossa insônia, nos disse que preferia de bruços, de forma que juntando as posições indicadas iríamos sair rolando pela cama. Gostei muito disso, ele comprou o jogo e surpreendeu!

Ao fim, fomos ao final do corredor onde um menino e seu pai observavam a janela do corredor. Ele disse que gostava da vista, perguntamos se dava para ver a casa dele, e ele disse que não, por que morava no José e Maria (bairro petrolinense). O seu pai perguntou se conhecíamos e eu com muita destreza confirmei que sim, e que aliás, adorava José e Maria, sabia a história inteira, me lembrava do pé de feijão e perguntei se lá eles tinham muito feijão pra fazer uma feijoada bacana! Eles riram e eu senti aquilo como um dos meus melhores presentes do dia, eu que, de início me senti meio travada, que amarguei com a garota que não curtiu nossa intervenção, ter respondido aquela resposta criativa sem nem ter percebido que seria tão boa assim!

Depois de um tempo lá interagindo, nosso tempo chegava ao fim, com ares de missão cumprida, e melhor que uma despedida, ouvimos no corredor: vão nos outros andares também, tem gente lá que espera por vocês! Fazer o bem sem ver a quem!

“Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas, satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro” (Dalai Lama)

Jeanne Aiko de Souza Nakagawa, Tunica Caqui.